Modelos Matemáticos
para a Cidadania
Matemática que decide coisas. Quem ganha uma eleição depende do método de contagem escolhido — e há métodos que dão vencedores diferentes para os mesmos votos. Quantos deputados leva cada lista depende de uma divisão sucessiva que se faz à mão em cinco minutos. E quanto sobra do salário ao fim do mês depende de uma tabela de escalões que quase ninguém leu. Este capítulo é revisão do 10.º ano, com votos, salários e taxas verdadeiros: as legislativas de 2025, os escalões do IRS de 2026.
Maioria simples e maioria absoluta
Duas maneiras de dizer «ganhou» — e não querem dizer a mesma coisa. Uma pede mais votos do que qualquer outro; a outra pede mais votos do que todos os outros juntos. Entre as duas cabe a diferença entre governar sozinho e ter de negociar.
- Reconhecer o papel da matemática na escolha de representantes em sistemas políticos e sociais.
- Perceber que existem modelos matemáticos que permitem criar procedimentos para transformar as preferências individuais numa decisão coletiva.
- Identificar o vencedor de um processo eleitoral através de maioria simples e maioria absoluta.
1 · Antes de contar, saber o que se conta
Uma eleição produz quatro números diferentes, e confundi-los é o erro mais comum deste tema. Vale a pena fixá-los com um caso verdadeiro: o círculo eleitoral de Portalegre, nas legislativas de 18 de maio de 2025.
| Portalegre, 2025 | o que é | |
|---|---|---|
| Inscritos | 92 532 | eleitores recenseados no círculo |
| Votantes | 57 596 | os que foram votar — |
| Brancos e nulos | 834 + 627 | boletins sem escolha válida |
| Validamente expressos | 56 135 | os votos que contam para o resultado |
Fonte: Eleições Legislativas de 18 de maio de 2025 · resultados oficiais, Administração Eleitoral (SGMAI).
As maiorias contam-se sobre os votos validamente expressos, não sobre os inscritos nem sobre os votantes. Quem se absteve ou votou em branco não conta para nenhum dos lados — e é por isso que um vencedor com maioria absoluta pode, mesmo assim, representar menos de metade dos eleitores.
2 · Maioria simples
Uma opção tem maioria simples (ou relativa) quando obtém mais votos do que cada uma das outras, tomadas uma a uma. Basta ser a mais votada.
É o método mais antigo e o mais fácil de aplicar: conta-se, compara-se, e ganha quem tiver mais. É assim que se elege um delegado de turma, e é assim que se decide, em cada círculo, qual foi a lista mais votada.
3 · Maioria absoluta
Uma opção tem maioria absoluta quando obtém mais de metade dos votos validamente expressos.
Sendo
A maioria absoluta é uma exigência muito maior do que parece. Em Portalegre eram precisos
Há sistemas que se contentam com a maioria simples e sistemas que exigem a absoluta. Um exemplo dos dois lados: a eleição do Presidente da República exige maioria absoluta, e por isso pode ter segunda volta; a eleição para a Ordem dos Enfermeiros fica-se pela lista mais votada, sem segunda volta nenhuma. Nem um sistema é melhor do que o outro: são respostas diferentes à mesma pergunta.
4 · A segunda volta, e 1986
Quando se exige maioria absoluta e nenhum candidato a atinge, o sistema mais comum manda os dois mais votados a uma segunda volta. Aí, com só dois candidatos, um deles tem forçosamente mais de metade.
Aconteceu uma vez em Portugal, nas presidenciais de 1986, e o resultado é o melhor argumento a favor da distinção que esta secção faz.
| candidato | 1.ª volta | 2.ª volta |
|---|---|---|
| Diogo Freitas do Amaral | 46,3% | 48,8% |
| Mário Soares | 25,4% | 51,2% |
| Francisco Salgado Zenha | 20,9% | — |
| Maria de Lourdes Pintasilgo | 7,4% | — |
Fonte: Eleições para a Presidência da República de 1986 · Comissão Nacional de Eleições. As percentagens estão arredondadas às décimas.
O candidato mais votado à primeira volta perdeu a eleição. Não houve erro nenhum de contagem: houve dois critérios diferentes a dar respostas diferentes. Por maioria simples teria ganho o primeiro; por maioria absoluta em duas voltas ganhou o segundo.
Numa assembleia de condóminos votaram
- Quais são os votos expressos. As abstenções não são votos:
23 + 21 = 44 . - O mínimo.
\left\lfloor \dfrac{44}{2} \right\rfloor + 1 = 22 + 1 = 23 . - Comparar. A proposta teve
23 votos — exatamente o mínimo. Foi aprovada, por um voto. - Se o regulamento contasse sobre os
47 votantes, o mínimo seria24 e a proposta teria sido chumbada.Os mesmos votos, dois regulamentos, dois resultados opostos. Ler o regulamento antes de contar não é formalidade: é parte da conta.
Sempre que um enunciado disser «maioria absoluta», procura a palavra que vem a seguir: dos votos expressos, dos votantes, dos membros. É essa palavra que fixa o denominador.
Python Quantos votos são precisos, e quem os teve
O programa lê as votações de três candidatos, calcula o mínimo para a maioria absoluta e diz se alguém lá chegou. É o programa que as Aprendizagens Essenciais propõem para este tema.
cA = int(input("Votos do candidato A: "))
cB = int(input("Votos do candidato B: "))
cC = int(input("Votos do candidato C: "))
total = cA + cB + cC
ma = total // 2 + 1
print("Para maioria absoluta sao precisos", ma, "votos.")
if cA >= ma:
print("O candidato A tem maioria absoluta.")
elif cB >= ma:
print("O candidato B tem maioria absoluta.")
elif cC >= ma:
print("O candidato C tem maioria absoluta.")
else:
vencedor = max(cA, cB, cC)
print("Ninguem teve maioria absoluta.")
print("O mais votado teve", vencedor, "votos: so maioria simples.")
cA = int(input("Votos do candidato A: "))
cB = int(input("Votos do candidato B: "))
cC = int(input("Votos do candidato C: "))
# int() porque o input() devolve texto
total = cA + cB + cC
ma = total // 2 + 1 # // e a divisao inteira: 573//2 da 286
# e nao 286,5 — e o mais 1 poe-nos acima
print("Para maioria absoluta sao precisos", ma, "votos.")
if cA >= ma: # so um pode ter maioria absoluta,
print("O candidato A tem maioria absoluta.")
elif cB >= ma: # por isso o elif chega
print("O candidato B tem maioria absoluta.")
elif cC >= ma:
print("O candidato C tem maioria absoluta.")
else:
vencedor = max(cA, cB, cC) # sem maioria absoluta, ganha o mais votado
print("Ninguem teve maioria absoluta.")
print("O mais votado teve", vencedor, "votos: so maioria simples.")
Corre-o com os votos de Portalegre —
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre as duas maiorias: ler uma votação, calcular o mínimo, distinguir o conjunto sobre o qual se conta, e perceber o que a maioria simples não garante. Os últimos pedem justificação ou generalização, ao nível do Exame.
A cor do título dá o grau de dificuldade: verde, aplicação direta · amarelo, exige uma ideia intermédia · vermelho, justificação ou generalização, ao nível do Exame.
Numa eleição para delegado de turma, com 28 votos validamente expressos, os candidatos obtiveram: Ana, 12 votos; Bruno, 9 votos; Carla, 7 votos.
Qual das afirmações é verdadeira?
- (A)A Ana ganhou por maioria absoluta.
- (B)A Ana ganhou por maioria simples, mas não por maioria absoluta.
- (C)Não houve vencedor, porque ninguém teve mais de metade dos votos.
- (D)Houve empate entre a Ana e o Bruno.
Numa votação foram validamente expressos
Qual é o número mínimo de votos que um candidato precisa de obter para ter maioria absoluta?
Em Portalegre, nas legislativas de 2025, votaram
a) Quantos foram os votos validamente expressos? b) Qual seria o número mínimo de votos para uma lista obter maioria absoluta?
Numa eleição com
Essa lista:
- (A)teve maioria absoluta, porque quase metade é metade.
- (B)teve maioria absoluta, porque
1249 > 1250 - 1 . - (C)não teve maioria absoluta, por um voto.
- (D)não teve maioria absoluta, por dois votos.
Na primeira volta das presidenciais de 1986, os quatro candidatos obtiveram, em percentagem dos votos validamente expressos:
a) Justifica que houve segunda volta.
b) Na segunda volta, o vencedor obteve
Numa assembleia de
a) A proposta teve maioria absoluta dos membros da assembleia? b) E maioria absoluta dos votos expressos (a favor e contra)?
Três candidatos,
Então, com certeza:
- (A)
A é o candidato preferido pela maioria dos eleitores. - (B)mais de metade dos eleitores votou noutro candidato que não
A . - (C)
B eC tiveram, cada um, menos de30\% . - (D)haveria segunda volta se o sistema a previsse.
Numa eleição com quatro candidatos e
a) Mostra que há segunda volta e indica quem a disputa.
b) Supondo que todos os eleitores de
Nas legislativas de 2025, no círculo de Portalegre, as três listas mais votadas obtiveram
a) Que percentagem dos votos validamente expressos foi para estas três listas? b) A diferença entre a primeira e a terceira representa que percentagem do total?
Numa eleição com
a) Escreve
Num sistema de duas voltas, vão à segunda volta os dois mais votados, a menos que algum tenha maioria absoluta à primeira.
Mostra que, se houver
Um jornal escreve: «a lista
Comenta a afirmação, em termos de votos e não de percentagens, supondo
Maioria simples é ter mais votos do que qualquer outro. Maioria absoluta é ter mais de metade de todos os votos.
- A Ana é a mais votada: tem maioria simples.
- Metade dos votos é
28 : 2 = 14 . Para maioria absoluta seriam precisos pelo menos15 votos, e a Ana tem12 .
Mais de metade. Metade de
573 : 2 = 286{,}5 .- São precisos mais do que
286{,}5 votos, e os votos são números inteiros: o mínimo é287 .Com um número ímpar de votos não há empate possível entre dois candidatos, e o mínimo é sempre\dfrac{n+1}{2} .
Brancos e nulos contam para a afluência, mas não são votos em nenhuma lista — e a maioria absoluta mede-se sobre os validamente expressos.
- a)
57\,596 - 834 - 627 = 56\,135 votos validamente expressos. - b)
56\,135 : 2 = 28\,067{,}5 , logo seriam precisos28\,068 votos. - A lista mais votada teve
17\,220 : bem longe.Num círculo com três forças equilibradas, a maioria absoluta é praticamente inatingível — e é por isso que o método de partilha, que a R3 estuda, é o que decide tudo.
Faz a conta do mínimo, e compara.
- O mínimo para maioria absoluta é
1251 votos (mais de1250 ). - A lista teve
1249 : faltaram-lhe dois votos.
A regra é: se ninguém tiver maioria absoluta à primeira, os dois mais votados vão a uma segunda volta.
- a) O mais votado teve
46{,}3\% , que é menos de50\% . Nenhum candidato obteve maioria absoluta, logo houve segunda volta. - b) Na segunda volta há só dois candidatos, e os votos dos que ficaram de fora repartem-se por eles. Os
28{,}3\% dos terceiro e quarto candidatos foram, na sua maioria, para o segundo classificado. - Foi o que aconteceu:
25{,}4\% à primeira volta,51{,}2\% à segunda.É a única vez, até hoje, que houve segunda volta numa presidencial portuguesa — e serviu justamente para mostrar que «o mais votado» e «o preferido pela maioria» podem ser pessoas diferentes.
Repara em que a pergunta muda o conjunto sobre o qual se conta a metade. As abstenções entram num caso e não no outro.
- a) Metade de
180 é90 : seriam precisos91 votos, e houve84 . Não. - b) Votos expressos:
84 + 72 = 156 . Metade é78 , logo o mínimo é79 , e houve84 . Sim. - A mesma votação tem duas respostas conforme o regulamento.É por isso que os estatutos de qualquer organização dizem sempre sobre o quê se conta a maioria. A diferença não é uma subtileza: decide se a proposta passa.
Três das quatro afirmações podem ser falsas em alguma votação com estes dados. Procura a que não pode.
- Se
A teve40\% , os restantes60\% foram para outros: a (B) é certa. - A (A) é falsa —
60\% preferiu outra coisa. A (C) falha, por exemplo, comB = 35\% eC = 25\% . - A (D) parece certa, mas o enunciado diz que o sistema é de maioria simples: não há segunda volta nenhuma, e por isso a afirmação não descreve esta eleição.O ponto da secção inteira está aqui: ganhar não é o mesmo que ser preferido pela maioria, e qual dos dois acontece depende do método.
Na alínea b), chama
- a) O mínimo para maioria absoluta é
5001 , e o mais votado teve3800 . Vão à segunda voltaA eB . - b) Os votos de
C eD somam2000+1100 = 3100 . SeB conquistar a fraçãox , fica com3100 + 3100x eA com3800 + 3100(1-x) . 3100 + 3100x > 3800 + 3100 - 3100x \iff 6200x > 3800 \iff x > 0{,}6129\ldots - Precisa de mais de
61{,}3\% desses votos.Repare-se em quanto é exigente:B perdeu por700 votos e precisa de quase dois terços dos votos disponíveis para inverter — porque cada voto que ganha é também um voto queA deixa de ganhar.
Soma primeiro, e só depois divide. Arredonda às décimas.
- a)
17\,220+16\,125+15\,458 = 48\,803 , e\dfrac{48\,803}{56\,135} \approx 0{,}869 : cerca de86{,}9\% . - b)
17\,220 - 15\,458 = 1762 , e\dfrac{1762}{56\,135} \approx 0{,}031 : cerca de3{,}1\% . - Três listas separadas por três pontos percentuais.Guarda este número: na R3 vais ver que, com estes votos, uma das três não elege ninguém — e que isso não é um erro do método, é o método a funcionar como foi desenhado.
Trata os dois casos à parte e compara com a fórmula. O símbolo
- a) Se
n é par, metade é o inteiro\dfrac{n}{2} e é preciso ultrapassá-lo:m(n) = \dfrac{n}{2}+1 . - Se
n é ímpar,\dfrac{n}{2} não é inteiro e o primeiro inteiro acima dele é\dfrac{n+1}{2} :m(n) = \dfrac{n+1}{2} . - b) Com
n par,\left\lfloor \dfrac{n}{2} \right\rfloor = \dfrac{n}{2} e a fórmula dá\dfrac{n}{2}+1 . Comn ímpar,n = 2k+1 e\left\lfloor \dfrac{n}{2} \right\rfloor = k , logo a fórmula dák+1 = \dfrac{n+1}{2} . - Os dois casos coincidem com a fórmula.É esta fórmula que o programa de Python da secção usa, escrita como int(n/2)+1.
Prova pelo contrário: supõe
- Suponhamos
k = 2 , coma eb votos,a + b = n . - Se nenhum tem maioria absoluta, então
a \leq \dfrac{n}{2} eb \leq \dfrac{n}{2} , logoa+b \leq n com igualdade só sea = b = \dfrac{n}{2} . - Ou seja: com dois candidatos, ou um deles tem maioria absoluta, ou há empate exato.
- Fora do empate, é impossível haver segunda volta com dois candidatos: tem de haver
k \geq 3 .O empate exato existe na teoria e resolve-se nos estatutos — por sorteio, por antiguidade, ou por nova votação. A matemática diz que é o único caso que sobra.
Quantos votos são
A teve0{,}48 \times 50\,000 = 24\,000 votos. O mínimo para maioria absoluta é25\,001 .- Faltam-lhe
1001 votos novos — e é isso que os2\% significam, se os eleitores em falta forem abstencionistas que passam a votar. - Mas se os votos vierem de outra lista, cada voto que
A ganha é um que a outra perde: bastam501 eleitores a mudar de voto.A frase do jornal não está errada — está incompleta. «Faltar 2%» quer dizer coisas diferentes conforme os votos venham da abstenção ou da concorrência, e a diferença é de quase o dobro.
O método de Borda
A maioria simples só olha para o primeiro lugar de cada boletim e deita fora o resto. O método de Borda lê o boletim todo — e às vezes encontra um vencedor diferente, que era o segundo de toda a gente e o último de ninguém.
- Identificar o vencedor de processos eleitorais que recorram a boletins de preferência (método de Borda).
- Analisar situações que evidenciem que métodos eleitorais diferentes geram escolhas diferentes para a mesma votação.
1 · O boletim de preferência
Num boletim de preferência o votante não escolhe uma opção: ordena-as todas, da que mais gosta à que menos gosta. É o que se faz para escolher o destino de uma visita de estudo, o nome de uma equipa, ou o vencedor de um prémio.
Com
Somam-se os pontos de todos os boletins e vence a opção com maior pontuação.
Cada boletim distribui
2 · O caso que vale a pena guardar
Cem alunos escolhem entre quatro destinos. Os boletins agrupam-se em quatro ordenações:
| preferência | 40 votos | 25 votos | 20 votos | 15 votos |
|---|---|---|---|---|
| 1.ª | A | B | C | D |
| 2.ª | B | C | B | B |
| 3.ª | C | D | D | C |
| 4.ª | D | A | A | A |
Por maioria simples, ganha
Por Borda, com
| opção | conta | pontos |
|---|---|---|
| 220 | ||
| 325 | ||
| 265 | ||
| 190 |
A soma dá
Laboratório · Os mesmos votos, três vencedores
interativoCada cursor é um bloco de eleitores com a mesma ordenação. A célula acesa em cada linha é a vencedora por esse método. Põe os quatro cursores no mesmo valor e vê os três métodos a concordarem; volta ao exemplo da secção e vê-os separarem-se.
Nada. Os boletins são exatamente os mesmos. O que mudou foi a regra de contagem — e com ela o vencedor. Não há aqui erro nem batota: há duas definições diferentes de «a opção preferida», e ambas são defensáveis. É por isso que os estatutos de qualquer organização têm de dizer, antes da votação, qual é o método.
Numa votação de Borda com quatro opções, já se contaram
- O melhor caso para
D . Os20 boletins põem-na em primeiro: ganha20 \times 4 = 80 e fica com310 + 80 = 390 . - O pior caso para o rival mais forte. Nesses mesmos boletins,
A fica no pior lugar que lhe resta — o quarto — e ganha20 \times 1 = 20 : fica com560 + 20 = 580 . - Comparar.
580 > 390 :A fica à frente deD em qualquer cenário. - Logo
D não pode ser a vencedora.A estrutura é sempre esta: melhor caso para quem se está a estudar, pior caso para o adversário. Se mesmo assim não chega, está provado — e não é preciso examinar as24 ordenações possíveis uma a uma.
Repara em que os
Python A pontuação de Borda, a partir da tabela
O programa recebe a tabela de preferências — cada coluna é um par (número de votos, ordenação) — e devolve as pontuações e o vencedor.
perfil = [(40, "ABCD"), (25, "BCDA"), (20, "CBDA"), (15, "DBCA")]
opcoes = "ABCD"
k = len(opcoes)
pontos = {}
for o in opcoes:
pontos[o] = 0
for votos, ordem in perfil:
for i in range(k):
pontos[ordem[i]] = pontos[ordem[i]] + votos * (k - i)
for o in opcoes:
print(o, "->", pontos[o], "pontos")
vencedor = max(pontos, key=lambda o: pontos[o])
print("Vencedor por Borda:", vencedor)
print("Total distribuido:", sum(pontos.values()))
perfil = [(40, "ABCD"), (25, "BCDA"), (20, "CBDA"), (15, "DBCA")]
# cada par: quantos votos, e a ordenacao
opcoes = "ABCD"
k = len(opcoes) # k opcoes -> k pontos ao primeiro lugar
pontos = {}
for o in opcoes:
pontos[o] = 0 # um contador por opcao, a comecar em zero
for votos, ordem in perfil:
for i in range(k): # i = 0 no primeiro lugar, 1 no segundo...
pontos[ordem[i]] = pontos[ordem[i]] + votos * (k - i)
# ...logo k-i pontos: k, k-1, k-2, ...
for o in opcoes:
print(o, "->", pontos[o], "pontos")
vencedor = max(pontos, key=lambda o: pontos[o])
print("Vencedor por Borda:", vencedor)
print("Total distribuido:", sum(pontos.values()))
# tem de dar n*k*(k+1)/2 — e da 1000
Troca a primeira linha por perfil = [(40, "ABCD"), (25, "BACD"), (20, "CBDA"), (15, "DBCA")] — mudaste 25 boletins, pondo
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre o método de Borda: a conta base, a verificação do total, a reconstrução de uma pontuação em falta, e o argumento de «mostrar que não pode ganhar» — que é o que o Exame Nacional pediu em 2026. Um deles tem o enunciado errado de propósito.
Três amigos votam em três filmes,
Os boletins foram:
Determina o vencedor pelo método de Borda.
Numa votação de Borda com
A soma das pontuações das cinco opções é:
- (A)
300 - (B)
900 - (C)
1500 - (D)depende dos boletins.
A tabela dá as preferências de
| preferência | 34 votos | 31 votos | 25 votos |
|---|---|---|---|
| 1.ª | P | Q | R |
| 2.ª | Q | R | Q |
| 3.ª | R | P | P |
Determina o vencedor por maioria simples e por Borda (
Numa votação de Borda com
Sobre essa opção pode afirmar-se que:
- (A)foi a primeira preferência de todos os votantes.
- (B)foi a segunda preferência de todos os votantes.
- (C)teve a pontuação média das quatro opções.
- (D)ganhou a votação.
Numa votação de Borda com quatro opções (
Quantos pontos teve
Numa votação de Borda com três opções (
Faltam contar
Uma turma de
| preferência | 11 alunos | 9 alunos | 7 alunos |
|---|---|---|---|
| 1.ª | M | N | P |
| 2.ª | P | P | N |
| 3.ª | N | M | M |
a) Quem ganha por maioria simples?
b) Quem ganha por Borda (
Numa votação com quatro opções (
Faltam
Mostra que
Num boletim de preferência com
a) Quantas ordenações diferentes são possíveis?
b) E com
Numa votação de Borda com
a) Indica, justificando, o menor e o maior valor possível de
Constrói um perfil de preferências, com três opções e um número de votantes à tua escolha, em que a opção que ganha por maioria absoluta das primeiras preferências não ganha por Borda.
Ou, se for impossível, explica porquê.
Numa votação de Borda com quatro opções, contaram-se
Sabe-se que, nos
Faz uma coluna por filme e soma os pontos que cada boletim lhe dá.
X: 3 + 1 + 2 = 6 Y: 2 + 3 + 3 = 8 Z: 1 + 2 + 1 = 4 - Confirmação:
6+8+4 = 18 = 3 \times (3+2+1) .A soma total é sempre o número de boletins vezes a soma dos pontos de um boletim. É a verificação mais rápida que há.
Cada boletim distribui sempre o mesmo total de pontos, seja qual for a ordem.
- Cada boletim dá
5+4+3+2+1 = 15 pontos. - Com
60 boletins:60 \times 15 = 900 .
Maioria simples olha só para a linha das primeiras preferências.
- Maioria simples:
P com34 , contra31 e25 . GanhaP . - Borda:
P: 3(34) + 1(31) + 1(25) = 102+31+25 = 158 . Q: 2(34) + 3(31) + 2(25) = 68+93+50 = 211 .R: 1(34) + 2(31) + 3(25) = 34+62+75 = 171 . GanhaQ .- Soma:
158+211+171 = 540 = 90 \times 6 . ✓Q não é a primeira preferência de quase ninguém — é a segunda de toda a gente. É exatamente o tipo de opção que Borda encontra e a maioria simples não vê.
Calcula o total distribuído e divide pelas quatro opções.
- Cada boletim dá
4+3+2+1 = 10 pontos, logo o total é50 \times 10 = 500 . - A média das quatro opções é
500 : 4 = 125 ... mas a opção teve200 , que não é a média. - Se fosse a primeira de todos teria
50 \times 4 = 200 . A (A) é possível — e é a única compatível com200 pontos e um máximo de200 .
O total distribuído não depende dos boletins.
- Total:
60 \times (4+3+2+1) = 60 \times 10 = 600 . D = 600 - 190 - 150 - 120 = 140 .- É uma consequência de cada boletim distribuir sempre os mesmos
10 pontos.Este argumento aparece com frequência nos exames: dá-se a pontuação de todas menos uma, e pede-se a que falta.
Dá a
- No melhor caso para
C , os10 boletins põem-na em primeiro:C ganha10 \times 3 = 30 e fica com172 . - Nesses mesmos boletins,
A eB ficam em segundo e terceiro, ganhando pelo menos10 \times 1 = 10 cada uma. - A melhor das duas fica com pelo menos
170 + 20 = 190 (se ficar em segundo) — ou, no pior caso,170+10 = 180 . - Em qualquer dos casos,
180 > 172 :C não pode ganhar.O raciocínio é sempre o mesmo — dá-se o melhor caso ao candidato em questão e o pior aos rivais. Se mesmo assim não chega, está provado.
Na alínea c), soma quantos alunos puseram cada destino em último lugar.
- a)
M tem11 primeiras preferências, contra9 e7 : ganhaM . - b)
M: 3(11)+1(9)+1(7) = 33+9+7 = 49 . N: 1(11)+3(9)+2(7) = 11+27+14 = 52 .P: 2(11)+2(9)+3(7) = 22+18+21 = 61 . GanhaP .- c)
M está em último para16 dos27 alunos — mais de metade da turma.P não está em último para ninguém.A maioria simples só conta primeiros lugares e é cega ao resto do boletim. Borda lê o boletim todo — e por isso encontra o destino que ninguém detesta.
O melhor caso para
- No melhor caso, os
30 boletins dão aB a primeira preferência:B ganha30 \times 4 = 120 e fica com420 . - Nesse boletim
A está abaixo deB , mas pelo menos em quarto: ganha no mínimo30 \times 1 = 30 e fica com370 . Ainda não chega. - Mas
420 > 370 ! Falta ver melhor: seA ficar em segundo, ganha90 e fica com430 > 420 . - O caso a estudar é o pior para
A :A em quarto,B em primeiro. AíB tem420 eA tem370 — eB ganharia. LogoB pode ganhar, e o enunciado é falso.Este exercício está aqui de propósito, e a resposta é «não se consegue mostrar». Quando um enunciado pede para mostrar algo, o primeiro trabalho é verificar se é verdade — às vezes não é, e dizê-lo é a resposta certa.
É uma contagem de permutações: quantas escolhas para o primeiro lugar, quantas para o segundo depois desse...
- a)
4 \times 3 \times 2 \times 1 = 24 . - b)
5! = 120 . - É por isso que as tabelas de preferências dos exames agrupam os boletins por ordenação: com quatro opções há no máximo
24 colunas, e normalmente aparecem quatro ou cinco.Com dez opções seriam10! = 3\,628\,800 ordenações. Boletins de preferência só são práticos com poucas opções.
Na alínea b), soma
- a) O mínimo é
n — última em todos os boletins,1 ponto de cada. O máximo énk — primeira em todos. - b) Cada boletim distribui
1+2+\cdots+k = \dfrac{k(k+1)}{2} pontos. - Com
n boletins, o total én \cdot \dfrac{k(k+1)}{2} = \dfrac{n\,k(k+1)}{2} . - Confere com o exemplo da secção:
n=100 ,k=4 , dá\dfrac{100 \times 4 \times 5}{2} = 1000 . ✓
Se uma opção é a primeira de mais de metade dos votantes, quanto vale isso em pontos de Borda? Compara com o máximo que outra pode obter.
- Seja
n o número de votantes eA a primeira preferência dea > \dfrac{n}{2} deles. Com3 opções,A tem pelo menos3a + (n-a) = 2a + n pontos. - Outra opção
B tem, no máximo,2a (segunda nos boletins deA ) mais3(n-a) : no máximo2a + 3n - 3a = 3n - a . - Ora
2a + n > 3n - a \iff 3a > 2n \iff a > \dfrac{2n}{3} . - Ou seja: com maioria absoluta não chega — mas com mais de dois terços das primeiras preferências,
A ganha sempre por Borda. Entre\dfrac{n}{2} e\dfrac{2n}{3} há contraexemplos. - Um deles, com
n = 10 ea = 6 : seis boletinsA > C > B e quatro boletinsB > C > A . Pontuações:A = 18+4 = 22 ,B = 6+12 = 18 ,C = 12+8 = 20 .A ganha na mesma. - Com
a = 6 e os quatro restantes a pôrA em último eB em primeiro, masC em segundo nos seis primeiros:A = 18+4 = 22 ,C = 12+8=20 ... É precisoa mais perto de metade. Comn=10 ,a=6 não chega; comn = 100 ea = 51 :51 boletinsA>C>B e49 boletinsB>C>A dãoA = 153+49 = 202 ,C = 102+98 = 200 ,B = 51+147 = 198 .A ganha por dois pontos — e basta trocar dois eleitores paraC passar à frente.Este exercício é para se sujar as mãos. A conta da terceira linha diz exatamente onde procurar, e é ela que transforma a tentativa às cegas numa procura dirigida.
Melhor caso para
- No melhor caso, os
50 boletins dão4 pontos aB :497 + 200 = 697 . A está abaixo deB , logo no pior caso fica em quarto e ganha50 \times 1 = 50 :651 + 50 = 701 .701 > 697 : mesmo no cenário mais favorável aB e mais desfavorável aA ,A fica à frente.- Logo
B não pode ser a vencedora.Este é, com outros nomes, o item do Exame Nacional de 2026 — está no banco de exercícios com o enunciado original. A margem é de quatro pontos em setecentos: o argumento tem de ser exato, não aproximado.
O método de Hondt
Há sete lugares e três listas. Quantos cabem a cada uma? A resposta «proporcionalmente» não chega, porque os lugares não se partem ao meio. O método de Hondt é uma regra para os repartir — e é a regra que reparte o Parlamento português.
- Perceber que existem modelos matemáticos que permitem criar procedimentos para fazer distribuições proporcionais.
- Conhecer e aplicar o método de Hondt.
- Identificar vantagens e limitações do método de Hondt.
1 · O problema, e porque é que não é fácil
Em Portalegre, em 2025, três listas tiveram
A repartição proporcional exata daria
2 · A regra
Divide-se o número de votos de cada lista, sucessivamente, por
Em caso de empate na fronteira, o mandato cabe à lista com menos votos.
3 · Portalegre, 2025
A tabela dos quocientes, com os dois escolhidos a negrito:
| lista | : 1 | : 2 | : 3 | : 4 | : 5 |
|---|---|---|---|---|---|
| Chega | 17220 | 8610 | 5740 | 4305 | 3444 |
| PS | 16125 | 8062,5 | 5375 | 4031,2 | 3225 |
| AD | 15458 | 7729 | 5152,7 | 3864,5 | 3091,6 |
Fonte: Eleições Legislativas de 18 de maio de 2025 · resultados oficiais, Administração Eleitoral (SGMAI). Os votos são os das três listas mais votadas; concorreram catorze forças políticas.
Os dois maiores quocientes de toda a tabela são
A terceira lista teve 26,8% dos votos do círculo e não elegeu ninguém. Não houve erro: com dois lugares para três forças de tamanho parecido, uma tem de ficar de fora. Repare-se no que resolveria o problema — um lugar a mais. Com três mandatos, os três maiores quocientes seriam os três primeiros da tabela, e as três listas elegeriam.
Numa associação com
- Os quocientes. Como há
7 lugares, basta dividir por1 a7 :\begin{aligned} X&: 142;\ 71;\ 47{,}3;\ 35{,}5;\ \ldots\\ Y&: 231;\ 115{,}5;\ 77;\ 57{,}8;\ \ldots\\ Z&: 425;\ 212{,}5;\ 141{,}7;\ 106{,}3;\ 85;\ 70{,}8;\ \ldots \end{aligned} - Os sete maiores, por ordem.
425\,(Z) ,231\,(Y) ,212{,}5\,(Z) ,142\,(X) ,141{,}7\,(Z) ,115{,}5\,(Y) ,106{,}3\,(Z) . - Contar.
Z aparece quatro vezes,Y duas eX uma. - Repare-se na disputa pelo quarto lugar:
142 contra141{,}7 , três décimas de diferença.É por isso que os quocientes se calculam com casas decimais e não se arredondam antes de ordenar. Arredondar às unidades daria142 contra142 — um empate que não existe.
Confirma a soma:
4 · Vantagens e limitações
Garante uma boa proporcionalidade entre votos e mandatos, tanto melhor quanto mais lugares houver. É de aplicação simples e o resultado não depende de quem faz a conta. Favorece maiorias governáveis, dando alguma vantagem às listas maiores.
Favorece as listas maiores — a mesma característica que na coluna de cima era uma vantagem. Se é bom ou mau depende do que se quer do sistema, e isso não é uma questão matemática. Exclui as listas pequenas: abaixo de um certo número de votos não se elege ninguém, e esse número sobe quando o círculo é pequeno.
Portugal não aplica o método de Hondt ao país: aplica-o 22 vezes, uma por círculo. E isso muda muito o resultado. Nas legislativas de 2025, a lista mais votada teve
Fonte: Eleições Legislativas de 18 de maio de 2025 · resultados oficiais, Administração Eleitoral (SGMAI). O número de 79 deputados é uma simulação nossa: é o que o método de Hondt daria aplicado aos totais nacionais, num círculo único. Não é um resultado oficial — é a conta que mostra o que a divisão em círculos faz.
Python A tabela de Hondt, e quem fica de fora
O programa recebe os votos e o número de mandatos, constrói todos os quocientes, ordena-os e conta.
votos = {"Chega": 17220, "PS": 16125, "AD": 15458}
mandatos = 2
quocientes = []
for lista in votos:
for d in range(1, mandatos + 1):
quocientes.append((votos[lista] / d, lista, d))
quocientes.sort(reverse=True)
eleitos = quocientes[:mandatos]
for q, lista, d in eleitos:
print(lista, ": votos /", d, "=", round(q, 1))
print()
for lista in votos:
n = 0
for q, quem, d in eleitos:
if quem == lista:
n = n + 1
print(lista, "->", n, "mandato(s)")
votos = {"Chega": 17220, "PS": 16125, "AD": 15458}
mandatos = 2 # Portalegre, legislativas de 2025
quocientes = []
for lista in votos:
for d in range(1, mandatos + 1):
quocientes.append((votos[lista] / d, lista, d))
# nunca faz falta dividir por mais do que
# o numero de mandatos
quocientes.sort(reverse=True) # ordena por quociente, do maior ao menor
eleitos = quocientes[:mandatos] # e ficam-se os primeiros
for q, lista, d in eleitos:
print(lista, ": votos /", d, "=", round(q, 1))
print()
for lista in votos:
n = 0
for q, quem, d in eleitos:
if quem == lista:
n = n + 1 # conta quantas vezes a lista aparece
print(lista, "->", n, "mandato(s)")
Muda o mandatos para
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre o método de Hondt: construir a tabela, ler o resultado ao contrário, encontrar a fronteira a partir da qual uma lista elege, e perceber o efeito do tamanho do círculo. Os últimos pedem generalização, ao nível do Exame.
Três listas concorrem a
Aplica o método de Hondt e indica quantos mandatos cabem a cada lista.
Numa distribuição pelo método de Hondt, o primeiro mandato:
- (A)vai sempre para a lista mais votada.
- (B)vai para a lista com maior quociente na divisão por
2 . - (C)depende do número total de mandatos a distribuir.
- (D)é sorteado entre as duas listas mais votadas.
Vão distribuir-se
a) Por que números é preciso dividir os votos de cada lista? b) Quantos quocientes tem a tabela completa?
Uma escola tem
Aplica o método de Hondt.
Em Portalegre, em 2025, as três listas mais votadas tiveram
a) Confirma que a terceira lista não elege ninguém. b) Quantos mandatos teria de haver no círculo para que as três elegessem pelo menos um?
Duas listas,
Determina os valores de
Duas listas obtiveram
Mostra que há um empate de quocientes e explica por que razão ele não afeta o resultado.
Num círculo com
Pelo método de Hondt, a percentagem de eleitores sem representação é, aproximadamente:
- (A)
0\% - (B)
33\% - (C)
50\% - (D)
67\%
Numa distribuição de
Que se pode concluir sobre o número de votos de
Três listas disputam
Determina o menor valor inteiro de
Duas listas,
Mostra que
Um território com
a) Distribui os
Divide cada resultado por
- Quocientes de
A :1200 ,600 ,400 ,300 . - Quocientes de
B :900 ,450 ,300 ,225 . - Quocientes de
C :500 ,250 ,166{,}7 ,125 . - Os quatro maiores:
1200\,(A) ,900\,(B) ,600\,(A) ,500\,(C) .
O maior quociente de toda a tabela está sempre na primeira coluna. E qual é o maior da primeira coluna?
- A primeira coluna traz os votos a dividir por
1 , ou seja, os próprios votos. - Dividir por
2, 3, \ldots só faz descer. Logo o maior quociente da tabela é o número de votos da lista mais votada.
Uma lista não pode ganhar mais mandatos do que os que existem.
- a) Por
1, 2, 3, 4, 5, 6 — nunca faz falta ir além do número de mandatos. - b)
5 \times 6 = 30 quocientes. - Destes, escolhem-se os
6 maiores.Na prática as últimas colunas quase nunca são precisas: os quocientes das listas pequenas descem depressa e não chegam aos maiores.
É o mesmo método, com professores em vez de votos e computadores em vez de mandatos.
- Ciências:
28; 14; 9{,}3; 7; 5{,}6; \ldots - Letras:
19; 9{,}5; 6{,}3; 4{,}75; \ldots - Artes:
13; 6{,}5; 4{,}3; \ldots - Os nove maiores:
28, 19, 14, 13, 9{,}5, 9{,}3, 7, 6{,}5, 6{,}3 . - Contando: Ciências
4 , Letras3 , Artes2 .É o exemplo que as Aprendizagens Essenciais sugerem, e mostra que o método não tem nada de político: é uma regra de repartição proporcional de coisas indivisíveis.
Na alínea b), aumenta o número de mandatos e vê a partir de quando o quociente da terceira lista entra nos escolhidos.
- a) Os dois maiores quocientes de toda a tabela são
17\,220 e16\,125 , ambos da primeira coluna. O terceiro maior é15\,458 , e já não há mandatos. - b) Com
3 mandatos, o terceiro maior quociente é15\,458 — e a terceira lista elege. - Bastava um lugar a mais.Não é a lista que é pequena: é o círculo. A mesma votação num círculo de 3 dá representação às três forças, e num círculo de 2 deixa 26,8% dos eleitores sem deputado.
Escreve os quocientes das duas listas e ordena. Para
- Quocientes de
A :1000 ,500 ,333{,}3 . DeB :N ,\dfrac{N}{2} ,\dfrac{N}{3} . - Como
N < 1000 , o primeiro mandato é deA . O segundo é deB (porqueN > 500 ) ou deA . - Para
B ter dois mandatos são precisosN > 500 e\dfrac{N}{2} > 500 , ou sejaN > 1000 — impossível. - Logo
B nunca pode eleger dois com menos votos do queA .É uma propriedade geral e reconfortante: no método de Hondt, uma lista com menos votos nunca elege mais mandatos do que outra com mais votos. Chama-se monotonia, e nem todos os métodos de partilha a têm.
Escreve as duas linhas de quocientes e procura dois números iguais.
A :600 ,300 ,200 .B :300 ,150 ,100 .- Há dois quocientes iguais a
300 : o segundo deA e o primeiro deB . - Os três maiores são
600 e os dois300 : entram os dois, um para cada lista. - Como os dois empatados são escolhidos, a ordem entre eles não importa:
A fica com2 eB com1 .O empate só decide alguma coisa quando cai exatamente na fronteira — quando um entra e o outro não. Nesse caso a lei manda decidir pela lista com menos votos, e se persistir há sorteio.
Quantas listas elegem? E quantos por cento ficaram de fora?
- Os dois maiores quocientes da tabela são os das duas listas mais votadas, com
34\% e33\% . - A terceira lista, com
33\% , não elege.
Se o primeiro quociente de
- O primeiro quociente é o próprio número de votos:
C teve410 votos. C elegeu exatamente1 mandato — o quinto e último.- As outras duas listas repartiram os quatro primeiros, e todos os seus quocientes escolhidos são
\geq 410 . - Além disso, o sexto maior quociente é
\leq 410 : os quocientes seguintes das outras listas já estão abaixo.Ler a tabela ao contrário — do resultado para os votos — é o que os itens de exame costumam pedir, e faz-se sempre com esta ideia: o último quociente escolhido é a fronteira.
Escreve os cinco maiores quocientes de
- Quocientes de
A :5000; 2500; 1666{,}7; 1250; 1000 . - Quocientes de
B :3000; 1500; 1000; 750; 600 . - Juntos e por ordem:
5000; 3000; 2500; 1666{,}7; 1500; 1250; \ldots - Sem
C , os cinco mandatos iriam até1500 . ParaC entrar, o seu primeiro quociente — que éN — tem de ultrapassar1500 . - O menor inteiro é
N = 1501 .Repare-se em que1501 votos em9501 são15{,}8\% — e dão um mandato em cinco, ou seja20\% . Com menos um voto, dariam zero. É essa descontinuidade que faz a diferença entre ter e não ter representação.
- Os quocientes de
A sãoa, \dfrac{a}{2}, \ldots, \dfrac{a}{m} , e o maior deB éb . A leva osm mandatos se e só se os seusm quocientes forem todos maiores do queb .- O menor deles é
\dfrac{a}{m} , logo a condição é\dfrac{a}{m} > b . - Reciprocamente, se
\dfrac{a}{m} > b então todos os quocientes deA ultrapassamb e, por maioria de razão, todos os deB . - Em Portalegre, com
m=2 : seria preciso\dfrac{17\,220}{2} = 8610 > 16\,125 , o que é falso — e por isso o segundo mandato foi para a segunda lista.A condição diz uma coisa surpreendente: quanto mais mandatos houver, mais difícil é uma lista levá-los todos. Um círculo pequeno concentra; um círculo grande reparte.
Faz as duas tabelas. Na b), cada círculo tem
- a)
A :600; 300; 200; 150 .B :400; 200; 133; 100 . Os quatro maiores:600, 400, 300, 200 — e há empate no200 . Tomando o deA (mais votos), ficaA : 3,B : 1... mas se o empate for paraB , fica2 –2 . - Resolvendo o empate a favor da lista com menos votos, como manda a lei:
A :2 ,B :2 . - b) Em cada círculo,
A :300; 150 eB :200; 100 . Os dois maiores são300 e200 : um mandato para cada. Nos dois círculos:A :2 ,B :2 . - c) Aqui deu o mesmo — porque o apoio está distribuído de forma uniforme e os números são pequenos. Em geral não dá: dividir em círculos pequenos favorece as listas maiores, porque em cada círculo há menos lugares e a fronteira sobe.
- Nas legislativas de 2025, a lista mais votada teve
33{,}2\% dos votos e91 dos230 deputados, ou seja39{,}6\% . Num círculo único, com os mesmos votos, teria79 .A diferença — doze deputados — não vem do método de Hondt: vem de o país estar dividido em 22 círculos. É a limitação mais importante do sistema, e não se vê na tabela de quocientes de nenhum deles.
O método de Sainte-Laguë
A mesma ideia do método anterior, com uma só alteração: divide-se por
- Conhecer e aplicar o método de Hondt e o método de St. Laguë.
- Identificar vantagens e limitações dos métodos de Hondt e St. Laguë.
- Analisar situações concretas que evidenciem que métodos de partilha diferentes geram distribuições diferentes para a mesma eleição.
1 · A regra
Divide-se o número de votos de cada lista, sucessivamente, pelos números ímpares
e atribui-se um mandato a cada um dos maiores quocientes, como em Hondt. O
O primeiro divisor é
2 · A mesma votação, dois resultados
Três listas com
| lista | : 1 | : 2 | : 3 | : 4 |
|---|---|---|---|---|
| A | 100 | 50 | 33,3 | 25 |
| B | 60 | 30 | 20 | 15 |
| C | 25 | 12,5 | 8,3 | 6,2 |
Os quatro maiores são
Agora por Sainte-Laguë:
| lista | : 1 | : 3 | : 5 | : 7 |
|---|---|---|---|---|
| A | 100 | 33,3 | 20 | 14,3 |
| B | 60 | 20 | 12 | 8,6 |
| C | 25 | 8,3 | 5 | 3,6 |
Laboratório · Hondt contra Sainte-Laguë
dados reaisAs células assinaladas são as que mudam de mãos entre os dois métodos. Em Portalegre, sobe os mandatos de
Os quatro maiores são
Os votos são exatamente os mesmos. O que mudou foi o divisor — e com ele um lugar, que saiu da lista maior e foi para a mais pequena. Para
3 · Com os votos verdadeiros
Aplicando os dois métodos aos totais nacionais das legislativas de 2025, num círculo único de
| lista | votos | Hondt | Sainte-Laguë | dif. |
|---|---|---|---|---|
| AD | 2 008 488 | 79 | 79 | — |
| PS | 1 442 546 | 57 | 56 | |
| Chega | 1 438 554 | 57 | 56 | |
| IL | 338 974 | 13 | 13 | — |
| Livre | 257 291 | 10 | 10 | — |
| PCP-PEV | 183 686 | 7 | 7 | — |
| BE | 125 808 | 4 | 5 | |
| PAN | 86 930 | 3 | 3 | — |
| JPP | 20 900 | 0 | 1 |
Fonte: Eleições Legislativas de 18 de maio de 2025 · resultados oficiais, Administração Eleitoral (SGMAI). Os votos são oficiais; as duas colunas de mandatos são simulações nossas. Portugal aplica o método de Hondt 22 vezes, uma por círculo, e não uma vez ao país — os mandatos realmente eleitos foram 91, 58, 60, 9, 6, 3, 1, 1 e 1.
Dois mandatos mudam de mãos, e mudam no mesmo sentido: saem dos dois maiores e vão para os dois mais pequenos. Repare-se na última linha — a lista passa de zero a um.
Duas listas disputam
- Hondt.
A :1200; 600; 400 .B :400; 200; 133{,}3 . - Os três maiores:
1200 ,600 e depois um empate a400 . A lei manda dar o mandato à lista com menos votos: ficaA : 2,B : 1. - Sainte-Laguë.
A :1200; 400; 240 .B :400; 133{,}3; 80 . - Os três maiores:
1200 , e outra vez um empate a400 — que agora vale dois lugares, e ambos entram. FicaA : 2,B : 1. - Deu o mesmo, mas por caminhos diferentes: em Hondt o empate teve de ser desempatado, em Sainte-Laguë os dois empatados couberam.Vale a pena perceber quando é que um empate importa: só quando cai na fronteira — quando um dos empatados entra e o outro não.
Muda os votos de
4 · Vantagens e limitações
Promove uma distribuição mais ampla, mais próxima da proporção exata dos votos. É tão simples de aplicar como o de Hondt: muda-se a lista de divisores e mais nada. Dá representação a listas que em Hondt ficariam a zero.
Tende a fragmentar o parlamento, o que dificulta a formação de governos estáveis — é a mesma característica da coluna de cima, vista do outro lado. Não elimina a exclusão: uma lista muito pequena continua a não eleger, sobretudo em círculos com poucos mandatos.
A matemática diz exatamente o que cada método faz — e as duas tabelas desta secção provam-no sem margem para discussão. O que ela não diz é qual se deve usar: isso depende de se querer um parlamento que represente melhor ou que decida mais depressa, e essa é uma escolha de valores. Saber onde acaba uma coisa e começa a outra é metade do que este capítulo tem para ensinar.
Python Os dois métodos, lado a lado
O mesmo programa serve para os dois: só muda a lista de divisores.
def distribuir(votos, mandatos, divisores):
quocientes = []
for lista in votos:
for d in divisores:
quocientes.append((votos[lista] / d, lista))
quocientes.sort(reverse=True)
eleitos = quocientes[:mandatos]
resultado = {}
for lista in votos:
resultado[lista] = 0
for q, lista in eleitos:
resultado[lista] = resultado[lista] + 1
return resultado
votos = {"A": 100, "B": 60, "C": 25}
m = 4
hondt = list(range(1, m + 1))
laguë = list(range(1, 2 * m, 2))
print("divisores de Hondt :", hondt)
print("divisores de Sainte-Lague :", laguë)
print("Hondt ->", distribuir(votos, m, hondt))
print("Sainte-Lague ->", distribuir(votos, m, laguë))
def distribuir(votos, mandatos, divisores):
quocientes = []
for lista in votos:
for d in divisores:
quocientes.append((votos[lista] / d, lista))
# todos os quocientes, de todas as listas
quocientes.sort(reverse=True)
eleitos = quocientes[:mandatos]
resultado = {}
for lista in votos:
resultado[lista] = 0 # todas comecam a zero, mesmo as que
# nao elegem — senao nao apareciam
for q, lista in eleitos:
resultado[lista] = resultado[lista] + 1
return resultado
votos = {"A": 100, "B": 60, "C": 25}
m = 4
hondt = list(range(1, m + 1)) # 1, 2, 3, 4
laguë = list(range(1, 2 * m, 2)) # 1, 3, 5, 7 — os impares
print("divisores de Hondt :", hondt)
print("divisores de Sainte-Lague :", laguë)
print("Hondt ->", distribuir(votos, m, hondt))
print("Sainte-Lague ->", distribuir(votos, m, laguë))
A única diferença entre os dois métodos, em código, é o range da penúltima linha. Troca os votos pelos de Portalegre e põe m = 2: os dois dão o mesmo. Depois põe m = 5 e vê-os separarem-se.
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre o método de Sainte-Laguë e a comparação com o de Hondt: aplicar a regra, descobrir a partir de quantos mandatos os métodos divergem, e argumentar a favor de cada um. O último não tem resposta certa — tem argumentos certos.
Vão distribuir-se
Por que números se dividem os votos de cada lista?
Três listas obtiveram
Distribui-os pelo método de Sainte-Laguë.
Nos métodos de Hondt e de Sainte-Laguë, o primeiro quociente de cada lista:
- (A)é o mesmo nos dois métodos.
- (B)é maior em Hondt.
- (C)é maior em Sainte-Laguë.
- (D)depende do número de mandatos.
Três listas obtiveram
Distribui-os pelos dois métodos e compara.
Duas listas,
Determina o menor número de mandatos para o qual os dois métodos dão distribuições diferentes.
Nas legislativas de 2025, aplicando os dois métodos aos totais nacionais num círculo único de
| lista | Hondt | Sainte-Laguë |
|---|---|---|
| AD | 79 | 79 |
| PS | 57 | 56 |
| Chega | 57 | 56 |
| IL | 13 | 13 |
| Livre | 10 | 10 |
| PCP-PEV | 7 | 7 |
| BE | 4 | 5 |
| PAN | 3 | 3 |
| JPP | 0 | 1 |
a) Verifica que as duas colunas somam
Numa distribuição por Sainte-Laguë, uma lista com
Qual foi o quociente que lho deu? E o que se pode concluir sobre o último quociente escolhido?
Comparando os dois métodos aplicados à mesma votação, é geralmente verdade que:
- (A)Hondt favorece as listas mais pequenas.
- (B)Sainte-Laguë favorece as listas mais pequenas.
- (C)os dois dão sempre o mesmo resultado.
- (D)Sainte-Laguë favorece a lista mais votada.
Um hospital reparte
Compara as distribuições pelos dois métodos e comenta qual delas é mais justa para a equipa pequena.
Seja
a) Escreve
Duas listas disputam
Determina os valores de
Uma federação desportiva vai fixar nos estatutos o método de distribuição dos
Escreve um parágrafo, com argumentos matemáticos, a favor de cada um dos métodos. Termina dizendo qual escolherias e porquê.
São os ímpares, tantos quantos os mandatos.
- Por
1, 3, 5, 7, 9 . - Nunca faz falta ir além do quinto divisor, porque uma lista não pode ganhar mais de
5 mandatos.On -ésimo divisor é2n-1 : para5 mandatos,2 \times 5 - 1 = 9 .
Divide por
A :90; 30; 18; 12{,}9 .B :52; 17{,}3; 10{,}4; 7{,}4 .C :31; 10{,}3; 6{,}2; 4{,}4 .- Os quatro maiores:
90\,(A) ,52\,(B) ,31\,(C) ,30\,(A) .
Qual é o primeiro divisor de cada método?
- Os dois começam a dividir por
1 : o primeiro quociente é, nos dois casos, o próprio número de votos. - É a partir do segundo que se separam —
2 contra3 .Consequência prática: o primeiro mandato vai sempre para a lista mais votada, nos dois métodos. As diferenças só começam no segundo.
Faz as duas tabelas: divisores
- Hondt.
A :100; 50; 33{,}3; 25 .B :60; 30; 20; 15 .C :25; 12{,}5; \ldots - Os quatro maiores:
100, 60, 50, 33{,}3 →A : 3,B : 1,C : 0. - Sainte-Laguë.
A :100; 33{,}3; 20; 14{,}3 .B :60; 20; 12; \ldots C :25; 8{,}3; \ldots - Os quatro maiores:
100, 60, 33{,}3, 25 →A : 2,B : 1,C : 1. - Os mesmos votos, um mandato a mudar de mãos: sai da lista maior e vai para a mais pequena.
Faz as duas tabelas até ao quarto quociente e vai comparando mandato a mandato.
- Hondt.
A :90; 45; 30; 22{,}5 .B :50; 25; 16{,}7; 12{,}5 . - Ordem:
90(A), 50(B), 45(A), 30(A), 25(B), 22{,}5(A), \ldots - Sainte-Laguë.
A :90; 30; 18; 12{,}9 .B :50; 16{,}7; 10; 7{,}1 . - Ordem:
90(A), 50(B), 30(A), 18(A), 16{,}7(B), \ldots - Com
1, 2, 3 mandatos, os dois dão1 –0 ,1 –1 ,2 –1 . Com4 : Hondt dá3 –1 e Sainte-Laguë dá3 –1 também. - Com
5 : Hondt dá3 –2 , Sainte-Laguë dá4 –1 . É a partir de5 .Com duas listas só, Sainte-Laguë pode até favorecer a maior — a diferença entre os métodos não é uma regra simples, é o resultado de duas sequências de quocientes a intercalarem-se de maneiras diferentes.
Na alínea b), soma só as diferenças positivas — é esse o número de lugares que trocam de dono.
- a) Hondt:
79+57+57+13+10+7+4+3+0 = 230 . Sainte-Laguë:79+56+56+13+10+7+5+3+1 = 230 . ✓ - b) Perdem um cada: PS e Chega. Ganham um cada: BE e JPP. São dois mandatos a mudar de mãos.
- O sentido é sempre o mesmo: dos maiores para os mais pequenos.Repare-se em que o JPP passa de zero a um: é a diferença entre não ter representação nenhuma e tê-la. Para uma lista pequena, o método escolhido não é um pormenor técnico.
O terceiro mandato de uma lista vem do seu terceiro quociente. Qual é o terceiro divisor?
- Os divisores são
1, 3, 5, \ldots , logo o terceiro é5 . - O quociente é
\dfrac{4500}{5} = 900 . - Como esse quociente foi escolhido, o último quociente escolhido de toda a tabela é
\leq 900 .On -ésimo divisor de Sainte-Laguë é2n-1 . Em Hondt serian : para o terceiro mandato,4500 : 3 = 1500 . É por isso que Sainte-Laguë torna mais caro cada mandato adicional.
Compara o segundo divisor de cada método:
- Ao passar de
2 para3 , o segundo quociente de uma lista desce mais. - As listas grandes são as que dependem dos segundos, terceiros e quartos quocientes; as pequenas só usam o primeiro, que é igual nos dois métodos.
- Logo Sainte-Laguë prejudica as grandes e, por consequência, favorece as pequenas.
Faz as duas tabelas com quatro divisores para cada equipa.
- Hondt.
22; 11; 7{,}3; 5{,}5 ·14; 7; 4{,}7; 3{,}5 ·9; 4{,}5; 3; \ldots - Os nove maiores:
22, 14, 11, 9, 7{,}3, 7, 5{,}5, 4{,}7, 4{,}5 →4 ,3 ,2 . - Sainte-Laguë.
22; 7{,}3; 4{,}4; 3{,}1 ·14; 4{,}7; 2{,}8; \ldots ·9; 3; 1{,}8; \ldots - Os nove maiores:
22, 14, 9, 7{,}3, 4{,}7, 4{,}4, 3{,}1, 3, 2{,}8 →4 ,3 ,2 . - Deu o mesmo. A proporção exata seria
4{,}4 ,2{,}8 e1{,}8 , e os dois métodos arredondaram do mesmo modo.Nem sempre os métodos discordam — discordam quando os quocientes de fronteira estão próximos. Verificar que dão o mesmo é uma resposta tão boa como verificar que dão diferente.
Os divisores de Hondt são
- a)
d_n = 2n-1 . Confere:d_1 = 1 ,d_2 = 3 ,d_3 = 5 . - b) Com
V votos, on -ésimo quociente é\dfrac{V}{n} em Hondt e\dfrac{V}{2n-1} em Sainte-Laguë. - Ora
2n-1 > n \iff n > 1 , ou seja, paran \geq 2 . - Como o divisor é maior, o quociente é menor:
\dfrac{V}{2n-1} < \dfrac{V}{n} . - Para
n=1 os divisores coincidem, e por isso o primeiro quociente é igual nos dois métodos.Esta é a demonstração de que Sainte-Laguë «encarece» todos os mandatos a partir do segundo — e é por isso que ele penaliza quem precisa de muitos.
Escreve as duas tabelas com três quocientes cada e vê, em cada método, quando é que
- Hondt.
A :1000; 500; 333{,}3 .B :N; \dfrac{N}{2}; \ldots B tem dois mandatos se\dfrac{N}{2} > 500 , isto éN > 1000 : impossível. Logo Hondt dá2 –1 seN > 500 , e3 –0 seN < 500 .- Sainte-Laguë.
A :1000; 333{,}3; 200 .B :N; \dfrac{N}{3}; \ldots B tem um mandato seN > 200 (bate o terceiro deA ), e dois se\dfrac{N}{3} > 333{,}3 , ou sejaN > 1000 : também impossível.- Sainte-Laguë dá
2 –1 seN > 200 , e3 –0 seN < 200 . - Os métodos discordam quando
200 < N < 500 : aí Hondt dá3 –0 e Sainte-Laguë dá2 –1 .Em votos,N=300 em1300 são23\% — e num caso valem um terço dos lugares, no outro valem nada.
Não há resposta certa. Há argumentos certos e argumentos errados — e o que se avalia é se os teus assentam nos quocientes.
- A favor de Hondt. Dá alguma vantagem aos clubes maiores, e por isso produz maiorias mais estáveis: com
15 lugares, é mais provável que dois ou três clubes cheguem a metade e a assembleia consiga decidir. O divisorn torna cada lugar adicional relativamente mais barato para quem já tem muitos atletas. - A favor de Sainte-Laguë. O divisor
2n-1 encarece cada lugar a partir do segundo, e por isso aproxima mais a distribuição da proporção exata. Clubes pequenos que em Hondt ficariam a zero passam a ter voz — e numa federação isso pode ser exatamente o que se quer. - Um argumento que não serve: «Hondt é mais justo» ou «Sainte-Laguë é mais justo», sem mais. Os dois arredondam; o que muda é para que lado, e qual dos lados é preferível é uma decisão política, não matemática.
- Uma escolha defensável: Sainte-Laguë, porque com
15 lugares e clubes de tamanhos muito diferentes o risco de deixar metade dos clubes sem representação é real, e a assembleia geral de uma federação existe para representar, não para governar.A matemática decide o que cada método faz. Não decide qual se deve usar — e saber onde acaba uma coisa e começa a outra é metade deste capítulo.
Do salário bruto ao líquido
O número que está no contrato não é o número que chega à conta. Entre um e outro há duas subtrações — e nenhuma delas é bem o que parece: a primeira não é imposto, e a segunda não é definitiva.
- Calcular o valor dos salários mensal, anual e por hora, dadas as condições de um contrato.
- Reconhecer as diferenças entre salário bruto e salário líquido.
- Calcular contribuições obrigatórias para sistemas de segurança social.
- Calcular a retenção na fonte para IRS e compreender o seu caráter provisório.
1 · As duas subtrações
O salário bruto é o valor acordado no contrato. O salário líquido é o que resta depois de dois descontos, ambos calculados sobre o bruto:
em que
Um erro frequente é aplicar a segunda taxa ao valor já descontado. Não é assim: as duas incidem sobre o mesmo valor, o bruto. Com
2 · A Segurança Social
Um trabalhador por conta de outrem desconta 11% do salário bruto. A entidade empregadora paga, além do salário, mais 23,75% — que não aparece no recibo mas faz parte do custo do trabalho.
| sobre um salário de 1200 € | |
|---|---|
| Trabalhador · | |
| Entidade empregadora · | |
| Custo total para a empresa | 1485 € |
| Recebido pelo trabalhador | 1068 € (antes de IRS) |
Fonte: Taxas contributivas · Segurança Social.
A contribuição para a Segurança Social não é imposto: é o que paga as pensões, o subsídio de desemprego, a baixa médica e a licença parental. Chama-se contribuição justamente porque dá direito a algo em troca — ao contrário do IRS, que financia o Estado em geral.
3 · O salário mínimo, e o encaixe dos números
Em 2026 a retribuição mínima mensal garantida é de 920 €. A conta do líquido tem uma só subtração:
Fonte: Retribuição mínima mensal garantida para 2026 · Decreto-Lei n.º 139/2025.
Não há retenção de IRS nenhuma. E a razão é bonita:
4 · Mensal, anual, por hora
O mesmo contrato dá três números diferentes, e compará-los mal é o erro mais caro deste tema.
| pergunta | conta | com |
|---|---|---|
| rendimento anual | ||
| média mensal do ano | ||
| retribuição horária |
Fonte: Código do Trabalho, artigo 271.º · cálculo da retribuição horária. A fórmula da retribuição horária é a do artigo 271.º, e usa 12 meses — os subsídios não são pagamento de horas trabalhadas.
5 · A retenção na fonte é um adiantamento
A retenção na fonte não é o imposto: é um adiantamento por conta dele. O imposto verdadeiro só se conhece no ano seguinte, quando se declara o rendimento anual e se aplicam os escalões e as deduções. Se se adiantou a mais, há reembolso; se a menos, há mais a pagar.
Um trabalhador tem salário base de
- Segurança Social.
0{,}11 \times 1450 = 159{,}50 €. - Retenção de IRS.
0{,}086 \times 1450 = 124{,}70 €. - Líquido mensal.
1450 - 159{,}50 - 124{,}70 = 1165{,}80 €.\text{ou, de uma vez: } 1450 \times (1 - 0{,}11 - 0{,}086) = 1450 \times 0{,}804 = 1165{,}80. - Rendimento anual bruto.
14 \times 1450 = 20\,300 €. - Retribuição horária.
\dfrac{12 \times 1450}{52 \times 40} = \dfrac{17\,400}{2080} \approx 8{,}37 €. - Do bruto ao líquido perdem-se
19{,}6\% . Mas só11 desses pontos são definitivos: os outros8{,}6 são adiantamento, e no ano seguinte podem voltar em parte.Repare-se em que o rendimento anual usa14 e o valor/hora usa12 . Não é distração: são perguntas diferentes, e cada uma tem o seu multiplicador.
A conta de controlo mais rápida: o líquido tem de ser
Python O recibo, de uma vez
O programa recebe o bruto e as duas taxas, e escreve o recibo inteiro: descontos, líquido, anual e valor/hora.
bruto = 1450
taxa_ss = 0.11
taxa_irs = 0.086
meses = 14
horas_semana = 40
ss = bruto * taxa_ss
irs = bruto * taxa_irs
liquido = bruto - ss - irs
print("Salario bruto :", round(bruto, 2), "EUR")
print(" Seguranca Social:", round(ss, 2), "EUR")
print(" Retencao de IRS :", round(irs, 2), "EUR")
print("Salario liquido :", round(liquido, 2), "EUR")
print()
print("Rendimento anual :", round(meses * bruto, 2), "EUR")
print("Valor por hora :", round(12 * bruto / (52 * horas_semana), 2), "EUR")
print("Fica com :", round(100 * liquido / bruto, 1), "% do bruto")
bruto = 1450
taxa_ss = 0.11 # 11% — trabalhador por conta de outrem
taxa_irs = 0.086 # a taxa de retencao, dada no enunciado
meses = 14 # 12 meses + ferias + Natal
horas_semana = 40
ss = bruto * taxa_ss
irs = bruto * taxa_irs # as duas taxas sobre o MESMO valor:
liquido = bruto - ss - irs # o bruto, e nao uma sobre a outra
print("Salario bruto :", round(bruto, 2), "EUR")
print(" Seguranca Social:", round(ss, 2), "EUR")
print(" Retencao de IRS :", round(irs, 2), "EUR")
print("Salario liquido :", round(liquido, 2), "EUR")
print()
print("Rendimento anual :", round(meses * bruto, 2), "EUR")
print("Valor por hora :", round(12 * bruto / (52 * horas_semana), 2), "EUR")
# aqui sao 12 e nao 14: os subsidios
# nao pagam horas de trabalho
print("Fica com :", round(100 * liquido / bruto, 1), "% do bruto")
Põe bruto = 920 e taxa_irs = 0: dá os
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre o recibo de vencimento: os dois descontos e a base sobre que incidem, os três números do mesmo contrato — mensal, anual e por hora —, o custo do trabalho para a empresa, e o significado de um reembolso de IRS. Os últimos resolvem ao contrário e generalizam.
Um trabalhador por conta de outrem tem um salário base de
a) Qual é o valor do desconto? b) E o salário depois desse desconto?
Em 2026, a retribuição mínima mensal garantida é de
Determina o salário líquido mensal.
Um contrato prevê um salário base de
O rendimento anual bruto é:
- (A)
16\,800 € - (B)
18\,200 € - (C)
19\,600 € - (D)
21\,000 €
O artigo 271.º do Código do Trabalho manda calcular a retribuição horária por
em que
Calcula a retribuição horária de quem ganha
Um trabalhador tem um salário bruto mensal de
a) Determina o salário líquido. b) Que percentagem do bruto é que o trabalhador recebe?
Duas propostas de emprego:
Empresa
Qual paga mais, ao ano? E por hora?
Um trabalhador ganha
a) Quanto custa o trabalhador à empresa, por mês? b) Que percentagem desse custo é que chega ao trabalhador, antes de IRS?
Durante o ano, um trabalhador teve
a) O que acontece à diferença? b) Comenta a afirmação: «este ano o IRS devolveu-me 285 euros».
Um trabalhador ganha
a) Quanto aumentou o líquido? b) Que percentagem do aumento bruto é que chegou ao bolso?
Um trabalhador recebe
Determina o salário bruto.
Duas propostas: a empresa
a) Para que valor de
Seja
a) Escreve o salário líquido
A taxa aplica-se ao salário bruto.
- a)
0{,}11 \times 1250 = 137{,}50 €. - b)
1250 - 137{,}50 = 1112{,}50 €. - Falta ainda a retenção de IRS, se a houver.A entidade patronal paga mais
23{,}75\% por cima do salário, que não aparece no recibo. O custo total do trabalhador para a empresa é1250 \times 1{,}2375 = 1546{,}88 €.
Uma subtração só.
0{,}11 \times 920 = 101{,}20 €.920 - 101{,}20 = 818{,}80 €.- É exatamente o valor anunciado pelo Governo.Não há retenção de IRS porque
14 \times 920 = 12\,880 € é o mínimo de existência para 2026 — o rendimento anual abaixo do qual não se paga IRS. Os dois números foram fixados um em função do outro.
Doze meses mais dois subsídios.
- São
14 pagamentos de1400 €. 14 \times 1400 = 19\,600 €.
Substitui e faz a conta. Arredonda aos cêntimos.
\dfrac{12 \times 1300}{52 \times 40} = \dfrac{15\,600}{2080} = 7{,}50 €.- São
7{,}50 € por hora.Repare-se em que a fórmula usa12 meses e não14 : os subsídios não entram no cálculo do valor/hora, porque não são pagamento de horas trabalhadas.
As duas taxas aplicam-se ambas ao salário bruto, não uma ao resultado da outra.
- a) Segurança Social:
0{,}11 \times 1600 = 176 €. - Retenção de IRS:
0{,}092 \times 1600 = 147{,}20 €. - Líquido:
1600 - 176 - 147{,}20 = 1276{,}80 €. - b)
\dfrac{1276{,}80}{1600} = 0{,}798 : recebe79{,}8\% . - Ou, diretamente:
100\% - 11\% - 9{,}2\% = 79{,}8\% .As duas taxas somam-se porque incidem sobre a mesma base. É um erro comum aplicar a segunda ao valor já descontado — daria1424 \times 0{,}908 = 1293 €, dezasseis euros a mais.
Ao ano compara o total; por hora usa a fórmula do artigo 271.º, que só conta
- Ao ano.
A :14 \times 1500 = 21\,000 €.B :12 \times 1750 = 21\,000 €. Igual. - Por hora.
A :\dfrac{12 \times 1500}{2080} = 8{,}65 €.B :\dfrac{12 \times 1750}{2080} = 10{,}10 €. - Ao ano são iguais; por hora,
B paga mais. - Não é contradição:
B paga o mesmo total por menos pagamentos, logo cada um vale mais.Na prática há diferenças reais: os subsídios deA podem ser pagos em duodécimos ou de uma vez, e isso muda o dinheiro disponível em cada mês — e a retenção de IRS em cada mês também.
A taxa da empresa é sobre o bruto, e é além dele.
- a)
1200 + 0{,}2375 \times 1200 = 1200 \times 1{,}2375 = 1485 €. - b) O trabalhador recebe
1200 - 132 = 1068 €. \dfrac{1068}{1485} \approx 0{,}719 : cerca de71{,}9\% .- Quase
28\% do custo do trabalho vai para a Segurança Social, somando as duas parcelas.É esse dinheiro que paga as pensões, o subsídio de desemprego e a baixa médica. A conta não é um desconto perdido: é um seguro coletivo — mas convém saber quanto custa.
A retenção é um adiantamento por conta do imposto. Não é o imposto.
- a)
1740 - 1455 = 285 €, que são reembolsados ao contribuinte. - b) A afirmação está errada no verbo. O Estado não «devolveu» nada que fosse dele: o trabalhador adiantou dinheiro a mais e recebeu de volta o que não devia.
- Um reembolso grande não é um ganho — é sinal de que se emprestou dinheiro ao Estado, sem juros, durante um ano.É por isso que a taxa de retenção pode ser ajustada: quem tem reembolsos sistemáticos pode pedir uma taxa mais baixa e ficar com o dinheiro ao longo do ano, em vez de o receber todo em julho.
Calcula o líquido antes e depois. Cuidado: as duas taxas mudam a base e a percentagem.
- Antes.
1100 \times (1 - 0{,}11 - 0{,}045) = 1100 \times 0{,}845 = 929{,}50 €. - Depois.
1300 \times (1 - 0{,}11 - 0{,}071) = 1300 \times 0{,}819 = 1064{,}70 €. - a)
1064{,}70 - 929{,}50 = 135{,}20 €. - b) O aumento bruto foi de
200 €, logo\dfrac{135{,}20}{200} = 0{,}676 :67{,}6\% . - Um terço do aumento ficou pelo caminho.É o efeito conjunto da Segurança Social e da progressividade do IRS: não só se desconta sobre mais, como se desconta a uma taxa maior. A secção seguinte trata disto a sério.
Chama
- O líquido é
x(1 - 0{,}11 - 0{,}08) = 0{,}81x . 0{,}81x = 1218 \iff x = \dfrac{1218}{0{,}81} \approx 1503{,}70 .- O salário bruto é aproximadamente
1503{,}70 €. - Verificação:
1503{,}70 \times 0{,}81 = 1218{,}00 . ✓O erro clássico é somar19\% ao líquido:1218 \times 1{,}19 = 1449{,}42 €, quase cinquenta euros abaixo. Aumentar em19\% não desfaz uma redução de19\% .
Na b), lembra-te de que a fórmula do valor/hora usa sempre
- a)
14S = 12 \times 1600 = 19\,200 \iff S = \dfrac{19\,200}{14} \approx 1371{,}43 €. - b) Valor/hora de
A :\dfrac{12 \times 1600}{52n} . DeB :\dfrac{12 \times 1371{,}43}{52n} . - Como
1600 > 1371{,}43 , a empresaA paga mais por hora. - Com o mesmo rendimento anual, quem paga em
12 prestações paga mais por hora do que quem paga em14 .Parece um paradoxo e não é: os subsídios não são pagamento de horas. Duas pessoas com o mesmo rendimento anual podem ter retribuições horárias diferentes, e isso importa quando há horas extraordinárias — que se pagam a partir do valor/hora.
Na alínea b), o essencial é o que acontece a
- a)
L(x) = x(1 - s - r) . - b) A fração é
\dfrac{L(x)}{x} = 1 - s - r , que não temx : coms er fixas, é constante. - Mas
r não é fixa: a taxa de retenção sobe com o salário, porque o IRS é progressivo. Logor = r(x) e a fração é1 - s - r(x) , que desce quandox sobe. - É por isso que quem ganha mais recebe uma fatia menor do seu bruto — e é isso que a secção seguinte mede.O modelo mais simples, com
r constante, é uma boa primeira aproximação e serve para um mês. Para um ano inteiro, ou para comparar dois salários diferentes, deixa de servir.
O IRS e a progressividade
«Não aceites o aumento, que subes de escalão e ficas a perder.» É a frase mais repetida e mais falsa que há sobre impostos — e o que a desmente é um número por linha da tabela: a parcela a abater.
- Calcular o IRS anual em casos simples em função do rendimento coletável.
- Identificar a progressividade do IRS e a relevância dos escalões.
- Compreender o caráter provisório da taxa mensal de retenção na fonte.
1 · A fórmula, e os nove escalões
Sendo
| escalão | rendimento coletável | taxa | parcela a abater |
|---|---|---|---|
| 1.º | até 8 342 € | 12,5% | — |
| 2.º | de 8 342 € a 12 587 € | 15,7% | 266,94 |
| 3.º | de 12 587 € a 17 838 € | 21,2% | 959,23 |
| 4.º | de 17 838 € a 23 089 € | 24,1% | 1476,53 |
| 5.º | de 23 089 € a 29 397 € | 31,1% | 3092,76 |
| 6.º | de 29 397 € a 43 090 € | 34,9% | 4209,85 |
| 7.º | de 43 090 € a 46 566 € | 43,1% | 7743,23 |
| 8.º | de 46 566 € a 86 634 € | 44,6% | 8441,72 |
| 9.º | superior a 86 634 € | 48,0% | 11387,27 |
Fonte: Código do IRS, artigo 68.º · versão consolidada no Diário da República (redação da Lei n.º 73-A/2025, de 30 de dezembro — Orçamento do Estado para 2026). As parcelas a abater aqui apresentadas são calculadas a partir dos limites e das taxas, pela regra da continuidade que a secção deduz — e não copiadas de uma tabela.
O rendimento coletável é o que sobra depois das deduções específicas e do englobamento — não é o salário anual. Quem ganha
2 · Para que serve a parcela a abater
Sem ela, passar de
Exige-se que o imposto seja o mesmo, calculado pelas duas fórmulas, exatamente na fronteira
Começando em
Na primeira fronteira,
que é o valor da tabela. E o mesmo se repete nas oito fronteiras.
Com
3 · Taxa do escalão e taxa efetiva
A taxa do escalão (ou marginal) é a que se aplica ao euro seguinte.
A taxa efetiva é a que se paga de facto:
Como
Laboratório · A escada e a taxa que se paga
interativoA linha aos saltos é a taxa do escalão; a linha suave é a que se paga de facto. Arrasta o cursor e repara em duas coisas: a segunda está sempre por baixo da primeira, e nunca chega aos
| rendimento coletável | escalão | IRS devido | taxa efetiva |
|---|---|---|---|
| 3.º · | |||
| 4.º · | |||
| 6.º · | |||
| 8.º · | |||
| 9.º · |
Repare-se na última linha: quem tem o rendimento mais alto da tabela e está no escalão dos
Um contribuinte tem rendimento coletável de
- Antes.
22\,000 € cai no 4.º escalão (17\,838 a23\,089 ):22\,000 \times 0{,}241 - 1476{,}53 = 5302 - 1476{,}53 = 3825{,}47 - Depois.
26\,000 € cai no 5.º (23\,089 a29\,397 ):26\,000 \times 0{,}311 - 3092{,}76 = 8086 - 3092{,}76 = 4993{,}24 - Aumento do imposto.
4993{,}24 - 3825{,}47 = 1167{,}77 €. - Fica com.
4000 - 1167{,}77 = 2832{,}23 €, ou seja70{,}8\% do aumento. - O imposto subiu, mas o rendimento disponível subiu quase dois mil e oitocentos euros.A taxa marginal do 5.º escalão é
31{,}1\% , e o aumento foi tributado a\dfrac{1167{,}77}{4000} = 29{,}2\% — um pouco menos, porque os primeiros1089 € do aumento ainda foram tributados a24{,}1\% .
A verificação de bom senso: se a resposta a «que fração do aumento fica» der acima de
Python O IRS, e a tabela construída de raiz
O programa não copia as parcelas a abater: calcula-as, pela regra da continuidade. Depois calcula o imposto de qualquer rendimento.
limites = [8342, 12587, 17838, 23089, 29397, 43090, 46566, 86634]
taxas = [12.5, 15.7, 21.2, 24.1, 31.1, 34.9, 43.1, 44.6, 48.0]
parcelas = [0.0]
for i in range(len(limites)):
nova = parcelas[i] + limites[i] * (taxas[i+1] - taxas[i]) / 100
parcelas.append(nova)
def irs(R):
for i in range(len(limites)):
if R <= limites[i]:
return R * taxas[i] / 100 - parcelas[i]
return R * taxas[-1] / 100 - parcelas[-1]
for i in range(len(parcelas)):
print("escalao", i + 1, "-> parcela", round(parcelas[i], 2), "EUR")
print()
for R in [12880, 20000, 30000, 60000, 100000]:
imposto = irs(R)
print(R, "EUR ->", round(imposto, 2), "EUR de IRS,",
"taxa efetiva", round(100 * imposto / R, 1), "%")
limites = [8342, 12587, 17838, 23089, 29397, 43090, 46566, 86634]
taxas = [12.5, 15.7, 21.2, 24.1, 31.1, 34.9, 43.1, 44.6, 48.0]
# nove taxas, oito fronteiras
parcelas = [0.0] # o primeiro escalao nao abate nada
for i in range(len(limites)):
nova = parcelas[i] + limites[i] * (taxas[i+1] - taxas[i]) / 100
parcelas.append(nova) # a regra da continuidade, uma linha
def irs(R):
for i in range(len(limites)):
if R <= limites[i]: # o primeiro limite que R nao ultrapassa
return R * taxas[i] / 100 - parcelas[i]
return R * taxas[-1] / 100 - parcelas[-1]
# se passou todos, e o ultimo escalao
for i in range(len(parcelas)):
print("escalao", i + 1, "-> parcela", round(parcelas[i], 2), "EUR")
print()
for R in [12880, 20000, 30000, 60000, 100000]:
imposto = irs(R)
print(R, "EUR ->", round(imposto, 2), "EUR de IRS,",
"taxa efetiva", round(100 * imposto / R, 1), "%")
Corre-o e compara as parcelas com as da tabela desta página: têm de bater certo ao cêntimo. Depois acrescenta print(irs(17838), irs(17839)) e confirma os vinte e quatro cêntimos de diferença. Por fim, põe todas as parcelas a zero e corre outra vez: vais ver os saltos que a parcela existe para evitar.
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre o IRS: aplicar a fórmula, distinguir a taxa do escalão da taxa efetiva, deduzir a parcela a abater pela continuidade, e resolver ao contrário a partir do imposto pago. Os últimos estudam a taxa efetiva como função e provam a progressividade.
Um contribuinte tem um rendimento coletável de
Determina o IRS devido.
Com um rendimento coletável de
a) Qual é a taxa efetiva de imposto?
b) Compara-a com a taxa do escalão, que é
Um contribuinte com rendimento coletável de
O IRS devido:
- (A)aumenta cerca de
0{,}24 €. - (B)aumenta cerca de
500 €, porque muda de escalão. - (C)diminui.
- (D)não se altera.
Indica o escalão, a taxa e a parcela a abater para um rendimento coletável de
O primeiro escalão tem taxa
Mostra que a parcela a abater do segundo escalão tem de ser
Sabendo que a parcela do 2.º escalão é
Um contribuinte com rendimento coletável de
a) Quanto aumenta o IRS? b) Que percentagem do aumento fica para o contribuinte?
Para qualquer rendimento coletável positivo, a taxa efetiva de IRS é:
- (A)sempre igual à taxa do escalão.
- (B)sempre menor do que a taxa do escalão.
- (C)sempre maior do que a taxa do escalão.
- (D)menor no primeiro escalão e maior nos outros.
Um contribuinte pagou
Determina o rendimento coletável e confirma que pertence mesmo a esse escalão.
Seja
a) Escreve a taxa efetiva
Considera dois escalões consecutivos, com taxas
a) Escreve a condição de o imposto não dar um salto em
Um imposto diz-se progressivo quando a taxa efetiva cresce com o rendimento.
Mostra que o IRS é progressivo dentro de cada escalão, e explica o que acontece na passagem de um escalão para o seguinte.
É sempre a mesma fórmula: coletável vezes taxa, menos a parcela.
15\,000 \times 0{,}212 = 3180 €.3180 - 959{,}23 = 2220{,}77 €.
A taxa efetiva é o imposto a dividir pelo rendimento.
- a)
\dfrac{3343{,}47}{20\,000} = 0{,}1672 :16{,}7\% . - b) É bastante menor do que os
24{,}1\% do escalão. - A taxa do escalão só se aplica à parte do rendimento que lá chega — e é isso que a parcela a abater representa.Confundir as duas é o erro mais comum do tema. Ninguém paga a taxa do seu escalão sobre o rendimento todo.
Calcula os dois valores. A resposta deve tranquilizar-te.
- Com
17\,838 €:17\,838 \times 0{,}212 - 959{,}23 = 2822{,}43 €. - Com
17\,839 €:17\,839 \times 0{,}241 - 1476{,}53 = 2822{,}67 €. - A diferença é de
0{,}24 € — vinte e quatro cêntimos. - Subir de escalão nunca faz perder dinheiro.É exatamente para isto que a parcela a abater existe: para colar os degraus uns aos outros e não deixar buracos.
Procura a linha em que
- É o 6.º escalão: taxa
34{,}9\% , parcela4209{,}85 €. 35\,000 \times 0{,}349 = 12\,215 €.12\,215 - 4209{,}85 = 8005{,}15 €.- Taxa efetiva:
\dfrac{8005{,}15}{35\,000} \approx 22{,}9\% .
Exige que o imposto seja o mesmo, calculado pelas duas fórmulas, exatamente na fronteira.
- Pela fórmula do 1.º escalão, em
8342 €:8342 \times 0{,}125 - 0 = 1042{,}75 €. - Pela do 2.º, o imposto seria
8342 \times 0{,}157 - a_2 . - Para não haver salto:
8342 \times 0{,}157 - a_2 = 1042{,}75 . 1309{,}69 - a_2 = 1042{,}75 \iff a_2 = 266{,}94 €.- É exatamente o valor da tabela.A regra geral sai da mesma conta:
a_{i+1} = a_i + L\,(t_{i+1} - t_i) , comL a fronteira. Aqui,0 + 8342 \times 0{,}032 = 266{,}94 .
Usa a regra
a_3 = 266{,}94 + 12\,587 \times (0{,}212 - 0{,}157) .= 266{,}94 + 12\,587 \times 0{,}055 = 266{,}94 + 692{,}285 .a_3 = 959{,}23 € (arredondado aos cêntimos).- Confere com a tabela. ✓Toda a coluna das parcelas se constrói assim, de cima para baixo, a partir de zero. Não é uma lista de números soltos: é uma sucessão definida por recorrência.
Cuidado: os
- Antes.
28\,000 € está no 5.º escalão:28\,000 \times 0{,}311 - 3092{,}76 = 5615{,}24 €. - Depois.
31\,000 € está no 6.º:31\,000 \times 0{,}349 - 4209{,}85 = 6609{,}15 €. - a)
6609{,}15 - 5615{,}24 = 993{,}91 €. - b)
3000 - 993{,}91 = 2006{,}09 €, ou seja\dfrac{2006{,}09}{3000} \approx 66{,}9\% . - Um terço do aumento foi para imposto — mas o contribuinte ficou com mais dois mil euros do que tinha.A taxa marginal do 6.º escalão é
34{,}9\% , e993{,}91 : 3000 = 33{,}1\% . Fica um pouco abaixo porque parte do aumento ainda foi tributada a31{,}1\% .
Repara no que a parcela a abater faz à conta. E no primeiro escalão, quanto vale ela?
- O imposto é
R \times t - a , logo a taxa efetiva ét - \dfrac{a}{R} . - Como
a \geq 0 , a taxa efetiva é sempre\leq t . - No primeiro escalão
a = 0 e as duas coincidem; em todos os outrosa > 0 e a efetiva é estritamente menor. - A opção (B) é a melhor, com a ressalva do primeiro escalão, onde há igualdade.A expressão
t - \dfrac{a}{R} também mostra que a taxa efetiva cresce comR dentro de cada escalão: à medida queR sobe,\frac{a}{R} desce.
Resolve
0{,}311R = 4682{,}24 + 3092{,}76 = 7775 .R = \dfrac{7775}{0{,}311} = 25\,000 €.- Verificação: o 5.º escalão vai de
23\,089 € a29\,397 €, e25\,000 está lá dentro. ✓ - A verificação não é opcional: se o resultado caísse fora, a hipótese de escalão estaria errada e seria preciso repetir com outro.Nos itens de exame que dão o imposto e pedem o rendimento, esta verificação vale metade da cotação.
É a função
- a)
e(R) = \dfrac{0{,}48R - 11\,387{,}27}{R} = 0{,}48 - \dfrac{11\,387{,}27}{R} . - b) Como
\dfrac{11\,387{,}27}{R} > 0 paraR > 0 , tem-see(R) < 0{,}48 . \lim\limits_{R \to +\infty} e(R) = 0{,}48 - 0 = 0{,}48 .- A taxa efetiva aproxima-se de
48\% mas nunca lá chega. - Com
R = 100\,000 € a efetiva é36{,}6\% ; comR = 1\,000\,000 € é46{,}9\% .A retay = 0{,}48 é uma assíntota horizontal da taxa efetiva — e é a mesma ideia que o capítulo dos Limites trata com todas as letras.
Iguala as duas expressões do imposto no ponto
- a)
L t_1 - a_1 = L t_2 - a_2 . - b)
a_2 = a_1 + L(t_2 - t_1) . - Como
L > 0 et_2 > t_1 , o termoL(t_2-t_1) é positivo, logoa_2 > a_1 . - É por isso que a coluna das parcelas é estritamente crescente — e é uma verificação rápida de que uma tabela publicada não tem gralhas.Foi assim que se apanhou um erro ao escrever este capítulo: uma tabela copiada de um sítio tinha
1474{,}53 onde devia ter1476{,}53 , e a fórmula denunciou-o.
Dentro de um escalão,
- Dentro de um escalão,
e(R) = t - \dfrac{a}{R} comt ea fixos ea \geq 0 . - Quando
R cresce,\dfrac{a}{R} decresce, logoe(R) cresce. - Na passagem para o escalão seguinte, o imposto é contínuo (é o que a parcela garante), logo a taxa efetiva também é contínua.
- E cresce ainda: a taxa marginal aumenta, e cada euro novo é tributado a mais do que a média anterior, o que puxa a média para cima.
- Conclusão: a taxa efetiva é contínua e crescente em todo o domínio — o imposto é progressivo em sentido pleno.A figura da secção mostra as duas curvas: a taxa do escalão aos saltos, a efetiva sem saltos e sempre por baixo. A segunda é a que se paga.
Juro simples e juro composto
Duas maneiras de fazer render dinheiro. No primeiro ano dão exatamente o mesmo — e é isso que engana. Ao fim de quarenta anos, a diferença é maior do que o capital que se depositou.
- Calcular o juro simples e o juro composto, com diferentes períodos de capitalização dos juros.
- Calcular, em casos simples, o capital inicial a depositar para obter um dado capital final, e o tempo mínimo de capitalização.
1 · As duas regras
O juro é calculado sempre sobre o capital inicial. Sendo
No fim de cada período, o juro junta-se ao capital e passa também a render. Com capitalização anual,
Com capitalização mensal, e sendo
A taxa e o expoente têm de estar na mesma unidade de tempo. Se a capitalização é mensal, divide-se a taxa anual por
2 · Porque é que a diferença engana
Ao fim de um ano, as duas fórmulas dão o mesmo:
Laboratório · O que faz a diferença é o tempo
interativoPõe os anos em
| anos | juro simples | juro composto | diferença |
|---|---|---|---|
| 1062{,}04 € |
Mil euros a
É próxima da Euribor a 12 meses, que em setembro de 2026 estava em
Fonte: Taxas Euribor por prazo · BPstat, Banco de Portugal.
3 · As duas contas ao contrário
Da fórmula
A primeira chama-se valor atual: quanto vale hoje uma quantia futura. A segunda dá o tempo mínimo — e como o tempo se conta em períodos inteiros, arredonda-se sempre para cima.
Um jovem quer ter
a) Chega lá em
- a)
4000 \times 1{,}03^{7} \approx 4919{,}66 € — não chega, faltam cerca de80 €. - b) Resolve-se
1{,}03^n > 1{,}25 :n > \dfrac{\ln 1{,}25}{\ln 1{,}03} \approx \dfrac{0{,}22314}{0{,}029559} \approx 7{,}55. O primeiro inteiro acima én = 8 . Confirmando:4000 \times 1{,}03^8 \approx 5067{,}25 €. ✓ - c)
C_i = \dfrac{5000}{1{,}03^{6}} \approx \dfrac{5000}{1{,}194052} \approx 4187{,}59 €. - Ou seja: com dois anos a menos, precisaria de depositar quase
190 € a mais.Repare-se na alínea b): o resultado7{,}55 arredonda-se para cima, não para o inteiro mais próximo. Ao fim de sete anos ainda não chegou lá, e o depósito só capitaliza no fim de cada ano completo.
Sem logaritmos — que no 10.º ano ainda não se deram — a alínea b) resolve-se por tentativas:
Python As duas curvas, e o ano em que se separam
O programa põe as duas fórmulas lado a lado e mostra a diferença a crescer.
Ci = 1000
r = 0.03
print("ano simples composto diferenca")
for n in [1, 5, 10, 20, 30, 40]:
simples = Ci * (1 + r * n)
composto = Ci * (1 + r) ** n
print(n, round(simples, 2), round(composto, 2), round(composto - simples, 2))
print()
alvo = 2 * Ci
n = 0
capital = Ci
while capital < alvo:
n = n + 1
capital = Ci * (1 + r) ** n
print("O capital duplica ao fim de", n, "anos:", round(capital, 2), "EUR")
Ci = 1000
r = 0.03 # taxa anual, em forma decimal
print("ano simples composto diferenca")
for n in [1, 5, 10, 20, 30, 40]:
simples = Ci * (1 + r * n) # uma reta: cresce sempre o mesmo
composto = Ci * (1 + r) ** n # uma exponencial
print(n, round(simples, 2), round(composto, 2), round(composto - simples, 2))
print()
alvo = 2 * Ci # quando e que duplica?
n = 0
capital = Ci
while capital < alvo: # vai somando anos ate passar o alvo
n = n + 1
capital = Ci * (1 + r) ** n
print("O capital duplica ao fim de", n, "anos:", round(capital, 2), "EUR")
# 24 anos — e a regra dos 72 dava 72/3 = 24
Muda o Ci para
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre juros: as duas fórmulas e a armadilha das unidades de tempo, as contas ao contrário — capital inicial e tempo mínimo —, e a comparação de ofertas com capitalizações diferentes. Os últimos deduzem o tempo de duplicação e a desigualdade entre os dois regimes.
Depositam-se
a) Qual é o juro produzido? b) E o capital acumulado?
Depositam-se
a) Qual é o capital final? b) Quanto rendeu a mais do que a juro simples?
Um capital é aplicado durante um ano, à mesma taxa anual.
Comparando o juro simples com o juro composto de capitalização anual:
- (A)o composto rende mais.
- (B)o simples rende mais.
- (C)rendem o mesmo.
- (D)depende do capital.
Depositam-se
Determina o capital final.
Quer-se ter
Que capital é preciso depositar hoje?
Depositam-se
Ao fim de quantos anos completos o capital ultrapassa
Dois depósitos, ambos por
Banco
Qual rende mais?
Com o mesmo capital e a mesma taxa anual, o juro composto rende mais do que o simples:
- (A)já a partir do primeiro ano.
- (B)a partir do segundo ano, e a diferença cresce.
- (C)apenas para taxas superiores a
5\% . - (D)apenas quando o capital é elevado.
Um capital de
Determina a taxa anual, em percentagem, arredondada às décimas.
Um capital é aplicado a juro composto com taxa anual
a) Mostra que o tempo
Um capital
a) Escreve o capital final
Sejam
a) Mostra que
- a)
j = 2500 \times 0{,}02 \times 4 = 200 €. - b)
2500 + 200 = 2700 €. - No juro simples, cada ano rende sempre os mesmos
50 €.É por isso que o capital acumulado é uma função afim do tempo:C(n) = 2500 + 50n , uma reta.
- a)
C_f = 2500 \times 1{,}02^4 \approx 2706{,}08 €. - b)
2706{,}08 - 2700 = 6{,}08 €. - Em quatro anos, seis euros. É pouco — e é por isso que a diferença engana.Aos
40 anos, com1000 € a3\% , a diferença é de mil e sessenta euros: mais do que o capital inicial.
Escreve as duas fórmulas com
- Simples:
C_i(1 + r \times 1) = C_i(1+r) . - Composto:
C_i(1+r)^1 = C_i(1+r) . - São iguais.O juro composto é «juro sobre juro»: no primeiro período ainda não há juro anterior sobre que render. As duas curvas partem juntas — e é isso que faz a diferença passar despercebida.
Com capitalização mensal usa-se
C_f = 300 \times \left(1 + \dfrac{0{,}03}{12}\right)^{10} = 300 \times 1{,}0025^{10} .\approx 300 \times 1{,}02528 \approx 307{,}58 €.- O erro clássico é usar
n = 10 com a taxa anual: daria403 €.A regra é sempre a mesma: a taxa e o expoente têm de estar na mesma unidade de tempo. Taxa mensal com meses, taxa anual com anos.
Resolve
C_i \times 1{,}025^8 = 5000 .C_i = \dfrac{5000}{1{,}025^8} \approx \dfrac{5000}{1{,}21840} \approx 4103{,}73 €.- Verificação:
4103{,}73 \times 1{,}025^8 \approx 5000{,}00 . ✓ - Chama-se a isto o valor atual de
5000 € daqui a oito anos.É a mesma conta que um banco faz para saber quanto vale hoje uma promessa de pagamento futuro — e a razão por que mil euros hoje valem mais do que mil euros daqui a um ano.
Resolve
1{,}03^n > \dfrac{5000}{4000} = 1{,}25 .- Aplicando logaritmos:
n > \dfrac{\ln 1{,}25}{\ln 1{,}03} \approx \dfrac{0{,}22314}{0{,}029559} \approx 7{,}55 . - O primeiro inteiro acima é
n = 8 . - Verificação:
4000 \times 1{,}03^7 \approx 4919{,}66 € (ainda não chega) e4000 \times 1{,}03^8 \approx 5067{,}25 €. ✓Sem logaritmos resolve-se por tentativas: é o que se espera no 10.º ano. Com logaritmos é imediato — e é a ponte para o capítulo das Funções deste livro.
No
- A:
10\,000 \times 1{,}024^3 \approx 10\,737{,}42 €. - B:
10\,000 \times \left(1 + \dfrac{0{,}023}{12}\right)^{36} \approx 10\,000 \times 1{,}071395 \approx 10\,713{,}95 €. - Rende mais o banco
A , por cerca de23 €. - A capitalização mensal ajuda, mas não chega para compensar uma décima de ponto na taxa.É por isso que os bancos são obrigados a publicar a TANB — a taxa anual nominal bruta — e a taxa efetiva: só a segunda permite comparar ofertas com capitalizações diferentes.
No primeiro ano são iguais. E depois?
- Com
n=1 :C_i(1+r) nos dois casos. Iguais. - Com
n=2 : simples dáC_i(1+2r) , composto dáC_i(1+r)^2 = C_i(1+2r+r^2) . - A diferença é
C_i r^2 > 0 : o composto passa à frente e nunca mais é alcançado. - A diferença não depende de a taxa ser grande nem de o capital ser grande — depende do tempo.
Resolve
(1+r)^4 = \dfrac{6742{,}50}{6000} = 1{,}123750 .1+r = \sqrt[4]{1{,}12375} \approx 1{,}029600 .r \approx 0{,}0296 , ou seja\approx 3{,}0\% .- Verificação:
6000 \times 1{,}03^4 \approx 6753{,}05 €... não bate certo ao cêntimo, porque a taxa exata é2{,}96\% .Quando se arredonda a taxa, o capital final deixa de bater certo. É por isso que os contratos indicam a taxa com duas ou três casas decimais, e não arredondada às unidades.
Escreve
- a)
C_i(1+r)^T = 2C_i \iff (1+r)^T = 2 — oC_i sai da equação. - Logo
T = \dfrac{\ln 2}{\ln(1+r)} , que só depende der . - b) Com
r = 0{,}03 :T = \dfrac{0{,}693147}{0{,}029559} \approx 23{,}4 anos. - A regra dos 72 dá
\dfrac{72}{3} = 24 anos: erra por seis meses em vinte e três anos. - É uma aproximação notavelmente boa para taxas pequenas, e faz-se de cabeça.A razão é que
\ln(1+r) \approx r parar pequeno, e\dfrac{\ln 2}{r} = \dfrac{0{,}693}{r} = \dfrac{69{,}3}{100r} . Usa-se72 em vez de69{,}3 porque tem mais divisores — dá contas certas com2, 3, 4, 6, 8, 9, 12 .
Cada período rende
- a)
C_f(k) = C\left(1 + \dfrac{r}{k}\right)^{k} . - b)
C_f(1) = 1000 \times 1{,}03 = 1030{,}00 €. C_f(12) = 1000 \times \left(1+\dfrac{0{,}03}{12}\right)^{12} \approx 1030{,}42 €.C_f(365) \approx 1030{,}45 €.- Capitalizar mais vezes rende mais, mas cada vez menos: de anual para mensal ganham-se
42 cêntimos, de mensal para diária ganham-se3 . - O limite, quando
k \to +\infty , é1000\,e^{0{,}03} \approx 1030{,}45 €.É o juro contínuo, e é uma das maneiras clássicas de encontrar o númeroe . O capítulo das Funções deste livro trata-o com todas as letras.
Na alínea a), usa a desigualdade de Bernoulli:
- a) Pela desigualdade de Bernoulli,
(1+r)^n \geq 1 + rn . Multiplicando porC > 0 :P(n) \geq S(n) . - A igualdade só vale para
n = 0 en = 1 . - b)
n=10 :1343{,}92 - 1300 = 43{,}92 €. n=20 :1806{,}11 - 1600 = 206{,}11 €.n=30 :2427{,}26 - 1900 = 527{,}26 €.n=40 :3262{,}04 - 2200 = 1062{,}04 €.- De dez em dez anos a diferença mais do que duplica:
44 ,206 ,527 ,1062 . É uma exponencial menos uma reta — e a exponencial ganha sempre.Aos quarenta anos, a diferença é maior do que o capital inicial. Não é a taxa que faz isto: é o tempo. É por isso que começar a poupar aos vinte e cinco não é o mesmo que começar aos quarenta.
Quando os métodos discordam
Sete secções a mostrar que métodos diferentes dão vencedores diferentes. Fica a pergunta: haverá então um método que esteja certo? A resposta é não — e não é uma opinião, é um teorema.
As Aprendizagens Essenciais põem o método de Condorcet em «possíveis aprofundamentos», e pedem que se debatam «situações em que existe e em que não existe transitividade das escolhas». É disso que esta secção trata. Nada aqui sai no Exame — o que não quer dizer que não seja o mais interessante do capítulo.
1 · A ideia de Condorcet
O Marquês de Condorcet publicou em 1785 um ensaio com uma ideia simples e forte: em vez de contar pontos, façam-se todos os confrontos diretos.
Uma opção é vencedora de Condorcet se vencer todos os confrontos diretos, um a um, contra cada uma das outras. Em cada confronto conta-se em quantos boletins uma aparece acima da outra — não importa em que posição.
Com
2 · O paradoxo
Três eleitores, três opções, e nada de estranho em nenhum boletim:
| preferência | eleitor 1 | eleitor 2 | eleitor 3 |
|---|---|---|---|
| 1.ª | A | B | C |
| 2.ª | B | C | A |
| 3.ª | C | A | B |
Os três duelos:
| confronto | resultado | quem prefere |
|---|---|---|
| 2 – 1 para | eleitores 1 e 3 | |
| 2 – 1 para | eleitores 1 e 2 | |
| 2 – 1 para | eleitores 2 e 3 |
Não há vencedor de Condorcet: nenhuma opção ganha todos os duelos. E não há erro nenhum — cada eleitor, sozinho, tem preferências perfeitamente coerentes. O que falha é a transitividade da preferência coletiva: juntar preferências individuais coerentes pode dar uma preferência coletiva que anda em círculo.
Chama-se paradoxo de Condorcet, e não é uma curiosidade rara. Com três eleitores e três opções todas diferentes, acontece em
Vinte e sete alunos escolhem o destino da visita de estudo:
| preferência | 11 alunos | 9 alunos | 7 alunos |
|---|---|---|---|
| 1.ª | M | N | P |
| 2.ª | P | P | N |
| 3.ª | N | M | M |
- Maioria simples.
M tem11 primeiras preferências, contra9 e7 . GanhaM . - Borda (
3,2,1 ).M: 33+9+7 = 49 ;N: 11+27+14 = 52 ;P: 22+18+21 = 61 . GanhaP . - Condorcet.
N contraM :16 –11 .N contraP :16 –11 . GanhaN . - Os mesmos vinte e sete boletins, três métodos, três vencedores diferentes.
- E repare-se em
N : é vencedora de Condorcet com apenas9 primeiras preferências — nem sequer tem maioria simples.É este exemplo que torna o teorema da secção seguinte inevitável. Não há aqui nenhum erro a corrigir: há três definições razoáveis de «o que a turma prefere», e elas apontam para sítios diferentes.
Antes de contar seja o que for, decide-se o método. Depois de conhecidos os boletins, escolher o método é escolher o vencedor — e é por isso que os estatutos de qualquer organização o fixam por escrito.
3 · O teorema de Arrow
Com três ou mais opções, não existe nenhum método de agregação de preferências individuais numa preferência coletiva que satisfaça simultaneamente um pequeno conjunto de condições razoáveis — a não ser que seja ditatorial, isto é, que siga sempre as preferências de um único eleitor.
Kenneth Arrow tinha trinta anos quando o demonstrou, e recebeu por isso o Nobel da Economia em 1972. O que o teorema diz não é que as eleições sejam inúteis nem que os resultados sejam arbitrários: cada método é determinístico e auditável, e dá sempre a mesma resposta aos mesmos boletins.
O que o teorema obriga é a escolher conscientemente. Já que não se pode ter tudo, decide-se, antes da votação, o que se está disposto a sacrificar — e escreve-se.
4 · Onde isto aparece na vida real
| organização | método | consequência |
|---|---|---|
| Presidente da República | maioria absoluta, duas voltas | pode haver segunda volta — aconteceu em 1986 |
| Assembleia da República | Hondt, por círculo | proporcionalidade com vantagem para as listas maiores |
| Ordem dos Enfermeiros | lista mais votada, uma só volta | pode ganhar-se com menos de metade dos votos |
Vai aos estatutos de um clube, de uma associação de estudantes ou de uma ordem profissional e procura o artigo que diz como se elegem os corpos gerentes. Vais encontrar uma destas quatro regras — e, com o que este capítulo tem, consegues dizer quem é que ela favorece.
Python Os três métodos, sobre os mesmos boletins
O programa recebe um perfil de preferências e devolve o vencedor por maioria simples, por Borda e por Condorcet — ou avisa que não há vencedor de Condorcet.
perfil = [(11, "MPN"), (9, "NPM"), (7, "PNM")]
opcoes = "MNP"
# maioria simples
primeiras = {}
for o in opcoes:
primeiras[o] = 0
for n, ordem in perfil:
primeiras[ordem[0]] = primeiras[ordem[0]] + n
print("Maioria simples:", max(primeiras, key=lambda o: primeiras[o]), primeiras)
# Borda
k = len(opcoes)
pontos = {}
for o in opcoes:
pontos[o] = 0
for n, ordem in perfil:
for i in range(k):
pontos[ordem[i]] = pontos[ordem[i]] + n * (k - i)
print("Borda :", max(pontos, key=lambda o: pontos[o]), pontos)
# Condorcet
vencedor = None
for x in opcoes:
ganha_todos = True
for y in opcoes:
if y == x:
continue
vx = 0
vy = 0
for n, ordem in perfil:
if ordem.index(x) < ordem.index(y):
vx = vx + n
else:
vy = vy + n
if vx <= vy:
ganha_todos = False
if ganha_todos:
vencedor = x
if vencedor:
print("Condorcet :", vencedor)
else:
print("Condorcet : nao ha vencedor (ha um ciclo)")
Corre-o como está: dá M, P e N — três vencedores. Depois troca a primeira linha por perfil = [(1, "ABC"), (1, "BCA"), (1, "CAB")] e opcoes = "ABC", e vê o programa dizer que não há vencedor de Condorcet. É o paradoxo, detetado por um computador.
Exercícios propostos
Dez exercícios de aprofundamento sobre o método de Condorcet e o seu paradoxo: fazer os duelos, encontrar o vencedor quando existe, reconhecer o ciclo quando não existe, e argumentar sobre a escolha de um método. Nada disto é matéria de avaliação.
Numa votação por preferências,
Quem vence o confronto direto entre
Numa votação com
Três candidatos e
| preferência | 11 | 9 | 7 |
|---|---|---|---|
| 1.ª | M | N | P |
| 2.ª | P | P | N |
| 3.ª | N | M | M |
Determina o vencedor de Condorcet, se existir.
Três eleitores ordenam três opções assim:
a) Determina o vencedor de cada duelo. b) Existe vencedor de Condorcet? Comenta.
Num perfil de preferências em que a maioria prefere
- (A)algum eleitor tem preferências incoerentes.
- (B)houve erro na contagem dos boletins.
- (C)a preferência coletiva não é transitiva, embora as individuais o sejam.
- (D)o vencedor tem de ser decidido por sorteio, por lei.
Cinco eleitores ordenam três opções: três boletins
a) Determina o vencedor de Condorcet.
b) Determina o vencedor por Borda (
Com três opções e três eleitores, cada um com uma ordenação diferente das
Quantas escolhas dos três boletins (sem repetição, sem contar a ordem dos eleitores) produzem um ciclo? Justifica.
Mostra que, se uma opção tem maioria absoluta das primeiras preferências, então é vencedora de Condorcet.
E mostra, com um exemplo, que o recíproco é falso.
Uma associação vai fixar nos estatutos o método de eleição da direção. Estão em cima da mesa: maioria simples, duas voltas, Borda e Condorcet (com sorteio em caso de ciclo).
Escreve uma recomendação fundamentada, indicando para cada método uma situação concreta em que ele dá um resultado que dificilmente seria aceite como justo.
O teorema de Arrow (1951) diz, em linguagem corrente, que nenhum método de agregação de preferências com três ou mais opções pode satisfazer, ao mesmo tempo, um pequeno conjunto de condições razoáveis — a não ser que seja ditatorial, isto é, que siga sempre as preferências de um único eleitor.
Explica por que razão este teorema não significa que as eleições sejam inúteis.
Num confronto direto só interessa quem está acima de quem, não em que posição.
A venceB por35 contra25 .- Não importa se
A está em primeiro ou em quinto lugar nesses boletins: só importa que esteja acima deB .É esta a ideia de Condorcet: em vez de contar pontos, fazer todos os duelos possíveis.
É o número de pares que se podem formar com
- Cada par de candidatos dá um duelo, e a ordem não conta.
- São
\dfrac{5 \times 4}{2} = 10 duelos. - Com
k candidatos são\dfrac{k(k-1)}{2} .Com10 candidatos seriam45 duelos. É por isso que o método de Condorcet, sendo o mais defensável em teoria, é o menos usado na prática.
Faz os três duelos:
M contraN :M acima em11 ;N acima em9+7 = 16 . GanhaN .M contraP :M acima em11 ;P acima em16 . GanhaP .N contraP :N acima em9+7 = 16 ;P acima em11 . GanhaN .N vence os dois duelos: é o vencedor de Condorcet.- Mas por maioria simples ganharia
M , e por Borda ganhariaP — como se viu no exercício c2g.Três métodos, três vencedores diferentes, os mesmos boletins. É o capítulo inteiro num exemplo.
Faz os três duelos com atenção. O resultado vai parecer impossível, e não é.
- a)
A contraB : o 1.º e o 3.º põemA acima.A ganha,2 –1 . B contraC : o 1.º e o 2.º põemB acima.B ganha,2 –1 .C contraA : o 2.º e o 3.º põemC acima.C ganha,2 –1 .- b) A maioria prefere
A aB ,B aC eC aA . Não há vencedor de Condorcet: nenhum ganha todos os duelos. - É o paradoxo de Condorcet. Cada eleitor tem preferências transitivas, e a preferência coletiva não é transitiva.Não é um erro de contagem nem um caso raro construído de propósito. É uma propriedade da agregação: juntar preferências individuais coerentes pode dar uma preferência coletiva incoerente.
Verifica se cada eleitor, sozinho, tem preferências coerentes.
- Cada eleitor ordenou as três opções numa lista: as suas preferências são transitivas por construção.
- O ciclo aparece só na agregação.
- Não há erro nenhum, e não há lei nenhuma que o resolva — há métodos diferentes, que dão respostas diferentes.
Faz os três duelos e depois a contagem de pontos.
- a)
A contraB :3 –2 paraA .A contraC :3 –2 paraA .A é vencedor de Condorcet. - b)
A: 3(3) + 1(2) = 11 .B: 2(3) + 3(2) = 12 .C: 1(3) + 2(2) = 7 . GanhaB . - c) Existe vencedor de Condorcet e Borda não o escolhe.
- É a crítica clássica de Condorcet ao método de Borda: se uma opção vence todas as outras em confronto direto, devia ganhar — e Borda pode não a escolher.Borda respondeu que o seu método «é para homens honestos». A discussão entre os dois, na Academia das Ciências de Paris nos anos 1780, é o começo da teoria matemática das eleições.
Há
- As seis ordenações são
ABC, ACB, BAC, BCA, CAB, CBA . - Os ciclos vêm das «rotações»:
\{ABC, BCA, CAB\} dá o cicloA>B>C>A . - O outro é
\{ACB, CBA, BAC\} , que dá o ciclo no sentido contrário:A>C>B>A . - Qualquer outro conjunto de três contém duas ordenações «opostas» (uma o inverso da outra), e essas anulam-se num dos duelos, deixando o terceiro eleitor a decidir — sem ciclo.
- São 2 em
20 :10\% .Com mais eleitores e mais opções a probabilidade sobe. Com muitos candidatos e eleitores ao acaso, a probabilidade de não haver vencedor de Condorcet aproxima-se de1 — o paradoxo não é a exceção, é o caso geral.
Se mais de metade dos eleitores põe
- Seja
A a primeira preferência de mais de metade dos eleitores. - Num duelo de
A contra qualquerX , todos esses eleitores põemA acima deX — porqueA está em primeiro no boletim deles. - Logo
A tem mais de metade dos votos em cada duelo: vence todos, e é vencedora de Condorcet. - O recíproco é falso. No exercício cAc,
N é vencedora de Condorcet com apenas9 primeiras preferências em27 — nem sequer maioria simples. - Ser vencedor de Condorcet é uma condição mais fraca do que ter maioria absoluta, e por isso mais frequente.É esse o argumento a favor do método: quando há maioria absoluta, escolhe o mesmo que todos os outros métodos; quando não há, escolhe alguém que a maioria prefere a cada um dos rivais, um a um.
Cada método tem um contraexemplo conhecido. Procura-os nas secções R1, R2 e nesta.
- Maioria simples: o exemplo da R2 —
A ganha com40\% e é a última preferência de60\% dos votantes. - Duas voltas: 1986 — o mais votado à primeira volta perde. Defensável, mas exige explicar por que razão a segunda volta vale mais do que a primeira.
- Borda: o exercício cAf — existe uma opção que vence todas em confronto direto, e Borda escolhe outra.
- Condorcet: o paradoxo — pode simplesmente não haver vencedor, e aí decide-se por sorteio, o que é difícil de defender numa eleição.
- Uma recomendação defensável: duas voltas para eleger uma pessoa (é o que a lei já usa e todos entendem) e Borda para escolher entre opções, como um destino ou um nome, onde o segundo lugar de toda a gente é uma boa escolha.O que se avalia aqui não é a conclusão — é se cada afirmação vem acompanhada do seu contraexemplo. Uma recomendação sem contraexemplos é uma opinião.
Repara na diferença entre «não há um método perfeito» e «todos os métodos são igualmente maus».
- O teorema diz que não existe um método que satisfaça todas as condições desejáveis ao mesmo tempo.
- Não diz que todos os métodos sejam equivalentes: uns falham condições que nos importam pouco, outros falham condições essenciais.
- Não diz que os resultados sejam arbitrários: cada método é determinístico e auditável, e dá sempre a mesma resposta aos mesmos boletins.
- O que o teorema obriga é a escolher conscientemente: já que não se pode ter tudo, decide-se antes da votação o que se prefere sacrificar — e escreve-se nos estatutos.
- É por isso que este capítulo insiste tanto em fixar o método antes de contar os votos: depois de conhecidos os boletins, escolher o método é escolher o vencedor.Kenneth Arrow tinha 30 anos quando o demonstrou, e recebeu o Nobel da Economia em 1972. O resultado é um teorema de matemática, não uma opinião política — e é isso que o torna incontornável.
Teste rápido
Doze questões de resposta imediata, com correção e explicação, sobre as oito secções. Metade delas é a mesma pergunta com outra roupa: sobre o quê é que se conta esta percentagem? — que é onde este tema se ganha ou se perde.
Formulário e referências
Tudo o que o capítulo usa, numa página. E no fim, a proveniência de cada número.
Eleições
Maioria simples: mais votos do que cada uma das outras opções, tomadas uma a uma. Maioria absoluta: mais de metade dos votos validamente expressos.
Com
Com
Verificação obrigatória — com
Partilha
Dividem-se os votos de cada lista pelos divisores, ordenam-se todos os quocientes por ordem decrescente, e atribui-se um mandato a cada um dos maiores.
Hondt: divisores
Em caso de empate na fronteira, o mandato cabe à lista com menos votos.
O primeiro quociente é igual nos dois (divisor
Salários
com
Rendimento anual:
IRS
Juros
Com
O tempo arredonda-se sempre para cima: o depósito só capitaliza no fim de cada período completo.
Sobre a calculadora
Este capítulo não tem tutoriais da calculadora gráfica, e não é descuido: não há aqui funções para representar nem equações para resolver graficamente. O que faz falta é uma calculadora que faça potências — para
De onde vêm os números
Todos os dados deste capítulo são reais e têm data. Estas são as fontes primárias, e é aí que se vai confirmar — ou ver, daqui a um ano, o que mudou.
- Eleições Legislativas de 18 de maio de 2025 · resultados oficiais, Administração Eleitoral (SGMAI)
- Código do IRS, artigo 68.º · versão consolidada no Diário da República (redação da Lei n.º 73-A/2025, de 30 de dezembro — Orçamento do Estado para 2026)
- Retribuição mínima mensal garantida para 2026 · Decreto-Lei n.º 139/2025
- Código do Trabalho, artigo 271.º · cálculo da retribuição horária
- Taxas contributivas · Segurança Social
- Taxas Euribor por prazo · BPstat, Banco de Portugal
- Eleições para a Presidência da República de 1986 · Comissão Nacional de Eleições
- Método de Hondt · Comissão Nacional de Eleições
Onde o capítulo apresenta uma conta nossa e não um resultado publicado — como a simulação do método de Hondt aplicado aos totais nacionais num círculo único — isso está dito no próprio sítio. As parcelas a abater do IRS não foram copiadas de nenhuma tabela: são calculadas a partir dos limites e das taxas, pela regra da continuidade. Foi assim que se apanhou um erro de dois euros numa tabela publicada.
Exercícios de Exame
Itens de prova, com o enunciado tal como saiu. Aqui não se diz de que secção vem cada um — descobri-lo é metade do trabalho.
Exercícios de Exame · Modelos Matemáticos para a Cidadania
Dois dos itens são de Prova Nacional de Matemática A, ambos dos Exames de 2026 — o da 1.ª fase, sobre o método de Borda, e o da época especial, sobre juro composto: são os primeiros que existem sobre este tema, que entrou nas Aprendizagens Essenciais em janeiro de 2023. Os restantes vêm dos exames de Matemática Aplicada às Ciências Sociais, disciplina que trata estes mesmos assuntos há vinte anos e tem por isso um manancial de itens excelentes — os enunciados são os originais, com o ano e a fase indicados em cada cartão. Todas as distribuições de mandatos foram verificadas por cálculo.
Na eleição para uma assembleia municipal com
| Partido | A | B | C | D | E |
|---|---|---|---|---|---|
| Número de votos | 22 010 | 17 124 | 15 144 | 12 333 | 11 451 |
Determine as diferenças entre os números de mandatos que resultariam da aplicação do método de Hondt e do método de Sainte-Laguë. Conserve uma casa decimal nos arredondamentos.
Numa eleição para um órgão consultivo com
| Lista | A | B | C | D |
|---|---|---|---|---|
| Número de votos | 220 | 530 | 650 | 150 |
Os mandatos foram atribuídos dividindo os votos por
Os representantes da lista
Verifique se o método proposto modificaria a distribuição.
Uma escola vai formar uma equipa de
| Lista | V | X | Y | Z |
|---|---|---|---|---|
| Número de votos | 373 | 602 | 318 | 157 |
A direção aplicou o método de Hondt. Um aluno afirmou que, com esse método, a equipa teria tantos alunos da lista
Verifique se o aluno tinha razão, apresentando os quocientes e o número de elementos de cada lista.
Um grupo de amigos vai escolher a cidade a visitar. Consultaram um blogue com as listas de preferências de
| Preferências | 8 | 7 | 5 | 3 |
|---|---|---|---|---|
| 1.ª | Veneza | Florença | Milão | Nápoles |
| 2.ª | Florença | Milão | Nápoles | Veneza |
| 3.ª | Nápoles | Veneza | Florença | Florença |
| 4.ª | Milão | Nápoles | Veneza | Milão |
Aplica-se o método seguinte: conta-se o número de primeiras preferências de cada cidade e vê-se se alguma tem maioria absoluta. Se tiver, é a vencedora; se não, elimina-se a cidade menos votada e reconstrói-se a tabela, subindo as restantes.
Determine a cidade escolhida, indicando todas as fases do processo.
Na eleição da direção de uma associação ambientalista, constituída por
| Lista | X | Y | Z |
|---|---|---|---|
| N.º de votos | 142 | 231 | 425 |
Para converter os votos nos sete mandatos, dividiu-se o número de votos de cada lista, sucessivamente, por
Determine a constituição da direção.
Numa rádio local, apenas parte dos
Qual foi a taxa de abstenção registada nesse ato eleitoral?
- (A)
28\% - (B)
12{,}5\% - (C)
10\% - (D)
20\%
Um jornal desportivo convidou os leitores a elegerem o melhor jogador de futebol do ano, entre os jogadores
| Preferência | Lista 1 200 votos | Lista 2 400 votos | Lista 3 600 votos |
|---|---|---|---|
| 1.ª | P | Q | R |
| 2.ª | Q | P | Q |
| 3.ª | R | S | P |
| 4.ª | S | R | S |
Aplica-se o método de Borda, com
Determine o vencedor e verifique a sua resposta pelo total de pontos distribuídos.
Uma agência de viagens pretende organizar um passeio que inclui a visita a uma praia portuguesa. Para escolher a praia a visitar, a agência realizou uma votação junto de
Ao votar, cada cliente preencheu um boletim no qual ordenou as quatro praias de acordo com as suas preferências. Cada boletim preenchido com uma certa ordenação corresponde a
| Preferências | 82 | 24 | 51 | 43 |
|---|---|---|---|---|
| 1.ª | B | C | A | D |
| 2.ª | A | A | D | A |
| 3.ª | C | D | B | C |
| 4.ª | D | B | C | B |
Os
Concluída a votação, aplicou-se o método a seguir descrito.
São atribuídos pontos a cada uma das praias, em função do seu lugar na ordem de preferência: quatro pontos por cada voto na 1.ª preferência, três na 2.ª, dois na 3.ª e um na 4.ª. Contabiliza-se a pontuação total de cada uma das praias, e a mais pontuada é considerada a praia preferida.
Mostre que a praia
A Inês depositou
Durante dois anos, a Inês não fez nenhum levantamento nem nenhum depósito.
Qual foi o capital acumulado, em euros, arredondado às unidades, obtido pela Inês, no final dos dois anos?
- (A)
5970 - (B)
5972 - (C)
5973 - (D)
5974
Uma poupança de
a) Determine o capital acumulado a juro simples. b) Determine o capital acumulado a juro composto, com capitalização anual. c) Indique, em euros e cêntimos, quanto rendeu a mais o regime de juro composto.
Um capital de
O capital ao fim de
- (A)
C \times 1{,}04^{2} - (B)
C \times 1{,}04^{8} - (C)
C \times 1{,}01^{8} - (D)
C \times 1{,}01^{2}
Um trabalhador tem um contrato com salário base mensal de
a) Determine o salário líquido mensal.
b) Determine o rendimento anual bruto.
c) Determine a retribuição horária, sabendo que é dada por
Considere a tabela de taxas gerais de IRS:
| Rendimento coletável | Taxa | Parcela a abater |
|---|---|---|
| de 17 838 € a 23 089 € | 24,1% | 1476,53 € |
| de 23 089 € a 29 397 € | 31,1% | 3092,76 € |
a) Determine o IRS devido por um rendimento coletável de
São duas tabelas. Em cada uma bastam quatro ou cinco quocientes por partido — os seguintes já não entram nos quinze maiores.
- Hondt (divisores
1, 2, 3, 4, \ldots ). Os quinze maiores quocientes dão:A: 5 \quad B: 3 \quad C: 3 \quad D: 2 \quad E: 2 - Sainte-Laguë (divisores
1, 3, 5, 7, \ldots ):A: 4 \quad B: 3 \quad C: 3 \quad D: 3 \quad E: 2 - Diferenças. O partido
A perde um mandato e o partidoD ganha um; os restantes ficam iguais. - Um mandato muda de mãos, do partido mais votado para o quarto.É exatamente o comportamento que a secção R4 prevê: Sainte-Laguë tira aos maiores e dá aos menores. Aqui a soma continua a ser
15 nos dois casos — a repartição é que muda.
Faz as duas distribuições e compara-as lista a lista. Confirma também que a soma dos arredondamentos dá mesmo
- Método dos divisores ímpares. Quocientes:
A :220; 73{,}3; \ldots ;B :530; 176{,}7; 106; 75{,}7; \ldots ;C :650; 216{,}7; 130; 92{,}9; 72{,}2; \ldots ;D :150; 50; \ldots - Os nove maiores:
650, 530, 220, 216{,}7, 176{,}7, 150, 130, 106, 92{,}9 . - Distribuição:
C : 4 ·B : 3 ·A : 1 ·D : 1. - Método proporcional. Total
1550 votos.A: \tfrac{220}{1550}(9) \approx 1{,}277 \to 1 \quad B: \approx 3{,}077 \to 3 \quad C: \approx 3{,}774 \to 4 \quad D: \approx 0{,}871 \to 1 - Soma dos arredondamentos:
1+3+4+1 = 9 . ✓ - As duas distribuições são iguais: o método proposto não modificaria nada.Não é sempre assim. Se os arredondamentos não somassem
9 , o método proposto nem sequer seria aplicável — e é essa a fragilidade que os métodos de divisores sucessivos vêm resolver.
Constrói a tabela com divisores
V :373; 186{,}5; 124{,}3; 93{,}3; \ldots X :602; 301; 200{,}7; 150{,}5; 120{,}4; \ldots Y :318; 159; 106; \ldots Z :157; 78{,}5; \ldots - Os dez maiores:
602, 373, 318, 301, 200{,}7, 186{,}5, 159, 157, 150{,}5, 124{,}3 . - Contando:
X quatro,V três,Y dois,Z um. - O aluno não tinha razão:
V fica com três elementos eY com dois.O engano é natural —373 e318 são números próximos. Mas o terceiro mandato deV vem do quociente124{,}3 , e o terceiro deY seria106 , que já fica de fora.
São
- 1.ª contagem. Veneza
8 , Florença7 , Milão5 , Nápoles3 . Nenhuma chega a12 . Elimina-se Nápoles. - 2.ª contagem. Os
3 votos de Nápoles passam à sua 2.ª preferência, que é Veneza: Veneza11 , Florença7 , Milão5 . Ainda ninguém chega a12 . Elimina-se Milão. - 3.ª contagem. Os
5 votos de Milão passam à preferência seguinte ainda em prova, que é Florença: Veneza11 , Florença7+5 = 12 . - Florença tem
12 em23 : maioria absoluta. É a cidade escolhida.Veneza esteve à frente em todas as contagens menos na última. Por maioria simples à primeira volta teria ganho; por este método perde. É o mesmo fenómeno de 1986, com cidades em vez de candidatos.
Os divisores são os ímpares: é o método de Sainte-Laguë. Basta ir até ao quociente que der o sétimo lugar.
X :142; 47{,}3; 28{,}4; \ldots Y :231; 77; 46{,}2; \ldots Z :425; 141{,}7; 85; 60{,}7; 47{,}2; \ldots - Os sete maiores, por ordem:
425\,(Z) ,231\,(Y) ,142\,(X) ,141{,}7\,(Z) ,85\,(Z) ,77\,(Y) ,60{,}7\,(Z) . - Contando:
Z quatro,Y dois,X um.Repare-se no terceiro e quarto lugares:142 contra141{,}7 . Sete décimas separamX de não eleger ninguém — e é por isso que se guardam as casas decimais até ao fim.
Se
- Os
96 votos não válidos são25\% dos votantes:0{,}25 \times V = 96 \iff V = 384 . - Abstiveram-se
480 - 384 = 96 eleitores. - Taxa de abstenção:
\dfrac{96}{480} = 0{,}20 , ou seja20\% .A coincidência de aparecer96 nas duas contas é armadilha do enunciado: são96 votos nulos e96 abstenções, e não é o mesmo96 .
Uma coluna por jogador, e a soma final tem de dar
P: 4(200) + 3(400) + 2(600) = 800 + 1200 + 1200 = 3200 .Q: 3(200) + 4(400) + 3(600) = 600 + 1600 + 1800 = 4000 .R: 2(200) + 1(400) + 4(600) = 400 + 400 + 2400 = 3200 .S: 1(200) + 2(400) + 1(600) = 200 + 800 + 600 = 1600 .- Verificação:
3200+4000+3200+1600 = 12\,000 = 1200 \times 10 . ✓ - Vence
Q , com4000 pontos — e repare-se em queQ só é a primeira preferência de400 dos1200 leitores.R tem mais primeiras preferências (600 ) do queQ , e perde: está em último em400 boletins. É o padrão de Borda.
Calcula primeiro as quatro pontuações com os
- As pontuações dos 200 boletins conhecidos.
\begin{aligned} A &: 3(82) + 3(24) + 4(51) + 3(43) = 246 + 72 + 204 + 129 = \mathbf{651}\\ B &: 4(82) + 1(24) + 2(51) + 1(43) = 328 + 24 + 102 + 43 = \mathbf{497}\\ C &: 2(82) + 4(24) + 1(51) + 2(43) = 164 + 96 + 51 + 86 = \mathbf{397}\\ D &: 1(82) + 2(24) + 3(51) + 4(43) = 82 + 48 + 153 + 172 = \mathbf{455} \end{aligned} Verificação:651+497+397+455 = 2000 = 200 \times (4+3+2+1) . ✓ - O melhor caso para
B . Os50 boletins em falta dão aB a 1.ª preferência, ou seja50 \times 4 = 200 pontos:B \leq 497 + 200 = 697. - O pior caso para
A . O enunciado garante queB está acima deA nesses boletins, logoA ocupa, no pior dos casos, a 4.ª posição: ganha pelo menos50 \times 1 = 50 pontos.A \geq 651 + 50 = 701. - Comparar. Ainda no cenário mais favorável a
B e mais desfavorável aA ,A \geq 701 > 697 \geq B. - Logo
A fica sempre à frente deB , e a praiaB não pode ser a escolhida.A margem é de quatro pontos em setecentos. Um argumento aproximado — «B está muito atrás» — não vale nada aqui: é preciso o cenário extremo, calculado.
A taxa anual reparte-se pelos doze meses, e cada mês é uma capitalização: em dois anos são vinte e quatro.
- A taxa de cada período. A capitalização é mensal, logo cada mês rende à taxa
\dfrac{0{,}02}{12} . - Quantos períodos. Dois anos são
2 \times 12 = 24 meses, e em nenhum deles houve levantamentos ou depósitos. - O capital acumulado.
C_f = C_i\left(1+\frac{r}{12}\right)^{n} = 5740\left(1+\frac{0{,}02}{12}\right)^{24} \approx 5974{,}05. - Arredondado às unidades,
5974 €: a opção correta é a (D).As outras três opções são exatamente os valores que saem se a capitalização for outra: a juro simples,5740 \times (1+0{,}02 \times 2) = 5969{,}60 , dá5970 — a opção (A); com capitalização anual,5740 \times 1{,}02^{2} \approx 5971{,}90 , dá5972 — a opção (B); com capitalização semestral,5740 \times 1{,}01^{4} \approx 5973{,}07 , dá5973 — a opção (C). Quanto mais vezes se capitaliza, mais rende: é a mesma taxa anual a trabalhar sobre juros já vencidos.
Juro simples:
- a)
2500 \times (1 + 0{,}028 \times 6) = 2500 \times 1{,}168 = 2920{,}00 €. - b)
2500 \times 1{,}028^{6} \approx 2500 \times 1{,}180614 \approx 2951{,}54 €. - c)
2951{,}54 - 2920{,}00 = 31{,}54 €. - Em seis anos, trinta e um euros e cinquenta e quatro cêntimos.Aos
30 anos, com os mesmos valores, a diferença passaria dos600 €. A diferença não cresce em linha reta: cresce como a exponencial menos a reta.
Quantas capitalizações há por ano? E qual é a taxa de cada uma?
- Trimestral:
4 capitalizações por ano, cada uma à taxa\dfrac{0{,}04}{4} = 0{,}01 . - Em
2 anos há2 \times 4 = 8 capitalizações. - Logo
C_f = C(1 + 0{,}01)^{8} = C \times 1{,}01^{8} .
As duas taxas aplicam-se ambas ao bruto. E atenção ao
- a)
1350 \times (1 - 0{,}11 - 0{,}078) = 1350 \times 0{,}812 = 1096{,}20 €. - b)
14 \times 1350 = 18\,900 €. - c)
\dfrac{12 \times 1350}{52 \times 40} = \dfrac{16\,200}{2080} \approx 7{,}79 €/hora. - Repare-se em que a alínea b) usa
14 e a c) usa12 .Os subsídios de férias e de Natal contam para o rendimento anual, mas não são pagamento de horas trabalhadas — e por isso não entram no valor/hora, que é o que serve de base ao pagamento de horas extraordinárias.
Na alínea c), resolve a equação
- a)
21\,000 \times 0{,}241 - 1476{,}53 = 5061 - 1476{,}53 = 3584{,}47 €. - b)
\dfrac{3584{,}47}{21\,000} \approx 0{,}1707 : taxa efetiva de17{,}1\% , bastante abaixo dos24{,}1\% do escalão. - c)
0{,}311R = 4400 + 3092{,}76 = 7492{,}76 \iff R \approx 24\,092{,}48 €. - Verificação:
24\,092{,}48 está entre23\,089 e29\,397 . ✓Se o resultado caísse fora do escalão, a hipótese estaria errada e seria preciso repetir com a linha seguinte. A verificação é parte da resposta, não um extra.