Primitivas imediatas e integrais definidos
Derivar ao contrário, e o que isso tem que ver com áreas. A tabela das primitivas, o integral definido como a área por baixo de um gráfico, o Teorema Fundamental do Cálculo Integral e a fórmula de Barrow. Um dos três temas opcionais das Aprendizagens Essenciais. Teoria, laboratórios interativos e exercícios com resolução passo a passo.
Revisão · A tabela das derivadas
Primitivar é ler a tabela das derivadas da direita para a esquerda. Antes de a inverter, vale a pena tê-la toda à mão — e reparar em duas coisas que vão decidir tudo o que se segue: a derivada de uma constante é zero, e a função que mede uma área tem por derivada a função que limita a região.
- Conhecer o processo de primitivação (antiderivação) como processo inverso da derivação.
1 · A tabela, no sentido em que já a conheces
Do capítulo das derivadas ficam seis linhas, e são exatamente as seis de que este capítulo precisa. Nada mais.
| Função | Derivada |
|---|---|
A derivada do cosseno é
E duas regras, que também se vão inverter:
Não há regra para a derivada de um produto que seja «o produto das derivadas», nem para o quociente. Ao primitivar acontece o mesmo: só se sabe primitivar combinações lineares.
2 · Duas observações que decidem o capítulo
A primeira. A derivada de uma constante é zero. Logo, se
A segunda é mais surpreendente, e é o assunto de todo o capítulo. Toma
Agora deriva
Medir áreas curvas é um problema com dois mil anos. Arquimedes (c. 287-212 a.C.) calculou a área de um segmento de parábola somando infinitos triângulos — o método da exaustão —, e chegou ao resultado certo dezoito séculos antes de existir cálculo integral. O que faltava não era engenho: era perceber que a área e a derivada são a mesma pergunta vista dos dois lados, e isso só chega no século XVII, com Newton e Leibniz. O símbolo
Mostra que
- Derivar
F , parcela a parcela:F'(x) = \frac{3x^{2}}{3} - 2 \times (-\operatorname{sen} x) = x^{2} + 2\operatorname{sen} x. - Como
F' = f ,F é uma primitiva def . - Outra: qualquer
F(x)+C serve — por exemplo\dfrac{x^{3}}{3}-2\cos x + 5 .Verificar uma primitiva é sempre derivar. É a única conta deste capítulo que nunca falha, e vale a pena fazê-la mesmo quando se tem a certeza.
As funções
- Derivar as duas, pela regra da cadeia:
F'(x) = 2\operatorname{sen} x\cos x, \qquad G'(x) = -2\cos x \times(-\operatorname{sen} x) = 2\operatorname{sen} x\cos x. - A diferença. Pela fórmula fundamental,
F(x) - G(x) = \operatorname{sen}^{2}x + \cos^{2}x = 1, uma constante. - Não são a mesma função — diferem de
1 —, mas são as duas primitivas da mesmaf .Duas primitivas da mesma função diferem sempre por uma constante. É por isso que a resposta a «primitivaf » tem de trazer o+C : sem ele, dá-se uma primitiva, e não a família toda.
Python Derivar ao contrário, por tentativa
def derivada(F, x, h=1e-5):
return (F(x + h) - F(x - h)) / (2*h)
def f(x):
return x**2
candidatos = {
'x**3': lambda x: x**3,
'x**3/3': lambda x: x**3/3,
'x**3/3 + 7': lambda x: x**3/3 + 7,
}
for nome, F in candidatos.items():
erro = max(abs(derivada(F, x) - f(x)) for x in (0.5, 1.0, 2.0))
print('%-12s erro maximo = %.6f' % (nome, erro))
# Primitivar e' adivinhar F tal que F' = f. Adivinhar e' dificil;
# *verificar* e' facil - e este programa so' verifica.
def derivada(F, x, h=1e-5):
return (F(x + h) - F(x - h)) / (2*h) # diferenca centrada
def f(x):
return x**2
candidatos = { # tres palpites para primitiva de x^2
'x**3': lambda x: x**3, # falha: da' 3x^2
'x**3/3': lambda x: x**3/3, # acerta
'x**3/3 + 7': lambda x: x**3/3 + 7, # acerta tambem - a constante nao conta
}
for nome, F in candidatos.items():
# se F' = f em varios pontos, F e' primitiva de f
erro = max(abs(derivada(F, x) - f(x)) for x in (0.5, 1.0, 2.0))
print('%-12s erro maximo = %.6f' % (nome, erro))
Os dois últimos candidatos passam no teste, e o primeiro falha por um fator '-cos(x)' à lista, com f trocada para sin, e confirma o sinal que a caixa acima avisa.
Exercícios propostos
Doze exercícios de revisão. Os quatro últimos não são revisão nenhuma: são o capítulo a começar disfarçado de exercício.
A cor do título dá o grau de dificuldade: verde, aplicação direta · amarelo, exige uma ideia intermédia · vermelho, justificação ou generalização, ao nível do Exame.
Determina a derivada de cada função, de domínio
a)
Determina a derivada de
Determina a derivada de
Mostra que
Determina a derivada de
Determina a derivada de
Verifica que
Determina a derivada de
Num referencial o.n.
Determina a área dessa região.
Considera
Mostra que a área dessa região é
Determina a derivada de
Determina a constante real
Todas saem da tabela, com a constante a passar por cima da derivada:
- a)
f'(x) = 5 \times 4x^{3} = 20x^{3} . - b)
g'(x) = 3e^{x} — a exponencial é a sua própria derivada. - c)
h'(x) = 2\cos x . - d)
j'(x) = 0 : a derivada de uma constante é zero.É a alínea d) que interessa para o que vem a seguir. Como todas as constantes têm derivada nula, uma função não tem uma primitiva — tem uma família inteira.
A derivada de uma soma é a soma das derivadas. Termo a termo.
- Termo a termo:
f'(x) = 3x^{2} - 8x + 1. - O
-9 desaparece.Repara na descida de grau: um polinómio de grau3 tem derivada de grau2 . Ao primitivar, o grau sobe — é a primeira coisa a verificar numa primitiva de um polinómio.
Para a segunda, ou usas a regra da cadeia, ou reparas que
f'(x) = \dfrac{1}{x} .- Como
\ln(3x) = \ln 3 + \ln x e\ln 3 é constante,g'(x) = \dfrac{1}{x}. - As duas têm a mesma derivada — e diferem por uma constante,
\ln 3 .É o exemplo que explica o+C : duas funções com a mesma derivada não são iguais, mas a diferença entre elas é constante.
Deriva a primeira. Para as outras, soma-lhe constantes diferentes.
F'(x) = \dfrac{4x^{3}}{4} = x^{3} .- Somando constantes:
\dfrac{x^{4}}{4}+1 ,\dfrac{x^{4}}{4}-7 ,\dfrac{x^{4}}{4}+\sqrt{2} . - Todas têm derivada
x^{3} .Escrever uma função com derivadax^{3} é fácil; o que a secção 1 vai pedir é escrever todas.
Regra do produto:
- Com
u = x ev = e^{x} :f'(x) = 1 \times e^{x} + x \times e^{x} = e^{x}(1+x). - Em evidência fica
e^{x}(x+1) .Guarda este resultado: significa quex e^{x} é uma primitiva dee^{x}(x+1) . Ler a tabela ao contrário é exatamente isto.
A simplificação é
- Pelo quociente, com
u = x^{2}+1 ev = x :f'(x) = \frac{2x \times x - (x^{2}+1)}{x^{2}} = \frac{x^{2}-1}{x^{2}}. - Simplificando primeiro,
f(x) = x + x^{-1} :f'(x) = 1 - x^{-2} = 1 - \frac{1}{x^{2}} = \frac{x^{2}-1}{x^{2}}. - O mesmo resultado, com metade do trabalho.Separar a fração antes de mexer é o gesto que a secção 1 vai usar sem parar: só se sabe primitivar somas, e não quocientes.
Verificar uma primitiva é sempre a mesma coisa: derivar
- Derivando parcela a parcela:
F'(x) = -(-\operatorname{sen} x) + \frac{2x}{2} = \operatorname{sen} x + x. - Como
F' = f ,F é uma primitiva def .Repara no sinal: a derivada do cosseno é-\operatorname{sen} x , e por isso a primitiva do seno é-\cos x . É o único sinal desta tabela que engana.
- Como potência:
f(x) = x^{1/2} . - Regra da potência:
f'(x) = \frac{1}{2}x^{-1/2} = \frac{1}{2\sqrt{x}}.
Faz o desenho. A região é um retângulo — a área sai da geometria do 5.º ano, sem integral nenhum.
- A região é o retângulo de base
4-1 = 3 e altura2 . A = 3 \times 2 = 6 .Este é o caso em que a resposta se sabe de antemão — e é por isso que serve para testar qualquer método novo de calcular áreas. Se um método falhar aqui, não vale nada.
A região é um triângulo retângulo. Depois deriva
- A área. É o triângulo de catetos
b ef(b) = b :A(b) = \frac{b \times b}{2} = \frac{b^{2}}{2}. - A derivada. Derivando em ordem a
b :A'(b) = \frac{2b}{2} = b = f(b). - A função que mede a área tem por derivada a função que limita a região.Isto não é coincidência deste triângulo: é o Teorema Fundamental do Cálculo Integral, que a secção 3 demonstra. Vale a pena guardar o resultado antes de saber o nome dele.
Regra do produto na primeira parcela. Repara no que sobra depois de subtrair o
- A primeira parcela, pela regra do produto:
\left(x\ln x\right)' = 1 \times \ln x + x \times \frac{1}{x} = \ln x + 1. - Juntando:
F'(x) = \ln x + 1 - 1 = \ln x. - Portanto
F é uma primitiva de\ln x .O logaritmo não está na tabela de primitivas das Aprendizagens Essenciais — e mesmo assim tem primitiva. Encontrá-la exige adivinhar; verificar é imediato. É a diferença entre derivar e primitivar em duas linhas.
Deriva
F'(x) = 3kx^{2} .- Para que
F' = f é preciso3kx^{2} = x^{2} para todo ox , logo3k = 1 . k = \dfrac{1}{3} , eF(x) = \dfrac{x^{3}}{3} .É este raciocínio, feito de uma vez parax^{n} , que dá a linha mais usada da tabela de primitivas:\frac{x^{n+1}}{n+1} . O denominador não é decoração — é o que compensa o expoente que desce ao derivar.
Primitivas imediatas
A pergunta ao contrário: de que função é que isto é a derivada? Não há algoritmo — há uma tabela, duas propriedades, e o hábito de arrumar a expressão antes de lhe mexer.
- Conhecer o processo de primitivação (antiderivação) como processo inverso da derivação.
- Provar e aplicar as propriedades
P(kf) = kP(f) eP(f+g) = P(f)+P(g) . - Construir uma tabela de primitivas simples, envolvendo funções polinomiais,
\frac{1}{x} ,e^{x} ,\operatorname{sen}(x) e\cos(x) .
1 · O que é uma primitiva
Sendo
Escreve-se
O plural não é um descuido. Se
Se
- Que cada
F+C é primitiva é imediato:(F+C)' = F' + 0 = f . - Falta ver que não há outras. Seja
G uma primitiva qualquer def emI e considere-seH = G - F . EntãoH'(x) = G'(x) - F'(x) = f(x) - f(x) = 0, \quad \forall x \in I. - Uma função com derivada nula em todo um intervalo é constante nesse intervalo. Logo
H = C para alguma constanteC , ou sejaG = F + C . - Portanto toda a primitiva de
f emI é da formaF+C .
O resultado exige que
Laboratório · A família das primitivas
interativoArrasta o
2 · A tabela
Cada linha é uma linha da tabela das derivadas, lida da direita para a esquerda. Nenhuma se decora: verifica-se, derivando.
| Função | Primitivas |
|---|---|
O expoente
3 · As duas propriedades
Uma constante atravessa a primitivação; uma soma primitiva-se parcela a parcela. Não há mais nenhuma regra — em particular, a primitiva de um produto não é o produto das primitivas.
- Constante. Seja
F uma primitiva def , isto éF' = f . Então(kF)' = k F' = k f, logokF é primitiva dekf . Ou seja,P(kf) = kP(f) . - Soma. Sejam
F eG primitivas def e deg . Então(F+G)' = F' + G' = f + g, logoF+G é primitiva def+g . - As duas propriedades são as das derivadas, lidas ao contrário — e é só por isso que valem.
Só se primitivam combinações lineares das funções da tabela. Tudo o resto — produtos, quocientes, potências de somas — tem de ser desfeito primeiro, por multiplicação ou por separação de frações, até ficar uma soma de termos da tabela. Se não der para desfazer, o exercício está fora do programa.
Determina as primitivas de
- Não há regra do quociente. Separa-se a fração, parcela a parcela:
f(x) = \frac{x^{2}}{x} + \frac{4x}{x} - \frac{1}{x} = x + 4 - \frac{1}{x}. - Agora são três linhas da tabela:
P(f) = \frac{x^{2}}{2} + 4x - \ln x + C. - Confirmação, derivando:
x + 4 - \frac{1}{x} , que éf(x) .O-\ln x aparece com o sinal do termo que lhe deu origem. É fácil primitivar\frac{1}{x} e esquecer o menos que estava à frente.
Um ponto move-se numa reta com aceleração
Determina a posição
- Da aceleração para a velocidade. Como
v' = a ,v(t) = 3t^{2} + C_{1}. Dev(0) = 2 vemC_{1} = 2 , logov(t) = 3t^{2}+2 . - Da velocidade para a posição. Como
s' = v ,s(t) = t^{3} + 2t + C_{2}. Des(0) = 1 vemC_{2} = 1 . - Portanto
s(t) = t^{3} + 2t + 1 metros.Fecha-se cada constante antes de primitivar outra vez. LevarC_{1} por determinar para o passo seguinte transforma-o numC_{1}t , e o sistema fica com duas incógnitas onde podia ter uma de cada vez.
Python A tabela de primitivas, verificada em bloco
from math import exp, log, sin, cos
def derivada(F, x, h=1e-6):
return (F(x + h) - F(x - h)) / (2*h)
tabela = [
('x**4', lambda x: x**4/4, lambda x: x**3),
('e**x', lambda x: exp(x), lambda x: exp(x)),
('1/x', lambda x: log(x), lambda x: 1/x),
('sen x', lambda x: -cos(x), lambda x: sin(x)),
('cos x', lambda x: sin(x), lambda x: cos(x)),
]
print('%-8s %s' % ('f', "erro maximo de (P(f))' - f"))
for nome, P, f in tabela:
erro = max(abs(derivada(P, x) - f(x)) for x in (0.4, 0.9, 1.7, 2.3))
print('%-8s %.2e' % (nome, erro))
# Cada linha da tabela e' uma afirmacao verificavel: a derivada da
# primitiva tem de dar a funcao. Este programa testa-as todas de uma vez.
from math import exp, log, sin, cos
def derivada(F, x, h=1e-6):
return (F(x + h) - F(x - h)) / (2*h) # diferenca centrada
tabela = [
# nome, primitiva proposta, funcao que devia sair ao derivar
('x**4', lambda x: x**4/4, lambda x: x**3),
('e**x', lambda x: exp(x), lambda x: exp(x)),
('1/x', lambda x: log(x), lambda x: 1/x),
('sen x', lambda x: -cos(x), lambda x: sin(x)), # atencao ao sinal
('cos x', lambda x: sin(x), lambda x: cos(x)),
]
print('%-8s %s' % ('f', "erro maximo de (P(f))' - f"))
for nome, P, f in tabela:
# se a linha estiver certa, o erro e' so' o do calculo numerico
erro = max(abs(derivada(P, x) - f(x)) for x in (0.4, 0.9, 1.7, 2.3))
print('%-8s %.2e' % (nome, erro))
Todos os erros ficam na ordem de -cos(x) e vê o erro saltar para a ordem da unidade: é assim que se apanha o engano de sinal.
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre a tabela e as duas propriedades. Em metade deles o trabalho não é primitivar — é arrumar a expressão até só sobrarem termos da tabela.
Determina as primitivas de cada função.
a)
Determina as primitivas de
Determina as primitivas de
Determina as primitivas de
Determina as primitivas de
Determina as primitivas de
Determina as primitivas de
De uma função
Determina
Um depósito recebe água a um caudal de
Determina o volume
Determina as primitivas de
De uma função
Determina
Sejam
Mostra que
Cada uma é uma linha da tabela. Não esqueças o
- a)
\dfrac{x^{6}}{6} + C . - b)
4x + C . - c)
e^{x} + C . - d)
\operatorname{sen} x + C .Confere sempre por derivação: é uma conta de dois segundos que apanha o erro de sinal e o denominador trocado.
Primitiva parcela a parcela e deixa as constantes passar por fora.
- Parcela a parcela:
P(f) = 3 \times \frac{x^{3}}{3} - 5 \times \frac{x^{2}}{2} + 2x + C. - Simplificando:
P(f) = x^{3} - \frac{5x^{2}}{2} + 2x + C. - Confirmação: derivando obtém-se
3x^{2}-5x+2 .Um só+C no fim, e não um por parcela: a soma de três constantes é uma constante.
A constante sai para fora. O que fica é a linha do
- Pela linearidade,
P(f) = 3\,P\!\left(\frac{1}{x}\right) = 3\ln|x| + C. - Como o domínio é
\mathbb{R}^{+} , pode escrever-se3\ln x + C .O módulo dentro do logaritmo não é um enfeite:\frac{1}{x} também está definida parax < 0 , e aí a primitiva é\ln(-x) . Escrever\ln|x| cobre os dois casos de uma vez.
Duas linhas da tabela. Cuidado com o sinal da primeira.
- Parcela a parcela:
P(f) = 2 \times (-\cos x) + \frac{1}{2}\operatorname{sen} x + C = -2\cos x + \frac{1}{2}\operatorname{sen} x + C. - Confirmação: a derivada de
-2\cos x é2\operatorname{sen} x .
Não há regra para primitivar um quociente. Separa a fração primeiro — fica uma soma.
- Separar a fração, para
x \neq 0 :f(x) = \frac{x^{3}}{x} - \frac{2x}{x} = x^{2} - 2. - Primitivar o que sobrou:
P(f) = \frac{x^{3}}{3} - 2x + C. É este o gesto que salva metade dos exercícios do capítulo: só se sabe primitivar somas, e por isso tudo o que for produto, quociente ou potência de soma tem de ser desfeito primeiro.
Desenvolve o quadrado. A tentação de primitivar «pela cadeia ao contrário» dá o resultado errado aqui.
- Desenvolver:
f(x) = x^{2} + 2x + 1 . - Primitivar:
P(f) = \frac{x^{3}}{3} + x^{2} + x + C. - Confirmação: a derivada é
x^{2}+2x+1 = (x+1)^{2} .Aqui\frac{(x+1)^{3}}{3} também seria uma primitiva — desenvolve-o e vê que difere do resultado acima por uma constante,\frac{1}{3} . Não há contradição: são duas primitivas da mesma função.
Escreve as duas raízes como potências de expoente racional. Depois é a mesma linha da tabela, duas vezes.
- Como potências:
f(x) = x^{1/2} + x^{-1/2} . - Primitivar, com
\frac{x^{n+1}}{n+1} em cada uma:P(f) = \frac{x^{3/2}}{3/2} + \frac{x^{1/2}}{1/2} + C = \frac{2}{3}x^{3/2} + 2x^{1/2} + C. - Ou seja,
\dfrac{2}{3}x\sqrt{x} + 2\sqrt{x} + C .O expoente-\frac{1}{2} não é o caso proibido: o único expoente que a regra não cobre én = -1 , porque aí o denominadorn+1 seria zero — e é precisamente por isso que\frac{1}{x} tem uma linha só para si.
Primitiva primeiro, com o
- A família:
F(x) = 3x^{2} - 4x + C. - A condição. De
F(1) = 5 :3 - 4 + C = 5 \iff C = 6. - Logo
F(x) = 3x^{2} - 4x + 6 .Uma condição do géneroF(a) = b fixa a constante e escolhe uma curva da família. É assim que um problema de física passa de «a aceleração é esta» para «a posição é esta».
O caudal é a taxa de variação do volume:
- Traduzir. O caudal é a taxa a que o volume varia, logo
V'(t) = c(t) . - Primitivar:
V(t) = 4t + t^{2} + C. - A condição inicial.
V(0) = 10 dáC = 10 . - Portanto
V(t) = t^{2} + 4t + 10 litros.A constante é o que já lá estava antes de o processo começar. Sem ela, o modelo diria que o depósito partiu vazio — e o enunciado diz que não.
Divide cada parcela do numerador pelo denominador. As três resultantes estão todas na tabela.
- Separar:
f(x) = \frac{2x^{2}}{x^{2}} - \frac{3x}{x^{2}} + \frac{1}{x^{2}} = 2 - \frac{3}{x} + x^{-2}. - Primitivar as três parcelas:
P(f) = 2x - 3\ln x + \frac{x^{-1}}{-1} + C = 2x - 3\ln x - \frac{1}{x} + C. - Confirmação: derivando,
2 - \frac{3}{x} + \frac{1}{x^{2}} .Repara que a mesma expressão produziu três linhas diferentes da tabela: a constante, o logaritmo e a potência. É por isso que separar compensa sempre.
Duas primitivações seguidas, cada uma com a sua constante — e cada condição fixa uma delas. Não avances para a segunda antes de fechar a primeira.
- Primeira primitivação, de
f'' paraf' :f'(x) = 6x^{2} + C_{1}. - Fechar
C_{1} : def'(0) = 1 vemC_{1} = 1 , logof'(x) = 6x^{2}+1 . - Segunda primitivação:
f(x) = 2x^{3} + x + C_{2}. - Fechar
C_{2} : def(0) = -2 vemC_{2} = -2 . - Portanto
f(x) = 2x^{3} + x - 2 .Duas primitivações, duas constantes, duas condições. LevarC_{1} por resolver para a segunda primitivação transforma-o numC_{1}x e complica tudo sem necessidade.
Considera
- A função diferença. Seja
H = F - G . EntãoH'(x) = F'(x) - G'(x) = f(x) - f(x) = 0, \quad \forall x \in I. - Derivada nula num intervalo. Uma função com derivada nula em todo um intervalo não cresce nem decresce em parte nenhuma dele: é constante em
I . - Logo
F - G = C , e portantoF = G + C .A hipótese intervalo é essencial. Em\mathbb{R}\setminus\{0\} , que não é um intervalo, a função que vale0 parax < 0 e1 parax > 0 tem derivada nula e não é constante.
A área por baixo de um gráfico
Um retângulo tem área. Um triângulo tem área. E a região por baixo de uma parábola? A pergunta tem dois mil anos, e a resposta começa por se apertar a região entre duas somas que se sabem calcular.
- Reconhecer o integral definido de uma função positiva como a área de uma região compreendida entre o gráfico da função num intervalo e o eixo das abcissas.
- Propor a elaboração de um programa em Python para aproximar o valor de um integral.
1 · Apertar a região entre duas somas
Seja
Estas somas chamam-se somas de Riemann, de Bernhard Riemann (1826-1866), que lhes deu a forma definitiva em 1854. Fica sempre
Aumentar
Sendo
à área da região do plano limitada pelo gráfico de
O
Laboratório · A área por baixo do gráfico
interativoPõe
2 · O que o integral herda das áreas
Como o integral é uma área, três propriedades saem do desenho antes de saírem de qualquer conta.
Para
As duas primeiras são a linearidade, herdada das primitivas. A terceira diz que uma região partida em duas tem área igual à soma das partes.
Determina
- Que região é. O gráfico é uma reta. A região é o trapézio limitado por essa reta, pelo eixo
Ox e pelas verticaisx = 0 ex = 4 . - As bases, que são os valores nos extremos:
f(0) = 1 ef(4) = 3 . A altura do trapézio é4 . - A área:
\int_{0}^{4}\left(\frac{x}{2}+1\right)dx = \frac{(1+3) \times 4}{2} = 8. Sempre que o gráfico for uma reta — ou um bocado de circunferência —, a geometria é mais rápida e não engana. Procurar primitiva aqui é trabalho a mais.
Mostra que
- O menor e o maior valor. Em
\left[1,\,3\right] a função\frac{4}{x} é decrescente, logom = f(3) = \frac{4}{3} \quad\text{e}\quad M = f(1) = 4. - Os dois retângulos, ambos de base
3-1 = 2 :\frac{4}{3} \times 2 \leq \int_{1}^{3}\frac{4}{x}\,dx \leq 4 \times 2, isto é\frac{8}{3} \leq I \leq 8 . - Como
\frac{8}{3} > 2 , em particular2 \leq I \leq 8 .O valor exato é4\ln 3 \approx 4{,}39 , que de facto cai lá dentro. Um enquadramento destes não substitui o cálculo, mas apanha um erro grosseiro em dez segundos.
Python Aproximar um integral pelo ponto médio
def integral_aproximado(f, a, b, N):
dt = (b - a) / N
soma = 0
for k in range(N):
soma += f(a + k*dt + dt/2)
return dt * soma
def f(x):
from math import exp
return exp(x) / x
N = 20
for d in range(10):
N = 2 * N
print('Com N =', N, ' o integral aproximado da: ', integral_aproximado(f, 1, 5, N))
# O intervalo [a,b] e' partido em N pedacos iguais; em cada um multiplica-se
# o valor no PONTO MEDIO pela largura, e somam-se os contributos.
def integral_aproximado(f, a, b, N):
dt = (b - a) / N # largura de cada pedaco
soma = 0
for k in range(N):
soma += f(a + k*dt + dt/2) # altura lida no meio do pedaco
return dt * soma
def f(x):
from math import exp
return exp(x) / x # nao tem primitiva elementar
N = 20
for d in range(10):
N = 2 * N # duplicar N a cada passo
# ao duplicar, ve-se estabilizar mais uma casa decimal de cada vez
print('Com N =', N, ' o integral aproximado da: ', integral_aproximado(f, 1, 5, N))
É o programa das Aprendizagens Essenciais, e o exemplo é o mesmo do Compêndio de Matemática de Sebastião e Silva. Repara que
Exercícios propostos
Doze exercícios. Nos quatro primeiros a área lê-se na geometria; nos outros treina-se o enquadramento e as propriedades — tudo antes de existir fórmula de cálculo.
Seja
Seja
Seja
Considera
Determina a soma dos retângulos com altura no extremo esquerdo de cada intervalo.
Para a mesma função
Entre que dois valores fica, então, o valor de
Sabendo que
Sabendo que
Seja
Determina
Considera
Determina a soma com altura no ponto médio de cada intervalo, com três casas decimais.
Seja
Justifica que
Considera
Mostra que a soma com altura no extremo direito é
Na figura seguinte está parte do gráfico de uma função
Sabe-se que
Determina
Desenha a região. É um retângulo — não é preciso primitiva nenhuma.
- A região é o retângulo de base
5-1 = 4 e altura3 . \int_{1}^{5} 3\,dx = 4 \times 3 = 12.
A região é um triângulo retângulo com os catetos sobre os eixos.
- A região é o triângulo de catetos
3 ef(3) = 3 . \int_{0}^{3} x\,dx = \frac{3 \times 3}{2} = \frac{9}{2}. Vale a pena guardar este valor: a secção 3 vai calculá-lo outra vez, com a fórmula de Barrow, e tem de dar o mesmo.
A região é um trapézio: duas bases verticais,
- As bases:
f(0) = 1 ef(2) = 5 . A altura do trapézio é2-0 = 2 . \int_{0}^{2}(2x+1)\,dx = \frac{(1+5) \times 2}{2} = 6.
A amplitude de cada intervalo é
- Amplitude:
h = \dfrac{2-0}{4} = 0{,}5 . - Alturas, em
0;\ 0{,}5;\ 1;\ 1{,}5 :0;\ 0{,}25;\ 1;\ 2{,}25 . - Soma:
S = 0{,}5 \times (0 + 0{,}25 + 1 + 2{,}25) = 0{,}5 \times 3{,}5 = 1{,}75. - O valor exato do integral é
\frac{8}{3} \approx 2{,}67 : com só quatro retângulos, e pela esquerda, a soma fica bastante abaixo.Comf crescente, o extremo esquerdo dá sempre o retângulo mais baixo — a soma fica por defeito. Pela direita ficaria por excesso.
As alturas passam a ler-se em
- Alturas, em
0{,}5;\ 1;\ 1{,}5;\ 2 :0{,}25;\ 1;\ 2{,}25;\ 4 . - Soma:
S = 0{,}5 \times (0{,}25 + 1 + 2{,}25 + 4) = 0{,}5 \times 7{,}5 = 3{,}75. - O enquadramento. Como
f é crescente, a soma pela esquerda fica por defeito e a soma pela direita por excesso:1{,}75 < \int_{0}^{2} x^{2}\,dx < 3{,}75. Quatro retângulos dão um intervalo com dois de amplitude — inútil na prática. Duplicarn corta a amplitude ao meio, e é esse aperto que define o integral.
As duas regiões encostam uma à outra em
- A região sobre
\left[0,\,6\right] é a união das regiões sobre\left[0,\,2\right] e\left[2,\,6\right] , que só têm em comum um segmento. - Logo as áreas somam-se:
\int_{0}^{6} f(x)\,dx = 5 + 3 = 8. É a propriedade aditiva em relação ao intervalo, e lê-se no desenho antes de se escrever em símbolos.
O integral herda as duas propriedades da primitivação: constantes saem para fora, somas separam-se.
- Pela linearidade,
\int_{1}^{4}\left(2f+3g\right) = 2\int_{1}^{4} f + 3\int_{1}^{4} g. - Substituindo:
2 \times 7 + 3 \times 2 = 20 .
Parte o intervalo em
- Em
\left[0,\,3\right] : retângulo de base3 e altura2 , área6 . - Em
\left[3,\,6\right] : trapézio de basesf(3) = 2 ef(6) = 5 e altura3 :\frac{(2+5) \times 3}{2} = \frac{21}{2} = 10{,}5. - Somando:
6 + 10{,}5 = 16{,}5 .A função não é contínua em3 — dá um salto de2 para2 … não dá:f(3^{-}) = 2 ef(3) = 2 , encaixa. Vale a pena confirmar sempre esse encaixe antes de somar as áreas.
A amplitude é
- Pontos médios:
1{,}25 e1{,}75 . - Alturas:
\frac{1}{1{,}25} = 0{,}8 e\frac{1}{1{,}75} \approx 0{,}5714 . - Soma:
S = 0{,}5 \times (0{,}8 + 0{,}5714) \approx 0{,}686. - O valor exato é
\ln 2 \approx 0{,}693 .Com dois retângulos ao ponto médio já se acerta na segunda casa decimal. Pela esquerda, com dois, o erro seria umas dez vezes maior — o ponto médio compensa por cima o que falha por baixo.
Desenha os dois retângulos: um de altura
- O retângulo de baixo. Como
f(x) \geq m em todo o intervalo, a região por baixo do gráfico contém o retângulo de baseb-a e alturam . - O de cima. Como
f(x) \leq M , a região está contida no retângulo de baseb-a e alturaM . - Áreas. Uma região contida noutra tem área menor ou igual, logo
m(b-a) \leq \int_{a}^{b} f(x)\,dx \leq M(b-a). É a estimativa mais grosseira que existe — e a mais útil para uma verificação rápida: se um cálculo der um valor fora deste intervalo, há erro de certeza.
A amplitude é
- Escrever a soma. Amplitude
\frac{1}{n} , alturasf\!\left(\frac{k}{n}\right) = \frac{k}{n} :S_{n} = \sum_{k=1}^{n} \frac{1}{n} \times \frac{k}{n} = \frac{1}{n^{2}}\sum_{k=1}^{n} k. - A soma dos primeiros
n naturais:S_{n} = \frac{1}{n^{2}} \times \frac{n(n+1)}{2} = \frac{n+1}{2n}. - O limite:
\lim_{n \to +\infty} \frac{n+1}{2n} = \frac{1}{2}. - E
\frac{1}{2} é a área do triângulo de catetos1 e1 .É o único caso do capítulo em que a definição se leva até ao fim à mão. Serve para ver que o número existe e é o esperado — depois usa-se Barrow, que faz o mesmo em duas linhas.
Dois trapézios encostados em
- Primeiro trapézio, em
\left[0,\,2\right] : bases1 e4 , altura2 .A_{1} = \frac{(1+4) \times 2}{2} = 5. - Segundo, em
\left[2,\,4\right] : bases4 e0{,}5 , altura2 .A_{2} = \frac{(4+0{,}5) \times 2}{2} = 4{,}5. - Total:
5 + 4{,}5 = 9{,}5 .Quando o gráfico é feito de segmentos, o integral é geometria pura — e é bom lembrar-se disso antes de procurar primitivas que não são precisas.
Teorema Fundamental e fórmula de Barrow
As duas metades do capítulo encontram-se aqui. A área acumulada é uma função de
- Conhecer e aplicar o Teorema Fundamental do Cálculo Integral e a Fórmula de Barrow para calcular integrais definidos.
1 · A área como função
Fixa-se
Sendo
A variável de integração passa a chamar-se
Laboratório · A função área
interativoArrasta o
2 · O Teorema Fundamental
Sendo
é derivável em
- A ideia. Para
h > 0 pequeno,A(x+h) - A(x) é a área da faixa fina entrex ex+h . - Enquadrar a faixa. Sejam
m_{h} eM_{h} o menor e o maior valor def em\left[x,\,x+h\right] . A faixa contém o retângulo de alturam_{h} e está contida no de alturaM_{h} , ambos de baseh :m_{h}\,h \leq A(x+h) - A(x) \leq M_{h}\,h. - Dividir por
h :m_{h} \leq \frac{A(x+h) - A(x)}{h} \leq M_{h}. - Fazer
h \to 0 . Comof é contínua emx , tantom_{h} comoM_{h} tendem paraf(x) — o intervalo\left[x,\,x+h\right] encolhe sobre o ponto. - A razão incremental fica entalada entre dois valores que tendem ambos para
f(x) , logo tende paraf(x) . Isto é,A'(x) = \lim_{h \to 0}\frac{A(x+h)-A(x)}{h} = f(x). - O caso
h < 0 é análogo, com o intervalo\left[x+h,\,x\right] .
Porque liga dois problemas que não tinham nada que ver um com o outro: traçar tangentes e medir áreas. Durante dois mil anos foram assuntos separados, cada um com os seus métodos. O teorema diz que são a mesma pergunta, lida nos dois sentidos.
3 · A fórmula de Barrow
Deve o nome a Isaac Barrow (1630-1677), professor de Newton em Cambridge, que chegou muito perto do teorema antes de o aluno o formular por inteiro.
Do teorema sai imediatamente a fórmula que se usa para calcular. Se
Sendo
- Seja
A(x) = \displaystyle\int_{a}^{x} f(t)\,dt . Pelo Teorema Fundamental,A é uma primitiva def em\left[a,\,b\right] . - Seja
F outra primitiva qualquer. Como duas primitivas da mesma função num intervalo diferem por uma constante,F(x) = A(x) + C. - Nos dois extremos:
F(b) - F(a) = \left(A(b)+C\right) - \left(A(a)+C\right) = A(b) - A(a). - Ora
A(a) = \displaystyle\int_{a}^{a} f = 0 , porque a região é vazia, eA(b) = \displaystyle\int_{a}^{b} f . Logo\int_{a}^{b} f(x)\,dx = F(b) - F(a).
O
Calcula
- Uma primitiva, parcela a parcela e com
C = 0 :F(x) = \frac{x^{3}}{3} - 2\ln x. - Nos dois limites:
F(3) = 9 - 2\ln 3, \qquad F(1) = \frac{1}{3} - 0 = \frac{1}{3}. - Subtrair:
\int_{1}^{3}\left(x^{2}-\frac{2}{x}\right)dx = 9 - 2\ln 3 - \frac{1}{3} = \frac{26}{3} - 2\ln 3. - Aproximadamente
8{,}67 - 2{,}20 = 6{,}47 .Deixar a resposta exata e só depois dar o valor aproximado é o que se pede. Arredondar a meio da conta perde casas e não poupa trabalho nenhum.
Seja
- A derivada, pelo Teorema Fundamental — sem calcular integral nenhum:
G'(x) = x^{3}+1. - Em
x = 2 : a região é vazia, logoG(2) = 0 . - O mínimo. Para
x \geq 2 tem-seG'(x) = x^{3}+1 \geq 9 > 0 , logoG é crescente e o mínimo é atingido no extremo esquerdo:\min G = G(2) = 0. As três respostas saem sem primitivart^{3}+1 . Quando a pergunta é sobre o comportamento da função área, o teorema chega — a fórmula de Barrow só é precisa quando se quer um número.
Python Barrow contra o ponto médio
from math import log
def ponto_medio(f, a, b, N):
dt = (b - a) / N
return dt * sum(f(a + k*dt + dt/2) for k in range(N))
def f(x):
return 1/x
exato = log(3) - log(1)
print('%6s %-18s %s' % ('N', 'ponto medio', 'erro'))
for N in (2, 5, 10, 50, 200, 1000):
aprox = ponto_medio(f, 1, 3, N)
print('%6d %-18.12f %.2e' % (N, aprox, abs(aprox - exato)))
print('Barrow:', exato)
# Duas maneiras de calcular o mesmo integral, lado a lado:
# a aproximacao numerica, que precisa de N grande, e Barrow, que e' exato.
from math import log
def ponto_medio(f, a, b, N):
dt = (b - a) / N
return dt * sum(f(a + k*dt + dt/2) for k in range(N))
def f(x):
return 1/x
exato = log(3) - log(1) # [ln x] de 1 a 3, pela formula de Barrow
print('%6s %-18s %s' % ('N', 'ponto medio', 'erro'))
for N in (2, 5, 10, 50, 200, 1000):
aprox = ponto_medio(f, 1, 3, N)
# o erro cai como 1/N^2: multiplicar N por 10 tira duas casas ao erro
print('%6d %-18.12f %.2e' % (N, aprox, abs(aprox - exato)))
print('Barrow:', exato)
Com
Exercícios propostos
Doze exercícios. Repara nos que se resolvem sem calcular integral nenhum: é aí que o teorema está a ser usado, e não a fórmula.
Calcula, pela fórmula de Barrow.
a)
Calcula
Calcula
Calcula
Calcula
Calcula
Seja
a) Determina
Seja
Justifica que
Determina o valor real
Seja
Justifica que o gráfico de
Determina
Sejam
Mostra que
Em cada uma: escreve uma primitiva, calcula-a nos dois limites e subtrai. O
- a)
\left[\dfrac{x^{3}}{3}\right]_{0}^{2} = \dfrac{8}{3} - 0 = \dfrac{8}{3} . - b)
\left[x^{2}\right]_{1}^{3} = 9 - 1 = 8 . - c)
\left[e^{x}\right]_{0}^{1} = e - 1 . - d)
\left[-\cos x\right]_{0}^{{\pi}} = -\cos{\pi} + \cos 0 = 1 + 1 = 2 .Na alínea d) o sinal aparece duas vezes: uma na primitiva, outra na subtração. É onde mais se erra no capítulo inteiro.
Por Barrow, uma primitiva é
- Por Barrow:
\int_{1}^{4}(2x+3)\,dx = \left[x^{2}+3x\right]_{1}^{4} = (16+12)-(1+3) = 24. - Pela geometria: trapézio de bases
f(1) = 5 ef(4) = 11 e altura3 :\frac{(5+11) \times 3}{2} = 24. - Os dois métodos dão o mesmo.Sempre que a geometria também sabe responder, vale a pena usá-la como confirmação. É a maneira mais rápida de apanhar um erro de primitiva.
Uma primitiva de
\int_{1}^{e}\frac{1}{x}\,dx = \left[\ln x\right]_{1}^{e} = \ln e - \ln 1 = 1 - 0 = 1. - A área por baixo da hipérbole, entre
1 ee , é exatamente1 .É uma das maneiras de definir o númeroe : é a abcissa onde essa área chega a1 .
Duas parcelas, duas linhas da tabela. Cuidado ao substituir
- Primitiva:
\operatorname{sen} x + x . - Barrow:
\left[\operatorname{sen} x + x\right]_{0}^{{\pi}/2} = \left(1 + \frac{{\pi}}{2}\right) - (0+0) = 1 + \frac{{\pi}}{2}.
Separa a fração antes de procurar primitiva. Depois é Barrow, com duas parcelas.
- Separar:
\dfrac{x^{2}+1}{x} = x + \dfrac{1}{x} , parax > 0 . - Primitiva:
\dfrac{x^{2}}{2} + \ln x . - Barrow:
\left[\frac{x^{2}}{2}+\ln x\right]_{1}^{2} = \left(2 + \ln 2\right) - \left(\frac{1}{2} + 0\right) = \frac{3}{2} + \ln 2.
Não há primitiva de um produto. Multiplica primeiro.
- Multiplicar:
x(x+2) = x^{2}+2x . - Primitiva:
\dfrac{x^{3}}{3}+x^{2} . - Barrow:
\left[\frac{x^{3}}{3}+x^{2}\right]_{0}^{1} = \frac{1}{3}+1 = \frac{4}{3}. Primitivar cada fator e multiplicar daria\frac{x^{2}}{2}\left(\frac{x^{2}}{2}+2x\right) , cuja derivada não éx(x+2) . Não há regra do produto na primitivação.
Para a alínea a) não é preciso calcular integral nenhum: é o Teorema Fundamental, aplicado diretamente.
- a) Pelo Teorema Fundamental do Cálculo Integral, a derivada da função área é a função integranda avaliada em
x :F'(x) = x^{2}+1. - b) Agora sim, por Barrow:
F(3) = \left[\frac{t^{3}}{3}+t\right]_{0}^{3} = (9+3) - 0 = 12. As duas alíneas medem coisas diferentes: a primeira é o teorema, a segunda é a fórmula que dele decorre. Calcular o integral para responder à a) é trabalho desperdiçado.
Pelo Teorema Fundamental,
- Pelo Teorema Fundamental do Cálculo Integral,
A'(x) = f(x) para todo ox \in \left[0,\,10\right] . - Como
f é positiva,A'(x) > 0 em todo o intervalo. - Uma função com derivada positiva num intervalo é crescente nesse intervalo. Logo
A é crescente.Faz sentido antes de qualquer conta: acrescentar mais um bocado de intervalo acrescenta mais um bocado de área, e a área acumulada só pode subir.
Calcula o integral em função de
- Barrow:
\int_{1}^{b}\frac{1}{x}\,dx = \left[\ln x\right]_{1}^{b} = \ln b. - A equação:
\ln b = 2 \iff b = e^{2} . - Como
e^{2} \approx 7{,}39 > 1 , o valor serve.Verificar a condiçãob > 1 não é formalidade: se a equação desseb = e^{-2} , o limite superior ficaria abaixo do inferior e a região deixaria de fazer sentido.
A concavidade lê-se no sinal de
- Pelo Teorema Fundamental,
A'(x) = f(x) . - Derivando outra vez,
A''(x) = f'(x) . - Num intervalo onde
f é crescente tem-sef' \geq 0 , logoA'' \geq 0 e o gráfico deA tem a concavidade voltada para cima.Traduzido: onde a função cresce, a área acumula-se cada vez mais depressa. O teorema desce um nível — o que era monotonia def passa a concavidade deA .
Barrow dá um polinómio em
- Barrow:
\int_{0}^{k}(2x+1)\,dx = \left[x^{2}+x\right]_{0}^{k} = k^{2}+k. - A equação:
k^{2}+k-12 = 0 , cujas raízes sãok = \frac{-1 \pm \sqrt{1+48}}{2} = \frac{-1 \pm 7}{2} \iff k = 3 \lor k = -4. - Como
k > 0 , ficak = 3 .A raiz negativa não se rejeita «porque sim»: rejeita-se porque a região está definida de0 ak comk > 0 . Dizê-lo faz parte da resposta.
Calcula as derivadas das duas. Ou, mais direto, calcula cada integral por Barrow.
- Pelo teorema.
F'(x) = \dfrac{1}{x} eG'(x) = \dfrac{1}{x} , logo(F-G)' = 0 em\mathbb{R}^{+} , que é um intervalo:F-G é constante. - A constante, por Barrow:
F(x) = \ln x - \ln 1 = \ln x, \qquad G(x) = \ln x - \ln 2. - Logo
F(x) - G(x) = \ln 2 .Mudar o limite inferior de integração muda a função área — mas só por uma constante. É a mesma família de primitivas, vista de outro ponto de partida.
Áreas de regiões planas
Com Barrow na mão, o trabalho muda de sítio. Já não está em calcular o integral — está em montá-lo: descobrir os limites de integração, saber quem está por cima, e confirmar que a função é positiva onde se diz que é.
- Calcular áreas de figuras definidas por funções contínuas e positivas usando a Fórmula de Barrow.
1 · O caso simples: uma curva e o eixo
Se
O integral só é a área enquanto
2 · Quando os limites não vêm no enunciado
Muitas vezes a região é «a que fica entre o gráfico e o eixo», sem verticais dadas. Nesse caso os limites são os zeros da função, e encontrá-los é o primeiro passo do exercício.
Determina a área da região limitada pelo gráfico de
- Os zeros, que fixam a região:
9-x^{2} = 0 \iff x = -3 \lor x = 3. - O sinal. A parábola tem a concavidade voltada para baixo, logo
f é positiva entre os zeros — que é exatamente onde a região está. - Barrow:
A = \int_{-3}^{3}\left(9-x^{2}\right)dx = \left[9x-\frac{x^{3}}{3}\right]_{-3}^{3} = \left(27-9\right)-\left(-27+9\right) = 36. O limite inferior é negativo, e isso não é problema nenhum: o que tem de ser positiva é a função, não os extremos. Confundir as duas coisas é o erro clássico aqui.
3 · Duas curvas
Quando a região está entre dois gráficos, cada segmento vertical que a atravessa tem comprimento
Sendo
- Chame-se
R à região entre os dois gráficos,R_{f} à região por baixo def eR_{g} à região por baixo deg , todas sobre\left[a,\,b\right] e acima do eixo. - Como
g é positiva ef \geq g , tem-seR_{g} \subseteq R_{f} eR é exatamente o que sobra:R = R_{f} \setminus R_{g} . - Áreas de regiões encaixadas subtraem-se:
A(R) = A(R_{f}) - A(R_{g}) = \int_{a}^{b} f(x)\,dx - \int_{a}^{b} g(x)\,dx. - Pela linearidade do integral, as duas parcelas juntam-se numa só:
A(R) = \int_{a}^{b}\left(f(x)-g(x)\right)dx.
Os limites. Se não vierem no enunciado, resolvem-se
Determina a área da região limitada pelos gráficos de
- Interseções.
6-x = \frac{8}{x} \iff 6x - x^{2} = 8 \iff x^{2}-6x+8 = 0 \iff x = 2 \lor x = 4. A região vai de2 a4 . - Quem está por cima, testando em
x = 3 :f(3) = 3 eg(3) = \frac{8}{3} \approx 2{,}67 . Logof \geq g em\left[2,\,4\right] . - O sinal. Em
\left[2,\,4\right] ,f vai de4 a2 eg de4 a2 : ambas positivas. - Barrow:
A = \int_{2}^{4}\left(6-x-\frac{8}{x}\right)dx = \left[6x - \frac{x^{2}}{2} - 8\ln x\right]_{2}^{4}. A = (24-8-8\ln 4) - (12-2-8\ln 2) = 6 - 8\ln 4 + 8\ln 2 = 6 - 8\ln 2. Aproximadamente6 - 5{,}55 = 0{,}45 .O\ln 4 = 2\ln 2 permite juntar os dois logaritmos num só. Deixar-8\ln 4 + 8\ln 2 por simplificar não está errado, mas a resposta fica mais pobre.
Python A área entre duas curvas, sem primitivas
from math import log
def area_entre(f, g, a, b, N=20000):
dt = (b - a) / N
return dt * sum(f(a + k*dt + dt/2) - g(a + k*dt + dt/2) for k in range(N))
def f(x):
return 6 - x
def g(x):
return 8 / x
aprox = area_entre(f, g, 2, 4)
exato = 6 - 8*log(2)
print('aproximado :', aprox)
print('exato :', exato)
print('diferenca :', abs(aprox - exato))
# A mesma area do exemplo, agora por soma de rectangulos finos.
# Serve para CONFIRMAR o resultado de Barrow, nao para o substituir.
from math import log
def area_entre(f, g, a, b, N=20000):
dt = (b - a) / N
# altura de cada rectangulo: a diferenca das duas funcoes no ponto medio
return dt * sum(f(a + k*dt + dt/2) - g(a + k*dt + dt/2) for k in range(N))
def f(x):
return 6 - x # a curva de cima
def g(x):
return 8 / x # a de baixo
aprox = area_entre(f, g, 2, 4)
exato = 6 - 8*log(2) # o valor obtido por Barrow
print('aproximado :', aprox)
print('exato :', exato)
print('diferenca :', abs(aprox - exato)) # da' ~1e-9: os dois metodos concordam
A diferença fica na ordem de
Exercícios propostos
Doze exercícios. Em quase todos, o integral é a parte fácil: o trabalho está em montar — achar os limites, decidir quem está por cima e confirmar o sinal.
Determina a área da região limitada pelo gráfico de
Determina a área da região limitada pelo gráfico de
Determina a área da região limitada pelo gráfico de
Determina a área da região limitada pelo gráfico de
Determina a área da região limitada pelos gráficos de
Determina a área da região limitada pelos gráficos de
Determina a área da região limitada pelo gráfico de
Determina a área da região limitada pelo gráfico de
Determina a área da região limitada pelos gráficos de
Considera
Na figura da secção está a região limitada pelos gráficos de
Determina a área dessa região.
O caudal de água que entra num reservatório, em
a) Mostra que
A função é positiva em
- A função é positiva em
\left[0,\,2\right] , logo a área é\displaystyle\int_{0}^{2}(x^{2}+1)\,dx . - Barrow:
\left[\frac{x^{3}}{3}+x\right]_{0}^{2} = \frac{8}{3}+2 = \frac{14}{3}.
A exponencial é sempre positiva, e é a sua própria primitiva.
A = \int_{0}^{2} e^{x}\,dx = \left[e^{x}\right]_{0}^{2} = e^{2}-1. - Aproximadamente
7{,}39 - 1 = 6{,}39 .
Verifica primeiro que o cosseno é positivo em todo esse intervalo — só assim o integral é a área.
- O sinal. Em
\left[0,\,\frac{{\pi}}{2}\right] o cosseno é positivo, logo o integral é a área. - Barrow:
A = \int_{0}^{{\pi}/2}\cos x\,dx = \left[\operatorname{sen} x\right]_{0}^{{\pi}/2} = 1 - 0 = 1. Alargar o intervalo até{\pi} mudaria tudo: o cosseno passa a ser negativo depois de\frac{{\pi}}{2} , e o integral deixaria de ser a área.
Os limites de integração não vêm no enunciado: encontram-se a resolver
- Os zeros.
4-x^{2} = 0 \iff x = -2 \lor x = 2 . Comx \geq 0 , a região vai de0 a2 . - Barrow:
A = \int_{0}^{2}(4-x^{2})\,dx = \left[4x - \frac{x^{3}}{3}\right]_{0}^{2} = 8 - \frac{8}{3} = \frac{16}{3}. Quando o enunciado não dá os limites, são os zeros da função que os fixam. Encontrá-los é meio exercício.
Verifica qual está por cima nesse intervalo e integra a diferença.
- Quem está por cima. Em
\left[-1,\,1\right] tem-se4-x^{2} \geq 3 > 1 , logof \geq g , e ambas são positivas. - Integrar a diferença:
A = \int_{-1}^{1}\left(4-x^{2}-1\right)dx = \int_{-1}^{1}\left(3-x^{2}\right)dx. - Barrow:
\left[3x - \frac{x^{3}}{3}\right]_{-1}^{1} = \left(3-\frac{1}{3}\right) - \left(-3+\frac{1}{3}\right) = \frac{16}{3}.
Encontra primeiro onde as curvas se cruzam — é isso que dá os limites de integração.
- Interseção.
x+2 = x^{2} \iff x^{2}-x-2 = 0 \iff x = -1 \lor x = 2 . Comx \geq 0 , a região vai de0 a2 . - Quem está por cima. Em
x = 1 :f(1) = 3 eg(1) = 1 , logof \geq g em\left[0,\,2\right] . As duas são positivas nesse intervalo. - Integrar a diferença:
A = \int_{0}^{2}\left(x+2-x^{2}\right)dx = \left[\frac{x^{2}}{2}+2x-\frac{x^{3}}{3}\right]_{0}^{2} = 2+4-\frac{8}{3} = \frac{10}{3}. Testar num ponto interior é a maneira mais segura de saber quem está por cima — mais segura do que confiar no desenho feito à pressa.
Em
A = \int_{1}^{5}\frac{1}{x}\,dx = \left[\ln x\right]_{1}^{5} = \ln 5 - \ln 1 = \ln 5. - Aproximadamente
1{,}61 .Repara na lentidão: para a área chegar a2 , o extremo direito teria de ir atée^{2} \approx 7{,}4 ; para chegar a3 , atée^{3} \approx 20 . A área cresce, mas cada vez mais devagar.
Os dois primeiros zeros não negativos do seno são
- Os zeros.
\operatorname{sen} x = 0 emx = k{\pi} ; os dois primeiros comx \geq 0 são0 e{\pi} . - O sinal. Em
\left]0,\,{\pi}\right[ o seno é positivo, logo o integral é a área. - Barrow:
A = \int_{0}^{{\pi}}\operatorname{sen} x\,dx = \left[-\cos x\right]_{0}^{{\pi}} = -(-1) - (-1) = 2. Uma área de exatamente2 , saída de uma curva sem um único bocado reto. É o tipo de resultado que faz o cálculo integral parecer mágica — e não é: são duas substituições.
As duas curvas tocam-se em
- Quem está por cima.
f(x)-g(x) = \dfrac{x^{2}}{2} \geq 0 , com igualdade só emx = 0 . Logof \geq g , e ambas são positivas. - Integrar a diferença:
A = \int_{0}^{3}\frac{x^{2}}{2}\,dx = \left[\frac{x^{3}}{6}\right]_{0}^{3} = \frac{27}{6} = \frac{9}{2}. - Note-se que o
+1 das duas funções desapareceu.Subir as duas curvas a mesma altura não muda a região entre elas. É por isso que só a diferença conta — e simplificá-la antes de primitivar poupa metade do trabalho.
Calcula a área total. Depois escreve a área de
- Área total:
A = \int_{0}^{3}(6-2x)\,dx = \left[6x-x^{2}\right]_{0}^{3} = 18-9 = 9. - Área até
c :\left[6x-x^{2}\right]_{0}^{c} = 6c-c^{2} . - A condição:
6c - c^{2} = \frac{9}{2} \iff 2c^{2}-12c+9 = 0 \iff c = \frac{12 \pm \sqrt{144-72}}{4} = \frac{12 \pm 6\sqrt{2}}{4}. - As raízes são
3 \pm \frac{3\sqrt{2}}{2} , ou seja\approx 0{,}879 e\approx 5{,}12 . Só a primeira está em\left]0,\,3\right[ .A raiz de fora não é «erro de conta»: é a solução simétrica, do outro lado do vértice da parábola6c-c^{2} . Rejeita-se pelo intervalo, e diz-se porquê.
Confirma que
- A diferença:
f(x)-g(x) = 4 - \frac{x^{2}}{3} - \frac{1}{2} - \frac{x^{2}}{4} = \frac{7}{2} - \frac{7x^{2}}{12}. - É positiva em
\left[0,\,2\right] : emx = 2 vale\frac{7}{2}-\frac{7}{3} = \frac{7}{6} > 0 , e a expressão é decrescente nesse intervalo. - Barrow:
A = \left[\frac{7x}{2} - \frac{7x^{3}}{36}\right]_{0}^{2} = 7 - \frac{56}{36} = 7 - \frac{14}{9} = \frac{49}{9}. - Aproximadamente
5{,}44 .Reduzir-\frac{x^{2}}{3}-\frac{x^{2}}{4} a-\frac{7x^{2}}{12} antes de primitivar evita duas frações a arrastar até ao fim. Arrumar cedo é sempre mais barato.
Para a alínea b), o volume acumulado é o integral do caudal — é a mesma ideia da secção 1, agora com os dois limites.
- a) Os zeros de
-t^{2}+6t+12 sãot = 3 \pm \sqrt{21} , ou seja\approx -1{,}58 e\approx 7{,}58 . Como a parábola tem a concavidade voltada para baixo, é positiva entre os zeros — e\left[0,\,6\right] está lá dentro. - b) O volume é o integral do caudal:
V = \int_{0}^{6}\left(12+6t-t^{2}\right)dt = \left[12t+3t^{2}-\frac{t^{3}}{3}\right]_{0}^{6}. V = 72 + 108 - 72 = 108. - Entraram
108\ \text{m}^{3} .A alínea a) não é um adorno: semc > 0 , o integral deixava de ser a área por baixo do gráfico, e a interpretação como volume acumulado ficava por justificar.
Python e pensamento computacional
Três problemas que só existem porque a máquina existe. Não são traduções de contas para código: são perguntas que a folha de papel não sabe responder — qual é o melhor
- Utilizar a tecnologia para resolver problemas que envolvam funções exponenciais e logarítmicas, incluindo equações sem solução algébrica.
- Explorar a utilização da programação na determinação aproximada de zeros, de extremos e de imagens por uma função inversa.
Os programas correm no Python Math Studio, a consola que já vive nesta página. Em cada bloco há o botão ▶ Correr no compilador — a consola abre com o programa escrito, basta carregar em Run Code. O botão 💬 Explicar o código troca o programa pela versão comentada linha a linha.
Nenhum destes três problemas se resolve com uma fórmula. Todos se resolvem com um algoritmo — e todos têm um caso de fronteira que o faz falhar se não for previsto. É esse caso de fronteira o verdadeiro conteúdo de cada problema.
Consola de Python
corre no navegadorprograma inserido no editor — carrega em Run CodeComo usar
- Num bloco de código desta página, carrega em ▶ Correr no compilador — a consola abre-se com o programa já escrito.
- Carrega em Run Code e lê a saída.
- Muda os valores e volta a correr — é assim que se explora.
from math import * · log, exp, e
numpy · malhas e vetores
sympy · contas exatas
matplotlib · gráficos
Corre tudo dentro do teu navegador: nada sai do computador, e funciona sem ligação à Internet.
A máquina confirma resultados; nos itens de construção o exame exige a resolução analítica justificada.
1 · O melhor h não é o mais pequeno
DecomposiçãoReconhecimento de padrõesErros de vírgula flutuante
A derivada é um limite:
A segunda é a média das razões incrementais dos dois lados, e os erros dos dois lados cancelam-se em parte. Por isso é a que se usa.
O desafio. Diminuir
from math import log
def f(x):
return log(x) / x
def D(f, x, h): # diferenca centrada
return (f(x + h) - f(x - h)) / (2*h)
# f'(x) = (1 - ln x) / x**2 -> f'(1) = 1. Qual e' o melhor h?
print(' h D(f,1,h) erro')
for k in range(1, 15):
h = 10.0**(-k)
d = D(f, 1, h)
print('1e-%-2d %18.14f %.3e' % (k, d, abs(d - 1)))
from math import log
def f(x):
return log(x) / x
# A definicao diz f'(x) = lim (f(x+h) - f(x)) / h.
# Na maquina nao ha limites: ha' um h pequeno mas FIXO.
# A diferenca CENTRADA usa os dois lados e engana-se muito menos.
def D(f, x, h):
return (f(x + h) - f(x - h)) / (2*h)
# Sabemos a resposta exata: f'(x) = (1 - ln x)/x**2, logo f'(1) = 1.
# Isso deixa-nos MEDIR o erro em vez de o adivinhar.
print(' h D(f,1,h) erro')
for k in range(1, 15):
h = 10.0**(-k) # h = 0.1, 0.01, 0.001, ...
d = D(f, 1, h)
# %.3e escreve em notacao cientifica: e' assim que se ve' uma ordem de grandeza
print('1e-%-2d %18.14f %.3e' % (k, d, abs(d - 1)))
O erro desce, atinge um mínimo por volta de
Segunda parte. Com o
from math import log, e
H = 1e-6 # o h que ganhou a corrida acima
EPS = 1e-12 # criterio de paragem da bissecao
def f(x):
return log(x) / x
def D(x):
return (f(x + H) - f(x - H)) / (2*H)
def varre(a, b, n):
"""Percorre a malha e devolve os intervalos onde D muda de sinal."""
passo = (b - a) / n
trocas = []
x0, d0 = a, D(a)
for i in range(1, n + 1):
x1 = a + i * passo
d1 = D(x1)
if (d0 < 0) != (d1 < 0): # mudou de sinal: ha' extremo entre os dois
trocas.append((x0, x1, d0))
x0, d0 = x1, d1
return trocas
def aperta(x0, x1, d0):
"""Bissecao sobre a derivada. Termina sempre: o intervalo e' sempre metade."""
while x1 - x0 > EPS * (1 + abs(x0)):
m = (x0 + x1) / 2
dm = D(m)
if dm == 0:
return m
if (dm < 0) == (d0 < 0):
x0, d0 = m, dm
else:
x1 = m
return (x0 + x1) / 2
for (x0, x1, d0) in varre(0.5, 8, 300):
c = aperta(x0, x1, d0)
tipo = 'maximo' if d0 > 0 else 'minimo'
print('%s relativo em x = %.12f f(x) = %.12f' % (tipo, c, f(c)))
print('exato: e = %.12f 1/e = %.12f' % (e, 1/e))
from math import log, e
H = 1e-6 # h fixo: nem grande de mais (erro de aproximacao),
EPS = 1e-12 # nem pequeno de mais (erro de arredondamento)
def f(x):
return log(x) / x
def D(x): # derivada aproximada
return (f(x + H) - f(x - H)) / (2*H)
# PASSO 1 - VARRER. Nao procuramos o extremo: procuramos onde a derivada
# TROCA DE SINAL. E' o mesmo criterio do quadro de sinais feito a mao.
def varre(a, b, n):
passo = (b - a) / n
trocas = []
x0, d0 = a, D(a)
for i in range(1, n + 1):
x1 = a + i * passo
d1 = D(x1)
# (d0 < 0) != (d1 < 0) e' o teste de troca de sinal que nao rebenta
# quando um dos valores e' exatamente zero
if (d0 < 0) != (d1 < 0):
trocas.append((x0, x1, d0))
x0, d0 = x1, d1
return trocas
# PASSO 2 - APERTAR. Bissecao: parte-se ao meio ate' o intervalo ser minusculo.
def aperta(x0, x1, d0):
while x1 - x0 > EPS * (1 + abs(x0)): # criterio RELATIVO: funciona para
m = (x0 + x1) / 2 # numeros grandes e pequenos
dm = D(m)
if dm == 0:
return m
if (dm < 0) == (d0 < 0): # o zero esta' na metade da direita
x0, d0 = m, dm
else: # ... ou na da esquerda
x1 = m
return (x0 + x1) / 2
# PASSO 3 - CLASSIFICAR. Se a derivada passa de + a -, e' maximo; ao contrario,
# e' minimo. Nao e' preciso mais nada: e' a leitura do quadro de sinais.
for (x0, x1, d0) in varre(0.5, 8, 300):
c = aperta(x0, x1, d0)
tipo = 'maximo' if d0 > 0 else 'minimo'
print('%s relativo em x = %.12f f(x) = %.12f' % (tipo, c, f(c)))
print('exato: e = %.12f 1/e = %.12f' % (e, 1/e))
O programa devolve
Casos de fronteira. (i) O teste (d0 < 0) != (d1 < 0) em vez de d0 * d1 < 0 — o produto dá eps * (1 + abs(x)) — um critério absoluto como x1 - x0 > 1e-12 nunca terminaria para valores da ordem de while dm != 0 podia não terminar nunca.
Análise Cinco perguntas críticas
- O varrimento avalia
f em2n pontos: éO(n) . A bisseção divide o intervalo ao meio de cada vez, logo fazO(\log_{2}(1/\varepsilon)) passos. Qual das duas partes domina o tempo total quando\varepsilon = 10^{-12} en = 300 ? - Se aumentares
n para3000 , que erro deixas de cometer? E que erro não desaparece por mais que aumentesn ? - O que acontece se a malha for grosseira e
f tiver dois extremos muito próximos dentro do mesmo intervalo da malha? O algoritmo dá erro, ou dá uma resposta errada em silêncio? Qual dos dois é pior? - Experimenta
H = 10^{-14} na segunda parte. Quantos extremos falsos aparecem? Explica-os com o gráfico em V da primeira parte. - Numa função com um patamar —
f quase constante num intervalo — a derivada aproximada oscila em torno de zero por puro ruído. Que teste acrescentarias para não declarar um extremo em cada oscilação?
2 · Inverter uma função que não se sabe inverter
AbstraçãoOtimização algorítmicaDerivada nulaSeparação de ramos
Uma função estritamente monótona num intervalo é injetiva, logo tem inversa (secção 5). Calcular
O método de Newton sai diretamente da secção R2. A tangente ao gráfico de
Newton é isto e mais nada: trocar a curva pela sua tangente e ir onde a tangente vai.
O desafio. Inverter
| Sinal de | − | + | |
|---|---|---|---|
| Variação de | ↘ | ↗ |
Logo, para
from math import exp, e
def f(x): # queremos inverter y = x e^x
return x * exp(x)
def df(x): # regra do produto
return (1 + x) * exp(x)
def newton_seguro(y, a, b, eps=1e-14, maxit=80):
"""Resolve f(x) = y em [a, b]. Newton quando pode, bissecao quando deve."""
fa = f(a) - y
fb = f(b) - y
if (fa < 0) == (fb < 0):
raise ValueError('sem mudanca de sinal em [%g, %g]' % (a, b))
x = a
nn = nb = 0 # quantos passos de cada tipo
for n in range(1, maxit + 1):
d = df(x)
xn = None
if d != 0: # derivada nula: Newton nao serve
cand = x - (f(x) - y) / d
if a < cand < b: # saiu do intervalo: nao serve
xn = cand
if xn is None:
xn = (a + b) / 2 # rede de seguranca
nb += 1
else:
nn += 1
fn = f(xn) - y
if (fn < 0) == (fa < 0): # aperta o intervalo
a, fa = xn, fn
else:
b = xn
if abs(xn - x) <= eps * (1 + abs(xn)):
return xn, nn, nb
x = xn
return x, nn, nb
y = -0.2 # -1/e < y < 0: DOIS ramos
print('minimo de f em x = -1, f(-1) = -1/e = %.12f' % (-1/e))
for nome, a, b in (('direito', -1 + 1e-9, 20), ('esquerdo', -10, -1 - 1e-9)):
x, nn, nb = newton_seguro(y, a, b)
print('ramo %-9s x = %.12f f(x) = %.12f Newton: %d bissecao: %d'
% (nome, x, f(x), nn, nb))
from math import exp, e
# f(x) = x e^x NAO e' injetiva em R: f'(x) = (1+x)e^x anula-se em x = -1.
# Ha' um minimo em (-1, -1/e). Logo, para -1/e < y < 0 ha' DUAS solucoes.
# Inverter exige primeiro SEPARAR OS RAMOS.
def f(x):
return x * exp(x)
def df(x):
return (1 + x) * exp(x) # (uv)' = u'v + uv'
def newton_seguro(y, a, b, eps=1e-14, maxit=80):
fa = f(a) - y
fb = f(b) - y
# Sem mudanca de sinal nao ha' garantia de solucao: mais vale parar.
if (fa < 0) == (fb < 0):
raise ValueError('sem mudanca de sinal em [%g, %g]' % (a, b))
x = a
nn = nb = 0
for n in range(1, maxit + 1):
d = df(x)
xn = None
# NEWTON = onde a tangente corta Ox: x - (f(x) - y)/f'(x)
if d != 0:
cand = x - (f(x) - y) / d
if a < cand < b: # se a tangente atira para fora, ignoramos
xn = cand
if xn is None:
xn = (a + b) / 2 # ... e damos um passo de bissecao
nb += 1
else:
nn += 1
# o intervalo [a, b] vai encolhendo: e' isso que impede a fuga
fn = f(xn) - y
if (fn < 0) == (fa < 0):
a, fa = xn, fn
else:
b = xn
if abs(xn - x) <= eps * (1 + abs(xn)): # criterio RELATIVO
return xn, nn, nb
x = xn
return x, nn, nb # maxit trava o ciclo infinito
y = -0.2
print('minimo de f em x = -1, f(-1) = -1/e = %.12f' % (-1/e))
# afastamo-nos de -1 com 1e-9: e' la' que f'(x) = 0 e Newton explodiria
for nome, a, b in (('direito', -1 + 1e-9, 20), ('esquerdo', -10, -1 - 1e-9)):
x, nn, nb = newton_seguro(y, a, b)
print('ramo %-9s x = %.12f f(x) = %.12f Newton: %d bissecao: %d'
% (nome, x, f(x), nn, nb))
Para
Análise Cinco perguntas críticas
- A bisseção ganha um bit de precisão por iteração:
O(\log_{2}(1/\varepsilon)) , cerca de50 passos para10^{-15} . Newton duplica o número de algarismos corretos de cada vez. Conta as iterações dos dois no mesmo problema e confirma a diferença. - Porque é que o programa começa em
-1 + 10^{-9} e não em-1 ? O que imprimedf(-1)? - Retira a rede de segurança (fica só Newton, sem bisseção) e arranca em
x_0 = -0{,}999 . Para onde vai o primeiro iterado? E porque é que o contadornbé tão alto no ramo esquerdo? - O critério de paragem compara
|x_{n+1} - x_n| , não|f(x_n) - y| . Dá um exemplo de função em que estes dois critérios discordam — um diz «cheguei» e o outro não. - Este problema tem nome: a inversa de
x e^{x} chama-se função W de Lambert, e os seus dois ramos são exatamente os dois que separaste. Onde é que a escolha do ramo tem de ser feita por quem escreve o programa, e não pelo programa?
3 · A mesma equação, duas escritas, dois destinos
Reconhecimento de padrõesConvergênciaOtimização algorítmicaCiclos infinitos
A equação
São algebricamente equivalentes. Numericamente, comportam-se ao contrário uma da outra.
O desafio. Se
Uma converge, a outra foge. Escreve um iterador que sobreviva às duas: tem de detetar a divergência (o valor explode, ou sai do domínio do logaritmo) e tem de ter um travão de iterações — sem ele, o segundo caso nunca termina.
from math import exp, log
# Equacao: e^(-x) = x. Nao se resolve com as regras da seccao 3.
def g1(x): return exp(-x) # x = e^(-x) -> g1'(x) = -e^(-x)
def g2(x): return -log(x) # x = -ln x -> g2'(x) = -1/x
def ponto_fixo(g, x0, eps=1e-13, maxit=300):
"""Iteracao x <- g(x). Devolve (raiz, iteracoes) ou (None, iteracoes)."""
x = x0
for n in range(1, maxit + 1):
try:
xn = g(x)
except (ValueError, OverflowError):
return None, n # saiu do dominio: divergiu
if abs(xn) > 1e12:
return None, n # explodiu: divergiu
if abs(xn - x) <= eps * (1 + abs(xn)):
return xn, n
x = xn
return None, maxit # nao convergiu a tempo
def newton(x0, eps=1e-13, maxit=300):
x = x0
for n in range(1, maxit + 1):
fx = x - exp(-x)
d = 1 + exp(-x) # f'(x) = 1 + e^(-x) > 0 sempre
xn = x - fx / d
if abs(xn - x) <= eps * (1 + abs(xn)):
return xn, n
x = xn
return None, maxit
r1, n1 = ponto_fixo(g1, 0.5)
r2, n2 = ponto_fixo(g2, 0.5)
r3, n3 = newton(0.5)
print('x = e^(-x) ->', r1, 'em', n1, 'iteracoes')
print('x = -ln x ->', r2, 'em', n2, 'iteracoes')
print('Newton ->', r3, 'em', n3, 'iteracoes')
# Porque? Porque o erro e' multiplicado por |g'(x*)| em cada passo.
x = r3
print('|g1\'(x*)| =', abs(-exp(-x)), ' < 1 -> converge')
print('|g2\'(x*)| =', abs(-1/x), ' > 1 -> diverge')
from math import exp, log
# A MESMA equacao, escrita de duas maneiras algebricamente equivalentes.
# Uma converge; a outra nao. A algebra nao distingue: o calculo distingue.
def g1(x): return exp(-x) # de e^(-x) = x tira-se x = e^(-x)
def g2(x): return -log(x) # ... ou entao -x = ln x, x = -ln x
def ponto_fixo(g, x0, eps=1e-13, maxit=300):
x = x0
for n in range(1, maxit + 1):
# try/except apanha o caso em que g2 recebe um x negativo:
# log(x) rebenta, e isso E' informacao - a sucessao saiu do dominio
try:
xn = g(x)
except (ValueError, OverflowError):
return None, n
if abs(xn) > 1e12: # cresceu sem controlo
return None, n
if abs(xn - x) <= eps * (1 + abs(xn)): # dois termos ja' indistinguiveis
return xn, n
x = xn
return None, maxit # maxit: sem isto, um ciclo destes nao acaba
def newton(x0, eps=1e-13, maxit=300):
x = x0
for n in range(1, maxit + 1):
fx = x - exp(-x) # queremos o zero de f
d = 1 + exp(-x) # f'(x) = 1 + e^(-x)
xn = x - fx / d # onde a tangente corta Ox
if abs(xn - x) <= eps * (1 + abs(xn)):
return xn, n
x = xn
return None, maxit
r1, n1 = ponto_fixo(g1, 0.5)
r2, n2 = ponto_fixo(g2, 0.5)
r3, n3 = newton(0.5)
print('x = e^(-x) ->', r1, 'em', n1, 'iteracoes')
print('x = -ln x ->', r2, 'em', n2, 'iteracoes')
print('Newton ->', r3, 'em', n3, 'iteracoes')
# A explicacao esta' na derivada de g no ponto fixo: o erro fica multiplicado
# por |g'(x*)| de cada vez. Menor do que 1 encolhe; maior do que 1 cresce.
x = r3
print('|g1\'(x*)| =', abs(-exp(-x)), ' < 1 -> converge')
print('|g2\'(x*)| =', abs(-1/x), ' > 1 -> diverge')
A primeira escrita chega a None; Newton chega ao mesmo valor em quatro ou cinco. A diferença não está na equação — está na forma como a escrevemos.
Convergência linear e convergência quadrática. No ponto fixo o erro fica multiplicado por
Análise Cinco perguntas críticas
- Imprime
|x_{n+1} - x^{*}| em cada passo da primeira iteração e calcula o quociente entre erros consecutivos. Aproxima-se de0{,}567 ? Porquê? - Faz o mesmo com Newton. O quociente
|e_{n+1}|/|e_n|^{2} estabiliza — em que valor? - A segunda escrita diverge a partir de
x_0 = 0{,}5 . Existe algumx_0 a partir do qual ela convirja? (Cuidado: o ponto fixo é o mesmo. O que muda?) - O travão
maxité o que separa um programa de um bloqueio. Que outra condição de paragem acrescentarias para detetar cedo que a sucessão está a afastar-se, em vez de esperar pelas 300 iterações? - Aceleração de Aitken. Com três iterados consecutivos,
\tilde{x} = x_0 - \dfrac{(x_1 - x_0)^{2}}{x_2 - 2x_1 + x_0} costuma estar muito mais perto dex^{*} do quex_2 . Implementa-o sobre a primeira iteração e conta quantas iterações poupas. Que caso de fronteira tens de tratar no denominador?
Teste rápido
Dez questões de resposta imediata, com correção e explicação. Serve para verificares se podes avançar — ou se convém voltar atrás.
Formulário essencial e referências
Tudo o que este capítulo usa, numa página. Se alguma linha parecer nova, é sinal de que a secção correspondente merece uma segunda leitura.
Definição de primitiva
Duas primitivas da mesma função, num intervalo, diferem por uma constante.
Tabela de primitivas
Linearidade
Não há regra para produtos nem para quocientes: arruma-se a expressão até só sobrarem termos da tabela.
Integral definido
Para
Enquadramento
Se
Teorema Fundamental do Cálculo Integral
Com
Fórmula de Barrow
Sendo
Num integral definido não se escreve
Áreas
Uma curva e o eixo, com
Duas curvas, com
Sem limites dados, procuram-se nos zeros de
Antes de dar uma resolução por fechada
a primitiva confirma-se derivando — é uma conta de dois segundos;
o
Referências
Aprendizagens Essenciais · Matemática A · 12.º ano (2023), tema opcional «Primitivas imediatas e Integrais definidos».
Sebastião e Silva, Compêndio de Matemática, vol. 2 — de onde vem o integral
Exercícios globais
Os temas opcionais nunca foram avaliados em Exame Nacional — não há, por isso, itens de exame para este capítulo. O que se segue são exercícios originais, escritos no formato e no grau de exigência de um item de exame, arrumados por tema. Cada um traz sugestão, para desbloquear, e resolução passo a passo.
Exercícios globais · Primitivas
Sete exercícios sobre a tabela, a linearidade e as condições que fecham a constante. Em três deles, o trabalho está em arrumar a expressão antes de primitivar.
Determina as primitivas de cada função, no maior intervalo em que faça sentido.
a)
Qual das expressões seguintes é uma primitiva de
- (A)
3\ln x + \cos x - (B)
3\ln x - \cos x - (C)
-\dfrac{3}{x^{2}} - \cos x - (D)
\dfrac{3}{x^{2}} + \cos x
Determina as primitivas de
Uma população de bactérias cresce a uma taxa de
a) Determina a população
De uma função
Determina
Determina os números reais
Um corpo desloca-se numa reta com velocidade
a) Determina a posição
Parcela a parcela, com as constantes por fora. Na alínea a), atenção ao sinal do logaritmo.
- a) Em
\mathbb{R}^{+} :P(f) = 4 \times \frac{x^{4}}{4} - 2\ln x + C = x^{4} - 2\ln x + C. - b) Em
\mathbb{R} :P(g) = 3e^{x} + \operatorname{sen} x + C. - Confirmação: derivando, obtêm-se
f eg .O intervalo faz parte da resposta na alínea a):\frac{2}{x} não está definida em0 , e a família de primitivas só é a mesma dentro de cada ramo.
Deriva cada opção e vê qual devolve
- Derivar a (B):
\left(3\ln x - \cos x\right)' = \dfrac{3}{x} + \operatorname{sen} x = f(x) . ✓ - Porque falham as outras. A (A) tem o sinal do cosseno trocado; as (C) e (D) são derivadas, não primitivas — o
\frac{3}{x} foi derivado em vez de primitivado.
Desenvolve o quadrado e separa a fração. Só depois se procura primitiva.
- Desenvolver:
(x+2)^{2} = x^{2}+4x+4 . - Separar:
f(x) = \frac{x^{2}}{x} + \frac{4x}{x} + \frac{4}{x} = x + 4 + \frac{4}{x}. - Primitivar:
P(f) = \frac{x^{2}}{2} + 4x + 4\ln x + C. Dois gestos, e por esta ordem: primeiro desfaz-se a potência, depois a fração. Trocar a ordem não dá jeito nenhum.
A taxa é a derivada da população. Para a alínea b), resolve
- a) Como
N' = r ,N(t) = 200t + 30t^{2} + C. DeN(0) = 500 vemC = 500 , logoN(t) = 30t^{2} + 200t + 500 . - b) Duplicar é chegar a
1000 :30t^{2}+200t+500 = 1000 \iff 30t^{2}+200t-500 = 0 \iff 3t^{2}+20t-50 = 0. t = \frac{-20 \pm \sqrt{400+600}}{6} = \frac{-20 \pm \sqrt{1000}}{6}. Com\sqrt{1000} \approx 31{,}62 , vemt \approx 1{,}94 out \approx -8{,}60 .- Como
t \geq 0 , a população duplica ao fim de aproximadamente1{,}9 horas.A raiz negativa rejeita-se pelo domínio do modelo, e não «por ser negativa»: dizer porquê faz parte da resposta.
Tangente horizontal em
- Primeira primitivação:
f'(x) = 3x^{2} - 4x + C_{1} . - Fechar
C_{1} . Tangente horizontal em1 dáf'(1) = 0 :3 - 4 + C_{1} = 0 \iff C_{1} = 1. Logof'(x) = 3x^{2}-4x+1 . - Segunda primitivação:
f(x) = x^{3} - 2x^{2} + x + C_{2} . - Fechar
C_{2} . Def(1) = 2 :1-2+1+C_{2} = 2 \iff C_{2} = 2 . f(x) = x^{3}-2x^{2}+x+2. «Tangente horizontal» é a condição sobref' , e é ela que fecha a primeira constante. Guardá-la para o fim obriga a resolver um sistema em vez de duas equações seguidas.
Deriva
- Derivar:
F'(x) = 3ax^{2} + b . - Igualar a
f , coeficiente a coeficiente:3a = 6 \quad\text{e}\quad b = -5 \iff a = 2 \ \land\ b = -5. - Logo
F(x) = 2x^{3} - 5x .Note-se queF não tem termo constante — e por isso é uma primitiva, não a família toda. A família seria2x^{3}-5x+C .
A posição é uma primitiva da velocidade. Estar parado é ter velocidade nula.
- a) Como
s' = v :s(t) = t^{3} - 6t^{2} + 9t + C. Des(0) = 4 vemC = 4 , logos(t) = t^{3}-6t^{2}+9t+4 . - b) Parado é
v(t) = 0 :3t^{2}-12t+9 = 0 \iff t^{2}-4t+3 = 0 \iff t = 1 \lor t = 3. - O corpo está parado aos
1 s e aos3 s.Entre esses dois instantes a velocidade é negativa: o corpo recua. É por isso que a distância percorrida não és(3)-s(1) — mas isso já sai do que este tema pede, que trata só de funções positivas.
Exercícios globais · Integral definido e Barrow
Sete exercícios sobre o integral, as suas propriedades e a fórmula de Barrow. Repara em quantos se resolvem sem conhecer a expressão da função.
Calcula, apresentando o resultado na forma exata.
a)
Seja
Qual das afirmações seguintes é necessariamente verdadeira?
- (A)
A(0) = f(0) - (B)
A é decrescente em\left[0,\,5\right] - (C)
A'(x) = f(x) para todo ox \in \left]0,\,5\right[ - (D)
A(5) = f(5) - f(0)
Determina
De duas funções
a) Determina
Seja
Então
- (A)
\left[1,\,4\right] - (B)
\left[4,\,16\right] - (C)
\left[2,\,6\right] - (D)
\left[8,\,24\right]
Seja
Determina
Seja
a) Determina
Uma primitiva com
- a) Primitiva
x^{3}-\ln x :\left[x^{3}-\ln x\right]_{1}^{2} = (8-\ln 2) - (1-0) = 7 - \ln 2. - b) Primitiva
-2\cos x + x :\left[-2\cos x + x\right]_{0}^{{\pi}/2} = \left(0 + \frac{{\pi}}{2}\right) - (-2 + 0) = \frac{{\pi}}{2} + 2. Na alínea b) o-2\cos 0 = -2 entra na subtração com o seu sinal. Subtrair um negativo é somar — é aí que se perde a resposta.
Três das quatro opções confundem a função área com a função integranda. Só uma é o teorema.
- (C) é o Teorema Fundamental, e é verdadeira.
- (A) é falsa:
A(0) = \displaystyle\int_{0}^{0} f = 0 , porque a região é vazia — e nada obrigaf(0) a ser zero. - (B) é falsa: como
A' = f > 0 ,A é crescente. - (D) é falsa: troca os papéis. Barrow dá
\displaystyle\int_{0}^{5} f = F(5)-F(0) comF primitiva def , e não com o própriof .A confusão entref e a sua primitiva é o erro que este item procura, e é o mesmo em três das quatro opções.
Barrow dá um polinómio em
- Barrow:
\int_{0}^{k}(3x^{2}+2)\,dx = \left[x^{3}+2x\right]_{0}^{k} = k^{3}+2k. - A equação:
k^{3}+2k = 12 , ou sejak^{3}+2k-12 = 0 . - Uma raiz à vista:
k = 2 dá8+4-12 = 0 . ✓ - É a única positiva. Como
3x^{2}+2 > 0 , a função área é estritamente crescente — logo toma o valor12 uma só vez.Justificar a unicidade pela monotonia da função área é mais elegante — e mais curto — do que fatorizar o polinómio do 3.º grau.
Na alínea a) usa a aditividade em relação ao intervalo; na b), a linearidade.
- a) Como
\displaystyle\int_{0}^{4} f = \int_{0}^{2} f + \int_{2}^{4} f ,\int_{2}^{4} f = 10 - 4 = 6. - b) Pela linearidade,
\int_{0}^{4}\left(3f-2g\right) = 3 \times 10 - 2 \times 3 = 24. Nenhuma das duas alíneas precisa da expressão def ou deg . É o tipo de item que separa quem percebeu as propriedades de quem só sabe primitivar.
Dois retângulos de base
- A amplitude do intervalo é
6-2 = 4 . - Pelo enquadramento,
1 \times 4 \leq \int_{2}^{6} f(x)\,dx \leq 4 \times 4, ou seja o integral está em\left[4,\,16\right] .A opção (A) é a armadilha: são os limites def , não os do integral. Falta multiplicar pela amplitude do intervalo.
Parte o integral em
- Partir o intervalo no ponto onde a expressão muda:
\int_{0}^{4} f = \int_{0}^{2}(x+1)\,dx + \int_{2}^{4}(7-x)\,dx. - Primeiro pedaço:
\left[\frac{x^{2}}{2}+x\right]_{0}^{2} = 2+2 = 4. - Segundo pedaço:
\left[7x-\frac{x^{2}}{2}\right]_{2}^{4} = (28-8)-(14-2) = 8. - Total:
4+8 = 12 .Cada ramo tem a sua primitiva, e não há nenhuma primitiva única que sirva os dois. É exatamente para isto que a propriedade aditiva existe.
A alínea a) é o Teorema Fundamental, seguido de uma derivação. Na b), lê os sinais em
- a) Pelo Teorema Fundamental,
A'(x) = \dfrac{1}{x} . Derivando outra vez,A''(x) = -\frac{1}{x^{2}}. - b) Monotonia. Em
\mathbb{R}^{+} ,A'(x) = \frac{1}{x} > 0 :A é estritamente crescente. - Concavidade.
A''(x) = -\frac{1}{x^{2}} < 0 em todo o domínio: o gráfico deA tem a concavidade voltada para baixo. - De facto
A(x) = \ln x — e o logaritmo é isso mesmo: crescente e com a concavidade para baixo.Todo o estudo se faz sem calcular o integral. É o teorema a trabalhar: monotonia deA vem do sinal def , concavidade deA vem da monotonia def .
Exercícios globais · Áreas de regiões planas
Sete exercícios de áreas. Em todos, a parte difícil é montar o integral — achar os limites, decidir quem está por cima e confirmar o sinal.
Considera a função
Determina a área da região limitada pelo gráfico de
Considera
Determina a área da região limitada pelos dois gráficos.
Considera
Determina a área da região limitada pelos dois gráficos.
A potência consumida por um equipamento, em quilowatts, é modelada por
a) Justifica que
Considera
Determina
Considera
Determina, com arredondamento às centésimas, a área da região limitada pelos dois gráficos.
Considera, para cada
Determina
Os limites de integração são os zeros de
- Os zeros:
8-2x^{2} = 0 \iff x^{2} = 4 \iff x = -2 \lor x = 2 . - O sinal. A parábola tem a concavidade voltada para baixo, logo
f > 0 em\left]-2,\,2\right[ — que é onde a região está. - Barrow:
A = \int_{-2}^{2}\left(8-2x^{2}\right)dx = \left[8x - \frac{2x^{3}}{3}\right]_{-2}^{2} = \left(16-\frac{16}{3}\right) - \left(-16+\frac{16}{3}\right). A = 32 - \frac{32}{3} = \frac{64}{3}. Como a função é par, podia calcular-se o dobro do integral de0 a2 — metade das contas, e o mesmo resultado.
As interseções dão os limites. Testa num ponto interior quem está por cima, e confirma que as duas são positivas aí.
- Interseções:
4x-x^{2} = x \iff x^{2}-3x = 0 \iff x = 0 \lor x = 3. - Quem está por cima, em
x = 1 :f(1) = 3 eg(1) = 1 , logof \geq g em\left[0,\,3\right] . As duas são positivas nesse intervalo. - Integrar a diferença:
A = \int_{0}^{3}\left(4x-x^{2}-x\right)dx = \int_{0}^{3}\left(3x-x^{2}\right)dx. A = \left[\frac{3x^{2}}{2}-\frac{x^{3}}{3}\right]_{0}^{3} = \frac{27}{2}-9 = \frac{9}{2}.
A equação das interseções passa a ser do 2.º grau depois de multiplicar por
- Interseções. Como
x > 0 , pode multiplicar-se porx :\frac{4}{x} = 5-x \iff 4 = 5x - x^{2} \iff x^{2}-5x+4 = 0 \iff x = 1 \lor x = 4. - Quem está por cima, em
x = 2 :g(2) = 3 ef(2) = 2 , logog \geq f em\left[1,\,4\right] , e ambas são positivas. - Integrar a diferença:
A = \int_{1}^{4}\left(5-x-\frac{4}{x}\right)dx = \left[5x - \frac{x^{2}}{2} - 4\ln x\right]_{1}^{4}. A = \left(20-8-4\ln 4\right) - \left(5-\frac{1}{2}-0\right) = \frac{15}{2} - 4\ln 4. Como\ln 4 = 2\ln 2 , fica\frac{15}{2} - 8\ln 2 \approx 1{,}95 .Multiplicar porx só é uma equivalência porque o enunciado garantex > 0 . Sem essa garantia, teria de se discutir o sinal.
A energia é o integral da potência. Na alínea a), usa o contradomínio do seno.
- a) Como
-1 \leq \operatorname{sen} t \leq 1 , vem1 \leq 3+2\operatorname{sen} t \leq 5 . Logop \geq 1 > 0 em todo o intervalo — e, na verdade, em\mathbb{R} . - b) A energia é o integral da potência:
E = \int_{0}^{{\pi}}\left(3+2\operatorname{sen} t\right)dt = \left[3t - 2\cos t\right]_{0}^{{\pi}}. E = \left(3{\pi} + 2\right) - \left(0 - 2\right) = 3{\pi} + 4. Aproximadamente13{,}42 kWh.A alínea a) não é enfeite: é ela que autoriza ler o integral como energia acumulada, e não como um saldo com sinais.
Calcula a área total e depois a área de
- Área total:
A = \int_{0}^{2} x^{2}\,dx = \left[\frac{x^{3}}{3}\right]_{0}^{2} = \frac{8}{3}. - Área até
c :\dfrac{c^{3}}{3} . - A condição:
\frac{c^{3}}{3} = \frac{1}{2} \times \frac{8}{3} = \frac{4}{3} \iff c^{3} = 4 \iff c = \sqrt[3]{4}. - Como
\sqrt[3]{4} \approx 1{,}587 , o valor está em\left]0,\,2\right[ .O ponto que divide a área ao meio não é o ponto médio do intervalo: está bem à direita de1 , porque a região é muito mais alta do lado direito.
A equação
- As interseções. A equação
2+\cos x = 4x^{2} não se resolve exatamente. Na calculadora, os dois pontos de interseção têm abcissasa_{1} \approx -0{,}84 \quad\text{e}\quad a_{2} \approx 0{,}84. - Quem está por cima, em
x = 0 :f(0) = 3 eg(0) = 0 , logof \geq g entre as interseções. As duas são positivas aí. - Montar o integral:
A = \int_{a_{1}}^{a_{2}}\left(2+\cos x - 4x^{2}\right)dx = \left[2x + \operatorname{sen} x - \frac{4x^{3}}{3}\right]_{a_{1}}^{a_{2}}. - Como a função integranda é par, o resultado é o dobro do integral de
0 aa_{2} :A = 2\left(2a_{2} + \operatorname{sen} a_{2} - \frac{4a_{2}^{3}}{3}\right) \approx 2 \times 1{,}632 \approx 3{,}26. A calculadora entra uma vez só, para as interseções. O integral faz-se por Barrow — aproximar o integral inteiro na máquina seria perder a parte exata do trabalho.
Calcula a área em função de
- A área, em função de
k . Comok > 0 ,f_{k} é positiva em\left[0,\,3\right] :A(k) = \int_{0}^{3} kx^{2}\,dx = k\left[\frac{x^{3}}{3}\right]_{0}^{3} = 9k. - A condição:
9k = 18 \iff k = 2 . - Como
2 > 0 , o valor serve.Ok atravessa o integral pela linearidade — não é preciso primitivarkx^{2} como se ok fizesse parte da função. A área é proporcional ak , e isso vê-se antes de qualquer conta.