Astrolábio · Sucessões · revisão do 11.º ano
Matemática A · revisão do 11.º ano

Sucessões

Uma lista de números com uma regra, e duas perguntas que se lhe fazem sempre: qual é o termo seguinte? e quanto dá somá-los todos? Este capítulo é revisão do 11.º ano — progressões aritméticas e geométricas, as suas somas, e o caso em que somar infinitos números dá um número perfeitamente vulgar. É dos temas que mais sai em Exame: todos os anos, quase sempre duas vezes.

S_n = \dfrac{u_1 + u_n}{2}\,n \qquad S_n = u_1\,\dfrac{1 - r^{\,n}}{1 - r} A média dos extremos vezes o número de termos, e o truque de subtrair a soma a si própria: as duas fórmulas que fazem andar este capítulo inteiro.
0exercícios
3laboratórios interativos
29itens de Exame
11secções
0%concluído
R1

Sucessões: ordem, termo e gráfico

Uma sucessão é uma lista infinita de números com um lugar marcado para cada um. Tudo o que este capítulo faz assenta em duas palavras que se confundem com facilidade — ordem e termo — e numa figura que não se parece com nenhuma das que vieram antes.

Aprendizagens Essenciais · 11.º ano
  • Identificar e analisar regularidades em exemplos numéricos e pictóricos.
  • Identificar e analisar formas de gerar sucessões através de termos gerais.

1 · O que é uma sucessão

Definição · sucessão

Uma sucessão de números reais é uma função de domínio \mathbb{N} \setminus \{0\} e conjunto de chegada \mathbb{R}. Escreve-se (u_n), e o valor em n escreve-se u_n e não u(n).

Porquê \mathbb{N} \setminus \{0\} e não \mathbb{N}

No ensino básico, \mathbb{N} passou a incluir o zero. Uma sucessão, porém, precisa de um primeiro termo — e é por isso que as Aprendizagens Essenciais dizem, com todas as letras, que «as sucessões são definidas no conjunto dos números naturais à exceção de zero».

Daí a escrita \mathbb{N} \setminus \{0\}, que se lê «os naturais, tirando o zero». É a razão por que tudo neste capítulo começa em u_1 e nunca em u_0 — e é a razão por que os enunciados de Exame anteriores a 2024, que escrevem apenas \mathbb{N}, aparecem neste livro com a escrita actualizada.

Ordem e termo, que não são a mesma coisa

Em u_7 = 12, o 7 é a ordem — o lugar na fila — e o 12 é o termo — o valor que lá está. Quando um enunciado diz «determine a ordem desse termo», está a pedir o n. Quando diz «determine o termo de ordem 20», está a pedir o valor. Trocar as duas é a maneira mais rápida de responder muito bem à pergunta errada.

2 · O termo geral

Dar o termo geral é dar a receita: uma expressão em n que, substituído o n por uma ordem, devolve o termo dessa ordem.

Exemplo 1 Ler uma sucessão pelo termo geral

Seja u_n = \dfrac{3n + 2}{n}.

  1. Os quatro primeiros. u_1 = 5, u_2 = 4, u_3 = \tfrac{11}{3}, u_4 = \tfrac{7}{2}.
  2. Um termo distante. u_{30} = \dfrac{92}{30} = \dfrac{46}{15}.
  3. É \tfrac{16}{5} termo da sucessão? Resolve-se \dfrac{3n+2}{n} = \dfrac{16}{5}, donde 15n + 10 = 16n e n = 10. Como 10 é natural, é — e é o termo de ordem 10.
  4. E 30? \dfrac{3n+2}{n} = 30 \iff 3n + 2 = 30n \iff n = \dfrac{2}{27}, que não é natural. Não é termo.A conta é a mesma nos dois casos; o que decide é a última linha. Perguntar «é termo?» é perguntar se a equação tem solução em \mathbb{N}.

3 · O gráfico são pontos

O gráfico de uma sucessão é o conjunto dos pontos (n, u_n) com n \in \mathbb{N} \setminus \{0\}. Como entre dois naturais consecutivos não há mais naturais, o gráfico é sempre um conjunto de pontos isolados — nunca uma linha.

u₁ u₂ u₃ 1 2 3 4 5 6 7 8 uₙ n
A sucessão u_n = 3n-1. Os pontos estão alinhados — mas continuam a ser pontos, e não a reta que passa por eles.

Unir os pontos é o erro mais comum do capítulo. E não é inofensivo: a linha sugere que existe um u_{2{,}5}, e não existe. Quando um enunciado de exame mostra o gráfico de uma sucessão, mostra pontos.

4 · Regularidades que se veem antes de se escreverem

Muitas sucessões chegam em figuras e não em fórmulas. O caminho é sempre o mesmo: contar os primeiros casos, ver quanto se acrescenta de cada vez, e só depois escrever.

Exemplo 2 Dos palitos ao termo geral

Constroem-se quadrados encostados em fila, com palitos. O primeiro leva 4; cada um dos seguintes aproveita um lado do anterior e leva mais 3.

  1. Contar. 4,\ 7,\ 10,\ 13,\ \ldots
  2. Ver o passo. De um para o seguinte acrescentam-se sempre 3.
  3. Escrever. Ao primeiro somam-se (n-1) passos de 3: p_n = 4 + 3(n-1) = 3n + 1.
  4. Verificar com dois casos. p_1 = 4 ✓ e p_3 = 10 ✓.O (n-1) é onde quase todos os erros acontecem: o primeiro termo não leva passo nenhum. Verificar dois valores conhecidos apanha-o de imediato.
Python Ver os primeiros termos de qualquer sucessão

O programa recebe uma expressão do termo geral e escreve os primeiros termos, com a ordem ao lado. É a ferramenta de exploração deste capítulo inteiro.

def termo(n):
    return (3 * n + 2) / n

quantos = 8
for n in range(1, quantos + 1):
    print("n =", n, " termo =", round(termo(n), 4))

print()
alvo = 3.2
for n in range(1, 1000):
    if abs(termo(n) - alvo) < 1e-9:
        print(alvo, "e termo de ordem", n)
        break
else:
    print(alvo, "nao e termo da sucessao")

Troca a expressão do termo pela do exercício que estiveres a fazer. A segunda parte responde à pergunta «é termo?» por tentativa — e repara em que só serve como confirmação: no exame, a resposta é a equação resolvida em \mathbb{N}.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre o essencial: calcular termos, distinguir ordem de termo, decidir se um número é termo da sucessão, e escrever o termo geral a partir de uma regularidade. Os últimos pedem trabalho com inequações e com o (-1)^n, ao nível do Exame.

A cor do título dá o grau de dificuldade: verde, aplicação direta · amarelo, exige uma ideia intermédia · vermelho, justificação ou generalização, ao nível do Exame.

Exercício 1§R1 · os primeiros termos

Considera a sucessão de termo geral u_n = 3n - 1.

a) Escreve os quatro primeiros termos. b) Determina u_{20}.

Exercício 2§R1 · ordem e termo

Numa sucessão (a_n) sabe-se que a_7 = 12.

a) Qual é a ordem? E qual é o termo? b) Escreve, em símbolos, «o termo de ordem 15 é 40».

Exercício 3§R1 · o gráfico de uma sucessão

O gráfico de uma sucessão é sempre:

  • (A)uma linha contínua.
  • (B)um conjunto de pontos isolados.
  • (C)uma reta.
  • (D)uma curva, se o termo geral não for do 1.º grau.
Exercício 4§R1 · é termo da sucessão?

Considera a sucessão de termo geral u_n = 4n + 3.

a) Averigua se 47 é termo da sucessão. b) E 50?

Exercício 5§R1 · uma regularidade pictórica

Com palitos constroem-se quadrados encostados em fila: o primeiro leva 4 palitos, o segundo 7, o terceiro 10.

a) Quantos palitos leva o quarto? b) Escreve o termo geral da sucessão do número de palitos.

Exercício 6§R1 · com uma potência de −1

Considera v_n = \dfrac{(-1)^n}{n}.

Escreve os cinco primeiros termos e diz o que faz o (-1)^n.

Exercício 7§R1 · comparar duas sucessões

Sejam u_n = (n-8)^2 e v_n = n^2 - 8.

Determina para que valores de p se tem u_p > v_p.

Exercício 8§R1 · a partir de que ordem

Considera u_n = \dfrac{13 - 2n}{4n + 1}.

Determina a ordem a partir da qual todos os termos são negativos.

Exercício 9§R1 · o termo seguinte, em função de n

Seja u_n = \dfrac{3n + 2}{n}.

a) Determina u_{n+1}. b) Determina u_{2n}.

Exercício 10§R1 · termos num intervalo

Seja u_n = 2 + \dfrac{(-1)^{n+1}}{n}.

Determina, sem calculadora, quantos termos de ordem ímpar pertencem ao intervalo \left]\tfrac{83}{41}, \tfrac{67}{33}\right[.

Exercício 11§R1 · a menor ordem

Considera u_n = \dfrac{(-1)^{n+1}}{n+1}.

Determina a menor ordem a partir da qual todos os termos são maiores do que -0{,}01.

Exercício 12§R1 · construir o termo geral

Escreve um termo geral para cada uma destas sucessões:

a) 1,\ 4,\ 9,\ 16,\ 25,\ \ldots b) \tfrac12,\ \tfrac23,\ \tfrac34,\ \tfrac45,\ \ldots c) 2,\ -4,\ 8,\ -16,\ \ldots

Substitui o n por 1, 2, 3, 4 e depois por 20. Mais nada.

  1. u_1 = 3(1)-1 = 2, u_2 = 5, u_3 = 8, u_4 = 11.
  2. u_{20} = 3(20) - 1 = 59.Repara em que os termos sobem de três em três: é uma progressão aritmética, e a R3 vai dar-lhe o nome.
Respostaa) 2, 5, 8, 11 · b) 59

A ordem é o lugar na fila; o termo é o valor que lá está. Uma é o índice, o outro é o que a sucessão vale.

  1. a) A ordem é 7; o termo é 12.
  2. b) a_{15} = 40.Parece pouco para um exercício, e é o que separa quem responde ao que se pergunta de quem responde ao contrário. «Determine a ordem desse termo» — que é como os exames escrevem — pede o n, não o valor.
Respostaa) ordem 7, termo 12 · b) a_{15} = 40

Qual é o domínio de uma sucessão? Entre n = 1 e n = 2 há alguma coisa?

  1. Uma sucessão é uma função de domínio \mathbb{N}, e entre dois naturais consecutivos não há mais naturais.
  2. Logo o gráfico é um conjunto de pontos isolados: a opção (B).Unir os pontos com uma linha é o erro mais comum do capítulo, e não é inofensivo — sugere valores em ordens que não existem, como u_{2{,}5}.
Resposta(B)

«Ser termo» é haver uma ordem — um natural — que lá chegue. Resolve u_n = 47 e vê se o n que sai serve.

  1. a) 4n + 3 = 47 \iff 4n = 44 \iff n = 11. Como 11 \in \mathbb{N} \setminus \{0\}, é termo — o de ordem 11.
  2. b) 4n + 3 = 50 \iff 4n = 47 \iff n = 11{,}75. Não é natural, logo não é termo.A conta é a mesma; o que decide é a última linha. É por isso que a resposta a este tipo de pergunta nunca é um número — é «sim, de ordem 11» ou «não».
Respostaa) sim, de ordem 11 · b) não

Cada quadrado novo aproveita um lado do anterior. Quantos palitos se acrescentam de cada vez?

  1. a) Acrescentam-se 3 palitos por quadrado: 10 + 3 = 13.
  2. b) O primeiro custa 4 e cada um dos seguintes custa 3: p_n = 4 + 3(n-1) = 3n + 1.
  3. Verificação: p_1 = 4 ✓, p_3 = 10 ✓.Escrever o termo geral e não confirmar com dois valores conhecidos é meio exercício. A verificação custa dez segundos e apanha o erro do (n-1), que é o mais frequente.
Respostaa) 13 · b) p_n = 3n + 1

Calcula (-1)^n para n = 1, 2, 3: que padrão dá?

  1. v_1 = -1, v_2 = \tfrac{1}{2}, v_3 = -\tfrac{1}{3}, v_4 = \tfrac{1}{4}, v_5 = -\tfrac{1}{5}.
  2. O (-1)^n vale -1 nas ordens ímpares e +1 nas pares: troca o sinal de termo para termo.É a maneira de escrever «alternadamente» numa fórmula, e aparece em exame — o item de 2021 pede quantos termos de ordem ímpar caem num intervalo, e a resposta começa por perceber isto.
Resposta-1,\ \tfrac12,\ -\tfrac13,\ \tfrac14,\ -\tfrac15; o sinal alterna

Escreve a inequação, desenvolve o quadrado e repara em que os p^2 se cortam. Não te esqueças de que p é natural.

  1. (p-8)^2 > p^2 - 8 \iff p^2 - 16p + 64 > p^2 - 8.
  2. Os p^2 cancelam-se: -16p > -72 \iff p < 4{,}5.
  3. Como p \in \mathbb{N} \setminus \{0\}: p \in \{1, 2, 3, 4\}.O cancelamento dos p^2 é o que faz o exercício ser do 1.º grau e não do 2.º. Sem ele, a inequação parecia bem mais feia do que é.
Respostap \in \{1, 2, 3, 4\}

O denominador é sempre positivo para n natural. Logo o sinal é o do numerador.

  1. Para n \geq 1, 4n + 1 > 0: o sinal de u_n é o de 13 - 2n.
  2. 13 - 2n < 0 \iff n > 6{,}5.
  3. O primeiro natural acima é 7: a partir da ordem 7.«A partir da ordem» quer dizer o primeiro natural que cumpre a condição — e daí para a frente cumprem-se todos, porque a expressão é monótona. Aqui vale a pena confirmar: u_6 = \tfrac{1}{25} > 0 e u_7 = -\tfrac{1}{29} < 0.
Respostaordem 7

Substitui o n — todo ele, em todos os sítios onde aparece — pela expressão pedida.

  1. a) u_{n+1} = \dfrac{3(n+1) + 2}{n+1} = \dfrac{3n + 5}{n + 1}.
  2. b) u_{2n} = \dfrac{3(2n) + 2}{2n} = \dfrac{6n + 2}{2n} = \dfrac{3n + 1}{n}.O erro típico é substituir só num dos sítios — escrever \frac{3n+5}{n} na primeira. O n do denominador também é o n.
Respostaa) \frac{3n+5}{n+1} · b) \frac{3n+1}{n}

Nas ordens ímpares, (-1)^{n+1} = 1. Fica u_n = 2 + \frac{1}{n}, e a condição vira uma dupla desigualdade em \frac{1}{n}.

  1. Com n ímpar, u_n = 2 + \dfrac{1}{n}.
  2. \dfrac{83}{41} = 2 + \dfrac{1}{41} e \dfrac{67}{33} = 2 + \dfrac{1}{33}. A condição fica \dfrac{1}{41} < \dfrac{1}{n} < \dfrac{1}{33} \iff 33 < n < 41.
  3. Os ímpares entre 33 e 41, exclusive: 35, 37, 39 — são três.A passagem que resolve o item é escrever as duas frações na forma 2 + \frac{1}{k}. Sem isso, a conta faz-se na mesma mas com números feios, e o exame pede «sem recorrer à calculadora».
Respostatrês termos

Os termos positivos nunca dão problema. O que interessa são os negativos — e esses são os de ordem par.

  1. Nas ordens ímpares o termo é positivo, logo maior do que -0{,}01 sempre.
  2. Nas ordens pares, u_n = -\dfrac{1}{n+1}, e -\dfrac{1}{n+1} > -0{,}01 \iff \dfrac{1}{n+1} < 0{,}01 \iff n + 1 > 100 \iff n > 99.
  3. Falha em n = 99? Não — 99 é ímpar e dá termo positivo. O primeiro par acima de 99 é 100, e a partir de n = 100 está tudo bem. Mas é preciso confirmar que a ordem 100 é mesmo a menor: em n = 99 o termo é positivo e em n = 98 vale -\tfrac{1}{99} \approx -0{,}0101 < -0{,}01, que falha.
  4. Logo a menor ordem é 99: de 99 para a frente, os pares já cumprem e os ímpares cumprem sempre.«A partir de» pede a menor ordem tal que daí para a frente a condição se mantém — e não a menor ordem que a cumpre. O termo de ordem 98 falha, o de 99 cumpre e todos os seguintes também.
Respostaordem 99

Em cada uma, compara o termo com a sua ordem. Na c), separa o sinal do valor absoluto.

  1. a) São os quadrados: u_n = n^2.
  2. b) Numerador n, denominador n+1: u_n = \dfrac{n}{n+1}.
  3. c) Em valor absoluto são as potências de 2, e o sinal alterna começando em +: u_n = (-1)^{n+1} \times 2^{n}.
  4. Verificação: u_1 = 2 ✓, u_2 = -4 ✓.Não há um termo geral «certo» — há termos gerais que dão a sucessão pedida. Dois alunos podem escrever (-1)^{n+1}2^n e -(-2)^n e estarem os dois certos.
Respostaa) n^2 · b) \frac{n}{n+1} · c) (-1)^{n+1}2^n
R2

Definir por recorrência

A outra maneira de dar uma sucessão: em vez de dizer quanto vale o termo de ordem n, diz-se por onde se começa e como se passa de um termo ao seguinte. É mais fácil de escrever e mais difícil de usar — e a diferença entre as duas está aqui.

Aprendizagens Essenciais · 11.º ano
  • Identificar e analisar formas de gerar sucessões através de termos gerais e por recorrência.

1 · A regra e o ponto de partida

Definição · por recorrência

Uma sucessão está definida por recorrência quando se dá o primeiro termo — ou os primeiros — e uma regra que produz cada termo a partir dos anteriores.

\begin{cases} u_1 = 3 \\ u_{n+1} = 2u_n + 2, \ \forall n \in \mathbb{N} \setminus \{0\} \end{cases}

Faltando qualquer uma das duas partes, a sucessão não fica definida. A regra sozinha não diz onde começar; o primeiro termo sozinho não diz como continuar.

Exemplo 3 Descer a escada, degrau a degrau

Com u_1 = 3 e u_{n+1} = 2u_n + 2:

  1. u_2 = 2(3) + 2 = 8;
  2. u_3 = 2(8) + 2 = 18;
  3. u_4 = 2(18) + 2 = 38.
  4. Para saber u_{10} não há atalho: são mais seis passagens.É a diferença que interessa. Com um termo geral, o u_{10} sai numa substituição. Por recorrência, sai ao fim de nove.
Duas escritas para a mesma ideia

Há enunciados que escrevem u_{n+1} = \ldots u_n \ldots e outros que escrevem u_n = \ldots u_{n-1} \ldots. Dizem o mesmo, mas o n não vale o mesmo nos dois: na primeira, para obter o segundo termo faz-se n = 1; na segunda, faz-se n = 2. Quando a regra tem o n lá dentro — como em u_n = u_{n-1} + 2n — trocar as duas dá números diferentes.

2 · Quando são precisos dois pontos de partida

Se a regra olhar dois termos para trás, um valor inicial não chega. É o caso de Fibonacci:

F_1 = 1, \quad F_2 = 1, \quad F_{n+2} = F_{n+1} + F_n.

1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, \ldots — e as razões entre termos consecutivos aproximam-se do número de ouro, \varphi \approx 1{,}618. A secção A1 volta lá.

Python Gerar termos por recorrência, e a conjetura de Collatz

É o programa que as Aprendizagens Essenciais pedem para este tema, com as duas partes: gerar um número fixado de termos de uma recorrência qualquer, e explorar a conjetura de Collatz.

u = 3
quantos = 8
for n in range(1, quantos + 1):
    print("u" + str(n), "=", u)
    u = 2 * u + 2

print()

def collatz(x):
    seq = [x]
    while x > 1:
        if x % 2 == 0:
            x = x // 2
        else:
            x = 3 * x + 1
        seq.append(x)
    return seq

for inicio in [6, 7, 27]:
    s = collatz(inicio)
    print(inicio, "-> chega a 1 em", len(s) - 1, "passos, maximo", max(s))

Repara no 27: leva 111 passos e sobe até 9232 antes de descer. Ninguém sabe demonstrar que isto acaba sempre — é a conjetura de Collatz, verificada para todos os números até mais de 2^{68} e por provar. Muda a primeira parte para a recorrência do exercício que estiveres a fazer.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre recorrência: descer a escada termo a termo, ler as duas escritas sem as trocar, passar de recorrência a termo geral quando isso é possível, e escrever a recorrência a partir de uma situação. Os últimos incluem Fibonacci, Collatz e a Torre de Hanói, que são temas de projeto das Aprendizagens Essenciais.

Exercício 13§R2 · os primeiros termos

Considera a sucessão definida por

\begin{cases} u_1 = 3 \\ u_{n+1} = 2u_n + 2, \ \forall n \in \mathbb{N} \setminus \{0\} \end{cases}

Determina os quatro primeiros termos.

Exercício 14§R2 · o terceiro termo

Seja a um número real e (u_n) a sucessão definida por

\begin{cases} u_1 = a \\ u_{n+1} = -3u_n + 2, \ \forall n \in \mathbb{N} \setminus \{0\} \end{cases}

Qual é o terceiro termo?

  • (A)6a + 4
  • (B)9a - 4
  • (C)6a - 4
  • (D)9a + 4
Exercício 15§R2 · com o índice anterior

Considera

\begin{cases} u_1 = 3 \\ u_n = u_{n-1} + 2n, \ n > 1 \end{cases}

Determina u_2, u_3 e u_4.

Exercício 16§R2 · a sucessão de Fibonacci

A sucessão de Fibonacci define-se por F_1 = 1, F_2 = 1 e F_{n+2} = F_{n+1} + F_n.

Escreve os dez primeiros termos.

Exercício 17§R2 · o que a recorrência não deixa fazer

Uma sucessão está definida por recorrência. Para calcular u_{50}:

  • (A)basta substituir n por 50 na regra.
  • (B)é preciso conhecer todos os termos anteriores.
  • (C)é impossível sem uma calculadora gráfica.
  • (D)usa-se a fórmula do termo geral de uma progressão.
Exercício 18§R2 · comparar com outra sucessão

Seja (u_n) definida por u_1 = 3 e u_n = u_{n-1} + 2n para n > 1, e seja w_n = 5n - 13.

Qual é o valor de n para o qual w_n = u_2?

  • (A)3
  • (B)4
  • (C)5
  • (D)6
Exercício 19§R2 · da recorrência ao termo geral

Seja u_1 = 5 e u_{n+1} = u_n + 4.

a) Escreve os cinco primeiros termos. b) Descobre um termo geral e confirma-o em dois casos.

Exercício 20§R2 · com dois valores iniciais

Seja a_1 = 2, a_2 = 5 e a_{n+2} = a_{n+1} - a_n.

a) Escreve os oito primeiros termos. b) O que notas? Quanto vale a_{100}?

Exercício 21§R2 · a conjetura de Collatz

Parte-se de um natural. Se for par, divide-se por 2; se for ímpar, multiplica-se por 3 e soma-se 1. Repete-se.

a) Escreve a sequência que começa em 6, até chegar a 1. b) E a que começa em 7. Quantos passos leva?

Exercício 22§R2 · a Torre de Hanói

Para mudar n discos de um pino para outro, o número mínimo de movimentos h_n cumpre h_1 = 1 e h_{n+1} = 2h_n + 1.

a) Determina h_2 a h_6. b) Compara cada h_n com 2^n e escreve um termo geral.

Exercício 23§R2 · mostrar que é constante

Seja u_1 = 4 e u_{n+1} = \dfrac{u_n + 12}{4}.

a) Calcula u_2, u_3 e u_4. b) Mostra que, se algum termo valer 4, todos os seguintes valem 4.

Exercício 24§R2 · escrever a recorrência

Um depósito tem hoje 2000 €. Todos os anos rende 3\% e o titular acrescenta 500 € no fim do ano.

a) Escreve a definição por recorrência do capital C_n ao fim de n anos. b) Determina C_1, C_2 e C_3.

Começa no que te dão e aplica a regra. O u_{n+1} calcula-se a partir do u_n, e não a partir do n.

  1. u_1 = 3.
  2. u_2 = 2(3) + 2 = 8.
  3. u_3 = 2(8) + 2 = 18.
  4. u_4 = 2(18) + 2 = 38.É o item do Exame de 2024, época especial, que pergunta o terceiro termo — e a resposta é 18. Quem responde 8 contou o u_1 como termo zero.
Resposta3,\ 8,\ 18,\ 38

Faz as duas passagens com a letra lá dentro, sem tentar simplificar antes do tempo.

  1. u_2 = -3a + 2.
  2. u_3 = -3(-3a + 2) + 2 = 9a - 6 + 2 = 9a - 4.
  3. É a opção (B).Com uma letra no lugar do número, a recorrência faz-se exactamente da mesma maneira. O erro típico é distribuir mal o -3 e ficar com 9a + 4, que é a opção (D) — está lá de propósito.
Resposta(B)

Atenção: aqui a regra dá o termo de ordem n a partir do anterior. Para u_2, o n vale 2.

  1. u_2 = u_1 + 2(2) = 3 + 4 = 7.
  2. u_3 = u_2 + 2(3) = 7 + 6 = 13.
  3. u_4 = u_3 + 2(4) = 13 + 8 = 21.Repara na diferença para o exercício anterior: ali a regra era u_{n+1} = \ldots, aqui é u_n = \ldots. O que se acrescenta depende de n, e por isso o passo não é constante — isto não é uma progressão aritmética.
Resposta7,\ 13,\ 21

Cada termo é a soma dos dois anteriores. Aqui são precisos dois valores iniciais, e não um.

  1. 1,\ 1,\ 2,\ 3,\ 5,\ 8,\ 13,\ 21,\ 34,\ 55.
  2. Repara em que fizeram falta dois termos iniciais: uma regra que olha para dois termos atrás precisa de dois pontos de partida.Divide cada termo pelo anterior: 1;\ 2;\ 1{,}5;\ 1{,}667;\ 1{,}6;\ 1{,}625;\ \ldots Os valores aproximam-se de 1{,}618, o número de ouro. É um dos temas de projeto que as Aprendizagens Essenciais sugerem, e a secção A1 volta lá.
Resposta1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55

A regra da recorrência diz como passar de um termo ao seguinte. Quantas passagens são precisas para chegar ao quinquagésimo?

  1. A regra só relaciona termos consecutivos: para ter u_{50} é preciso ter u_{49}, e para esse o u_{48}, e assim por diante.
  2. A opção (A) descreve o que se faz com um termo geral, que é outra coisa. É a (B).É precisamente isto que faz falta um programa. Quarenta e nove passagens à mão são quarenta e nove ocasiões de errar; em Python são três linhas.
Resposta(B)

Primeiro calcula u_2. Só depois resolve a equação em n.

  1. u_2 = u_1 + 2(2) = 3 + 4 = 7.
  2. 5n - 13 = 7 \iff 5n = 20 \iff n = 4.
  3. É a opção (B).Item do Teste Intermédio de 2011. O trabalho todo está na primeira linha: quem calcula u_2 mal responde depressa e mal.
Resposta(B)

Se de cada vez se soma sempre a mesma coisa, ao fim de n-1 passos somaram-se quantas vezes?

  1. a) 5,\ 9,\ 13,\ 17,\ 21.
  2. b) Do primeiro ao termo de ordem n deram-se n-1 passos de 4: u_n = 5 + 4(n-1) = 4n + 1.
  3. Confirmação: u_1 = 5 ✓, u_4 = 17 ✓.Nem toda a recorrência se converte em termo geral com esta facilidade — esta converte-se porque o passo é constante, e é isso que a R3 vai chamar progressão aritmética. A de Fibonacci também tem termo geral, mas envolve o número de ouro e não se obtém a olho.
Respostaa) 5, 9, 13, 17, 21 · b) u_n = 4n + 1

Faz os termos com cuidado até ao oitavo e compara-os com os primeiros.

  1. a) 2,\ 5,\ 3,\ -2,\ -5,\ -3,\ 2,\ 5.
  2. b) A sucessão repete-se de seis em seis: a_7 = a_1 e a_8 = a_2.
  3. Como 100 = 6 \times 16 + 4, tem-se a_{100} = a_4 = -2.O resto da divisão por 6 é que decide, e é a mesma ideia do n \bmod 4 nas potências de i, nos Números Complexos. Uma recorrência pode ser periódica sem que isso se veja na regra.
Respostaa) 2, 5, 3, -2, -5, -3, 2, 5 · b) período 6; a_{100} = -2

Faz passo a passo. Na b) vale mesmo a pena usar o programa desta secção.

  1. a) 6 \to 3 \to 10 \to 5 \to 16 \to 8 \to 4 \to 2 \to 1: oito passos.
  2. b) 7 \to 22 \to 11 \to 34 \to 17 \to 52 \to 26 \to 13 \to 40 \to 20 \to 10 \to 5 \to 16 \to 8 \to 4 \to 2 \to 1: dezasseis passos, e sobe até 52 antes de descer.A conjetura de Collatz diz que, seja qual for o número de partida, a sequência acaba sempre em 1. Já se confirmou para todos os números até mais de 2^{68}, e continua por demonstrar. É uma das poucas coisas deste livro que ninguém sabe se é verdade.
Respostaa) oito passos · b) dezasseis passos, com máximo em 52

Na b), põe h_n e 2^n lado a lado numa tabela. A diferença é sempre a mesma.

  1. a) 1,\ 3,\ 7,\ 15,\ 31,\ 63.
  2. b) As potências de 2 são 2, 4, 8, 16, 32, 64: cada h_n é uma unidade menos. h_n = 2^n - 1.
  3. Confirmação: h_4 = 16 - 1 = 15 ✓.Com 64 discos, a lenda diz que o mundo acaba quando a torre estiver mudada: são 2^{64} - 1 movimentos, e a um por segundo dava mais de quinhentos mil milhões de anos. É um dos temas de projeto das Aprendizagens Essenciais.
Respostaa) 1, 3, 7, 15, 31, 63 · b) h_n = 2^n - 1

Na b), supõe u_n = 4 e calcula u_{n+1}.

  1. a) u_2 = \dfrac{4+12}{4} = 4, e u_3 = u_4 = 4.
  2. b) Se u_n = 4, então u_{n+1} = \dfrac{4 + 12}{4} = \dfrac{16}{4} = 4.
  3. Como u_1 = 4, a sucessão é constante e igual a 4.O 4 chama-se ponto fixo da regra: é o valor que a regra devolve a si próprio. Se a sucessão começasse noutro sítio — u_1 = 8, por exemplo — os termos aproximavam-se do 4 sem lá ficar parados logo à primeira.
Respostaa) todos iguais a 4 · b) o 4 reproduz-se a si próprio

O que acontece em cada ano, por ordem: primeiro rende, depois entra o depósito novo.

  1. a) Com C_0 = 2000: C_{n+1} = 1{,}03\,C_n + 500.
  2. b) C_1 = 1{,}03(2000) + 500 = 2560;
    C_2 = 1{,}03(2560) + 500 = 3136{,}80;
    C_3 = 1{,}03(3136{,}80) + 500 = 3730{,}90 €.
  3. Isto não é uma progressão: não se soma sempre o mesmo nem se multiplica sempre pelo mesmo.É por casos como este que a definição por recorrência existe. A situação descreve-se numa linha e não tem termo geral simples — e a folha de cálculo, ou o programa desta secção, resolve-a em segundos.
Respostaa) C_{n+1} = 1{,}03C_n + 500 · b) 2560, 3136{,}80, 3730{,}90
R3

Progressões aritméticas

A sucessão mais simples que existe: começa nalgum sítio e acrescenta sempre a mesma coisa. Aparece nas filas de um anfiteatro, no juro simples e em metade dos itens de exame deste tema.

Aprendizagens Essenciais · 11.º ano
  • Reconhecer progressões aritméticas.
  • Saber definir progressões aritméticas através do 1.º termo e da razão.

1 · A definição, e o teste

Definição · progressão aritmética

Uma sucessão (u_n) é uma progressão aritmética quando a diferença entre cada termo e o anterior é constante:

u_{n+1} - u_n = r, \quad \forall n \in \mathbb{N} \setminus \{0\}.

A esse valor r chama-se razão (ou diferença) da progressão.

Constante quer dizer sem n. Mostrar que u_2 - u_1 = u_3 - u_2 não prova nada — são dois casos. O que prova é calcular u_{n+1} - u_n com o n lá dentro e ver o n desaparecer. É isso que os exames pedem quando dizem «mostre que».

2 · Do primeiro termo e da razão sai tudo

Do primeiro termo ao de ordem n dão-se n-1 passos de r:

Termo geral de uma progressão aritmética u_n = u_1 + (n-1)\,r

E, mais geralmente, de qualquer termo para qualquer outro: u_p = u_q + (p-q)\,r.

A segunda fórmula poupa sempre o passo intermédio por u_1, e quase todos os itens de exame dão dois termos e pedem o resto.

Reconhecer numa linha

Uma sucessão é progressão aritmética exactamente quando o termo geral é do 1.º grau em n — da forma an + b. E aí a razão é o a. Um n^2, uma raiz ou um n no denominador excluem-na de imediato.

Exemplo 4 Dois termos, e o resto

De uma progressão aritmética sabe-se que u_4 = 11 e u_{10} = 35.

  1. A razão. Do quarto ao décimo vão seis passos: 35 = 11 + 6r \iff r = 4.
  2. O primeiro termo. u_1 = u_4 - 3r = 11 - 12 = -1.
  3. O termo geral. u_n = -1 + 4(n-1) = 4n - 5.
  4. Confirmar. u_4 = 11 ✓, u_{10} = 35 ✓.Escrever o termo geral e não o confirmar nos dois valores dados é deixar a porta aberta ao erro do (n-1). São dez segundos.

3 · Onde aparecem

situação primeiro termo razão
Filas de um anfiteatro, mais 3 cadeiras por fila183
Juro simples de 2\% sobre 2500255050
Praticar mais 10 minutos por dia do que no dia anterior30 min10 min
Segmentos com mais 4 cm do que o anterior3 cm4 cm

O juro simples é uma progressão aritmética porque o juro se calcula sempre sobre o capital inicial: soma-se todos os anos a mesma quantia. O juro composto não é — e a R5 mostra o que é.

Exercícios propostos

Doze exercícios: escrever o termo geral a partir do primeiro termo e da razão, mostrar que uma sucessão é progressão aritmética como o exame exige, recuperar a progressão a partir de dois termos, e decidir se um número é termo. Os últimos são itens de Exame com sistemas por trás.

Exercício 25§R3 · a razão e o termo geral

Uma progressão aritmética tem u_1 = 7 e razão r = 4.

a) Escreve os quatro primeiros termos. b) Determina o termo geral e u_{25}.

Exercício 26§R3 · mostrar que é aritmética

Seja u_n = 5n - 2.

Mostra que (u_n) é uma progressão aritmética e indica a razão.

Exercício 27§R3 · reconhecer

Qual das sucessões seguintes não é uma progressão aritmética?

  • (A)u_n = 3n + 1
  • (B)u_n = 7 - 2n
  • (C)u_n = n^2 + 1
  • (D)u_n = \tfrac{n}{2}
Exercício 28§R3 · o anfiteatro

Num anfiteatro, a primeira fila tem 18 cadeiras e cada fila seguinte tem mais 3 do que a anterior.

a) Quantas cadeiras tem a décima fila? b) Qual é a primeira fila com mais de 60 cadeiras?

Exercício 29§R3 · juro simples

Depositam-se 2500 € a juro simples, com taxa anual de 2\%.

a) Escreve o capital acumulado C_n ao fim de n anos. b) Mostra que (C_n) é uma progressão aritmética e indica a razão.

Exercício 30§R3 · a partir de dois termos

De uma progressão aritmética sabe-se que u_4 = 11 e u_{10} = 35.

Determina a razão e o termo geral.

Exercício 31§R3 · é termo da progressão?

De uma progressão aritmética (u_n) sabe-se que a soma do primeiro com o quinto termo é 26 e que o nono termo é 31.

Averigua, sem calculadora, se 835 é termo da progressão.

Exercício 32§R3 · com uma razão escondida

De uma progressão aritmética (v_n) sabe-se que v_3 = 1 e v_{10} = \tfrac{5}{4}v_9.

Averigua, sem calculadora, se -50 é termo da progressão.

Exercício 33§R3 · da recorrência à razão

Considera a sucessão definida por a_1 = -3 e a_{n+1} = a_n + 7.

a) Mostra que é uma progressão aritmética. b) Determina o termo geral e a_{40}.

Exercício 34§R3 · três termos consecutivos

Sabe-se que x - 3, 2x e x + 11 são três termos consecutivos de uma progressão aritmética.

Determina x e a razão.

Exercício 35§R3 · com produto e diferença

Seja (a_n) uma progressão aritmética de termos positivos com a_{10} - a_4 = 3 e a_4 \times a_{10} = 40.

Sabendo que 173 é termo da sucessão, determina a sua ordem.

Exercício 36§R3 · a espiral de segmentos

Constrói-se uma linha com segmentos: o primeiro mede 3 cm e cada um dos seguintes mede mais 4 cm do que o anterior.

a) Quanto mede o décimo segmento? b) Há algum segmento com 75 cm? E com 80 cm?

Do primeiro ao termo de ordem n dão-se n-1 passos de r.

  1. a) 7,\ 11,\ 15,\ 19.
  2. b) u_n = 7 + 4(n-1) = 4n + 3, e u_{25} = 4(25) + 3 = 103.
  3. Verificação: u_1 = 7 ✓.O (n-1) é a origem de quase todos os erros: o primeiro termo não leva passo nenhum. Confirmar u_1 apanha-o sempre.
Respostaa) 7, 11, 15, 19 · b) u_n = 4n+3, u_{25} = 103

Calcula u_{n+1} - u_n em função de n e vê se o n desaparece.

  1. u_{n+1} = 5(n+1) - 2 = 5n + 3.
  2. u_{n+1} - u_n = (5n+3) - (5n-2) = 5.
  3. A diferença não depende de n: é progressão aritmética de razão 5.Mostrar que u_2 - u_1 = u_3 - u_2 = 5 não é uma demonstração — é a verificação de dois casos. O que prova é a conta com o n lá dentro, e é isso que o exame quer.
Respostarazão 5; a diferença u_{n+1}-u_n é constante

Em qual delas é que a diferença entre termos consecutivos ainda tem n?

  1. Nas do 1.º grau em n, a diferença é o coeficiente de n: 3, -2 e \tfrac12.
  2. Na (C): u_{n+1} - u_n = (n+1)^2 - n^2 = 2n + 1, que depende de n.
  3. É a (C).Regra prática que vale a pena guardar: uma sucessão é progressão aritmética exactamente quando o termo geral é do 1.º grau em n — da forma an + b. E aí a razão é o a.
Resposta(C)

É uma progressão aritmética de primeiro termo 18 e razão 3.

  1. c_n = 18 + 3(n-1) = 3n + 15.
  2. a) c_{10} = 45 cadeiras.
  3. b) 3n + 15 > 60 \iff n > 15: a fila 16, com 63 cadeiras.É o contexto que as Aprendizagens Essenciais sugerem pelo nome. Repara na alínea b): a resposta é uma ordem, e o enunciado pede a fila — que é a mesma coisa dita em português.
Respostaa) 45 · b) a fila 16

No juro simples, o juro é sempre calculado sobre o capital inicial.

  1. a) C_n = 2500 + 2500 \times 0{,}02 \times n = 2500 + 50n.
  2. b) C_{n+1} - C_n = 50, constante: progressão aritmética de razão 50.
  3. Cada ano rende sempre os mesmos 50 €.É o outro contexto que as AE nomeiam, e liga-se ao capítulo da Cidadania: o juro simples é uma progressão aritmética, e o juro composto é uma progressão geométrica. É a mesma diferença, vista de outro lado.
Respostaa) C_n = 2500 + 50n · b) razão 50

Do quarto ao décimo termo dão-se seis passos de r.

  1. u_{10} = u_4 + 6r \iff 35 = 11 + 6r \iff r = 4.
  2. u_1 = u_4 - 3r = 11 - 12 = -1.
  3. u_n = -1 + 4(n-1) = 4n - 5.
  4. Verificação: u_4 = 11 ✓ e u_{10} = 35 ✓.A relação u_p = u_q + (p-q)r poupa sempre o passo por u_1. Vale a pena tê-la à mão: quase todos os itens de exame dão dois termos e pedem o resto.
Respostar = 4, u_n = 4n - 5

Escreve as duas condições em função de u_1 e r. Repara em que u_1 + u_5 = 2u_1 + 4r.

  1. u_1 + u_5 = 2u_1 + 4r = 26 \iff u_1 + 2r = 13.
  2. u_9 = u_1 + 8r = 31.
  3. Subtraindo: 6r = 18 \iff r = 3, e u_1 = 13 - 6 = 7.
  4. u_n = 7 + 3(n-1) = 3n + 4. Então 3n + 4 = 835 \iff n = 277.
  5. Como 277 \in \mathbb{N} \setminus \{0\}, 835 é termo — o de ordem 277.Item do Exame de 2024, 2.ª fase. O sistema resolve-se de cabeça se se reparar que u_1 + u_5 = 2u_3, o que dá u_3 = 13 num passo.
Respostasim, é o termo de ordem 277

Escreve v_9 e v_{10} à custa de v_3 e de r, e resolve a equação em r.

  1. v_9 = 1 + 6r e v_{10} = 1 + 7r.
  2. 1 + 7r = \tfrac54(1 + 6r) \iff 4 + 28r = 5 + 30r \iff -2r = 1 \iff r = -\tfrac12.
  3. v_1 = v_3 - 2r = 1 + 1 = 2, logo v_n = 2 - \tfrac12(n-1) = \dfrac{5-n}{2}.
  4. \dfrac{5-n}{2} = -50 \iff n = 105: é termo, o de ordem 105.Item do Exame de 2022, época especial. A razão é negativa e a progressão é decrescente — nada impede, e é por isso que o enunciado escolhe um valor negativo para a pergunta.
Respostasim, é o termo de ordem 105

A regra da recorrência já é a diferença entre termos consecutivos, escrita de outra maneira.

  1. a) Da regra vem a_{n+1} - a_n = 7 para todo o n: é constante, logo é progressão aritmética de razão 7.
  2. b) a_n = -3 + 7(n-1) = 7n - 10, e a_{40} = 270.Uma recorrência da forma u_{n+1} = u_n + k, com k constante, é sempre uma progressão aritmética de razão k — e a demonstração é a linha de cima.
Respostaa) razão 7 · b) a_n = 7n-10, a_{40} = 270

Em três termos consecutivos, a diferença do segundo para o primeiro é igual à do terceiro para o segundo.

  1. 2x - (x-3) = (x+11) - 2x.
  2. x + 3 = 11 - x \iff 2x = 8 \iff x = 4.
  3. Os termos são 1,\ 8,\ 15: a razão é 7.Há um atalho que vale a pena guardar: em três termos consecutivos de uma progressão aritmética, o do meio é a média dos outros dois. Aqui, 2x = \frac{(x-3)+(x+11)}{2} dá o mesmo em menos uma linha.
Respostax = 4, razão 7

Da primeira condição sai a razão. Depois, com a diferença e o produto conhecidos, tens um sistema de dois números.

  1. a_{10} - a_4 = 6r = 3 \iff r = \tfrac12.
  2. Com a_{10} = a_4 + 3 e a_4(a_4 + 3) = 40: a_4^2 + 3a_4 - 40 = 0, donde a_4 = 5 ou a_4 = -8. Como os termos são positivos, a_4 = 5.
  3. a_1 = 5 - 3r = 5 - 1{,}5 = 3{,}5, e a_n = 3{,}5 + 0{,}5(n-1) = \dfrac{n+6}{2}.
  4. \dfrac{n+6}{2} = 173 \iff n = 340.Item do Exame de 2025, época especial. A condição «de termos positivos» não é enfeite: é ela que deita fora a raiz negativa da equação do 2.º grau.
Respostaordem 340

É uma progressão aritmética de primeiro termo 3 e razão 4.

  1. s_n = 3 + 4(n-1) = 4n - 1.
  2. a) s_{10} = 39 cm.
  3. b) 4n - 1 = 75 \iff n = 19: sim, o décimo nono.
    4n - 1 = 80 \iff n = 20{,}25: não.
  4. Todos os termos são da forma 4n - 1, ou seja, deixam resto 3 na divisão por 4.A última linha é a maneira rápida de responder a «é termo?» numa progressão aritmética de razão inteira: basta olhar para o resto. 80 deixa resto 0, logo não pode ser.
Respostaa) 39 cm · b) 75 sim (ordem 19), 80 não
R4

A soma de uma progressão aritmética

Somar cem números leva o dia todo — a não ser que se repare naquilo em que Gauss reparou aos nove anos. A fórmula não vale a pena decorar-se; vale a pena ver de onde vem, e depois já não sai da cabeça.

Aprendizagens Essenciais · 11.º ano
  • Determinar a soma de n termos consecutivos de uma progressão aritmética.

1 · A história que as Aprendizagens Essenciais mandam contar

Conta-se que um professor mandou a turma somar os números de 1 a 100, à espera de uma hora de sossego. Carl Friedrich Gauss (1777-1855), com nove anos, respondeu quase de imediato: 5050.

O que ele viu foi isto: emparelhando o primeiro com o último, o segundo com o penúltimo, e assim por diante,

1 + 100 = 101, \quad 2 + 99 = 101, \quad 3 + 98 = 101, \ \ldots

São cinquenta pares, todos a somar 101: 50 \times 101 = 5050.

1 2 3 4 5 6 7 8 9
A soma escrita duas vezes, uma delas ao contrário: todas as colunas ficam com a mesma altura. É a demonstração inteira, em desenho.
Soma de n termos consecutivos de uma progressão aritmética S_n = \dfrac{u_1 + u_n}{2}\,n

Lê-se: a média dos extremos, vezes o número de termos. Quando não se conhece o último termo, substitui-se u_n por u_1 + (n-1)r e fica

S_n = \dfrac{2u_1 + (n-1)r}{2}\,n.

2 · O erro que custa o exercício inteiro

Quando a soma não começa no primeiro termo, conte-se. De u_5 a u_{20} são 20 - 5 + 1 = 16 termos, e não quinze. O «mais um» esquece-se com uma facilidade notável — e leva a resposta atrás dele. A verificação é imediata: de u_1 a u_3 são três termos, e 3 - 1 + 1 = 3 ✓.

Exemplo 5 Uma soma que não começa no princípio

Com u_n = 3n - 1, determinar u_5 + u_6 + \cdots + u_{20}.

  1. Quantos termos. 20 - 5 + 1 = 16.
  2. Os extremos. u_5 = 14 e u_{20} = 59.
  3. A soma. S = \dfrac{14 + 59}{2} \times 16 = 584.
  4. Confirmação grosseira. Dezasseis termos entre 14 e 59 dão uma soma entre 16 \times 14 = 224 e 16 \times 59 = 944. O 584 está lá no meio. ✓Esta última verificação não prova nada, mas apanha os erros grandes — um zero a mais, um termo a menos — em cinco segundos.

Laboratório · A soma, termo a termo

interativo

As barras são os termos; a linha a vermelho é a soma acumulada, desenhada à escala. Põe a razão a zero: todos os termos ficam iguais e a soma é o termo vezes o número deles — a fórmula continua a dar o mesmo. Põe a razão negativa e vê a soma passar a descer a partir de certa altura.

Exercícios propostos

Doze exercícios: a fórmula, a contagem dos termos quando a soma não começa no princípio, e as contas ao contrário — descobrir a razão, o primeiro termo ou o número de termos a partir da soma. Metade são itens de Exame, onde este tema é dos mais avaliados.

Exercício 37§R4 · a soma dos primeiros

Seja (u_n) a progressão aritmética de termo geral u_n = 4n + 3.

Determina a soma dos vinte primeiros termos.

Exercício 38§R4 · a soma de Gauss

Determina 1 + 2 + 3 + \cdots + 100.

Exercício 39§R4 · contar os termos

Seja u_n = 3n - 1.

Determina u_5 + u_6 + \cdots + u_{20}.

Exercício 40§R4 · quantos termos são precisos

Numa progressão aritmética, u_1 = 5 e r = 3.

Quantos termos são precisos para que a soma passe de 1000?

Exercício 41§R4 · da soma para a progressão

De uma progressão aritmética (u_n) sabe-se que u_3 = 4 e que a soma dos doze primeiros termos é 174.

Averigua se 5371 é termo da sucessão.

Exercício 42§R4 · os dias de prática

A Constança preparou-se para uma audição durante m dias. Praticou, em cada dia excepto o primeiro, mais 10 minutos do que no dia anterior; no quarto dia praticou 60 minutos; no total dos m dias praticou 2970 minutos.

Determina m.

Exercício 43§R4 · a linha poligonal

Constrói-se uma linha poligonal a partir de [AB]: cada segmento tem mais 2 cm do que o anterior. Ao fim de 100 segmentos, a linha mede 104 metros.

Determina o comprimento de [AB], em centímetros.

Exercício 44§R4 · só os de ordem ímpar

Seja u_n = 2n + 1.

Determina, sem calculadora, a soma dos primeiros duzentos termos de ordem ímpar.

Exercício 45§R4 · a soma a partir de duas condições

Seja (u_n) uma progressão aritmética em que a soma do sexto com o vigésimo termo é -5 e o décimo nono termo é o quádruplo do sétimo.

Determina a soma dos dezasseis primeiros termos.

Exercício 46§R4 · o triângulo de Pascal

Com cartões numerados constrói-se uma figura triangular com as n primeiras linhas do triângulo de Pascal.

Calcula n, sabendo que se usaram exactamente 3081 cartões.

Exercício 47§R4 · a empresa dos pneus

Uma empresa vendeu 22\,000 pneus em janeiro. Em cada mês seguinte, as vendas aumentam sempre a mesma quantidade. No total dos doze meses do ano vendeu 300\,000 pneus.

a) Determina o aumento mensal. b) Quantos pneus vendeu em dezembro?

Exercício 48§R4 · provar a fórmula

Seja (u_n) uma progressão aritmética de razão r e S_n = u_1 + u_2 + \cdots + u_n.

Mostra que S_n = \dfrac{u_1 + u_n}{2}\,n, escrevendo a soma duas vezes — uma delas ao contrário.

S_n = \dfrac{u_1 + u_n}{2}\,n. Precisas do primeiro e do vigésimo.

  1. u_1 = 7 e u_{20} = 83.
  2. S_{20} = \dfrac{7 + 83}{2} \times 20 = 45 \times 20 = 900.A fórmula lê-se como «a média dos extremos, vezes o número de termos». Dita assim não se decora: percebe-se.
Resposta900

É a progressão aritmética de primeiro termo 1, razão 1 e centésimo termo 100.

  1. S_{100} = \dfrac{1 + 100}{2} \times 100 = 50{,}5 \times 100 = 5050.É a conta que Gauss fez de cabeça na escola primária, e a razão por que a fórmula existe: emparelhar o primeiro com o último, o segundo com o penúltimo, e assim por diante — todos os pares somam 101, e são cinquenta pares.
Resposta5050

Quantos termos são, de 5 a 20? Conta-os antes de somar.

  1. Quantos termos. De 5 a 20 são 20 - 5 + 1 = 16 termos.
  2. u_5 = 14 e u_{20} = 59.
  3. S = \dfrac{14 + 59}{2} \times 16 = 36{,}5 \times 16 = 584.O «mais um» é o erro típico desta secção: quem faz 20-5=15 perde um termo e a resposta inteira. Vale a pena confirmar com um caso pequeno: de 1 a 3 são três termos, e 3-1+1=3 ✓.
Resposta584

Escreve S_n em função de n. Vai dar uma inequação do 2.º grau.

  1. u_n = 5 + 3(n-1) = 3n + 2.
  2. S_n = \dfrac{5 + 3n + 2}{2}\,n = \dfrac{n(3n + 7)}{2}.
  3. \dfrac{n(3n+7)}{2} > 1000 \iff 3n^2 + 7n - 2000 > 0, cujas raízes são n \approx -27{,}1 e n \approx 24{,}6.
  4. O primeiro natural acima é n = 25. Confirmando: S_{24} = 948 e S_{25} = 1025. São 25 termos.Só a raiz positiva interessa: n é um número de termos. E confirmar nos dois valores à volta é o que garante que se escolheu o inteiro certo.
Resposta25 termos

Escreve S_{12} em função de u_1 e r, e junta a condição do terceiro termo.

  1. S_{12} = \dfrac{2u_1 + 11r}{2} \times 12 = 6(2u_1 + 11r) = 174 \iff 2u_1 + 11r = 29.
  2. u_3 = u_1 + 2r = 4 \iff u_1 = 4 - 2r.
  3. Substituindo: 2(4-2r) + 11r = 29 \iff 7r = 21 \iff r = 3, e u_1 = -2.
  4. u_n = -2 + 3(n-1) = 3n - 5. Então 3n - 5 = 5371 \iff n = 1792.
  5. É termo, o de ordem 1792.Item do Exame de 2018, 2.ª fase. A forma S_n = \frac{2u_1 + (n-1)r}{2}\,n é a que serve quando não se conhece o último termo — e é a que faz falta em quase todos estes itens.
Respostasim, ordem 1792

Do quarto dia e da razão sai o primeiro. Depois é a fórmula da soma, com m por descobrir.

  1. r = 10 e u_4 = 60, logo u_1 = 60 - 3(10) = 30.
  2. S_m = \dfrac{2(30) + 10(m-1)}{2}\,m = \dfrac{10m + 50}{2}\,m = 5m^2 + 25m.
  3. 5m^2 + 25m = 2970 \iff m^2 + 5m - 594 = 0 \iff m = 22 \ \lor \ m = -27.
  4. Como m é um número de dias, m = 22.Item do Exame de 2024, 1.ª fase. A raiz negativa aparece sempre nestes problemas e deita-se fora com uma frase: um número de dias não é negativo. Escrever essa frase vale cotação.
Respostam = 22 dias

Cuidado com as unidades: 104 metros são quantos centímetros?

  1. 104 m = 10\,400 cm.
  2. Com r = 2 e n = 100: S_{100} = \dfrac{2u_1 + 99 \times 2}{2} \times 100 = (u_1 + 99)\times 100.
  3. (u_1 + 99) \times 100 = 10\,400 \iff u_1 + 99 = 104 \iff u_1 = 5.
  4. [AB] mede 5 cm.Item do Exame de 2023, 1.ª fase. A conversão de unidades é metade do exercício, e é onde se perde — a resposta é pedida em centímetros e o enunciado dá metros de propósito.
Resposta5 cm

As ordens ímpares são 1, 3, 5, \ldots — escreve n = 2k-1 e vê que sucessão sai em k.

  1. Com n = 2k - 1: v_k = 2(2k-1) + 1 = 4k - 1.
  2. (v_k) é progressão aritmética de razão 4, com v_1 = 3 e v_{200} = 799.
  3. S = \dfrac{3 + 799}{2} \times 200 = 401 \times 200 = 80\,200.Item do Exame de 2021, época especial. A substituição n = 2k-1 é o passo que transforma «os de ordem ímpar» noutra progressão aritmética — e a partir daí é a fórmula de sempre.
Resposta80\,200

Escreve as duas condições em u_1 e r. Da segunda tira-se uma relação linear.

  1. u_6 + u_{20} = 2u_1 + 24r = -5.
  2. u_{19} = 4u_7 \iff u_1 + 18r = 4(u_1 + 6r) \iff -3u_1 = 6r \iff u_1 = -2r.
  3. Substituindo: -4r + 24r = -5 \iff r = -\tfrac14, e u_1 = \tfrac12.
  4. S_{16} = \dfrac{2(\tfrac12) + 15(-\tfrac14)}{2} \times 16 = \dfrac{1 - 3{,}75}{2}\times 16 = -22.Item do Exame de 2021, 2.ª fase. Vale a pena confirmar: u_{16} = \tfrac12 - \tfrac{15}{4} = -3{,}25 e \frac{0{,}5 - 3{,}25}{2}\times 16 = -22 ✓.
Resposta-22

A linha k do triângulo de Pascal tem k cartões (a primeira tem 1). Soma 1 + 2 + \cdots + n.

  1. O número total de cartões é 1 + 2 + \cdots + n = \dfrac{n(n+1)}{2}.
  2. \dfrac{n(n+1)}{2} = 3081 \iff n^2 + n - 6162 = 0.
  3. n = \dfrac{-1 \pm \sqrt{1 + 24\,648}}{2} = \dfrac{-1 \pm 157}{2}, donde n = 78 (a outra raiz é negativa).
  4. Confirmação: \dfrac{78 \times 79}{2} = 3081 ✓.Item do Exame de 2024, época especial. A soma dos n primeiros naturais é o caso mais usado da fórmula deste capítulo, e vale a pena saber a expressão \frac{n(n+1)}{2} de cor.
Respostan = 78

É uma progressão aritmética com u_1 = 22\,000 e soma de 12 termos conhecida.

  1. S_{12} = \dfrac{2(22\,000) + 11r}{2}\times 12 = 6(44\,000 + 11r) = 300\,000.
  2. 44\,000 + 11r = 50\,000 \iff 11r = 6000 \iff r = \dfrac{6000}{11} \approx 545{,}45.
  3. b) u_{12} = 22\,000 + 11r = 22\,000 + 6000 = 28\,000 pneus.Repara em que a alínea b) sai sem se arredondar a razão: 11r = 6000 exactamente. Arredondar a meio e só depois multiplicar dava 27\,999{,}95 — e um número de pneus não tem casas decimais.
Respostaa) \frac{6000}{11} \approx 545 pneus/mês · b) 28\,000

Escreve S_n por ordem e depois por ordem inversa, uma linha por baixo da outra, e soma coluna a coluna.

  1. Por ordem: S_n = u_1 + (u_1 + r) + \cdots + (u_1 + (n-1)r).
  2. Ao contrário: S_n = u_n + (u_n - r) + \cdots + (u_n - (n-1)r).
  3. Somando coluna a coluna, cada par dá u_1 + u_n — os múltiplos de r cancelam-se — e há n colunas: 2S_n = n\,(u_1 + u_n) \iff S_n = \dfrac{u_1 + u_n}{2}\,n.
  4. É exactamente o que a figura de Gauss mostra: duas cópias da soma, uma virada, formam um retângulo.Esta demonstração não está nas Aprendizagens Essenciais, e está aqui na mesma: é curta, é a razão de ser da fórmula, e quem a viu uma vez nunca mais precisa de a decorar.
Resposta2S_n = n(u_1+u_n), somando a progressão consigo própria ao contrário
R5

Progressões geométricas

A mesma ideia da secção anterior com uma só troca: onde a aritmética somava, esta multiplica. A troca parece pequena e muda tudo — é a diferença entre uma reta e uma exponencial, e entre o juro simples e o juro composto.

Aprendizagens Essenciais · 11.º ano
  • Reconhecer progressões geométricas.
  • Saber definir progressões geométricas através do 1.º termo e da razão.

1 · A definição, e o teste

Definição · progressão geométrica

Uma sucessão (u_n) de termos não nulos é uma progressão geométrica quando o quociente entre cada termo e o anterior é constante:

\dfrac{u_{n+1}}{u_n} = r, \quad \forall n \in \mathbb{N} \setminus \{0\}.

A r chama-se razão da progressão.

Termo geral de uma progressão geométrica u_n = u_1 \times r^{\,n-1}, \qquad u_p = u_q \times r^{\,p-q}

As duas fórmulas são as da R3 com a multiplicação no lugar da soma, e o expoente n-1 tem a mesma origem: o primeiro termo não leva multiplicação nenhuma.

progressão aritmética progressão geométrica
o que é constanteu_{n+1} - u_n = r\dfrac{u_{n+1}}{u_n} = r
termo geralu_1 + (n-1)ru_1 \times r^{\,n-1}
de um termo a outrou_q + (p-q)ru_q \times r^{\,p-q}
reconhece-se portermo geral do 1.º grau em nn no expoente
aparece emjuro simplesjuro composto
O primeiro termo não é o número da frente

Uma progressão geométrica escrita como u_n = a \times b^{\,n} tem razão b — mas o primeiro termo é a \times b, e não a. Quem lê o a como u_1 engana-se num factor b em tudo o que vier a seguir. A forma que não engana é u_1 \times r^{\,n-1}.

Exemplo 6 Do juro composto à progressão

Depositam-se 2500 € a juro composto, com taxa anual de 2\%.

  1. Cada ano multiplica o capital por 1{,}02: C_n = 2500 \times 1{,}02^{\,n}.
  2. \dfrac{C_{n+1}}{C_n} = 1{,}02, constante — é progressão geométrica.
  3. Compara com o juro simples da R3, que dava 2500 + 50n: uma soma sempre a mesma coisa, a outra multiplica sempre pela mesma coisa.Ao fim de 10 anos: 3000 € a juro simples contra 3047{,}49 € a juro composto. Ao fim de 40: 4500 € contra 5520{,}10 €. A diferença é a mesma que o capítulo da Cidadania desenha em duas curvas.

2 · Quando a razão é negativa

Nada obriga a razão a ser positiva. Com r < 0, os termos alternam de sinal — e a progressão não é crescente nem decrescente.

É por isso que os enunciados de exame dizem «de termos positivos», «monótona crescente» ou «não monótona». Não é enfeite: sempre que a conta leva a r^2 ou a r^4, há duas raízes reais, e é essa frase que escolhe qual delas serve.

Laboratório · Somar sempre, ou multiplicar sempre

interativo

Põe a razão da geométrica em 1{,}1 — um crescimento de 10\%, que parece pouco — e vê ao fim de quantos termos ela ultrapassa a aritmética de razão 8. Depois põe a razão da geométrica negativa e repara em que os pontos passam a saltar de um lado para o outro do eixo.

Exercícios propostos

Doze exercícios: reconhecer uma progressão geométrica pelo quociente, escrever o termo geral sem se enganar no expoente, recuperar a razão a partir de dois termos, e usar a monotonia para escolher entre duas raízes. Sete são itens de Exame.

Exercício 49§R5 · razão e termo geral

Uma progressão geométrica tem u_1 = 5 e razão r = 3.

a) Escreve os quatro primeiros termos. b) Determina o termo geral e u_8.

Exercício 50§R5 · mostrar que é geométrica

Seja u_n = 4 \times 2^n.

Mostra que é uma progressão geométrica e indica a razão e o primeiro termo.

Exercício 51§R5 · uma potência disfarçada

Seja u_n = \left(\dfrac{1}{2}\right)^{1-n}. Qual das afirmações é verdadeira?

  • (A)É progressão geométrica de razão \tfrac12.
  • (B)É progressão geométrica de razão 2.
  • (C)É progressão aritmética de razão \tfrac12.
  • (D)É progressão aritmética de razão 2.
Exercício 52§R5 · juro composto

Depositam-se 2500 € a juro composto, com taxa anual de 2\% e capitalização anual.

a) Escreve o capital C_n ao fim de n anos. b) Mostra que (C_n) é uma progressão geométrica.

Exercício 53§R5 · o termo do meio

Seja (v_n) uma progressão geométrica com v_5 = 4 e v_8 = 108. Qual é v_6?

  • (A)12
  • (B)24
  • (C)48
  • (D)60
Exercício 54§R5 · dois termos distantes

De uma progressão geométrica (a_n) sabe-se que a_3 = \tfrac14 e a_6 = 2. Qual é a_{20}?

  • (A)8192
  • (B)16\,384
  • (C)32\,768
  • (D)65\,536
Exercício 55§R5 · com razão negativa

Considera uma progressão geométrica não monótona (u_n) com u_3 = \tfrac{1}{12} e u_{18} = 4u_{20}.

Determina o termo geral na forma a \times b^{\,n}.

Exercício 56§R5 · três termos consecutivos

Seja a um número real. Sabe-se que a, a + 6 e a + 18 são três termos consecutivos de uma progressão geométrica.

Determina a e a razão.

Exercício 57§R5 · soma e diferença de dois termos

Seja r > 1 a razão de uma progressão geométrica de termos positivos. De dois termos consecutivos sabe-se que a soma é 12 e a diferença entre o maior e o menor é 3.

Determina r.

Exercício 58§R5 · monótona crescente

De uma progressão geométrica (u_n), monótona crescente, sabe-se que u_4 = 32 e u_8 = 8192. Qual é u_5?

  • (A)64
  • (B)128
  • (C)256
  • (D)512
Exercício 59§R5 · aritmética e geométrica ao mesmo tempo

Sejam a e b reais não nulos. Sabe-se que 2, a e b são três termos consecutivos de uma progressão geométrica, e que a - 2, b e 2 são três termos consecutivos de uma progressão aritmética.

Determina a e b.

Exercício 60§R5 · a produção que cresce por percentagem

Uma empresa produziu 4000 componentes num certo ano. A partir daí, a produção aumenta 15\% por ano.

a) Escreve o termo geral da produção anual. b) Ao fim de quantos anos a produção passa do dobro da inicial?

Do primeiro ao termo de ordem n multiplica-se n-1 vezes por r.

  1. a) 5,\ 15,\ 45,\ 135.
  2. b) u_n = 5 \times 3^{\,n-1}, e u_8 = 5 \times 3^7 = 10\,935.O expoente é n-1 pela mesma razão por que na aritmética o passo era (n-1)r: o primeiro termo não leva multiplicação nenhuma.
Respostaa) 5, 15, 45, 135 · b) u_n = 5 \times 3^{n-1}, u_8 = 10\,935

Calcula \dfrac{u_{n+1}}{u_n} e vê se o n desaparece.

  1. \dfrac{u_{n+1}}{u_n} = \dfrac{4 \times 2^{n+1}}{4 \times 2^n} = 2, constante.
  2. É progressão geométrica de razão 2, com u_1 = 4 \times 2 = 8.
  3. Na forma canónica: u_n = 8 \times 2^{\,n-1}.Atenção ao primeiro termo: o 4 que aparece na expressão não é o u_1. Uma progressão geométrica escrita como a \times b^n tem razão b e primeiro termo a \times b.
Respostarazão 2, u_1 = 8

Um expoente negativo inverte a base: \left(\tfrac12\right)^{-k} = 2^{k}.

  1. u_n = \left(\tfrac12\right)^{1-n} = \left(\tfrac12\right)^{-(n-1)} = 2^{\,n-1}.
  2. É progressão geométrica de primeiro termo 1 e razão 2: opção (B).Item do Exame de 2017, 2.ª fase. A opção (A) está lá para quem lê a base e não olha para o sinal do expoente — que é exactamente o que inverte tudo.
Resposta(B)

No juro composto, cada ano multiplica o capital por 1 + r.

  1. a) C_n = 2500 \times 1{,}02^{\,n}.
  2. b) \dfrac{C_{n+1}}{C_n} = 1{,}02, constante: progressão geométrica de razão 1{,}02.É o contexto que as Aprendizagens Essenciais nomeiam, e o contraponto exacto da R3: juro simples é progressão aritmética, juro composto é progressão geométrica. A diferença entre somar sempre o mesmo e multiplicar sempre pelo mesmo é a diferença entre as duas curvas do capítulo da Cidadania.
Respostaa) C_n = 2500 \times 1{,}02^n · b) razão 1{,}02

Do quinto ao oitavo multiplica-se três vezes pela razão.

  1. v_8 = v_5 \times r^3 \iff 108 = 4r^3 \iff r^3 = 27 \iff r = 3.
  2. v_6 = v_5 \times r = 4 \times 3 = 12: opção (A).Item do Exame de 2021, 1.ª fase. A relação geral é u_p = u_q \times r^{\,p-q} — a mesma ideia do u_p = u_q + (p-q)r das aritméticas, com a multiplicação no lugar da soma.
Resposta(A)

Do terceiro ao sexto vão três passos; do sexto ao vigésimo vão catorze.

  1. a_6 = a_3 r^3 \iff 2 = \tfrac14 r^3 \iff r^3 = 8 \iff r = 2.
  2. a_{20} = a_6 \times r^{14} = 2 \times 2^{14} = 2^{15} = 32\,768: opção (C).Item do Exame de 2015, época especial. Saltar de a_6 para a_{20} directamente poupa o cálculo de a_1 e evita frações pelo caminho.
Resposta(C)

«Não monótona» é a chave: numa progressão geométrica isso quer dizer razão negativa. Da segunda condição sai r^2.

  1. u_{20} = u_{18}r^2, logo u_{18} = 4u_{18}r^2 \iff r^2 = \tfrac14 \iff r = \pm\tfrac12.
  2. Como a progressão não é monótona, r = -\tfrac12.
  3. u_1 = \dfrac{u_3}{r^2} = \dfrac{1/12}{1/4} = \dfrac13.
  4. u_n = \dfrac13\left(-\tfrac12\right)^{n-1} = \dfrac13 \times \dfrac{\left(-\tfrac12\right)^{n}}{-\tfrac12} = -\dfrac23\left(-\tfrac12\right)^{n}.Item do Exame de 2020, época especial. Uma progressão geométrica de razão negativa alterna de sinal — e por isso não é crescente nem decrescente. É a informação que o enunciado dá em três palavras e sem a qual há duas respostas.
Respostau_n = -\tfrac23\left(-\tfrac12\right)^{n}

Em três termos consecutivos de uma progressão geométrica, o quociente do segundo para o primeiro é igual ao do terceiro para o segundo.

  1. \dfrac{a+6}{a} = \dfrac{a+18}{a+6} \iff (a+6)^2 = a(a+18).
  2. a^2 + 12a + 36 = a^2 + 18a \iff 36 = 6a \iff a = 6.
  3. Os termos são 6, 12, 24: a razão é 2.O atalho: em três termos consecutivos de uma progressão geométrica, o do meio ao quadrado é o produto dos outros dois(a+6)^2 = a(a+18), que é a primeira linha. Nas aritméticas, o do meio era a média; aqui é a média geométrica.
Respostaa = 6, razão 2

Chama u ao menor. Como r>1, o maior é ur. Tens duas equações.

  1. u + ur = 12 e ur - u = 3.
  2. Somando: 2ur = 15. Subtraindo: 2u = 9, donde u = 4{,}5.
  3. r = \dfrac{15/2}{2u} = \dfrac{7{,}5}{4{,}5} = \dfrac{5}{3}.
  4. Verificação: os termos são 4{,}5 e 7{,}5; somam 12 ✓ e diferem em 3 ✓.Item do Exame de 2019, 1.ª fase. Somar e subtrair as duas equações é o que evita substituições com frações — e a verificação no fim é uma linha.
Respostar = \tfrac53

Do quarto ao oitavo vão quatro passos, e r^4 tem duas raízes reais. Qual delas serve?

  1. 8192 = 32r^4 \iff r^4 = 256 \iff r = \pm 4.
  2. Como é monótona crescente, a razão é positiva: r = 4.
  3. u_5 = 32 \times 4 = 128: opção (B).Item do Exame de 2016, 2.ª fase. Sempre que um expoente par aparece, há duas raízes — e é a palavra do enunciado («crescente», «de termos positivos», «não monótona») que escolhe.
Resposta(B)

Da primeira condição sai a^2 = 2b. Da segunda, o do meio é a média dos outros.

  1. Geométrica: a^2 = 2b.
  2. Aritmética: 2b = (a-2) + 2 = a.
  3. Substituindo: a^2 = a \iff a(a-1) = 0. Como a \neq 0, a = 1.
  4. Então b = \dfrac{a}{2} = \dfrac12.
  5. Verificação: 2, 1, \tfrac12 é geométrica de razão \tfrac12 ✓; -1, \tfrac12, 2 é aritmética de razão \tfrac32 ✓.Item do Exame de 2019, 2.ª fase. As duas condições dão duas equações; o «não nulos» do enunciado é o que deita fora a raiz a = 0.
Respostaa = 1, b = \tfrac12

Aumentar 15\% é multiplicar por 1{,}15. Na b), resolve 1{,}15^n > 2.

  1. a) P_n = 4000 \times 1{,}15^{\,n-1}, com P_1 = 4000 no ano inicial.
  2. b) 1{,}15^{\,n-1} > 2 \iff n - 1 > \dfrac{\ln 2}{\ln 1{,}15} \approx 4{,}96, donde n \geq 6.
  3. Ao fim de 5 anos (no sexto ano) a produção passa do dobro: P_6 = 4000 \times 1{,}15^5 \approx 8045.Repara na diferença entre «ordem 6» e «ao fim de 5 anos» — a mesma coisa dita de duas maneiras, e a fonte de metade dos enganos deste tipo de problema. Convém dizer sempre qual das duas se está a responder.
Respostaa) P_n = 4000 \times 1{,}15^{n-1} · b) ao fim de 5 anos
R6

A soma de uma progressão geométrica

Um grão na primeira casa, dois na segunda, quatro na terceira. O rei achou o pedido modesto. Não era: a conta que a lenda pede é a desta secção, e o resultado é mais trigo do que o mundo produz numa década.

Aprendizagens Essenciais · 11.º ano
  • Determinar a soma de n termos consecutivos de uma progressão geométrica.

1 · O truque que dá a fórmula

Somar u_1 + u_1r + u_1r^2 + \cdots não tem, à primeira vista, nenhum atalho — os pares não somam todos o mesmo, como na aritmética. Mas há um truque quase igualmente barato: multiplicar a soma pela razão e subtrair.

Escrevendo as duas somas uma por baixo da outra,

\begin{aligned} S_n &= u_1 + u_1r + u_1r^2 + \cdots + u_1r^{\,n-1}\\ rS_n &= \phantom{u_1 + {}} u_1r + u_1r^2 + \cdots + u_1r^{\,n-1} + u_1r^{\,n} \end{aligned}

tudo se cancela na subtração, excepto os dois extremos:

S_n - rS_n = u_1 - u_1 r^{\,n}.
Soma de n termos consecutivos de uma progressão geométrica

Para r \neq 1:

S_n = u_1\,\dfrac{1 - r^{\,n}}{1 - r} \;=\; u_1\,\dfrac{r^{\,n} - 1}{r - 1}

As duas escritas são a mesma (numerador e denominador multiplicados por -1). A da esquerda é mais cómoda quando |r| < 1; a da direita quando r > 1, porque evita dois sinais negativos.

A fórmula exclui r = 1, e com razão: nesse caso o denominador seria zero. Mas o caso é trivial — se a razão é 1, todos os termos são iguais e S_n = n\,u_1.

2 · A lenda que as Aprendizagens Essenciais mandam contar

Sissa, o inventor do xadrez, pediu ao rei um grão de trigo na primeira casa do tabuleiro, dois na segunda, quatro na terceira — dobrando até à sexagésima quarta. O rei achou o pedido humilde e mandou pagar.

S_{64} = 1 \times \dfrac{2^{64} - 1}{2 - 1} = 2^{64} - 1 = 18\,446\,744\,073\,709\,551\,615.

Dezoito triliões de grãos. A 50 mg cada um, são perto de 900 mil milhões de toneladas — mais de mil anos da produção mundial de trigo. Não havia reino que pagasse.

O que a lenda mostra

Não é a fórmula: é a escala. Metade do trigo todo está na última casa — 2^{63} grãos, contra 2^{63}-1 em todas as outras juntas. Numa progressão geométrica com r>1, o último termo vale sempre quase tanto como toda a soma anterior. É a intuição que falta a quem subestima juros de cartão de crédito, e a que explica por que razão uma epidemia que duplica de três em três dias é um problema muito diferente de uma que cresce de forma constante.

Exemplo 7 A poupança anual

Depositar 1000 € no início de cada ano, a 3\% ao ano, durante 10 anos.

  1. O depósito do ano k rende 11-k anos, valendo 1000 \times 1{,}03^{\,11-k}.
  2. O total é 1000\left(1{,}03 + 1{,}03^2 + \cdots + 1{,}03^{10}\right).
  3. Progressão geométrica com u_1 = 1{,}03 e r = 1{,}03: S = 1030\,\dfrac{1{,}03^{10}-1}{0{,}03} \approx 11\,807{,}80

    ou seja, cerca de 11\,807{,}80 €.

  4. Depositou 10\,000 €, recebeu cerca de 1808 € de juros.É exactamente a conta de um plano de poupança, e a razão de ser progressão geométrica é simples: cada depósito rende um ano a menos do que o anterior.

3 · Somar com o computador

A fórmula dá o resultado exacto de uma vez; o programa dá a soma termo a termo, e serve para ver como ela se aproxima do valor final.

Python A soma, dos dois modos

A primeira parte soma os termos um a um e escreve a soma acumulada; a segunda usa a fórmula. As duas têm de dar o mesmo — e é isso que se está a confirmar.

u1 = 8
r = 0.5
n = 12

s = 0
for k in range(1, n + 1):
    termo = u1 * r ** (k - 1)
    s = s + termo
    print(k, round(termo, 6), round(s, 6))

formula = u1 * (1 - r ** n) / (1 - r)
print("pela formula:", round(formula, 6))

Corre-o e olha para a terceira coluna: 8, 12, 14, 15, 15{,}5, 15{,}75… a subir sempre e sem nunca chegar a 16. Aumenta o n para 50 e vê o que acontece. É a pergunta com que a próxima secção começa.

Exercícios propostos

Doze exercícios: a fórmula nas duas escritas, somas que não começam no primeiro termo, contextos de poupança e de geometria, e duas demonstrações. Vale a pena fazer o u6j — a fórmula deixa de ser uma coisa para decorar.

Exercício 61§R6 · a fórmula, sem rodeios

Seja u_n = 3 \times 2^{\,n-1}.

Determina a soma dos dez primeiros termos.

Exercício 62§R6 · com razão menor que 1

Seja v_n = 8 \times \left(\tfrac12\right)^{n-1}.

Determina v_1 + v_2 + \cdots + v_6.

Exercício 63§R6 · a lenda de Sissa

Diz a lenda que o inventor do xadrez pediu ao rei um grão de trigo na primeira casa do tabuleiro, dois na segunda, quatro na terceira, e assim por diante até à sexagésima quarta.

Quantos grãos são ao todo?

Exercício 64§R6 · quantos termos

Numa progressão geométrica de primeiro termo 2 e razão 3, a soma dos n primeiros termos é 242.

Determina n.

Exercício 65§R6 · a soma escrita com somatório

Considera \displaystyle\sum_{k=1}^{n} 3 \times 4^{\,k}. Qual das expressões seguintes lhe é igual?

  • (A)4(4^n - 1)
  • (B)3(4^n - 1)
  • (C)4^n - 1
  • (D)12(4^n - 1)
Exercício 66§R6 · o rendimento anual acumulado

Uma pessoa deposita 1000 € no início de cada ano, numa conta que rende 3\% ao ano.

Quanto tem ao fim de 10 anos (imediatamente após o décimo depósito render juros)?

Exercício 67§R6 · os quadrados encaixados

Num quadrado de lado 4 unem-se os pontos médios dos lados, obtendo-se um novo quadrado; repete-se o processo.

Determina a soma das áreas dos primeiros 8 quadrados.

Exercício 68§R6 · a soma de um bloco no meio

Seja u_n = 2^{\,n}.

Determina u_6 + u_7 + \cdots + u_{15}.

Exercício 69§R6 · a bola que ressalta

Uma bola cai de 2 m de altura e, em cada ressalto, sobe 60\% da altura anterior.

Que distância total percorreu quando toca no chão pela sexta vez?

Exercício 70§R6 · provar a fórmula

Seja (u_n) progressão geométrica de razão r \neq 1 e S_n = u_1 + u_2 + \cdots + u_n.

Mostra que S_n = u_1\dfrac{1 - r^{\,n}}{1-r}, calculando S_n - rS_n.

Exercício 71§R6 · a soma dos inversos

Seja (u_n) uma progressão geométrica de razão r, com todos os termos não nulos.

a) Mostra que \left(\dfrac{1}{u_n}\right) também é progressão geométrica e indica a razão. b) Com u_n = 3 \times 2^{n-1}, calcula \displaystyle\sum_{k=1}^{5}\dfrac{1}{u_k}.

Exercício 72§R6 · quando a soma passa de um valor

Numa progressão geométrica de primeiro termo 5 e razão 1{,}4, quantos termos são precisos para que a soma passe de 10\,000?

S_n = u_1 \dfrac{1 - r^{\,n}}{1 - r}, com u_1 = 3 e r = 2.

  1. S_{10} = 3 \times \dfrac{1 - 2^{10}}{1 - 2} = 3 \times \dfrac{-1023}{-1} = 3069.Com r>1 é mais confortável usar a forma equivalente u_1\frac{r^n - 1}{r-1}, que evita os dois sinais negativos: 3 \times \frac{1024-1}{1} = 3069. É a mesma fórmula com numerador e denominador multiplicados por -1.
Resposta3069

Substitui na fórmula com u_1 = 8, r = \tfrac12 e n = 6.

  1. S_6 = 8 \times \dfrac{1 - (1/2)^6}{1 - 1/2} = 8 \times \dfrac{1 - \frac{1}{64}}{\frac12} = 16 \times \dfrac{63}{64} = \dfrac{63}{4} = 15{,}75.
  2. Os termos são 8, 4, 2, 1, \tfrac12, \tfrac14 — e somam mesmo 15{,}75.Repara em que a soma se está a aproximar de 16 sem lá chegar. É esta observação que a secção seguinte transforma em fórmula.
Resposta15{,}75

É a soma de 64 termos de uma progressão geométrica de primeiro termo 1 e razão 2.

  1. S_{64} = 1 \times \dfrac{2^{64} - 1}{2 - 1} = 2^{64} - 1 = 18\,446\,744\,073\,709\,551\,615.
  2. São cerca de 1{,}8 \times 10^{19} grãos. A uma média de 50 mg por grão, dão perto de 900 mil milhões de toneladas — mais de mil anos de produção mundial de trigo.A lenda é a que as Aprendizagens Essenciais mandam contar, e o que ela mostra não é a fórmula: é a escala do crescimento geométrico. Duplicar 63 vezes parece pouca coisa dito assim, e é mais trigo do que existe.
Resposta2^{64} - 1 \approx 1{,}8 \times 10^{19} grãos

Escreve a soma em função de n e resolve. Vai dar uma potência de 3.

  1. S_n = 2 \times \dfrac{3^n - 1}{3 - 1} = 3^n - 1.
  2. 3^n - 1 = 242 \iff 3^n = 243 = 3^5 \iff n = 5.
  3. Confirmação: 2 + 6 + 18 + 54 + 162 = 242 ✓.A simplificação S_n = 3^n - 1 na primeira linha é o que torna a segunda imediata. Sempre que u_1 = r - 1, a fórmula colapsa assim.
Respostan = 5

Qual é o primeiro termo, para k=1? E a razão?

  1. Para k = 1, o termo é 3 \times 4 = 12; a razão é 4.
  2. S_n = 12 \times \dfrac{4^n - 1}{4 - 1} = 4(4^n - 1): opção (A).
  3. Verificação com n = 1: a soma é 12, e 4(4-1) = 12 ✓. Com n=2: 12 + 48 = 60, e 4(16-1) = 60 ✓.Nestas escolhas múltiplas com n, testar n=1 e n=2 resolve o item mesmo sem fazer a álgebra — e é a maneira mais rápida de eliminar três opções.
Resposta(A)

O primeiro depósito rende 10 anos, o segundo 9, e assim por diante. Soma as dez parcelas.

  1. O depósito feito no início do ano k rende durante 11-k anos, valendo 1000 \times 1{,}03^{\,11-k}.
  2. O total é 1000\left(1{,}03 + 1{,}03^2 + \cdots + 1{,}03^{10}\right) — progressão geométrica de primeiro termo 1{,}03 e razão 1{,}03.
  3. S = 1000 \times 1{,}03 \times \dfrac{1{,}03^{10} - 1}{0{,}03} \approx 1030 \times 11{,}4639 \approx 11\,807{,}80 €.
  4. Depositou 10\,000 €; os juros foram cerca de 1808 €.É a conta que está por trás de um PPR ou de um plano de poupança — e liga directamente à secção da poupança no capítulo da Cidadania. O que a torna uma progressão geométrica é cada depósito render um ano a menos do que o anterior.
Resposta11\,807{,}80

Cada quadrado tem metade da área do anterior. Confirma-o com Pitágoras.

  1. Se o lado é \ell, o quadrado seguinte tem lado \dfrac{\ell\sqrt2}{2} e área \dfrac{\ell^2}{2}: a área reduz-se a metade.
  2. As áreas formam uma progressão geométrica com A_1 = 16 e r = \tfrac12.
  3. S_8 = 16 \times \dfrac{1 - (1/2)^8}{1/2} = 32 \times \dfrac{255}{256} = \dfrac{255}{8} = 31{,}875.A soma anda perto de 32 — o dobro do primeiro quadrado — e nunca lá chega. Guarda esse número: na secção seguinte vai sair da fórmula em uma linha.
Resposta31{,}875

Duas hipóteses: usar a fórmula com primeiro termo u_6, ou fazer S_{15} - S_5.

  1. Pela fórmula. São 15 - 6 + 1 = 10 termos, o primeiro é u_6 = 64 e a razão é 2: S = 64 \times \dfrac{2^{10} - 1}{2-1} = 64 \times 1023 = 65\,472.
  2. Pela diferença. S_{15} = 2(2^{15}-1) = 65\,534 e S_5 = 2(2^5-1) = 62; a diferença é 65\,472 ✓.Os dois caminhos dão o mesmo, e vale a pena saber os dois: o segundo é mais rápido quando já se tem S_n calculado, o primeiro é mais seguro porque não obriga a contar para trás.
Resposta65\,472

Depois da primeira queda, cada ressalto conta duas vezes: a subir e a descer.

  1. A primeira queda: 2 m.
  2. Os ressaltos até ao sexto toque são cinco, e cada um conta a subir e a descer: 2 \times \left(2(0{,}6) + 2(0{,}6)^2 + \cdots + 2(0{,}6)^5\right).
  3. A soma dentro dos parênteses é 1{,}2 \times \dfrac{1 - 0{,}6^5}{0{,}4} = 3 \times (1 - 0{,}07776) = 2{,}76672.
  4. Total: 2 + 2 \times 2{,}76672 = 7{,}53 m (aproximadamente).O erro clássico é contar cada ressalto uma vez só. Desenhar o percurso — ou escrever «sobe e desce» ao lado — resolve-o. Este problema volta na secção seguinte, com infinitos ressaltos.
Resposta7{,}53 m

Multiplica S_n por r, escreve as duas somas uma por baixo da outra e subtrai.

  1. S_n = u_1 + u_1 r + u_1 r^2 + \cdots + u_1 r^{\,n-1}.
  2. rS_n = \qquad\ \ u_1 r + u_1 r^2 + \cdots + u_1 r^{\,n-1} + u_1 r^{\,n}.
  3. Subtraindo, tudo se cancela excepto os extremos: S_n - rS_n = u_1 - u_1 r^{\,n} \iff S_n(1-r) = u_1(1 - r^{\,n}).
  4. Como r \neq 1, pode dividir-se: S_n = u_1\dfrac{1-r^{\,n}}{1-r}.
  5. E se r = 1? Todos os termos são iguais e S_n = n\,u_1 — que é a razão de a fórmula excluir esse caso (o denominador seria zero).É o mesmo tipo de truque da R4: escrever a soma duas vezes de maneiras diferentes e subtrair. Lá era ao contrário, aqui é multiplicada pela razão.
RespostaS_n(1-r) = u_1(1-r^n), de S_n - rS_n

Na a), calcula o quociente de dois inversos consecutivos.

  1. a) \dfrac{1/u_{n+1}}{1/u_n} = \dfrac{u_n}{u_{n+1}} = \dfrac{1}{r}, constante. É progressão geométrica de razão \dfrac1r.
  2. b) Os inversos formam progressão geométrica com primeiro termo \tfrac13 e razão \tfrac12: S_5 = \dfrac13 \times \dfrac{1 - (1/2)^5}{1/2} = \dfrac23 \times \dfrac{31}{32} = \dfrac{31}{48}.
  3. Confirmação: \tfrac13 + \tfrac16 + \tfrac1{12} + \tfrac1{24} + \tfrac1{48} = \tfrac{16+8+4+2+1}{48} = \tfrac{31}{48} ✓.Esta propriedade é útil de saber: os inversos de uma progressão geométrica formam outra, com a razão invertida. Nas aritméticas não acontece nada de parecido — \frac1{u_n} de uma aritmética não é aritmética.
Respostaa) razão \tfrac1r · b) \tfrac{31}{48}

Escreve S_n > 10\,000 e resolve em ordem a n. Vais precisar de logaritmos.

  1. S_n = 5\,\dfrac{1{,}4^{\,n} - 1}{0{,}4} = 12{,}5\left(1{,}4^{\,n} - 1\right).
  2. 12{,}5(1{,}4^n - 1) > 10\,000 \iff 1{,}4^n > 801.
  3. n > \dfrac{\ln 801}{\ln 1{,}4} \approx \dfrac{6{,}686}{0{,}3365} \approx 19{,}87, donde n = 20.
  4. Confirmação: S_{19} \approx 8898 e S_{20} \approx 12\,470 ✓.Reparar em que a soma salta de 8898 para 12\,470 num único termo diz tudo sobre o crescimento geométrico: perto do fim, o último termo vale quase tanto como todos os anteriores juntos.
Resposta20 termos
R7

Quando a soma não acaba

Na secção anterior a soma andava a aproximar-se de 16 sem lá chegar. A pergunta óbvia é o que acontece se não pararmos — e a resposta, que surpreende sempre, é que às vezes uma soma de infinitas parcelas dá um número perfeitamente banal.

Aprendizagens Essenciais · 11.º ano
  • Determinar a soma de uma progressão geométrica quando |r| < 1.
  • Reconhecer o comportamento de a^{\,n} conforme o valor de |a|.

1 · O que faz a diferença: a cauda

A fórmula da secção anterior era

S_n = u_1\,\dfrac{1 - r^{\,n}}{1 - r},

e tudo o que depende de n está num único sítio: o r^{\,n}. A pergunta passa a ser, então, o que acontece a r^{\,n} quando n cresce.

valor de a o que acontece a a^{\,n} exemplo com n = 100
|a| < 1aproxima-se de zero0{,}9^{100} \approx 0{,}0000266
a = 1fica sempre 11^{100} = 1
a = -1salta entre 1 e -1(-1)^{100} = 1
|a| > 1cresce sem limite1{,}1^{100} \approx 13\,781

Repara em 0{,}9 e 1{,}1: estão ambos a um décimo de 1, e ao fim de cem passos um está praticamente em zero e o outro passou dos treze mil. É toda a diferença entre uma soma infinita que dá um número e uma que não dá.

2 · A soma de todos os termos

Quando |r| < 1, o r^{\,n} desaparece e sobra apenas

Soma de uma progressão geométrica com |r| < 1 S = u_1 + u_2 + u_3 + \cdots = \dfrac{u_1}{1 - r}, \qquad |r| < 1.

Se |r| \geq 1, a soma não existe — as somas parciais ou disparam, ou ficam a oscilar sem estabilizar.

Exemplo 8 A bola que ressalta para sempre

Uma bola cai de 2 m e cada ressalto sobe 60\% do anterior. Que distância percorre até parar?

  1. Primeira queda: 2 m.
  2. Os ressaltos contam duas vezes cada um, a subir e a descer: 2\left(2(0{,}6) + 2(0{,}6)^2 + \cdots\right) = 2 \times \dfrac{1{,}2}{1 - 0{,}6} = 2 \times 3 = 6.
  3. Total: 8 metros.Infinitos ressaltos e uma distância finita. E — o que é mais estranho ainda — num tempo também finito, que é a razão de a bola realmente parar. É o paradoxo de Zenão respondido com aritmética.

3 · Duas figuras que ilustram os dois casos

A mesma fórmula, a mesma condição, dois resultados opostos — conforme a razão fique abaixo ou acima de 1.

1 ½ ¼
Quadrados de área 1, \tfrac12, \tfrac14, \ldots Por mais que se acrescentem, tudo cabe dentro de um retângulo que não cresce: é a razão \tfrac12 < 1 a fazer o seu trabalho.
P1 P2 P3 P4
Curva de Koch: em cada passo o comprimento multiplica-se por 4/3. Como 4/3 > 1, o comprimento cresce sem limite — e a curva continua a caber na folha.
Área finita, perímetro infinito

No tapete de Sierpiński (u7g) a área retirada soma \dfrac{1/9}{1-8/9} = 1: retira-se tudo. Na curva de Koch o comprimento é \left(\tfrac43\right)^n e não tem soma: cresce para sempre. As duas figuras são construídas do mesmo modo, e a única coisa que as separa é de que lado de 1 cai a razão.

4 · Onde isto aparece sem se dar por ela

Toda a dízima infinita periódica é uma soma destas. Por exemplo,

0{,}\overline{7} = \dfrac{7}{10} + \dfrac{7}{100} + \dfrac{7}{1000} + \cdots = \dfrac{7/10}{1 - 1/10} = \dfrac79.

É por isso que toda a dízima periódica representa um número racional. E é também por isso que 0{,}\overline{9} = 1 — não «quase», mas exactamente (u7k).

Python Ver a soma parcial aproximar-se

O programa soma os termos um a um e escreve, ao lado, quanto falta para o valor da soma infinita.

u1 = 8
r = 0.5
limite = u1 / (1 - r)

s = 0
for n in range(1, 21):
    s = s + u1 * r ** (n - 1)
    if n <= 6 or n % 5 == 0:
        print(n, round(s, 10), "falta", round(limite - s, 10))

print("soma de todos os termos:", limite)

A coluna «falta» é ela própria uma progressão geométrica de razão \tfrac12 — o que sobra por somar vai-se reduzindo a metade de cada vez. Troca a razão para 1{,}5 e vê a soma disparar (e a coluna «falta» deixar de fazer sentido); troca para -0{,}5 e vê a coluna «falta» mudar de sinal a cada linha.

Laboratório · A soma que se aproxima

interativo

Os pontos são as somas parciais; a linha dourada é a soma de todos os termos. Arrasta a razão para lá de 1 e repara em que a linha desaparece: já não há valor nenhum para onde a soma se aproxime. Põe r negativo e vê os pontos a saltar de um lado para o outro da linha, cada vez mais perto dela.

Exercícios propostos

Doze exercícios: a fórmula da soma infinita, a condição que a torna válida, dízimas periódicas, e as duas figuras fractais que os exames recentes têm usado. Os três últimos vão um pouco além do que as Aprendizagens Essenciais pedem — e valem o desvio.

Exercício 73§R7 · a soma infinita

Determina a soma de todos os termos da progressão geométrica de primeiro termo 8 e razão \tfrac12.

Exercício 74§R7 · com razão negativa

Determina \displaystyle\sum_{n=1}^{+\infty} 6\left(-\tfrac13\right)^{n-1}.

Exercício 75§R7 · qual delas tem soma finita

Considera as quatro progressões geométricas seguintes. Qual delas tem soma finita quando se somam todos os seus termos?

  • (A)u_n = 3 \times \left(\tfrac43\right)^{n}
  • (B)u_n = 3 \times \left(-\tfrac54\right)^{n}
  • (C)u_n = 3 \times \left(-\tfrac34\right)^{n}
  • (D)u_n = 3 \times (-1)^{n}
Exercício 76§R7 · a dízima infinita periódica

Escreve 0{,}\overline{7} = 0{,}777\ldots na forma de fração, usando a soma de uma progressão geométrica.

Exercício 77§R7 · a bola, agora até parar

Uma bola cai de 2 m e, em cada ressalto, sobe 60\% da altura anterior.

Que distância total percorre até parar?

Exercício 78§R7 · os semicírculos

Constrói-se uma sucessão de semicírculos: o primeiro tem raio 4, e cada um dos seguintes tem raio igual a metade do anterior. Qual é a soma dos comprimentos de todos os semicírculos?

  • (A)4\pi
  • (B)8\pi
  • (C)16\pi
  • (D)32\pi
Exercício 79§R7 · o tapete de Sierpiński

Parte-se de um quadrado de área 1. Divide-se em 9 quadrados iguais e retira-se o do meio. Repete-se o processo em cada um dos 8 quadrados restantes, indefinidamente.

Determina a área total retirada.

Exercício 80§R7 · o comportamento de a^n

Para cada valor de a, indica o que acontece a a^{\,n} quando n cresce indefinidamente.

a) a = 0{,}9 b) a = 1{,}1 c) a = -0{,}5 d) a = -2

Exercício 81§R7 · descobrir a razão a partir da soma

Uma progressão geométrica de primeiro termo 10 tem soma infinita igual a 25.

Determina a razão.

Exercício 82§R7 · a curva de Koch

Parte-se de um segmento de comprimento 1. Em cada passo, cada segmento é substituído por quatro segmentos de um terço do comprimento (o terço do meio é substituído por dois lados de um triângulo equilátero).

a) Determina o comprimento da curva ao fim de n passos. b) O que acontece quando n cresce indefinidamente?

Exercício 83§R7 · zero vírgula nove periódico

Mostra que 0{,}\overline{9} = 1.

Escreve depois, por palavras tuas, por que razão isto não é uma aproximação.

Exercício 84§R7 · a soma que depende de x

Considera S(x) = 1 + x + x^2 + x^3 + \cdots

a) Para que valores de x existe esta soma? b) Determina S(x) nesse caso e calcula S(0{,}2).

S = \dfrac{u_1}{1-r}, válida porque |r| < 1.

  1. S = \dfrac{8}{1 - 1/2} = \dfrac{8}{1/2} = 16.É o valor de que a soma da R6 se andava a aproximar: 15{,}75, 15{,}875, 15{,}9375… A fórmula dá-o de uma vez.
Resposta16

A fórmula vale desde que |r| < 1 — e \left|-\tfrac13\right| = \tfrac13 < 1.

  1. S = \dfrac{6}{1 - \left(-\tfrac13\right)} = \dfrac{6}{4/3} = \dfrac{18}{4} = 4{,}5.
  2. As somas parciais são 6,\ 4,\ 4{,}67,\ 4{,}44,\ 4{,}52,\ldots — aproximam-se de 4{,}5 por cima e por baixo alternadamente.Com razão negativa, a soma parcial oscila à volta do valor final em vez de subir sempre. O 1 - r do denominador fica 1 + \frac13, e é onde se erra o sinal se não houver cuidado.
Resposta4{,}5

A condição é uma só: |r| < 1. Repara em que |-1| = 1 não serve.

  1. (A) r = \tfrac43 > 1 — não.
  2. (B) |r| = \tfrac54 > 1 — não.
  3. (C) |r| = \tfrac34 < 1sim.
  4. (D) |r| = 1: os termos são -3, 3, -3, 3,\ldots e a soma parcial salta entre -3 e 0 para sempre — não tem soma.
  5. Opção (C).Item do Exame de 2026, 1.ª fase. O caso r = -1 é o que se esquece: os termos não crescem, mas também não se aproximam de zero, e a soma nunca estabiliza. A condição é |r| < 1 estrito.
Resposta(C)

0{,}777\ldots = \dfrac{7}{10} + \dfrac{7}{100} + \dfrac{7}{1000} + \cdots

  1. É a soma da progressão geométrica de primeiro termo \tfrac{7}{10} e razão \tfrac{1}{10}.
  2. S = \dfrac{7/10}{1 - 1/10} = \dfrac{7/10}{9/10} = \dfrac79.
  3. Confirmação: 7 \div 9 = 0{,}777\ldotsÉ a razão de fundo por que toda a dízima infinita periódica é um número racional: é sempre a soma de uma progressão geométrica de razão 10^{-k}. E é também a explicação de 0{,}\overline{9} = 1, que aparece no u7k.
Resposta\tfrac79

É o u6i com infinitos ressaltos. Cada um continua a contar duas vezes.

  1. Primeira queda: 2 m.
  2. Os ressaltos, a subir e a descer: 2\left(2(0{,}6) + 2(0{,}6)^2 + \cdots\right).
  3. A soma infinita dentro dos parênteses é \dfrac{1{,}2}{1 - 0{,}6} = 3.
  4. Total: 2 + 2 \times 3 = 8 m.Infinitos ressaltos, distância finita — e também tempo finito, que é o que faz a bola realmente parar. É o paradoxo de Zenão com números: uma soma infinita de parcelas cada vez mais pequenas pode dar um número perfeitamente vulgar.
Resposta8 m

Um semicírculo de raio \rho tem comprimento \pi\rho. Os raios formam uma progressão geométrica de razão \tfrac12.

  1. Os comprimentos são 4\pi,\ 2\pi,\ \pi,\ \tfrac{\pi}{2},\ldots — progressão geométrica de primeiro termo 4\pi e razão \tfrac12.
  2. S = \dfrac{4\pi}{1 - 1/2} = 8\pi: opção (B).Item do Exame de 2025, 1.ª fase. O passo que resolve é notar que o comprimento é proporcional ao raio — logo os comprimentos herdam a razão dos raios. Se fosse a área, a razão passaria a \tfrac14.
Resposta(B)

No primeiro passo retira-se \tfrac19. No segundo, retiram-se 8 quadrados de área \tfrac1{81} cada. Que progressão é esta?

  1. Passo 1: retira-se \dfrac19.
  2. Passo 2: 8 quadrados de área \dfrac{1}{81}, total \dfrac{8}{81}.
  3. Passo n: 8^{\,n-1} quadrados de área \dfrac{1}{9^{\,n}}, total \dfrac19\left(\dfrac89\right)^{n-1}.
  4. Progressão geométrica de razão \tfrac89 < 1: S = \dfrac{1/9}{1 - 8/9} = \dfrac{1/9}{1/9} = 1.
  5. Retira-se a área toda. O que sobra tem área zero — e no entanto sobram infinitos pontos.Item do Exame de 2025, 2.ª fase. O resultado é o que torna o tapete de Sierpiński famoso: uma figura com área nula e perímetro infinito, que continua a ter pontos por todo o lado. As duas somas — a que dá 1 e a que diverge — cabem as duas nesta secção.
Respostaárea 1 (a área toda)

O que decide é |a|: menor que 1, igual a 1, ou maior que 1. O sinal só diz se alterna.

  1. a) 0{,}9^n \to 0. (0{,}9^{100} \approx 0{,}0000266.)
  2. b) 1{,}1^n \to +\infty. (1{,}1^{100} \approx 13\,781.)
  3. c) (-0{,}5)^n \to 0, alternando de sinal.
  4. d) (-2)^n não tende para nada: cresce em valor absoluto e troca de sinal a cada passo.
  5. A regra: |a| < 1 \Rightarrow a^n \to 0; |a| > 1 \Rightarrow |a^n| \to +\infty.Compara a) com b): 0{,}9 e 1{,}1 estão ambos a um décimo de 1, e ao fim de cem passos um está perto de zero e o outro passa dos treze mil. É por causa desta diferença que a fórmula da soma infinita exige |r|<1 — só aí a «cauda» r^n desaparece.
Respostaa) \to 0 · b) \to +\infty · c) \to 0 · d) não tende para nada

Substitui na fórmula e resolve em ordem a r. Não te esqueças de verificar a condição.

  1. \dfrac{10}{1-r} = 25 \iff 1 - r = \dfrac{10}{25} = 0{,}4 \iff r = 0{,}6.
  2. Verificação da condição: |0{,}6| < 1 ✓ — a soma existe mesmo.Verificar |r|<1 no fim não é formalidade: se a conta desse r = 1{,}4, a resposta correcta seria «não existe tal progressão», porque a fórmula que se usou não se aplicaria.
Respostar = 0{,}6

Em cada passo o número de segmentos multiplica-se por 4 e cada um fica 3 vezes mais curto.

  1. a) Ao fim de n passos há 4^{\,n} segmentos de comprimento \dfrac{1}{3^{\,n}}: C_n = \left(\dfrac43\right)^{n}.
  2. É progressão geométrica de razão \tfrac43.
  3. b) Como \tfrac43 > 1, C_n \to +\infty: o comprimento cresce sem limite.
  4. E no entanto a curva cabe toda numa folha de papel.É o contraponto exacto do tapete de Sierpiński do u7g: lá a soma era \frac89 < 1 e dava um número; aqui é \frac43 > 1 e não dá. A mesma fórmula, a mesma condição — e resultados opostos.
Respostaa) C_n = (4/3)^n · b) tende para +\infty

0{,}999\ldots = \dfrac{9}{10} + \dfrac{9}{100} + \cdots — soma a progressão geométrica.

  1. Progressão geométrica de primeiro termo \tfrac9{10} e razão \tfrac1{10}: S = \dfrac{9/10}{1 - 1/10} = \dfrac{9/10}{9/10} = 1.
  2. Por que não é aproximação. O símbolo 0{,}\overline{9} não representa um número «quase» 1 a que faltasse alguma coisa: representa a soma de todos os termos, e essa soma é exactamente 1. Não há um «último nove» onde ficasse uma diferença.
  3. Outra maneira de o ver: se 0{,}\overline{9} fosse menor do que 1, haveria um número entre os dois — e não há nenhum.Este é o exercício que mais discussão gera em qualquer turma, e a razão é que a intuição de «infinito» trai. Nada aqui é truque: é a mesma fórmula do u7d aplicada ao caso em que a soma calha ser um inteiro.
RespostaS = \frac{9/10}{9/10} = 1, exactamente

É a progressão geométrica de primeiro termo 1 e razão x.

  1. a) A condição é |x| < 1, isto é, x \in \left]-1, 1\right[.
  2. b) S(x) = \dfrac{1}{1-x}, e S(0{,}2) = \dfrac{1}{0{,}8} = 1{,}25.
  3. Confirmação: 1 + 0{,}2 + 0{,}04 + 0{,}008 + 0{,}0016 = 1{,}2496, a caminho de 1{,}25 ✓.
  4. Repara no que acontece quando x se aproxima de 1: S(x) dispara para +\infty. E para x = 1 a soma é 1+1+1+\cdots, que de facto não existe.Esta é a série geométrica, e uma das identidades mais úteis da matemática: \frac{1}{1-x} escrita como soma infinita. Reaparece no cálculo, na probabilidade e na análise de algoritmos. Fica aqui como curiosidade — no 11.º ano basta saber somá-la.
Respostaa) |x|<1 · b) S(x)=\frac{1}{1-x}, S(0{,}2)=1{,}25
A1

Aprofundamento · até onde estas ideias chegam

Esta secção está fora das Aprendizagens Essenciais, e assumidamente. Não é preciso fazê-la para saber a matéria — é para quem, tendo percebido as sete secções anteriores, quer ver o que se consegue com elas.

O que está aqui e porquê

Nada nesta secção precisa de ferramenta nova. Tudo se apoia em três coisas que o capítulo já tem: recorrência (R2), soma geométrica (R6) e o comportamento de a^{\,n} (R7). Não sai em exame — e é a parte do capítulo que mais gente se lembra dez anos depois.

1 · Fibonacci e o número de ouro

A sucessão deve o nome a Leonardo de Pisa, dito Fibonacci (c. 1170-1250), o mercador de Pisa que a usou em 1202 para contar coelhos — e que, no mesmo livro, trouxe para a Europa os algarismos indo-árabes que hoje toda a gente usa.

A sucessão de Fibonacci, da R2, era F_1 = F_2 = 1 e F_{n+1} = F_n + F_{n-1}. Dividindo cada termo pelo anterior:

n F_n F_{n+1}/F_n
111
212
321,5
431,6667
551,6
681,625
7131,6154
8211,6190
9341,6176
10551,6182

Os quocientes aproximam-se de 1{,}618\ldots, oscilando à volta desse valor — um por cima, o seguinte por baixo. Esse número é \varphi, o número de ouro, e sai da própria recorrência: dividindo F_{n+1} = F_n + F_{n-1} por F_n obtém-se q_n = 1 + \frac{1}{q_{n-1}}, e se ambos se aproximam de \varphi,

\varphi = 1 + \dfrac1\varphi \iff \varphi^2 - \varphi - 1 = 0 \iff \varphi = \dfrac{1+\sqrt5}{2}.

O passo «se ambos se aproximam de \varphi» está a ser admitido, não demonstrado. É exactamente aí que o 12.º ano entra, com a definição de limite — e a existência do limite é, das duas partes, a difícil.

2 · Aquiles e a tartaruga

Zenão de Eleia (c. 490-430 a.C.), há vinte e cinco séculos: Aquiles dá 100 m de avanço a uma tartaruga. Quando chega ao ponto onde ela estava, ela já andou; quando chega a esse, ela andou outra vez. Como há infinitas etapas, argumentava Zenão, Aquiles nunca a apanha.

Com 10 m/s contra 1 m/s, os tempos das etapas são

10,\quad 1,\quad 0{,}1,\quad 0{,}01,\quad \ldots

uma progressão geométrica de razão \tfrac1{10}, cuja soma é

T = \dfrac{10}{1 - 0{,}1} = \dfrac{100}{9} \approx 11{,}11 \text{ s}.

Aquiles apanha-a ao fim de 11{,}11 segundos — o mesmo que dá a equação directa 10t = 100 + t. Zenão tinha razão nas infinitas etapas e enganava-se na conclusão: dividir um intervalo em infinitas partes não o torna infinito.

3 · A série harmónica: quando os termos irem para zero não chega

Numa progressão geométrica com |r|<1, os termos vão para zero e a soma existe. Seria natural pensar que uma coisa implica a outra. Não implica.

H_n = 1 + \dfrac12 + \dfrac13 + \dfrac14 + \cdots + \dfrac1n

Os termos \tfrac1n vão para zero — e a soma cresce sem limite. Vê-se agrupando:

1 + \dfrac12 + \underbrace{\left(\dfrac13+\dfrac14\right)}_{>\,1/2} + \underbrace{\left(\dfrac15+\cdots+\dfrac18\right)}_{>\,1/2} + \underbrace{\left(\dfrac19+\cdots+\dfrac1{16}\right)}_{>\,1/2} + \cdots

Cada bloco soma mais do que \tfrac12, e há infinitos blocos. Este argumento é de Nicole Oresme, por volta de 1350 — três séculos antes de existir cálculo, e ninguém lhe mexeu desde então. Mas a soma cresce devagar de uma forma quase cómica:

para H_n passar de são precisos cerca de quanto tempo a somar 1 termo/segundo
583 termosum minuto e meio
1012 367 termostrês horas e meia
20272 milhões de termosoito anos e meio
1001{,}5\times10^{43} termosmais do que a idade do universo
A moral

Os termos irem para zero é necessário para a soma existir, mas não é suficiente. Numa geométrica com |r|<1 chega, porque os termos vão para zero depressa — cada um é uma fração fixa do anterior. Na harmónica vão devagar de mais.

4 · O Hotel de Hilbert

O hotel é uma imagem de David Hilbert (1862-1943), numa lição de 1924. A matemática por trás dele é de Georg Cantor (1845-1918), que quarenta anos antes tinha mostrado que há mais do que um tamanho de infinito.

Um hotel com infinitos quartos, numerados 1, 2, 3, \ldots, está cheio. Chega um hóspede.

Se cada pessoa do quarto n passar para o quarto n+1, toda a gente continua alojada e o quarto 1 fica livre. Se chegar um autocarro com infinitos passageiros, cada pessoa passa do quarto n para o 2n e ficam livres todos os quartos ímpares — que são infinitos.

As duas mudanças de quarto são sucessões: n \mapsto n+1 e n \mapsto 2n. O que elas mostram é que, com conjuntos infinitos, «cheio» não quer dizer «sem lugar» — e que os naturais pares, apesar de serem «metade», são tantos como todos os naturais.

Python Duas destas sucessões, ao vivo

A primeira parte aproxima o número de ouro por quocientes de Fibonacci; a segunda mostra quantos termos a série harmónica precisa para subir mais uma unidade.

def fibonacci(n):
    a, b = 1, 1
    for _ in range(n - 1):
        a, b = b, a + b
    return a

for n in [5, 10, 20, 30]:
    q = fibonacci(n + 1) / fibonacci(n)
    print("n =", n, " quociente =", round(q, 10))

phi = (1 + 5 ** 0.5) / 2
print("numero de ouro:", round(phi, 10))
print()

soma = 0
alvo = 1
for n in range(1, 100001):
    soma = soma + 1 / n
    if soma >= alvo:
        print("H_n passou de", alvo, "no termo", n)
        alvo = alvo + 1
        if alvo > 11:
            break

Olha para a coluna dos termos na segunda parte: 1, 4, 11, 31, 83, 227, 616, \ldots — cada um é cerca de 2{,}7 vezes o anterior. Isso mesmo: a série harmónica precisa de multiplicar o número de termos por e \approx 2{,}718 para subir mais uma unidade. É uma progressão geométrica escondida onde ninguém a esperava.

Exercícios propostos

Oito exercícios fora do programa, e por isso mesmo os mais interessantes do capítulo. Nenhum precisa de matéria nova — só de usar bem o que já está nas secções anteriores.

Exercício 85§A1 · a razão entre termos de Fibonacci

Na sucessão de Fibonacci 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, \ldots, calcula os quocientes \dfrac{F_{n+1}}{F_n} para n de 1 a 9.

O que observas?

Exercício 86§A1 · a equação do número de ouro

Admite que os quocientes q_n = \dfrac{F_{n+1}}{F_n} se aproximam de um número \varphi > 0.

Usando F_{n+1} = F_n + F_{n-1}, mostra que \varphi^2 = \varphi + 1 e determina \varphi.

Exercício 87§A1 · Aquiles e a tartaruga

Aquiles corre a 10 m/s e dá 100 m de avanço a uma tartaruga que anda a 1 m/s. Quando Aquiles chega ao ponto de partida da tartaruga, ela já avançou; quando lá chega, ela avançou outra vez, e assim por diante.

Soma os tempos de todas essas etapas e mostra que Aquiles a apanha.

Exercício 88§A1 · a série harmónica

Considera H_n = 1 + \dfrac12 + \dfrac13 + \cdots + \dfrac1n.

a) Calcula H_4, H_8 e H_{16}. b) Agrupando as parcelas em blocos de 1, 2, 4, 8, \ldots termos, mostra que H_n cresce sem limite.

Exercício 89§A1 · a fórmula de Binet

Seja \varphi = \dfrac{1+\sqrt5}{2} e \psi = \dfrac{1-\sqrt5}{2}. A fórmula de Binet diz que

F_n = \dfrac{\varphi^{\,n} - \psi^{\,n}}{\sqrt5}.

a) Verifica-a para n = 1 e n = 2. b) Como |\psi| \approx 0{,}618 < 1, o que podes dizer sobre F_n para n grande?

Exercício 90§A1 · o Hotel de Hilbert

Um hotel tem infinitos quartos, numerados 1, 2, 3, \ldots, e está cheio.

a) Chega um hóspede. Como se arranja lugar sem pôr ninguém na rua? b) Chega um autocarro com infinitos passageiros. E agora?

Exercício 91§A1 · uma recorrência que converge

Seja u_1 = 1 e u_{n+1} = \dfrac{u_n + 2}{2}.

a) Calcula os cinco primeiros termos. b) Admitindo que os termos se aproximam de um valor L, determina L.

Exercício 92§A1 · o floco de neve de Koch

O floco de neve de Koch obtém-se aplicando a construção da R7 aos três lados de um triângulo equilátero de lado 1.

a) Mostra que o perímetro cresce sem limite. b) Mostra que a área é finita, e determina-a.

Faz as divisões com quatro casas decimais e põe-nas em coluna.

  1. 1;\ 2;\ 1{,}5;\ 1{,}6667;\ 1{,}6;\ 1{,}625;\ 1{,}6154;\ 1{,}6190;\ 1{,}6176.
  2. Os valores oscilam à volta de 1{,}618, aproximando-se cada vez mais — um por cima, o seguinte por baixo.
  3. O valor de que se aproximam é \varphi = \dfrac{1 + \sqrt5}{2} \approx 1{,}6180339887, o número de ouro.A oscilação alternada é a mesma coisa que se via nas somas parciais de razão negativa da R7: aproximar-se por cima e por baixo alternadamente é uma maneira perfeitamente normal de convergir.
Respostaaproximam-se de \varphi \approx 1{,}618, alternadamente

Divide os dois membros da recorrência por F_n e vê que quocientes aparecem.

  1. Dividindo F_{n+1} = F_n + F_{n-1} por F_n: q_n = 1 + \dfrac{F_{n-1}}{F_n} = 1 + \dfrac{1}{q_{n-1}}.
  2. Se ambos se aproximam de \varphi, então \varphi = 1 + \dfrac1\varphi.
  3. Multiplicando por \varphi: \varphi^2 = \varphi + 1 \iff \varphi^2 - \varphi - 1 = 0.
  4. \varphi = \dfrac{1 \pm \sqrt5}{2}; como \varphi > 0, fica \varphi = \dfrac{1+\sqrt5}{2} \approx 1{,}618.O passo «se ambos se aproximam de \varphi» é o que no 12.º ano se escreve com limites. Aqui está a ser admitido — e é honesto dizê-lo, porque a existência do limite é precisamente a parte difícil.
Resposta\varphi = \frac{1+\sqrt5}{2}

Primeira etapa: 10 s. Nesse tempo a tartaruga andou 10 m, que Aquiles percorre em 1 s. E depois?

  1. Os tempos das etapas são 10,\ 1,\ 0{,}1,\ 0{,}01,\ \ldots — progressão geométrica de razão \tfrac1{10}.
  2. T = \dfrac{10}{1 - 0{,}1} = \dfrac{10}{0{,}9} = \dfrac{100}{9} \approx 11{,}11 s.
  3. Confirmação directa: 10t = 100 + t \iff t = \tfrac{100}{9} s ✓ — o mesmo resultado.
  4. Infinitas etapas, tempo finito. O paradoxo desfaz-se: dividir um intervalo em infinitas partes não o torna infinito.Zenão tinha razão em que há infinitas etapas, e enganava-se ao concluir que isso obrigava a um tempo infinito. A soma geométrica da R7 é a resposta — e demorou uns dois mil anos a ser escrita assim.
RespostaT = \frac{100}{9} \approx 11{,}11 s

Na b), compara cada bloco com o seu menor termo repetido: \tfrac13+\tfrac14 > \tfrac14+\tfrac14 = \tfrac12.

  1. a) H_4 \approx 2{,}083, H_8 \approx 2{,}718, H_{16} \approx 3{,}381.
  2. b) Agrupando: \underbrace{\tfrac13+\tfrac14}_{>\,1/2} + \underbrace{\tfrac15+\cdots+\tfrac18}_{>\,1/2} + \underbrace{\tfrac19+\cdots+\tfrac1{16}}_{>\,1/2} + \cdots
  3. Cada bloco soma mais do que \tfrac12, e há infinitos blocos: a soma passa qualquer valor que se queira.
  4. Mas devagar: para passar de 10 são precisos mais de 12\,000 termos; para passar de 20, mais de 272 milhões.É o contraste que faz esta série valer a pena: os termos \frac1n tendem para zero, tal como numa geométrica de razão |r|<1 — e a soma diverge na mesma. Os termos irem para zero não chega para a soma existir. Numa geométrica chega porque vão para zero depressa.
Respostaa) 2{,}083, 2{,}718, 3{,}381 · b) blocos que somam mais de \tfrac12 cada

Na b), usa o que a R7 diz sobre a^n quando |a| < 1.

  1. a) n=1: \dfrac{\varphi - \psi}{\sqrt5} = \dfrac{\sqrt5}{\sqrt5} = 1 ✓. n=2: \varphi^2 - \psi^2 = (\varphi+\psi)(\varphi-\psi) = 1 \times \sqrt5, logo F_2 = 1 ✓.
  2. b) Como |\psi| < 1, \psi^{\,n} \to 0. Então F_n \approx \dfrac{\varphi^{\,n}}{\sqrt5} e o erro é menor do que \tfrac12 já para n \geq 1 — basta arredondar ao inteiro mais próximo para ter F_n exacto.
  3. Teste: \dfrac{\varphi^{10}}{\sqrt5} \approx 55{,}0036, e F_{10} = 55 ✓.Uma sucessão inteira definida por recorrência tem uma fórmula fechada — cheia de \sqrt5 — que dá sempre inteiros. E o que a torna utilizável é exactamente o resultado da R7: o termo com |\psi|<1 desaparece.
Respostaa) dá 1 nos dois casos · b) F_n \approx \varphi^n/\sqrt5, arredondando ao inteiro

Na a), pede a cada hóspede que mude de quarto. Que sucessão define a mudança?

  1. a) Cada hóspede do quarto n passa para o quarto n+1. Todos ficam alojados, e o quarto 1 fica livre.
  2. b) Cada hóspede do quarto n passa para o quarto 2n. Ficam livres todos os quartos ímpares — infinitos — e os novos passageiros ocupam-nos.
  3. O que isto mostra: com conjuntos infinitos, «cheio» não quer dizer «sem lugar». A sucessão n \mapsto 2n emparelha os naturais com os naturais pares, apesar de estes serem «metade».Fora das Aprendizagens Essenciais por completo, e vale os cinco minutos: é a maneira mais barata de perceber que o infinito não se comporta como um número grande. E é, tecnicamente, um exercício sobre sucessões — as mudanças de quarto são sucessões de naturais.
Respostaa) n \to n+1 · b) n \to 2n, libertando os ímpares

Na b), se u_n e u_{n+1} se aproximam ambos de L, substitui os dois por L na recorrência.

  1. a) 1;\ 1{,}5;\ 1{,}75;\ 1{,}875;\ 1{,}9375.
  2. b) L = \dfrac{L+2}{2} \iff 2L = L + 2 \iff L = 2.
  3. Confirmação: a distância a 2 é 1;\ 0{,}5;\ 0{,}25;\ 0{,}125;\ldots — reduz-se a metade em cada passo, tal como uma progressão geométrica de razão \tfrac12.O truque de «substituir os dois por L» é o mesmo do número de ouro no uab, e é legítimo desde que o limite exista — que é a hipótese que se está a admitir. Se se aplicasse cegamente a u_{n+1} = 2u_n com u_1=1, daria L = 2L, ou seja L=0, o que é manifestamente falso: essa sucessão dispara para +\infty.
Respostaa) 1; 1{,}5; 1{,}75; 1{,}875; 1{,}9375 · b) L = 2

Na b), em cada passo acrescentam-se triângulos: quantos, e de que área?

  1. a) O perímetro é P_n = 3\left(\tfrac43\right)^{n}, e como \tfrac43 > 1 cresce sem limite.
  2. b) Área inicial: A_0 = \dfrac{\sqrt3}{4}. No passo n acrescentam-se 3 \times 4^{\,n-1} triângulos de área \dfrac{A_0}{9^{\,n}}, ou seja \dfrac{3A_0}{4}\left(\dfrac49\right)^{n}.
  3. Somando (razão \tfrac49 < 1): A = A_0 + \dfrac{3A_0}{4}\times\dfrac{4/9}{1-4/9} = A_0 + \dfrac{3A_0}{4}\times\dfrac45 = A_0\left(1 + \dfrac35\right) = \dfrac{8A_0}{5}.
  4. A = \dfrac{8}{5}\times\dfrac{\sqrt3}{4} = \dfrac{2\sqrt3}{5} \approx 0{,}6928.
  5. Perímetro infinito, área finita — e a área é apenas 60\% maior do que a do triângulo inicial.As duas somas do capítulo lado a lado no mesmo objecto: uma com razão \frac43 que não converge, outra com razão \frac49 que converge. É o exemplo que arruma de vez a ideia de que «infinito» e «grande» são a mesma coisa.
Respostaa) razão \frac43>1 · b) A = \frac{2\sqrt3}{5} \approx 0{,}693
01

Teste rápido

Doze questões de resposta imediata, com correção e explicação, sobre as oito secções. Metade delas é a mesma pergunta com outra roupa: o que é que aqui é constante — a diferença ou o quociente? — que é onde este tema se ganha ou se perde.

Pergunta 1 de 12
0 / 0
02

Formulário essencial e referências

Tudo o que este capítulo usa, numa página. São seis fórmulas — e três delas saem das outras três trocando a soma pela multiplicação.

O que é uma sucessão

Uma função de domínio \mathbb{N} \setminus \{0\} — os naturais tirando o zero, porque uma sucessão tem de ter um primeiro termo. O gráfico são pontos isolados, nunca uma linha. u_n é o termo de ordem n; n é a ordem. Para averiguar se k é termo: resolver u_n = k. É termo se e só se a solução pertencer a \mathbb{N} \setminus \{0\}.

Progressão aritmética

u_{n+1} - u_n = r \ \text{(constante)} u_n = u_1 + (n-1)r \qquad u_p = u_q + (p-q)r S_n = \dfrac{u_1 + u_n}{2}\,n = \dfrac{2u_1 + (n-1)r}{2}\,n

A soma lê-se «a média dos extremos, vezes o número de termos». A segunda forma serve quando não se conhece u_n.

Progressão geométrica

\dfrac{u_{n+1}}{u_n} = r \ \text{(constante)} u_n = u_1 \times r^{\,n-1} \qquad u_p = u_q \times r^{\,p-q} S_n = u_1\,\dfrac{1 - r^{\,n}}{1 - r} = u_1\,\dfrac{r^{\,n} - 1}{r - 1}, \quad r \neq 1

As duas escritas da soma são a mesma. A da esquerda é cómoda com |r| < 1; a da direita com r > 1. Se r = 1, todos os termos são iguais e S_n = n\,u_1.

A soma de todos os termos

S = \dfrac{u_1}{1 - r}, \qquad \text{apenas se } |r| < 1

Se |r| \geq 1 a soma não existe. O caso r = -1 é o que se esquece: os termos não crescem, mas a soma parcial oscila para sempre. Verificar |r| < 1 no fim vale cotação.

O comportamento de a^{\,n}

|a| < 1a^{\,n} aproxima-se de zero. a = 1 — fica sempre 1. a = -1 — salta entre 1 e -1. |a| > 1 — cresce sem limite (em valor absoluto).

Os três enganos que custam a resposta

Contar os termos. De u_p a u_q são q - p + 1 termos, e não q - p. O primeiro termo de a \times b^{\,n} é a \times b, e não a. A raiz que não serve. Sempre que a conta dá r^2 ou r^4, há duas raízes — e é uma palavra do enunciado («crescente», «de termos positivos», «não monótona») que escolhe. Escrever essa justificação vale cotação.

Como se mostra que é progressão

Aritmética: calcular u_{n+1} - u_n e verificar que o resultado não depende de n. Geométrica: calcular \dfrac{u_{n+1}}{u_n} e verificar o mesmo. Verificar em dois ou três casos não é demonstração — é preciso o cálculo com n. Atalho: termo geral do 1.º grau em n ⟹ aritmética; n no expoente ⟹ geométrica.

Onde isto aparece

Juro simples — progressão aritmética: C_n = C_0(1 + rn). Juro composto — progressão geométrica: C_n = C_0(1+r)^{n}. Dízima infinita periódica — soma de uma progressão geométrica de razão 10^{-k}. É por isso que toda a dízima periódica é racional. Composições geométricas (Sierpiński, Koch, semicírculos) — a moda dos Exames recentes.

Notação, desde 2023

No ensino básico, \mathbb{N} passou a incluir o zero. As Aprendizagens Essenciais dizem por isso que «as sucessões são definidas no conjunto dos números naturais à exceção de zero» — daí \mathbb{N} \setminus \{0\}. Os enunciados de Exame anteriores escrevem apenas \mathbb{N}, com o zero já de fora. Neste livro aparecem com a escrita actualizada; a matemática é a mesma.

O que não está no programa · 11.º ano

Monotonia e estudo do sinal de u_{n+1} - u_n em geral. Majorantes, minorantes e sucessões limitadas. Limites de sucessões e a definição por vizinhanças. Indução matemática. Se um manual antigo do 11.º ano trouxer isto, não é engano teu — é de um programa anterior. A secção A1 toca em algumas destas ideias sem as formalizar, e diz onde o faz.

Um resumo de uma página

progressão aritmética progressão geométrica
o que é constanteu_{n+1} - u_n = r\dfrac{u_{n+1}}{u_n} = r
termo geralu_1 + (n-1)ru_1 \times r^{\,n-1}
de um termo a outrou_q + (p-q)ru_q \times r^{\,p-q}
soma de n termos\dfrac{u_1+u_n}{2}\,nu_1\dfrac{1-r^{\,n}}{1-r}
soma de todosnunca existe\dfrac{u_1}{1-r}, se |r| < 1
reconhece-se por1.º grau em nn no expoente
aparece emjuro simplesjuro composto

Referências

Aprendizagens Essenciais · Matemática A · 11.º ano (Direção-Geral da Educação, 2018), tema «Sucessões». É o documento que fixa o âmbito deste capítulo — e é por ele que aqui não há limites nem indução. Exames Nacionais de Matemática A, 2011–2026, e Testes Intermédios do 11.º ano. Os vinte e nove itens da secção 03 vêm todos daí. As figuras dos itens de Exame são as originais, recortadas das próprias provas.

03

Exercícios de Exame

Vinte e nove itens de Prova Nacional, de 2011 a 2026, misturando as oito secções. Ao contrário dos exercícios propostos, aqui o enunciado não diz de que secção vem — e descobrir isso é metade do trabalho.

Exercícios de Exame · Sucessões

Vinte e nove itens de Provas Nacionais e de Testes Intermédios. As sucessões são dos temas mais estáveis do Exame: saem todos os anos, quase sempre duas vezes — uma escolha múltipla curta e uma construção longa. Nos últimos anos a construção tem sido quase sempre uma composição geométrica: o tapete de Sierpiński, os semicírculos, as semicircunferências a duplicar. Vale a pena fazer esses primeiro, com o filtro do lado. Os enunciados são os das provas com uma única alteração: onde a prova escreve \forall n \in \mathbb{N}, aqui está \forall n \in \mathbb{N} \setminus \{0\} — porque o ensino básico passou a incluir o zero nos naturais e as Aprendizagens Essenciais mandam excluí-lo das sucessões. A matemática é a mesma; muda o símbolo.

Item 1 escolha múltiplaTeste Intermédio 11.º · 24.05.2011

Seja (u_n) a sucessão definida por recorrência do seguinte modo:

\begin{cases} u_1 = 3 \\ u_n = u_{n-1} + 2n, \ \text{se } n > 1\end{cases}

Seja (w_n) a sucessão de termo geral w_n = 5n - 13.

Qual é o valor de n para o qual se tem w_n = u_2?

  • (A)3
  • (B)4
  • (C)5
  • (D)6
Item 2 escolha múltiplaExame 2015 · 1.ª Fase

Seja a um número real. Considere a sucessão (u_n) definida por

\begin{cases} u_1 = a \\ u_{n+1} = -3u_n + 2, \ \forall n \in \mathbb{N} \setminus \{0\}\end{cases}

Qual é o terceiro termo desta sucessão?

  • (A)6a + 4
  • (B)9a - 4
  • (C)6a - 4
  • (D)9a + 4
Item 3 escolha múltiplaExame 2015 · Época especial

De uma progressão geométrica (a_n), sabe-se que o terceiro termo é igual a \dfrac14 e que o sexto termo é igual a 2.

Qual é o valor do vigésimo termo?

  • (A)8192
  • (B)16\,384
  • (C)32\,768
  • (D)65\,536
Item 4 escolha múltiplaExame 2016 · 2.ª Fase

De uma progressão geométrica (u_n), monótona crescente, sabe-se que u_4 = 32 e que u_8 = 8192.

Qual é o quinto termo da sucessão (u_n)?

  • (A)64
  • (B)128
  • (C)256
  • (D)512
Item 5 escolha múltiplaExame 2017 · 2.ª Fase

Seja (u_n) a sucessão definida por u_n = \left(\dfrac12\right)^{1-n}.

Qual das afirmações seguintes é verdadeira?

  • (A)A sucessão (u_n) é uma progressão geométrica de razão \dfrac12.
  • (B)A sucessão (u_n) é uma progressão geométrica de razão 2.
  • (C)A sucessão (u_n) é uma progressão aritmética de razão \dfrac12.
  • (D)A sucessão (u_n) é uma progressão aritmética de razão 2.
Item 6 construçãoExame 2018 · 1.ª Fase

Seja a um número real.

Sabe-se que a, a + 6 e a + 18 são três termos consecutivos de uma progressão geométrica.

Relativamente a essa progressão geométrica, sabe-se ainda que a soma dos sete primeiros termos é igual a 381.

Determine o primeiro termo dessa progressão.

Item 7 construçãoExame 2018 · 2.ª Fase

De uma progressão aritmética (u_n) sabe-se que o terceiro termo é igual a 4 e que a soma dos doze primeiros termos é igual a 174.

Averigue se 5371 é termo da sucessão (u_n).

Item 8 construçãoExame 2019 · 1.ª Fase

Seja r um número real maior do que 1. Sabe-se que r é a razão de uma progressão geométrica de termos positivos.

Sabe-se ainda que, de dois termos consecutivos dessa progressão, a soma é igual a 12 e a diferença entre o maior e o menor é igual a 3.

Determine o valor de r.

Item 9 construçãoExame 2019 · 2.ª Fase

Sejam a e b dois números reais diferentes de zero.

Sabe-se que 2, a e b são três termos consecutivos de uma progressão geométrica.

Sabe-se ainda que a - 2, b e 2 são três termos consecutivos de uma progressão aritmética.

Determine a e b.

Item 10 construçãoExame 2019 · Época especial

Considere a sucessão (u_n) de termo geral u_n = \dfrac{(-1)^{n+1}}{n+1}.

Determine a menor ordem a partir da qual todos os termos da sucessão (u_n) são maiores do que -0{,}01.

Item 11 construçãoExame 2020 · 2.ª Fase

De uma progressão aritmética (u_n) sabe-se que o sétimo termo é igual ao dobro do segundo e que a soma dos doze primeiros termos é igual a 57.

Sabe-se ainda que 500 é termo da sucessão (u_n). Determine a ordem deste termo.

Item 12 construçãoExame 2020 · Época especial

Considere uma progressão geométrica não monótona (u_n).

Sabe-se que u_3 = \dfrac{1}{12} e que u_{18} = 4u_{20}.

Determine uma expressão do termo geral de (u_n), na forma a \times b^{\,n}, em que a e b são números reais.

Item 13 escolha múltiplaExame 2021 · 1.ª Fase

Seja (v_n) uma progressão geométrica. Sabe-se que v_5 = 4 e que v_8 = 108.

Qual é o valor de v_6?

  • (A)12
  • (B)24
  • (C)48
  • (D)60
Item 14 construçãoExame 2021 · 1.ª Fase

Seja (u_n) a sucessão definida por u_n = 2 + \dfrac{(-1)^{n+1}}{n}.

Determine, sem recorrer à calculadora, quantos termos de ordem ímpar da sucessão (u_n) pertencem ao intervalo \left]\dfrac{83}{41},\ \dfrac{67}{33}\right[.

Item 15 construçãoExame 2021 · 2.ª Fase

Seja (u_n) uma progressão aritmética.

Sabe-se que, relativamente a (u_n), a soma do sexto termo com o vigésimo é igual a -5 e que o décimo nono termo é igual ao quádruplo do sétimo termo.

Determine a soma dos dezasseis primeiros termos desta progressão.

Item 16 construçãoExame 2021 · Época especial

Seja (u_n) a sucessão definida por u_n = 2n + 1.

Determine, sem recorrer à calculadora, a soma dos primeiros duzentos termos de ordem ímpar da sucessão (u_n).

Item 17 construçãoExame 2022 · 1.ª Fase

A soma dos cinco primeiros termos de uma progressão geométrica de razão \dfrac23 é 211.

Determine o quinto termo desta progressão.

Item 18 construçãoExame 2022 · Época especial

De uma progressão aritmética (v_n), sabe-se que v_3 = 1 e v_{10} = \dfrac54\,v_9.

Averigue, sem recorrer à calculadora, se -50 é termo da progressão (v_n).

Item 19 construçãoExame 2023 · 1.ª Fase

A figura representa uma linha poligonal simples que começou a ser construída a partir do segmento de reta [AB]. O segundo segmento de reta, com uma das extremidades em B, foi construído com mais 2 cm do que o primeiro, o terceiro segmento com mais 2 cm do que o segundo, e assim sucessivamente.

Uma linha poligonal em espiral, começando no segmento AB, com cada segmento mais comprido do que o anterior

Continuando a construção da linha poligonal, do modo acima descrito, até ao 100.º segmento de reta, obtém-se uma linha poligonal com o comprimento total de 104 metros.

Determine o comprimento do segmento de reta [AB]. Apresente o valor pedido em centímetros.

Item 20 construçãoExame 2023 · 2.ª Fase

Considere um triângulo equilátero [ABC], com \overline{AB} = 1.

Unindo os pontos médios dos lados desse triângulo, obtém-se um segundo triângulo; unindo os pontos médios dos lados do segundo triângulo, obtém-se um terceiro triângulo. Continuando a proceder deste modo, obtém-se uma sequência de n triângulos, sendo n > 4.

Quatro triângulos equiláteros encaixados, cada um obtido unindo os pontos médios dos lados do anterior

Mostre que a soma dos perímetros dos n triângulos da sequência é menor do que 6 unidades, qualquer que seja o valor de n.

Item 21 construçãoExame 2023 · Época especial

Uma composição geométrica é constituída por uma sequência de 25 semicircunferências em que, à exceção da primeira, o raio de cada semicircunferência é o dobro do raio da semicircunferência anterior.

Semicircunferências encadeadas, cada uma com o dobro do raio da anterior, alternando acima e abaixo de uma reta

Determine o comprimento total da linha obtida com esta composição geométrica.

Apresente o resultado em quilómetros, arredondado às unidades.

Item 22 construçãoExame 2024 · 1.ª Fase

Uma orquestra está a realizar audições para novos instrumentistas. Para se preparar para a audição de violino, a Constança praticou durante m dias.

Sabe-se que a Constança praticou:

em cada dia, exceto no primeiro, sempre mais 10 minutos do que no dia anterior; 60 minutos no quarto dia; 2970 minutos no total dos m dias.

Determine o valor de m.

Item 23 construçãoExame 2024 · 2.ª Fase

Resolva este item sem recorrer à calculadora.

De uma progressão aritmética (u_n), sabe-se que a soma do primeiro com o quinto termo é igual a 26 e que o nono termo é igual a 31.

Averigue se 835 é termo da progressão (u_n).

Item 24 escolha múltiplaExame 2024 · Época especial

Seja (u_n) a sucessão definida por

\begin{cases} u_1 = 3 \\ u_{n+1} = 2u_n + 2, \ \forall n \in \mathbb{N} \setminus \{0\}\end{cases}

Qual é o terceiro termo da sucessão (u_n)?

  • (A)8
  • (B)10
  • (C)18
  • (D)38
Item 25 construçãoExame 2024 · Época especial

Usando cartões numerados, construiu-se uma figura, com forma triangular, constituída pelas n primeiras linhas do triângulo de Pascal.

Cinco linhas do triângulo de Pascal, cada número num cartão

Calcule o valor de n, sabendo que, na construção da figura, foram utilizados, exatamente, 3081 cartões.

Item 26 construçãoExame 2025 · 1.ª Fase

Considere uma sucessão de composições geométricas, construídas a partir de um semicírculo de raio 1. Na figura seguinte, estão representadas as três primeiras composições dessa sucessão.

Três composições geométricas obtidas de um semicírculo retirando semicírculos cada vez mais pequenos

Tal como é ilustrado na figura anterior:

a 1.ª composição foi obtida retirando-se ao semicírculo inicial um semicírculo nele contido, de raio \dfrac12; a 2.ª composição foi obtida retirando-se à 1.ª composição um semicírculo nela contido, de raio \dfrac14; e assim sucessivamente, retirando-se, em cada composição, um semicírculo com metade do raio do anterior, de modo que o diâmetro de cada semicírculo retirado seja colinear com o diâmetro do semicírculo inicial.

Determine o perímetro da 20.ª composição geométrica desta sucessão.

Apresente o resultado arredondado às centésimas.

Item 27 construçãoExame 2025 · 2.ª Fase

Na figura seguinte, apresentam-se as quatro primeiras composições geométricas da construção do Tapete de Sierpiński.

As quatro primeiras composições do tapete de Sierpiński, cada uma com mais buracos do que a anterior

Tal como a figura sugere, nesta construção:

a 1.ª composição é um quadrado; a 2.ª composição, com 8 quadrados, obtém-se decompondo a 1.ª em 9 quadrados iguais e removendo o quadrado central; cada uma das composições seguintes obtém-se decompondo cada um dos quadrados obtidos na composição anterior em 9 quadrados iguais e removendo os quadrados centrais.

Admita que, fixada uma unidade de medida, o quadrado inicial tem área igual a 9 e que se continuava a construção, de acordo com o procedimento descrito, até se obter a 50.ª composição.

Determine a área da 50.ª composição, ou seja, a área total dos quadrados que formam essa composição.

Apresente o valor pedido arredondado às milésimas.

Item 28 construçãoExame 2025 · Época especial

Seja (a_n) a progressão aritmética, de termos positivos, tal que a_{10} - a_4 = 3 e a_4 \times a_{10} = 40.

Sabe-se que 173 é termo da sucessão (a_n).

Determine a ordem desse termo.

Item 29 escolha múltiplaExame 2026 · 1.ª Fase

Qual das expressões seguintes é termo geral de uma progressão geométrica cuja soma de todos os termos tem um valor finito?

  • (A)n^2 - 4n
  • (B)2n + 3
  • (C)\left(\dfrac{3}{2}\right)^{n}
  • (D)\left(\dfrac{2}{3}\right)^{n}

Calcula primeiro u_2. Só depois resolve a equação em n.

  1. u_2 = u_1 + 2(2) = 3 + 4 = 7.
  2. 5n - 13 = 7 \iff 5n = 20 \iff n = 4: opção (B).O n da recorrência e o n da equação não são o mesmo — um é a ordem em (u_n), o outro em (w_n). Fazer a primeira conta e só depois a segunda evita a confusão.
RespostaOpção (B)

Aplica a recorrência duas vezes, mantendo o a como letra.

  1. u_2 = -3a + 2.
  2. u_3 = -3(-3a + 2) + 2 = 9a - 6 + 2 = 9a - 4: opção (B).O sinal do -6 é onde este item se perde. Uma verificação barata: com a = 1, u_2 = -1 e u_3 = 5; das quatro opções, só 9(1) - 4 = 55.
RespostaOpção (B)

Do terceiro ao sexto vão três passos; do sexto ao vigésimo vão catorze. Não precisas de a_1.

  1. a_6 = a_3 r^3 \iff 2 = \dfrac14 r^3 \iff r^3 = 8 \iff r = 2.
  2. a_{20} = a_6 \times r^{14} = 2 \times 2^{14} = 2^{15} = 32\,768: opção (C).Saltar de a_6 para a_{20} directamente evita passar por a_1 = \frac{1}{16} e as frações que vinham atrás. Contar bem os passos — 20 - 6 = 14 — é tudo o que é preciso.
RespostaOpção (C)

De u_4 a u_8 vão quatro passos, e r^4 tem duas raízes reais. Qual delas serve?

  1. u_8 = u_4 r^4 \iff 8192 = 32r^4 \iff r^4 = 256 \iff r = \pm 4.
  2. Como a progressão é monótona crescente, a razão é positiva: r = 4.
  3. u_5 = 32 \times 4 = 128: opção (B).Sempre que aparece um expoente par há duas raízes, e é uma palavra do enunciado — «crescente», «de termos positivos», «não monótona» — que escolhe. Ler essa palavra é metade do item.
RespostaOpção (B)

Um expoente negativo inverte a base: \left(\tfrac12\right)^{-k} = 2^{\,k}.

  1. u_n = \left(\dfrac12\right)^{1-n} = \left(\dfrac12\right)^{-(n-1)} = 2^{\,n-1}.
  2. Progressão geométrica de primeiro termo 1 e razão 2: opção (B).
  3. Em alternativa, pelo quociente: \dfrac{u_{n+1}}{u_n} = \dfrac{2^{\,n}}{2^{\,n-1}} = 2.A opção (A) está lá para quem lê a base e ignora o sinal do expoente — que é exactamente o que inverte tudo. Escrever os três primeiros termos (1, 2, 4) resolve o item em cinco segundos.
RespostaOpção (B)

Primeiro a e a razão, pelos três termos consecutivos. Só depois a soma.

  1. \dfrac{a+6}{a} = \dfrac{a+18}{a+6} \iff (a+6)^2 = a(a+18).
  2. Cálculo auxiliar: a^2 + 12a + 36 = a^2 + 18a \iff 36 = 6a \iff a = 6.
  3. A razão é r = \dfrac{a+6}{a} = \dfrac{12}{6} = 2.
  4. S_7 = u_1\,\dfrac{2^7 - 1}{2 - 1} = 127\,u_1 = 381 \iff u_1 = 3.
  5. Verificação: a progressão é 3, 6, 12, 24, 48, 96, 192, que soma 381 ✓ — e contém 6, 12, 24, os três termos consecutivos do enunciado ✓.Cuidado: a = 6 não é o primeiro termo. O enunciado diz «três termos consecutivos», não «os três primeiros» — e é essa leitura que o item avalia.
Respostau_1 = 3

Escreve S_{12} em função de u_1 e r, e junta a condição do terceiro termo.

  1. S_{12} = \dfrac{2u_1 + 11r}{2}\times 12 = 6(2u_1 + 11r) = 174 \iff 2u_1 + 11r = 29.
  2. u_3 = u_1 + 2r = 4 \iff u_1 = 4 - 2r.
  3. Substituindo: 2(4 - 2r) + 11r = 29 \iff 7r = 21 \iff r = 3, e u_1 = -2.
  4. u_n = -2 + 3(n-1) = 3n - 5, e 3n - 5 = 5371 \iff n = 1792.
  5. Como 1792 \in \mathbb{N} \setminus \{0\}, é termo, de ordem 1792.A forma S_n = \frac{2u_1 + (n-1)r}{2}\,n é a que serve quando não se conhece o último termo — e é a que faz falta em quase todos estes itens.
Respostaé termo, de ordem 1792

Chama u ao menor. Como r > 1, o maior é ur. Soma e subtrai as duas equações.

  1. u + ur = 12 e ur - u = 3.
  2. Somando: 2ur = 15. Subtraindo: 2u = 9, donde u = 4{,}5.
  3. r = \dfrac{2ur}{2u} = \dfrac{15}{9} = \dfrac53.
  4. Verificação: os termos são 4{,}5 e 7{,}5: somam 12 ✓ e diferem em 3 ✓. E \dfrac53 > 1 ✓.Somar e subtrair as duas equações evita substituições com frações. O r > 1 do enunciado é o que garante que o maior é ur e não u.
Respostar = \dfrac53

Numa progressão geométrica, o termo do meio ao quadrado é o produto dos outros dois. Numa aritmética, é a média.

  1. Geométrica: \dfrac{a}{2} = \dfrac{b}{a} \iff a^2 = 2b.
  2. Aritmética: b - (a-2) = 2 - b \iff 2b = a \iff a = 2b.
  3. Substituindo b = \dfrac{a}{2} na primeira: a^2 = a \iff a(a-1) = 0.
  4. Como a \neq 0, vem a = 1 e b = \dfrac12.
  5. Verificação: 2, 1, \tfrac12 é geométrica de razão \tfrac12 ✓; -1, \tfrac12, 2 é aritmética de razão \tfrac32 ✓.A condição «diferentes de zero» é o que deita fora a = 0 — e com ela b = 0, que não podia ser termo de uma progressão geométrica de qualquer modo.
Respostaa = 1 e b = \dfrac12

Separa os casos n par e n ímpar. Num deles a condição é automática.

  1. Para n ímpar, (-1)^{n+1} = 1 e u_n = \dfrac{1}{n+1} > 0 > -0{,}01: a condição vale sempre.
  2. Para n par, u_n = -\dfrac{1}{n+1}, e -\dfrac{1}{n+1} > -0{,}01 \iff \dfrac{1}{n+1} < 0{,}01 \iff n + 1 > 100 \iff n > 99.
  3. O menor par acima de 99 é 100. Mas a pergunta é pela ordem a partir da qual todos os termos servem — e o termo de ordem 99 é positivo, logo também serve.
  4. O último termo que não serve é u_{98} = -\dfrac{1}{99} \approx -0{,}0101 < -0{,}01. Logo a menor ordem pedida é n = 99.A pergunta não é «para que ordens é verdade», é «a partir de qual é sempre verdade» — e essas duas coisas dão respostas diferentes por uma unidade. O caminho seguro é encontrar o último termo que falha e somar um.
Respostaordem 99

Duas condições, duas incógnitas: u_1 e r.

  1. u_7 = 2u_2 \iff u_1 + 6r = 2u_1 + 2r \iff u_1 = 4r.
  2. S_{12} = \dfrac{2u_1 + 11r}{2}\times 12 = 6(2u_1 + 11r) = 57 \iff 2u_1 + 11r = \dfrac{19}{2}.
  3. Substituindo: 8r + 11r = \dfrac{19}{2} \iff 19r = \dfrac{19}{2} \iff r = \dfrac12, e u_1 = 2.
  4. u_n = 2 + \dfrac12(n-1) = \dfrac{n+3}{2}.
  5. \dfrac{n+3}{2} = 500 \iff n = 997.O 19r = \frac{19}{2} da terceira linha é outro sinal de enunciado bem construído: quando os números se cortam assim, é porque o caminho é o certo.
Respostaordem 997

«Não monótona», numa progressão geométrica, quer dizer razão negativa. Da segunda condição sai r^2.

  1. u_{20} = u_{18}\,r^2, logo u_{18} = 4u_{18}r^2 \iff r^2 = \dfrac14 \iff r = \pm\dfrac12.
  2. Como a progressão não é monótona, a razão é negativa: r = -\dfrac12.
  3. u_1 = \dfrac{u_3}{r^2} = \dfrac{1/12}{1/4} = \dfrac13.
  4. u_n = \dfrac13\left(-\dfrac12\right)^{n-1}. Para a pôr na forma pedida, divide-se pela razão: u_n = \dfrac13 \times \dfrac{\left(-\frac12\right)^{n}}{-\frac12} = -\dfrac23\left(-\dfrac12\right)^{n}.
  5. Verificação: n=3-\frac23 \times \left(-\frac18\right) = \frac{1}{12} ✓.Duas armadilhas: a palavra «não monótona», que escolhe o sinal, e a forma a\times b^n pedida no fim — que não é a forma canónica u_1 r^{n-1}. Convém verificar num termo conhecido, como acima.
Respostau_n = -\dfrac23\left(-\dfrac12\right)^{n}

Do quinto ao oitavo termo multiplica-se três vezes pela razão.

  1. v_8 = v_5 \times r^3 \iff 108 = 4r^3 \iff r^3 = 27 \iff r = 3.
  2. v_6 = v_5 \times r = 12: opção (A).A relação u_p = u_q \times r^{\,p-q} poupa sempre o cálculo de u_1. Aqui a raiz cúbica tem uma só solução real, e não há ambiguidade de sinal.
RespostaOpção (A)

Para n ímpar, n+1 é par e (-1)^{n+1} = 1. Substitui e resolve a dupla inequação.

  1. Para n ímpar, u_n = 2 + \dfrac1n.
  2. \dfrac{83}{41} < 2 + \dfrac1n < \dfrac{67}{33} \iff \dfrac{83}{41} - 2 < \dfrac1n < \dfrac{67}{33} - 2.
  3. Cálculo auxiliar: \dfrac{83-82}{41} = \dfrac{1}{41} e \dfrac{67-66}{33} = \dfrac{1}{33}.
  4. \dfrac{1}{41} < \dfrac1n < \dfrac{1}{33} \iff 33 < n < 41.
  5. Os ímpares nesse intervalo são 35, 37, 39: são 3 termos.Ao inverter uma dupla desigualdade entre números positivos, o sentido troca — é onde este item se perde. E no fim ainda é preciso ficar só com os ímpares, que é o que o enunciado pede.
Resposta3 termos

Escreve as duas condições em u_1 e r. A segunda dá uma relação linear simples.

  1. u_6 + u_{20} = (u_1 + 5r) + (u_1 + 19r) = 2u_1 + 24r = -5.
  2. u_{19} = 4u_7 \iff u_1 + 18r = 4u_1 + 24r \iff -3u_1 = 6r \iff u_1 = -2r.
  3. Substituindo: -4r + 24r = -5 \iff r = -\dfrac14, e u_1 = \dfrac12.
  4. S_{16} = \dfrac{2\left(\frac12\right) + 15\left(-\frac14\right)}{2}\times 16 = \dfrac{1 - 3{,}75}{2}\times 16 = -22.Confirmação: u_{16} = \frac12 - \frac{15}{4} = -3{,}25, e \frac{0{,}5-3{,}25}{2}\times 16 = -22 ✓. Duas fórmulas diferentes a dar o mesmo é a melhor verificação que há.
RespostaS_{16} = -22

As ordens ímpares são n = 2k - 1. Substitui e vê que sucessão aparece em k.

  1. Com n = 2k - 1: v_k = 2(2k-1) + 1 = 4k - 1.
  2. (v_k) é progressão aritmética de razão 4, com v_1 = 3 e v_{200} = 4(200) - 1 = 799.
  3. S_{200} = \dfrac{3 + 799}{2}\times 200 = 401 \times 200 = 80\,200.A substituição n = 2k-1 é o passo todo. Sem ela ficava-se a somar termos alternados de uma sucessão, o que não tem fórmula; com ela é outra progressão aritmética, e a fórmula de sempre.
Resposta80\,200

Da fórmula da soma tira-se u_1; depois é u_5 = u_1 r^4.

  1. S_5 = u_1 \times \dfrac{1 - \left(\frac23\right)^5}{1 - \frac23} = u_1 \times \dfrac{1 - \frac{32}{243}}{\frac13} = u_1 \times \dfrac{211}{81}.
  2. u_1 \times \dfrac{211}{81} = 211 \iff u_1 = 81.
  3. u_5 = 81 \times \left(\dfrac23\right)^4 = 81 \times \dfrac{16}{81} = 16.Os números do enunciado foram escolhidos para simplificar: o 211 corta-se e o 81 também. Quando isso acontece, é sinal de que a conta está bem encaminhada.
Respostau_5 = 16

Escreve v_{10} = v_9 + r e junta à segunda condição: sai r em função de v_9.

  1. v_{10} = v_9 + r e v_{10} = \dfrac54 v_9, logo v_9 + r = \dfrac54 v_9 \iff r = \dfrac{v_9}{4}.
  2. Como v_9 = v_3 + 6r = 1 + 6r: r = \dfrac{1 + 6r}{4} \iff 4r = 1 + 6r \iff r = -\dfrac12.
  3. v_1 = v_3 - 2r = 1 + 1 = 2, e v_n = 2 - \dfrac12(n-1) = \dfrac{5-n}{2}.
  4. \dfrac{5-n}{2} = -50 \iff 5 - n = -100 \iff n = 105.
  5. Como 105 \in \mathbb{N} \setminus \{0\}, -50 é termo, de ordem 105.A relação v_{10} = v_9 + r é o passo que destranca tudo: transforma uma condição sobre dois termos numa equação com uma incógnita.
Respostaé termo, de ordem 105

Converte os 104 metros para centímetros antes de usar a fórmula.

  1. 104 m = 10\,400 cm.
  2. Os comprimentos formam progressão aritmética de razão 2. Com n = 100: S_{100} = \dfrac{2u_1 + 99 \times 2}{2}\times 100 = (u_1 + 99)\times 100.
  3. (u_1 + 99)\times 100 = 10\,400 \iff u_1 + 99 = 104 \iff u_1 = 5.
  4. [AB] mede 5 cm.A conversão de unidades é metade do exercício. O enunciado dá metros e pede centímetros de propósito — quem resolve tudo em metros obtém 0{,}05 e responde 0{,}05 cm.
Resposta5 cm

Cada lado é metade do anterior, logo cada perímetro é metade do anterior. Soma n termos e compara com a soma de todos.

  1. O lado de cada triângulo é metade do lado do anterior (segmento de reta média), logo o perímetro também: progressão geométrica de primeiro termo P_1 = 3 e razão \dfrac12.
  2. S_n = 3 \times \dfrac{1 - \left(\frac12\right)^{n}}{1 - \frac12} = 6\left(1 - \left(\dfrac12\right)^{n}\right).
  3. Como \left(\dfrac12\right)^{n} > 0 para todo o n \in \mathbb{N} \setminus \{0\}, tem-se 1 - \left(\dfrac12\right)^{n} < 1, e portanto S_n = 6\left(1 - \left(\dfrac12\right)^{n}\right) < 6.
  4. Logo a soma dos perímetros é sempre menor do que 6, qualquer que seja n. \blacksquareEste item é um «mostre que», e o que ele avalia é a última linha: ver que (\frac12)^n é positivo, logo o parêntesis é menor do que 1. Dar só o valor 6 da soma infinita não chega — o enunciado fala de n triângulos, não de infinitos.
RespostaS_n = 6\left(1-(\tfrac12)^n\right) < 6, pois (\tfrac12)^n > 0

O comprimento de uma semicircunferência de raio \rho é \pi\rho. Os raios duplicam — logo os comprimentos também.

  1. Raios: r_n = 2^{\,n-1}. Comprimentos: c_n = \dfrac{2\pi r_n}{2} = \pi\,2^{\,n-1}.
  2. Progressão geométrica de primeiro termo \pi e razão 2: S_{25} = \pi\,\dfrac{2^{25} - 1}{2 - 1} = \pi \times 33\,554\,431.
  3. S_{25} \approx 1{,}0541 \times 10^{8} cm = 1{,}0541 \times 10^{3} km.
  4. Arredondando às unidades: 1054 km.Vinte e cinco semicircunferências, começando com um raio de 1 cm, dão uma linha que vai do Porto a Paris. É a lenda de Sissa outra vez, com outra roupa. E a conversão cm → km é onde a resposta se perde: são 10^5, não 10^3.
Resposta1054 km

Do quarto dia e da razão sai o primeiro. Depois a fórmula da soma, com m por descobrir.

  1. Razão r = 10; de c_4 = c_1 + 30 = 60 vem c_1 = 30.
  2. S_m = \dfrac{2(30) + 10(m-1)}{2}\,m = \dfrac{10m + 50}{2}\,m = 5m^2 + 25m.
  3. 5m^2 + 25m = 2970 \iff m^2 + 5m - 594 = 0.
  4. Cálculo auxiliar: m = \dfrac{-5 \pm \sqrt{25 + 2376}}{2} = \dfrac{-5 \pm 49}{2}, donde m = 22 \ \lor \ m = -27.
  5. Como m é um número de dias, m = 22.Deitar fora a raiz negativa com uma frase é obrigatório. E convém confirmar: 5(22^2) + 25(22) = 2420 + 550 = 2970 ✓.
Respostam = 22

Escreve as duas condições em u_1 e r. Depois resolve u_n = 835 e vê se dá um natural.

  1. u_1 + u_5 = 2u_1 + 4r = 26 e u_9 = u_1 + 8r = 31.
  2. Da segunda, u_1 = 31 - 8r. Substituindo na primeira: 2(31 - 8r) + 4r = 26 \iff 62 - 12r = 26 \iff r = 3.
  3. Então u_1 = 31 - 24 = 7 e u_n = 7 + 3(n-1) = 3n + 4.
  4. 3n + 4 = 835 \iff n = \dfrac{831}{3} = 277.
  5. Como 277 \in \mathbb{N} \setminus \{0\}, 835 é termo da progressão, de ordem 277.A conclusão tem de ser escrita: «como a solução é um número natural, é termo». Um n fracionário responderia «não é termo» — e são as duas metades da cotação.
Respostaé termo, de ordem 277

Calcula u_2 e depois u_3. Nada mais.

  1. u_2 = 2(3) + 2 = 8.
  2. u_3 = 2(8) + 2 = 18: opção (C).A opção (A) é o u_2 — está lá para quem se engana numa iteração. Numa recorrência convém escrever os termos em coluna e contá-los, em vez de os fazer de cabeça.
RespostaOpção (C)

A linha k tem k cartões. O total é 1 + 2 + \cdots + n.

  1. O número de cartões por linha é a progressão aritmética c_k = k (primeiro termo 1, razão 1).
  2. S_n = \dfrac{1 + n}{2}\,n = 3081 \iff n(n+1) = 6162 \iff n^2 + n - 6162 = 0.
  3. Cálculo auxiliar: n = \dfrac{-1 \pm \sqrt{1 + 24\,648}}{2} = \dfrac{-1 \pm 157}{2}, donde n = 78 \ \lor \ n = -79.
  4. Como n é um número de linhas, n = 78.A soma dos n primeiros naturais, \frac{n(n+1)}{2}, aparece em quase todos os exames — vale a pena tê-la de cor.
Respostan = 78

O contorno tem três pedaços: o arco de fora, os arcos retirados, e o bocado de reta que ainda sobra no diâmetro.

  1. O arco exterior: semicircunferência de raio 1, comprimento \pi.
  2. Os arcos retirados: comprimentos \dfrac{\pi}{2}, \dfrac{\pi}{4}, \ldots — progressão geométrica de primeiro termo \dfrac{\pi}{2} e razão \dfrac12. Somando os 20 primeiros: S_{20} = \dfrac{\pi}{2}\times\dfrac{1 - \left(\frac12\right)^{20}}{1 - \frac12} = \pi\left(1 - \dfrac{1}{2^{20}}\right).
  3. O segmento que sobra: os diâmetros retirados somam 2 - \left(\frac12\right)^{19} e o diâmetro inicial mede 2, logo sobra \left(\dfrac12\right)^{19}.
  4. Total: \pi + \pi\left(1 - 2^{-20}\right) + 2^{-19} \approx 6{,}28.A parcela que se esquece é a terceira: o contorno de uma figura destas inclui o bocado de reta que ainda não foi comido. É pequeno (dois milionésimos), mas o raciocínio de o encontrar é metade da cotação.
Resposta6{,}28

De uma composição para a seguinte, cada quadrado é dividido em 9 e retira-se um. Que fração da área sobra?

  1. Em cada passo, cada quadrado é dividido em 9 e é retirado 1: sobram \dfrac89 da área anterior.
  2. As áreas formam uma progressão geométrica de primeiro termo 9 e razão \dfrac89: u_n = 9 \times \left(\dfrac89\right)^{\,n-1}.
  3. u_{50} = 9 \times \left(\dfrac89\right)^{49} \approx 0{,}028.Repara na diferença entre a área que sobra (este item, razão \frac89) e a área retirada (o u7g da secção R7, soma 1). São as duas caras do mesmo tapete, e o enunciado tem de ser lido com cuidado para se saber qual é pedida.
Resposta0{,}028

De a_{10} = a_4 + 6r sai logo a razão da primeira condição. Depois é uma equação do 2.º grau em a_4.

  1. a_{10} - a_4 = 6r = 3 \iff r = \dfrac12.
  2. a_4 \times a_{10} = a_4(a_4 + 3) = 40 \iff a_4^2 + 3a_4 - 40 = 0 \iff a_4 = 5 \ \lor \ a_4 = -8.
  3. Como os termos são positivos, a_4 = 5.
  4. a_1 = a_4 - 3r = 5 - \dfrac32 = \dfrac72.
  5. Cálculo auxiliar: a_k = \dfrac72 + (k-1)\dfrac12 = \dfrac{7 + k - 1}{2} = \dfrac{k+6}{2}.
  6. \dfrac{k+6}{2} = 173 \iff k + 6 = 346 \iff k = 340.A palavra «positivos» do enunciado é o que deita fora a raiz -8, e tem de ser escrita na resolução — vale cotação.
Respostaordem 340

Duas das opções nem sequer são progressões geométricas. Das que são, a condição é |r| < 1.

  1. As opções (A) e (B) são progressões aritméticas (termo geral polinomial em n) — a soma de todos os termos não é finita.
  2. (C) é geométrica de razão \tfrac32, e \tfrac32 > 1: a soma não é finita.
  3. (D) é geométrica de razão \tfrac23, e \left|\tfrac23\right| < 1: a soma é finita.
  4. Opção (D).Reconhecer a razão numa expressão a^n é imediato: é a base. O trabalho está em ver que (A) e (B) nem são geométricas — basta calcular dois quocientes consecutivos e ver que não são iguais.
RespostaOpção (D)

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