Geometria Sintética
Geometria sem referencial: um triângulo, três retas de cada vez, e o espanto de elas se encontrarem sempre no mesmo ponto. Este capítulo é revisão do 10.º ano — os quatro pontos notáveis do triângulo com as suas demonstrações, onde cada um deles vive conforme o triângulo, a reta de Euler e a circunferência dos nove pontos. As Aprendizagens Essenciais pedem que se faça com geometria dinâmica: por isso o capítulo traz oito construções para fazer no GeoGebra, que se corrigem sozinhas e dizem onde é que o raciocínio se torceu.
Bissetrizes, incentro e circunferência inscrita
Três retas escolhidas uma a uma, sem combinação nenhuma entre elas, e mesmo assim passam todas pelo mesmo ponto. É a primeira das quatro vezes que isto acontece neste capítulo — e, das quatro, é aquela cuja demonstração cabe em três linhas.
- Definir e caracterizar incentro e circunferência inscrita (com demonstração).
- Promover explorações e construções envolvendo pontos notáveis do triângulo, usando geometria dinâmica, para resolver problemas, perceber os conceitos, formular conjeturas, visualizar e testar propriedades.
1 · A bissetriz, e a segunda maneira de a dizer
Do 9.º ano vem a definição: a bissetriz de um ângulo convexo é a semirreta com origem no vértice que o divide em dois ângulos iguais. Mas há uma segunda caracterização, equivalente, que é a que faz trabalho neste capítulo.
A bissetriz de um ângulo convexo é o conjunto dos pontos do ângulo que estão à mesma distância das retas suporte dos seus lados. Um ponto está na bissetriz se e só se as duas perpendiculares que dele se tiram para os lados têm o mesmo comprimento.
Quando se diz «a distância de
2 · As três bissetrizes encontram-se
O incentro de um triângulo é o ponto de interseção das bissetrizes dos seus três ângulos internos. Costuma designar-se por
A definição só faz sentido depois de se saber que as três bissetrizes se encontram mesmo num ponto só — duas retas não paralelas cruzam-se sempre, mas que a terceira passe exatamente pelo mesmo sítio é que é preciso provar.
Seja
- Como
I pertence à bissetriz do ânguloA , está à mesma distância das retasAB eAC :d(I, AB) = d(I, AC). - Como
I pertence à bissetriz do ânguloB , está à mesma distância das retasAB eBC :d(I, AB) = d(I, BC). - Das duas igualdades vem
d(I, AC) = d(I, BC) : o pontoI está à mesma distância das retasCA eCB . - Mas o conjunto dos pontos do ângulo de vértice
C equidistantes dos seus lados é a bissetriz desse ângulo. LogoI pertence-lhe também.
A demonstração é curta porque parte da caracterização certa. Partindo de «divide o ângulo em dois iguais», seria preciso comparar triângulos e o caminho ficava três vezes mais longo. Escolher a caracterização é metade da demonstração.
3 · A circunferência inscrita
A demonstração deu mais do que a concorrência: deu que as três distâncias de
A circunferência de centro
Ela é tangente a cada lado porque o raio até ao ponto de contacto é perpendicular ao lado — e uma reta perpendicular a um raio no seu extremo é tangente à circunferência. O incentro é, portanto, o centro da circunferência inscrita; é daí que lhe vem o nome.
Unindo
com
Laboratório · O incentro e as três distâncias aos lados
arrasta os vérticesUm triângulo tem lados de comprimento
- O perímetro é
13+14+15 = 42 . - Cálculo auxiliar: para a área, toma-se
14 por base. Sendox a distância do pé da altura ao vértice do lado13 , tem-se13^{2}-x^{2} = 15^{2}-(14-x)^{2} , ou seja169-x^{2} = 225-196+28x-x^{2} , donde28x = 140 ex = 5 . - A altura é
\sqrt{13^{2}-5^{2}} = \sqrt{144} = 12 , e a área é\dfrac{14 \times 12}{2} = 84 . - Logo
r = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{168}{42} = 4 .
Este triângulo — o
GeoGebra · Construir o incentro e a circunferência inscrita
constrói e verificaConstrói o incentro do triângulo
- Traça a bissetriz de dois dos ângulos internos. A ferramenta «Bissetriz» pede três pontos, pela ordem lado · vértice · lado.
- Marca a interseção das duas bissetrizes com a ferramenta «Interseção de Dois Objetos».
- Do incentro, tira uma perpendicular a um dos lados e marca o pé dessa perpendicular.
- Faz a circunferência de centro no incentro que passa por esse pé.
- Carrega em «Verificar a construção».
A correção não se contenta com o ponto estar no sítio: mexe nos vértices por trás e vê se ele acompanha. Um ponto colocado a olho não passa.
Python O incentro a partir dos três lados
Este capítulo não usa coordenadas — mas um programa precisa delas para desenhar. O programa calcula o incentro como média dos vértices pesada pelos lados opostos, e confirma que fica à mesma distância dos três lados.
from math import hypot
A = (0, 0)
B = (6, 0)
C = (1, 4)
lado_a = hypot(C[0]-B[0], C[1]-B[1])
lado_b = hypot(A[0]-C[0], A[1]-C[1])
lado_c = hypot(B[0]-A[0], B[1]-A[1])
p = lado_a + lado_b + lado_c
ix = (lado_a*A[0] + lado_b*B[0] + lado_c*C[0]) / p
iy = (lado_a*A[1] + lado_b*B[1] + lado_c*C[1]) / p
print("incentro:", round(ix, 4), round(iy, 4))
def dist_reta(P, X, Y):
num = abs((Y[0]-X[0])*(X[1]-P[1]) - (X[0]-P[0])*(Y[1]-X[1]))
return num / hypot(Y[0]-X[0], Y[1]-X[1])
I = (ix, iy)
print("distancias aos lados:")
for X, Y in ((A, B), (B, C), (C, A)):
print(" ", round(dist_reta(I, X, Y), 6))
area = abs((B[0]-A[0])*(C[1]-A[1]) - (C[0]-A[0])*(B[1]-A[1])) / 2
print("raio pela area:", round(2*area/p, 6))
from math import hypot
A = (0, 0)
B = (6, 0)
C = (1, 4)
# comprimento do lado oposto a cada vertice
lado_a = hypot(C[0]-B[0], C[1]-B[1])
lado_b = hypot(A[0]-C[0], A[1]-C[1])
lado_c = hypot(B[0]-A[0], B[1]-A[1])
p = lado_a + lado_b + lado_c # perimetro
# o incentro e a media dos vertices, pesada pelos lados
# opostos. Sai da bissetriz: ela divide o lado oposto na
# razao dos dois lados que partem do vertice.
ix = (lado_a*A[0] + lado_b*B[0] + lado_c*C[0]) / p
iy = (lado_a*A[1] + lado_b*B[1] + lado_c*C[1]) / p
print("incentro:", round(ix, 4), round(iy, 4))
def dist_reta(P, X, Y):
# area do paralelogramo a dividir pela base: da a altura
num = abs((Y[0]-X[0])*(X[1]-P[1]) - (X[0]-P[0])*(Y[1]-X[1]))
return num / hypot(Y[0]-X[0], Y[1]-X[1])
I = (ix, iy)
print("distancias aos lados:")
for X, Y in ((A, B), (B, C), (C, A)):
print(" ", round(dist_reta(I, X, Y), 6))
# as tres tem de dar o mesmo
area = abs((B[0]-A[0])*(C[1]-A[1]) - (C[0]-A[0])*(B[1]-A[1])) / 2
print("raio pela area:", round(2*area/p, 6))
# e tem de dar o mesmo que r = 2S/P
Muda
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre a bissetriz, o incentro e a circunferência inscrita. Os primeiros fixam a diferença entre «à mesma distância dos lados» e «à mesma distância dos vértices», que é onde este tema mais se engana; os últimos pedem demonstração, ao nível do Exame.
A cor do título dá o grau de dificuldade: verde, aplicação direta · amarelo, exige uma ideia intermédia · vermelho, justificação ou generalização, ao nível do Exame.
Num triângulo
Como se designa
- (A)Baricentro
- (B)Circuncentro
- (C)Incentro
- (D)Ortocentro
O ponto
A que distância está do outro lado? Justifica.
Considera um triângulo equilátero de lado
Determina o valor exato do raio da circunferência inscrita.
Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
- (A)O incentro de um triângulo pode ser exterior ao triângulo.
- (B)O incentro de um triângulo é sempre interior ao triângulo.
- (C)O incentro de um triângulo pertence sempre a um dos lados.
- (D)O incentro de um triângulo coincide sempre com um dos vértices.
Um triângulo tem
Determina o raio da circunferência inscrita.
Considera um triângulo retângulo de catetos
a) Determina o raio da circunferência inscrita. b) Determina o perímetro dessa circunferência.
Um jardim tem a forma de um triângulo, delimitado por três muros. Quer instalar-se uma fonte à mesma distância dos três muros.
a) Explica que ponto notável do triângulo dá a localização da fonte.
b) Sabendo que o jardim tem
Num triângulo
Determina
Num triângulo
Determina o perímetro do triângulo.
Seja
Prova que
Um triângulo é retângulo, tem catetos de comprimento
Prova que o raio da circunferência inscrita é
Num triângulo
Prova que as duas são perpendiculares.
Duas bissetrizes bastam: a terceira passa no mesmo ponto. E o ponto onde as bissetrizes se encontram tem um nome próprio.
- O ponto de interseção das bissetrizes dos ângulos internos é o incentro.
- A opção correta é a (C).As outras três são os outros pontos notáveis: o baricentro vem das medianas, o circuncentro das mediatrizes, o ortocentro das alturas. Confundi-los é o erro mais comum deste tema — e a maneira de não os confundir é lembrar de que três retas vem cada um.
Não é preciso calcular nada: é a caracterização da bissetriz como lugar geométrico.
- A bissetriz de um ângulo convexo é o conjunto dos pontos do ângulo equidistantes das retas suporte dos lados.
- Como
P lhe pertence, a distância ao outro lado é também3{,}5 .A distância de um ponto a uma reta mede-se sempre na perpendicular. É esse segmento que aqui vale3{,}5 dos dois lados.
Num triângulo equilátero a bissetriz de cada ângulo é também altura. Começa por calcular a altura, e depois pensa em que fração dela está o incentro — ou usa a área e o perímetro.
- Cálculo auxiliar: a altura de um triângulo equilátero de lado
6 é\sqrt{6^{2}-3^{2}} = \sqrt{27} = 3\sqrt{3} . - A área é
\dfrac{6 \times 3\sqrt{3}}{2} = 9\sqrt{3} , e o perímetro é18 . - De
S = \dfrac{r \times P}{2} vemr = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{18\sqrt{3}}{18} = \sqrt{3} .Repara em que\sqrt{3} é um terço da altura3\sqrt{3} . Num triângulo equilátero os quatro pontos notáveis coincidem, e o baricentro está a um terço da altura a contar da base — voltaremos a isto na R5.
O incentro é o centro de uma circunferência que toca os três lados por dentro. Uma circunferência dessas cabe fora do triângulo?
- A bissetriz interna de um ângulo está toda dentro do ângulo, e o triângulo é a interseção dos três ângulos internos.
- Logo o incentro, que está nas três bissetrizes, está dentro dos três ângulos — isto é, dentro do triângulo.
- A opção correta é a (B).Este é um dos dois pontos notáveis que nunca saem: o outro é o baricentro. O circuncentro e o ortocentro saem, e é o que a R5 vai arrumar.
Une o incentro aos três vértices. Ficas com três triângulos, todos com a mesma altura.
- Unindo
I aos vértices, o triângulo parte-se em três, cada um com um lado por base er por altura. - Somando as três áreas:
S = \dfrac{r \times P}{2} , comP o perímetro. 15 = \dfrac{20r}{2} = 10r , logor = 1{,}5 .Não é uma fórmula a decorar: sai da figura em duas linhas, e é essa dedução que o Exame pode pedir.
A hipotenusa sai de Pitágoras. Depois é a área e o perímetro, como no exercício anterior.
- a) Cálculo auxiliar: a hipotenusa é
\sqrt{3^{2}+4^{2}} = 5 . - A área é
\dfrac{3 \times 4}{2} = 6 e o perímetro é3+4+5 = 12 . r = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{12}{12} = 1 .- b) O perímetro da circunferência é
2\pi r = 2\pi .Repara em quer = \dfrac{3+4-5}{2} = 1 . Não é coincidência — o último exercício desta secção pede a demonstração.
Distância a um muro é distância a uma reta. Que lugar geométrico está à mesma distância de dois lados de um ângulo?
- a) Estar à mesma distância de dois muros é estar na bissetriz do ângulo que eles formam. Estar à mesma distância dos três é estar nas três bissetrizes: é o incentro.
- b) Essa distância comum é o raio da circunferência inscrita:
r = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{480}{80} = 6 . - A fonte fica a
6 metros de cada muro.É a mesma pergunta do carregueiro à mesma distância de três portos, ou do chafariz no parque infantil: quando o enunciado diz «à mesma distância dos três lados», é o incentro; quando diz «dos três vértices», é o circuncentro, que é a R2.
O incentro está nas bissetrizes: cada uma parte o seu ângulo ao meio. Falta descobrir o terceiro ângulo do triângulo.
- A soma dos ângulos internos é
180^{\circ} , logoA\hat{C}B = 180^{\circ}-74^{\circ}-56^{\circ} = 50^{\circ} . [BI] está na bissetriz deA\hat{B}C , logoI\hat{B}C = \dfrac{56^{\circ}}{2} = 28^{\circ} .[CI] está na bissetriz deA\hat{C}B , logoB\hat{C}I = \dfrac{50^{\circ}}{2} = 25^{\circ} .
É a mesma relação de antes, resolvida em ordem a outra letra.
- De
S = \dfrac{rP}{2} vemP = \dfrac{2S}{r} . P = \dfrac{2 \times 84}{4} = 42 .- O perímetro é
42 .Verificação de bom senso: comr=4 , o triângulo tem de ser bastante maior do que a circunferência inscrita, cujo perímetro é8\pi \approx 25 . Sai42 , que é maior. ✓
Escreve os ângulos do triângulo
- Sejam
\alpha ,\beta e\gamma as amplitudes dos ângulos internos de vérticesA ,B eC . I está na bissetriz do ânguloB , logoI\hat{B}C = \dfrac{\beta}{2} ; está na bissetriz do ânguloC , logoB\hat{C}I = \dfrac{\gamma}{2} .- No triângulo
[BIC] :B\hat{I}C = 180^{\circ} - \dfrac{\beta}{2} - \dfrac{\gamma}{2} = 180^{\circ} - \dfrac{\beta+\gamma}{2} . - No triângulo
[ABC] :\beta + \gamma = 180^{\circ} - \alpha . - Substituindo:
B\hat{I}C = 180^{\circ} - \dfrac{180^{\circ}-\alpha}{2} = 180^{\circ} - 90^{\circ} + \dfrac{\alpha}{2} = 90^{\circ} + \dfrac{\alpha}{2}. - Como se queria. Uma consequência que vale a pena guardar:
B\hat{I}C é sempre obtuso, porque é90^{\circ} mais alguma coisa. Confere na tarefa do GeoGebra desta secção — arrasta os vértices e vê o ângulo emI nunca descer dos90^{\circ} .
A área e o perímetro dão logo
- A área é
S = \dfrac{bc}{2} e o perímetro éP = a+b+c , logor = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{bc}{a+b+c}. - Multiplica-se numerador e denominador por
b+c-a :r = \dfrac{bc\,(b+c-a)}{(a+b+c)(b+c-a)}. - Cálculo auxiliar: o denominador é
(b+c)^{2}-a^{2} = b^{2}+2bc+c^{2}-a^{2} . - Pelo Teorema de Pitágoras,
b^{2}+c^{2} = a^{2} , logo o denominador é2bc . - Portanto
r = \dfrac{bc\,(b+c-a)}{2bc} = \dfrac{b+c-a}{2} .Confirmação com o triângulo3 -4 -5 :\dfrac{3+4-5}{2} = 1 , que é o que se obteve pelo caminho da área. ✓
O ângulo interno e o ângulo externo adjacente somam
- Seja
\alpha a amplitude do ângulo interno de vérticeA . O ângulo externo adjacente tem amplitude180^{\circ}-\alpha , por serem suplementares. - A bissetriz interna faz com o lado
[AB] um ângulo de\dfrac{\alpha}{2} . - A bissetriz externa faz com o prolongamento de
[AB] um ângulo de\dfrac{180^{\circ}-\alpha}{2} = 90^{\circ}-\dfrac{\alpha}{2} , portanto faz com[AB] , do mesmo lado, um ângulo de180^{\circ}-\left(90^{\circ}-\dfrac{\alpha}{2}\right) = 90^{\circ}+\dfrac{\alpha}{2} . - O ângulo entre as duas bissetrizes é a diferença:
\left(90^{\circ}+\dfrac{\alpha}{2}\right) - \dfrac{\alpha}{2} = 90^{\circ}. - São perpendiculares, seja qual for o triângulo.É esta perpendicularidade que faz existirem as circunferências ex-inscritas — as três que tocam um lado e os prolongamentos dos outros dois. Elas voltam na secção A1, a propósito do ponto de Nagel.
Mediatrizes, circuncentro e circunferência circunscrita
A mesma história outra vez, com uma palavra trocada: onde na secção anterior se dizia «à mesma distância dos lados», passa a dizer-se «à mesma distância dos vértices». O ponto que sai é outro, e a demonstração é a mesma linha por linha — o que é a melhor maneira de perceber que a demonstração não era sobre bissetrizes: era sobre lugares geométricos.
- Definir e caracterizar circuncentro e circunferência circunscrita (com demonstração).
- Desenvolver o gosto pela argumentação em geral e pela demonstração como elemento central da matemática, por exemplo a propósito da circunferência inscrita e da circunferência circunscrita.
1 · A mediatriz, recordada
A mediatriz de
2 · As três mediatrizes encontram-se
O circuncentro de um triângulo é o ponto de interseção das mediatrizes dos seus três lados. Costuma designar-se por
Seja
- Como
O pertence à mediatriz de[AB] , está à mesma distância dos seus extremos:\overline{OA} = \overline{OB}. - Como
O pertence à mediatriz de[BC] :\overline{OB} = \overline{OC}. - Das duas igualdades vem
\overline{OA} = \overline{OC} : o pontoO está à mesma distância deA e deC . - Mas o conjunto dos pontos equidistantes de
A e deC é a mediatriz de[AC] . LogoO pertence-lhe também.
Compara com a demonstração do incentro, na R1: são a mesma, palavra por palavra, com «equidistante dos lados» trocado por «equidistante dos extremos». Uma demonstração que se pode repetir noutro contexto é uma demonstração que se percebeu.
3 · A circunferência circunscrita
A circunferência de centro
A demonstração dá as duas coisas de uma vez. Que existe uma circunferência pelos três vértices: é a de centro
4 · O caso que sai mais vezes: o triângulo retângulo
Num triângulo retângulo, o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa. Em consequência:
a hipotenusa é um diâmetro da circunferência circunscrita, e portanto
A demonstração está no último grupo de exercícios desta secção, e usa apenas a reta média do triângulo.
Laboratório · O circuncentro a sair do triângulo
arrasta os vérticesUm triângulo
- A perpendicular tirada de
O paraBC encontra-a no ponto médioM :O está na mediatriz de[BC] , e a mediatriz corta o lado no ponto médio. - O triângulo
[OMB] é retângulo emM , com\overline{OB} = 25 e\overline{OM} = 7 . - Cálculo auxiliar:
\overline{MB} = \sqrt{25^{2}-7^{2}} = \sqrt{625-49} = \sqrt{576} = 24 . - Como
M é o ponto médio,\overline{BC} = 2 \times 24 = 48 .
Repara na peça que fez o trabalho: «a mediatriz corta o lado no ponto médio». É a segunda caracterização da mediatriz — a que não se usou na demonstração — e é quase sempre esta que resolve os exercícios de cálculo.
GeoGebra · Construir o circuncentro e a circunferência circunscrita
constrói e verificaConstrói o circuncentro do triângulo
- Traça a mediatriz de dois dos lados. A ferramenta «Mediatriz» pede os dois extremos do lado.
- Marca a interseção das duas mediatrizes.
- Faz a circunferência de centro nesse ponto que passa por
A . Confirma que passa também porB e porC . - Carrega em «Verificar a construção».
- Depois arrasta um vértice até o triângulo ficar obtusângulo, e vê o centro sair — sem a circunferência deixar de passar pelos três vértices.
Se construíres o incentro por engano, a correção diz-to pelo nome: é o erro mais frequente deste tema, e distingue-se por uma palavra.
Python O circuncentro e o tipo de triângulo
O programa calcula o circuncentro, confirma que fica à mesma distância dos três vértices, e diz se cai dentro, sobre um lado, ou fora do triângulo.
from math import hypot, acos, degrees
A = (0, 0)
B = (6, 0)
C = (5, 4)
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na = A[0]**2 + A[1]**2
nb = B[0]**2 + B[1]**2
nc = C[0]**2 + C[1]**2
ox = (na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1])) / d
oy = (na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0])) / d
print("circuncentro:", round(ox, 4), round(oy, 4))
for nome, P in (("A", A), ("B", B), ("C", C)):
print(" dist a", nome, "=", round(hypot(P[0]-ox, P[1]-oy), 6))
def angulo(x, y, z):
return degrees(acos((y*y + z*z - x*x) / (2*y*z)))
a = hypot(C[0]-B[0], C[1]-B[1])
b = hypot(A[0]-C[0], A[1]-C[1])
c = hypot(B[0]-A[0], B[1]-A[1])
maior = max(angulo(a, b, c), angulo(b, c, a), angulo(c, a, b))
print("maior angulo:", round(maior, 2))
if maior > 90.001:
print("obtusangulo -> o circuncentro esta fora")
elif maior > 89.999:
print("retangulo -> esta no ponto medio da hipotenusa")
else:
print("acutangulo -> esta dentro")
from math import hypot, acos, degrees
A = (0, 0)
B = (6, 0)
C = (5, 4)
# O circuncentro sai de um sistema de duas equacoes — as duas
# mediatrizes. Resolvido de uma vez, da esta formula fechada.
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
# d e zero se os pontos forem colineares
na = A[0]**2 + A[1]**2
nb = B[0]**2 + B[1]**2
nc = C[0]**2 + C[1]**2
ox = (na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1])) / d
oy = (na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0])) / d
print("circuncentro:", round(ox, 4), round(oy, 4))
for nome, P in (("A", A), ("B", B), ("C", C)):
print(" dist a", nome, "=", round(hypot(P[0]-ox, P[1]-oy), 6))
# as tres tem de dar o mesmo: e o raio
def angulo(x, y, z):
# lei dos cossenos, resolvida em ordem ao angulo oposto a x
return degrees(acos((y*y + z*z - x*x) / (2*y*z)))
a = hypot(C[0]-B[0], C[1]-B[1]) # lado oposto a A
b = hypot(A[0]-C[0], A[1]-C[1]) # lado oposto a B
c = hypot(B[0]-A[0], B[1]-A[1]) # lado oposto a C
maior = max(angulo(a, b, c), angulo(b, c, a), angulo(c, a, b))
print("maior angulo:", round(maior, 2))
if maior > 90.001:
print("obtusangulo -> o circuncentro esta fora")
elif maior > 89.999:
print("retangulo -> esta no ponto medio da hipotenusa")
else:
print("acutangulo -> esta dentro")
Põe
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre a mediatriz, o circuncentro e a circunferência circunscrita. Repara em quantos se resolvem só com «
Num triângulo
Como se designa
- (A)Baricentro
- (B)Circuncentro
- (C)Incentro
- (D)Ortocentro
a) Indica
Um triângulo é retângulo e a sua hipotenusa mede
Determina o raio da circunferência circunscrita.
Qual das afirmações seguintes é falsa?
- (A)O circuncentro pode ser exterior ao triângulo.
- (B)O circuncentro pode pertencer a um dos lados do triângulo.
- (C)O circuncentro é sempre interior ao triângulo.
- (D)O circuncentro está à mesma distância dos três vértices.
Considera um triângulo equilátero de lado
Determina o valor exato do raio da circunferência circunscrita.
Um triângulo
a) Determina o raio da circunferência circunscrita.
b) Determina a distância do circuncentro ao vértice
Três aldeias —
a) Explica que ponto notável do triângulo
Num triângulo
Mostra que o circuncentro pertence à mediatriz de
Um triângulo está inscrito numa circunferência de raio
Mostra que o triângulo é retângulo.
Seja
Prova que
Na demonstração da existência do circuncentro começa-se por dizer que as mediatrizes de dois lados se cruzam.
Explica por que razão as mediatrizes de dois lados de um triângulo nunca são paralelas.
Um triângulo
Determina a distância de
Mediatrizes de lados, não bissetrizes de ângulos. E lembra que a mediatriz é o lugar dos pontos equidistantes dos extremos.
- O ponto de interseção das mediatrizes dos lados é o circuncentro.
- A opção correta é a (B).A palavra que separa este ponto do incentro é uma só: «vértices» contra «lados».
D está à mesma distância dos três vértices.
Está tudo na definição do ponto — não há nada a calcular.
- a) O circuncentro está nas três mediatrizes, logo está à mesma distância dos três vértices:
\overline{OB} = \overline{OC} = 7 . - b) A circunferência circunscrita é a de centro
O que passa pelos vértices, logo o raio é7 .
Num triângulo retângulo, o circuncentro tem um sítio fixo. Onde?
- Num triângulo retângulo, o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa.
- Logo a hipotenusa é um diâmetro da circunferência circunscrita, e
R = \dfrac{26}{2} = 13 .
Desenha um triângulo muito «achatado», com um ângulo bem obtuso, e vê para onde vai o centro da circunferência que passa pelos três vértices.
- Num triângulo obtusângulo o circuncentro fica fora; num retângulo fica sobre a hipotenusa; só num acutângulo é que fica dentro.
- Logo a afirmação falsa é a (C).É esta a diferença mais útil entre o circuncentro e o incentro: o incentro nunca sai, o circuncentro sai. A R5 arruma os quatro casos de uma vez.
A altura já foi calculada na secção anterior. Num triângulo equilátero, a que fração da altura está o centro, a contar do vértice?
- A altura é
3\sqrt{3} , e num triângulo equilátero as mediatrizes coincidem com as alturas. - Sendo
M o ponto médio de um lado, o triângulo[OMB] é retângulo emM , com\overline{MB} = 3 e\overline{OM} = r = \sqrt{3} — o raio da inscrita, calculado na R1. - Logo
R = \overline{OB} = \sqrt{3^{2}+\left(\sqrt{3}\right)^{2}} = \sqrt{12} = 2\sqrt{3} . - Verificação:
R = 2\sqrt{3} er = \sqrt{3} , logoR = 2r — eR + r = 3\sqrt{3} , que é a altura. ✓Num triângulo equilátero o incentro e o circuncentro são o mesmo ponto, e ele divide a altura em\frac{2}{3} e\frac{1}{3} . É a razão do baricentro, que a R4 vai demonstrar.
Depois da hipotenusa, a alínea b) não precisa de contas nenhumas:
- a) Cálculo auxiliar:
\overline{BC} = \sqrt{6^{2}+8^{2}} = 10 . - O circuncentro é o ponto médio de
[BC] , logoR = 5 . - b) O circuncentro está à mesma distância dos três vértices, logo dista
5 deA .Dito de outra maneira: a mediana relativa à hipotenusa mede metade da hipotenusa. É a propriedade que o último exercício desta secção demonstra.
«À mesma distância das três aldeias» é «à mesma distância dos três vértices». Que retas dão isso?
- a) Estar à mesma distância de duas aldeias é estar na mediatriz do segmento que as une. Estar à mesma distância das três é estar nas três mediatrizes: é o circuncentro.
- b) Por definição de circuncentro,
\overline{OA} = \overline{OB} = \overline{OC} . Esse comprimento é o raio da circunferência circunscrita ao triângulo[ABC] . - c) Quando o triângulo é obtusângulo. Se for retângulo, o depósito fica em cima do ponto médio do maior lado.Compara com o problema da fonte, na R1: ali era «à mesma distância dos três muros» — lados — e dava o incentro. Uma palavra muda o ponto.
A primeira parte é imediata pela definição. A segunda é a caracterização da mediatriz como lugar geométrico, aplicada a
- O circuncentro está nas três mediatrizes, logo em particular na de
[BC] . - Como
\overline{AB} = \overline{AC} , o pontoA está à mesma distância deB e deC , e portanto também pertence à mediatriz de[BC] . - Logo a reta
AO é a mediatriz de[BC] : num triângulo isósceles, o circuncentro está sobre o eixo de simetria.O mesmo argumento serve para o incentro, para o ortocentro e para o baricentro: todos eles estão nessa reta. É por isso que num triângulo isósceles os quatro pontos notáveis são colineares — voltaremos a isto na R5 e na R6.
Um lado que mede
- A maior corda de uma circunferência de raio
10 é o diâmetro, que mede20 . Logo esse lado é um diâmetro. - O centro da circunferência circunscrita é, portanto, o ponto médio desse lado.
- Sendo
[BC] esse lado,O o seu ponto médio eA o terceiro vértice, tem-se\overline{OA} = \overline{OB} = \overline{OC} = 10 . - Os triângulos
[OAB] e[OAC] são isósceles, logoO\hat{A}B = O\hat{B}A eO\hat{A}C = O\hat{C}A . Somando os ângulos internos de[ABC] :2\,O\hat{A}B + 2\,O\hat{A}C = 180^{\circ} \;\Leftrightarrow\; O\hat{A}B + O\hat{A}C = 90^{\circ}. - Mas
B\hat{A}C = O\hat{A}B + O\hat{A}C = 90^{\circ} : o triângulo é retângulo emA .Acabaste de demonstrar o Teorema de Tales na sua forma clássica — todo o ângulo inscrito numa semicircunferência é reto.
Mostra que
- A mediatriz de
[AB] é perpendicular aAB . Como o ângulo emA é reto, a retaAC também é perpendicular aAB . Logo a mediatriz de[AB] é paralela aAC . - Essa mediatriz passa no ponto médio de
[AB] . Uma reta que passa no ponto médio de um lado de um triângulo e é paralela a outro lado passa no ponto médio do terceiro — é a reta média. Logo passa emM . - Como
M pertence à mediatriz de[AB] , tem-se\overline{MA} = \overline{MB} . - E
\overline{MB} = \overline{MC} = \dfrac{\overline{BC}}{2} , porM ser o ponto médio de[BC] . - Portanto
\overline{AM} = \dfrac{\overline{BC}}{2} .De passagem, provou-se mais:M está à mesma distância dos três vértices, logo é o circuncentro. É a demonstração da propriedade que se enunciou no texto da secção.
Argumenta por absurdo: supõe que eram paralelas e vê o que isso obrigaria os dois lados a ser.
- Suponhamos, por absurdo, que as mediatrizes de
[AB] e de[BC] eram paralelas. - A mediatriz de
[AB] é perpendicular aAB e a de[BC] é perpendicular aBC . - Duas retas paralelas têm a mesma direção; e duas retas perpendiculares a retas com a mesma direção são também paralelas entre si. Logo
AB eBC seriam paralelas. - Mas
AB eBC têm o pontoB em comum: se fossem paralelas, seriam a mesma reta, eA ,B eC estariam alinhados. - Isso contraria a hipótese de
[ABC] ser um triângulo. Logo as duas mediatrizes não são paralelas e cruzam-se num ponto.Este passo tem de estar na demonstração. Sem ele, ela prova apenas que se as duas se cruzarem, a terceira passa lá — e não que existe circuncentro.
A distância do centro a uma corda mede-se na perpendicular, e essa perpendicular é a mediatriz da corda. Fica um triângulo retângulo com hipotenusa
- A perpendicular tirada de
O paraBC encontra-a no ponto médioM — porqueO está na mediatriz de[BC] . - Logo
\overline{MB} = 12 , e o triângulo[OMB] é retângulo emM com hipotenusa\overline{OB} = 13 . - Cálculo auxiliar:
\overline{OM} = \sqrt{13^{2}-12^{2}} = \sqrt{25} = 5 . - Quando o ângulo em
A é obtuso, o vérticeA fica no arco menor definido porB eC — isto é, do lado da retaBC oposto ao centroO . - É por isso que nesse caso o circuncentro fica fora do triângulo.Confirma no laboratório: arrasta
A ao longo da circunferência e vê o momento em queO atravessa o lado[BC] . É exactamente quandoA passa pelo ponto em que o ângulo é reto.
Alturas e ortocentro
O terceiro dos quatro pontos, e o primeiro que não é definido por distâncias: as alturas não são o lugar geométrico de nada. Em compensação, é o que mais se mexe — sai do triângulo, entra, e às vezes vai aterrar exactamente em cima de um vértice.
- Definir e caracterizar ortocentro.
- Promover explorações e construções envolvendo pontos notáveis do triângulo, usando geometria dinâmica, para visualizar e testar propriedades.
1 · A altura, e a palavra que ela obriga a usar
A altura de um triângulo relativa a um lado, tomado por base, é o segmento de reta que une o vértice oposto ao pé da perpendicular tirada desse vértice para a reta que contém a base.
Cada triângulo tem três alturas, uma por lado.
Porque o pé nem sempre cai no lado. Quando o triângulo tem um ângulo obtuso, duas das três alturas encontram o prolongamento do lado oposto. Se a definição dissesse «para o lado», essas duas alturas não existiriam — e o triângulo obtusângulo ficaria com uma altura só.
2 · As três alturas encontram-se
O ortocentro de um triângulo é o ponto de interseção das retas suporte das suas três alturas. Costuma designar-se por
As Aprendizagens Essenciais pedem que se defina e caracterize o ortocentro, mas não pedem a demonstração da concorrência — ao contrário do que fazem para o incentro e para o circuncentro. Fica aqui na mesma, porque tem uma ideia que vale a pena ver: em vez de se demonstrar de novo, reduz-se ao que já está feito.
Esta demonstração não é pedida pelas Aprendizagens Essenciais — as AE pedem-na para o incentro e para o circuncentro, e para o ortocentro pedem só a definição. Fica pela ideia: transformar um problema novo num problema já resolvido.
Seja
AB' é paralela aBC eCB' é paralela aAB , logo[ABCB'] é um paralelogramo e\overline{AB'} = \overline{BC} .- Do mesmo modo,
[AC'BC] é um paralelogramo e\overline{AC'} = \overline{BC} . - Como
B' eC' estão ambos na paralela aBC tirada porA , e de lados opostos deA , conclui-se queA é o ponto médio de[B'C'] . O mesmo argumento dáB ponto médio de[C'A'] eC ponto médio de[A'B'] . - A reta suporte da altura de
[ABC] tirada deA é perpendicular aBC . ComoB'C' é paralela aBC , essa reta é também perpendicular aB'C' — e passa emA , que é o ponto médio de[B'C'] . - Ou seja: é a mediatriz de
[B'C'] . Do mesmo modo, as outras duas alturas de[ABC] são as mediatrizes de[C'A'] e de[A'B'] . - Pela R2, as três mediatrizes de
[A'B'C'] passam pelo mesmo ponto.
3 · Onde é que o ortocentro cai
Dos quatro pontos notáveis, este é o que mais viaja. Vale a pena guardar os três casos.
Triângulo acutângulo:
Num triângulo acutângulo
- Sejam
P eQ os pés das alturas tiradas deB e deC , respetivamente. - No quadrilátero
[AQHP] há dois ângulos retos, emP e emQ . - Logo
Q\hat{H}P = 360^{\circ}-90^{\circ}-90^{\circ}-63^{\circ} = 117^{\circ} . B\hat{H}C é verticalmente oposto aQ\hat{H}P , logo mede também117^{\circ} .
A conta que se fez foi
GeoGebra · Construir o ortocentro e vê-lo sair
constrói e verificaConstrói o ortocentro do triângulo
- Traça a reta perpendicular a
[BC] que passa emA . A ferramenta «Reta Perpendicular» pede o ponto e depois a reta ou o segmento. - Faz o mesmo a partir de
B , perpendicular a[AC] . - Marca a interseção das duas.
- Confirma que a terceira altura passa pelo mesmo ponto — traça-a também.
- Carrega em «Verificar a construção», e depois arrasta
C até o ângulo emA passar dos90^{\circ} .
Repara no que acontece exactamente quando o ângulo é reto: as três alturas passam a encontrar-se em cima do vértice.
Python As três alturas, e onde é que os pés caem
O programa calcula os pés das três alturas e diz, para cada um, se caiu dentro do lado ou no prolongamento. Serve para ver, sem desenhar, o que acontece quando o triângulo é obtusângulo.
from math import hypot
A = (0, 0)
B = (7, 0)
C = (6, 2)
def pe(P, X, Y):
vx, vy = Y[0]-X[0], Y[1]-X[1]
k = ((P[0]-X[0])*vx + (P[1]-X[1])*vy) / (vx*vx + vy*vy)
return (X[0] + k*vx, X[1] + k*vy), k
for nome, V, X, Y in (("A", A, B, C), ("B", B, C, A), ("C", C, A, B)):
P, k = pe(V, X, Y)
dentro = "dentro do lado" if 0 <= k <= 1 else "no prolongamento"
print("altura de", nome, "-> pe em",
(round(P[0], 3), round(P[1], 3)),
" comprimento", round(hypot(P[0]-V[0], P[1]-V[1]), 4),
" ", dentro)
from math import hypot
A = (0, 0)
B = (7, 0)
C = (6, 2) # angulo obtuso em C
def pe(P, X, Y):
# projeta P sobre a reta XY. O k diz onde e que o pe caiu:
# k = 0 e o X, k = 1 e o Y, e fora de [0, 1] e fora do lado.
vx, vy = Y[0]-X[0], Y[1]-X[1]
k = ((P[0]-X[0])*vx + (P[1]-X[1])*vy) / (vx*vx + vy*vy)
return (X[0] + k*vx, X[1] + k*vy), k
for nome, V, X, Y in (("A", A, B, C), ("B", B, C, A), ("C", C, A, B)):
P, k = pe(V, X, Y) # V e o vertice, [XY] o lado oposto
dentro = "dentro do lado" if 0 <= k <= 1 else "no prolongamento"
print("altura de", nome, "-> pe em",
(round(P[0], 3), round(P[1], 3)),
" comprimento", round(hypot(P[0]-V[0], P[1]-V[1]), 4),
" ", dentro)
# com C = (6, 2) ha dois pes fora:
# e o que faz o ortocentro sair
Troca
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre alturas e ortocentro. Metade deles vive da relação
Num triângulo
Como se designa
- (A)Baricentro
- (B)Circuncentro
- (C)Incentro
- (D)Ortocentro
Um triângulo
Indica, justificando, qual é o ortocentro do triângulo.
Um triângulo tem
Determina o comprimento da altura relativa a esse lado.
Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
- (A)O ortocentro é sempre interior ao triângulo.
- (B)O ortocentro pode ser interior, exterior ou coincidir com um vértice.
- (C)O ortocentro coincide sempre com um dos vértices.
- (D)O ortocentro está sempre à mesma distância dos três lados.
Um triângulo tem lados de comprimento
Determina as três alturas.
Considera um triângulo equilátero de lado
Determina o valor exato da distância do ortocentro a qualquer um dos vértices.
Num triângulo acutângulo
Determina
Num triângulo
Indica, justificando, quais das três alturas têm o pé fora do lado correspondente.
Num triângulo, a altura relativa a um lado de comprimento
Determina o comprimento da altura relativa a um lado de comprimento
Seja
Prova que
Prova que, se o ortocentro de um triângulo coincidir com um dos seus vértices, então o triângulo é retângulo nesse vértice.
Num triângulo de lados
a) Mostra que
Uma reta que passa num vértice e é perpendicular ao lado oposto tem um nome. Qual?
- Cada uma dessas retas é a reta suporte de uma altura do triângulo.
- O ponto de interseção das alturas é o ortocentro: opção (D).Atenção à diferença com a mediatriz: a mediatriz de
[BC] também é perpendicular aBC , mas passa no ponto médio de[BC] , não no vérticeA . Perpendicular ao lado há duas; o que as separa é por onde passam.
Repara nos dois catetos: cada um é perpendicular ao outro. Isso faz deles alturas?
[AB] é perpendicular a[BC] , logo[AB] é a altura relativa ao lado[BC] .- Do mesmo modo,
[BC] é a altura relativa a[AB] . - As duas cruzam-se em
B , logo o ortocentro éB — o vértice do ângulo reto.
A fórmula da área de um triângulo é base vezes altura a dividir por dois.
- De
S = \dfrac{b \times h}{2} vemh = \dfrac{2S}{b} . h = \dfrac{72}{9} = 8 .
Pensa em três triângulos: um acutângulo, um retângulo e um obtusângulo.
- Acutângulo:
H fica dentro. Retângulo:H é o vértice do ângulo reto. Obtusângulo:H fica fora. - Logo a opção correta é a (B).A opção (D) descreve o incentro. O ortocentro não tem nenhuma propriedade de equidistância — é o único dos quatro pontos notáveis que não é definido por distâncias.
Cada altura vai com o seu lado, e as três dão a mesma área. Escreve
- Para o lado
13 :h = \dfrac{168}{13} \approx 12{,}92 . - Para o lado
14 :h = \dfrac{168}{14} = 12 . - Para o lado
15 :h = \dfrac{168}{15} = 11{,}2 . - Repara na ordem: ao maior lado corresponde a menor altura.O produto
b \times h é o mesmo nas três — vale sempre2S . É a relação que resolve quase todos os exercícios com alturas.
Num triângulo equilátero, os quatro pontos notáveis são o mesmo ponto. Já calculaste a distância desse ponto aos vértices na R2.
- Num triângulo equilátero a altura tirada de cada vértice é também mediatriz do lado oposto, logo o ortocentro coincide com o circuncentro.
- Na R2 calculou-se
R = 2\sqrt{3} para o mesmo triângulo. - Logo a distância do ortocentro a cada vértice é
2\sqrt{3} .Este é o único caso em que os quatro pontos notáveis coincidem — e a R5 vai mostrar que a recíproca também vale: se dois deles coincidirem, o triângulo é equilátero.
Considera o quadrilátero formado por
- Sejam
P o pé da altura tirada deB eQ o pé da altura tirada deC . - No quadrilátero
[AQHP] , os ângulos emP e emQ são retos, e o ângulo emA mede52^{\circ} . - A soma dos ângulos internos de um quadrilátero é
360^{\circ} , logoQ\hat{H}P = 360^{\circ}-90^{\circ}-90^{\circ}-52^{\circ} = 128^{\circ}. B\hat{H}C é o ângulo verticalmente oposto aQ\hat{H}P , logo também mede128^{\circ} .- Confere:
128^{\circ} = 180^{\circ}-52^{\circ} .
Desenha. O pé da altura tirada de um vértice cai dentro do lado oposto quando os dois ângulos adjacentes a esse lado são agudos.
- A altura tirada de
C encontra[AB] : os ângulos emA e emB são agudos (só pode haver um ângulo obtuso), logo o pé cai dentro de[AB] . - A altura tirada de
A encontra a retaBC : como o ângulo emC é obtuso, o pé cai no prolongamento de[BC] , para lá deC . - Do mesmo modo, o pé da altura tirada de
B cai no prolongamento de[AC] , para lá deC . - Portanto, duas das três: as tiradas dos dois vértices agudos.É por isso que o ortocentro sai do triângulo: as duas alturas só se cruzam depois de prolongadas, e cruzam-se do lado de lá de
C .
O produto de um lado pela altura correspondente é sempre o mesmo. Porquê?
- A área calcula-se por qualquer par lado-altura, logo
10 \times 7{,}2 = 12 \times h . 72 = 12h , dondeh = 6 .- Verificação: a área é
\dfrac{72}{2} = 36 pelos dois caminhos. ✓Ao maior lado corresponde sempre a menor altura: o produto tem de se manter, portanto quando um cresce o outro encolhe na mesma proporção.
Toma os pés das alturas tiradas de
- Sejam
\alpha = B\hat{A}C ,P o pé da altura tirada deB (sobre[AC] ) eQ o pé da altura tirada deC (sobre[AB] ). - Como o triângulo é acutângulo,
P eQ estão sobre os lados, eH está no interior. O quadrilátero[AQHP] é convexo. - Os ângulos de vértices
P eQ são retos, por definição de altura. - A soma dos ângulos internos de um quadrilátero é
360^{\circ} , logoQ\hat{H}P = 360^{\circ} - 90^{\circ} - 90^{\circ} - \alpha = 180^{\circ} - \alpha. B\hat{H}C eQ\hat{H}P são ângulos verticalmente opostos — as semirretasHB eHQ são opostas, e o mesmo paraHC eHP . Logo têm a mesma amplitude.- Portanto
B\hat{H}C = 180^{\circ} - \alpha .Confere com a R1: lá eraB\hat{I}C = 90^{\circ}+\frac{\alpha}{2} , sempre obtuso. Aqui,B\hat{H}C é obtuso quando\alpha é agudo — e é a mesma coisa a dizer queH «vê» o lado[BC] sob o suplementar do ângulo deA .
Se
- Suponhamos que o ortocentro é o vértice
A . - Então
A pertence à reta suporte da altura tirada deB . Essa reta passa emB e emA , logo é a retaAB . - Mas a altura tirada de
B é perpendicular aAC . LogoAB \perp AC . - O ângulo de vértice
A é reto: o triângulo é retângulo emA .Com a propriedade demonstrada no texto — num triângulo retângulo o ortocentro é o vértice do ângulo reto — fica a equivalência: o ortocentro é um vértice se e só se o triângulo é retângulo nesse vértice.
Na alínea b), de
- a) A área do triângulo é
S = \dfrac{a h_a}{2} = \dfrac{b h_b}{2} = \dfrac{c h_c}{2} , por se poder tomar qualquer lado como base. - Multiplicando por
2 :a h_a = b h_b = c h_c = 2S . - b) Dessa igualdade,
a = \dfrac{2S}{h_a} : os lados são inversamente proporcionais às alturas. - Logo os lados são proporcionais a
\dfrac{1}{12} ,\dfrac{1}{15} e\dfrac{1}{20} . - Cálculo auxiliar: multiplicando os três por
60 , obtém-se5 ,4 e3 . - Como
3^{2}+4^{2} = 5^{2} , o recíproco do Teorema de Pitágoras garante que o triângulo é retângulo.Repara em que a resposta não depende da escala: qualquer triângulo com estas três alturas é semelhante a um3 -4 -5 . As alturas determinam a forma, mas não o tamanho? Determinam os dois —a h_a = 2S fixa também a área.
Medianas e baricentro
O quarto ponto, e o único que se pode encontrar com um lápis e um bocado de cartão: é onde o triângulo fica em equilíbrio. É também a secção com mais demonstrações pedidas pelas Aprendizagens Essenciais — duas — e as duas dependem de uma coisa só, a reta média do triângulo.
- Definir e caracterizar baricentro.
- Conhecer propriedades das medianas e do baricentro: as três medianas dividem o triângulo em seis triângulos equivalentes (com demonstração).
- Conhecer propriedades das medianas e do baricentro: a distância do baricentro a qualquer dos vértices é
\frac{2}{3} da mediana respetiva (com demonstração). - Conhecer propriedades das medianas e do baricentro: o baricentro é o centro de massa (gravidade, geométrico) de um triângulo.
1 · A mediana
Uma mediana de um triângulo é o segmento de reta que une um vértice ao ponto médio do lado oposto. Cada triângulo tem três.
Todas têm que ver com um lado, e é fácil trocá-las. A mediana passa pelo vértice e pelo ponto médio; a mediatriz passa pelo ponto médio e é perpendicular ao lado, mas não passa pelo vértice; a altura passa pelo vértice e é perpendicular ao lado, mas não passa pelo ponto médio. Num triângulo isósceles as três coincidem — para um lado só, o lado desigual — e é essa coincidência que confunde toda a gente.
2 · A razão de dois para um
O baricentro de um triângulo é o ponto de interseção das suas três medianas. Costuma designar-se por
A distância do baricentro a qualquer dos vértices é
Sejam
- Nos triângulos
[CM_{1}M_{2}] e[CBA] : o ângulo de vérticeC é comum, e os lados que dele partem são proporcionais, de razão2 — porque\overline{CB} = 2\,\overline{CM_{1}} e\overline{CA} = 2\,\overline{CM_{2}} . Pelo critério LAL, os dois triângulos são semelhantes. - Da semelhança vem
\overline{AB} = 2\,\overline{M_{1}M_{2}} e, por os ângulos correspondentes serem iguais,[M_{1}M_{2}] é paralelo a[AB] . - Como
M_{1}M_{2} eAB são paralelas, as retasAM_{1} eBM_{2} cortam-nas formando ângulos alternos internos iguais:G\hat{A}B = G\hat{M_{1}}M_{2} \qquad\text{e}\qquad G\hat{B}A = G\hat{M_{2}}M_{1}. - Pelo critério AA, os triângulos
[GAB] e[GM_{1}M_{2}] são semelhantes. - A razão de semelhança é a dos lados correspondentes
[AB] e[M_{1}M_{2}] , que é2 . Logo\overline{AG} = 2\,\overline{GM_{1}} \qquad\text{e}\qquad \overline{BG} = 2\,\overline{GM_{2}}. - De
\overline{AG} = 2\,\overline{GM_{1}} e\overline{AM_{1}} = \overline{AG}+\overline{GM_{1}} sai\overline{AG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{AM_{1}} . - E a terceira mediana? Repetindo o argumento com as medianas
[AM_{1}] e[CM_{3}] , o ponto onde elas se cruzam está também a\dfrac{2}{3} de[AM_{1}] , a contar deA . Mas em[AM_{1}] há um só ponto nessas condições. Logo é o mesmoG .
O último passo é o que dá a concorrência das três medianas — de graça, sem uma demonstração à parte. É o mesmo truque que se usou na R1 e na R2: encontrar duas, e mostrar que a terceira não tem outro sítio para onde ir.
3 · Seis triângulos com a mesma área
As três medianas dividem o triângulo em seis triângulos equivalentes — isto é, com a mesma área, cada um igual a
Sejam
- Aos pares, são iguais em área. Os triângulos
[AM_{3}G] e[M_{3}BG] têm bases[AM_{3}] e[M_{3}B] com o mesmo comprimento, e a mesma altura — a distância deG à retaAB . Logo têm a mesma área; chamemos-lhex . - Pelo mesmo argumento,
[BM_{1}G] e[M_{1}CG] têm áreay , e[CM_{2}G] e[M_{2}AG] têm áreaz . - Agora os pares entre si. A mediana
[AM_{1}] divide[ABC] em dois triângulos de igual área —[ABM_{1}] e[AM_{1}C] — porque têm bases iguais e a mesma altura, a distância deA à retaBC . - Mas
[ABM_{1}] é a união de[AM_{3}G] ,[M_{3}BG] e[BM_{1}G] , e[AM_{1}C] é a união de[M_{1}CG] ,[CM_{2}G] e[M_{2}AG] . Portanto2x + y = y + 2z \;\Leftrightarrow\; x = z. - Repetindo com a mediana
[BM_{2}] :2x + z = 2y + z \;\Leftrightarrow\; x = y. - Logo
x = y = z : os seis triângulos são equivalentes, e cada um tem\dfrac{1}{6} da área de[ABC] .
Tudo o que a demonstração usa é uma frase: dois triângulos com bases iguais e a mesma altura têm a mesma área. Ela aparece quatro vezes, e não é preciso mais nada.
4 · O baricentro é o centro de massa
O baricentro é o centro de massa — também dito centro de gravidade, ou centro geométrico — de uma placa triangular homogénea. Recorta um triângulo em cartão e equilibra-o na ponta de um lápis: o único ponto onde ele fica horizontal é o baricentro.
Há uma maneira de o ver sem Física. Corta o triângulo em tiras finas paralelas a um lado: cada tira equilibra-se no seu ponto médio, e os pontos médios de todas essas tiras estão sobre a mediana relativa a esse lado. Logo a placa inteira equilibra-se sobre essa mediana — e sobre as outras duas, pela mesma razão. O ponto comum às três é o baricentro.
Laboratório · As seis áreas e a razão 2:1
arrasta os vérticesNum triângulo
- Os lados de
[ADG] são[AD] ,[AG] e[DG] . D é o ponto médio de[AB] , logo\overline{AD} = \dfrac{50}{2} = 25 .[AE] é mediana, logo\overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 30 = 20 .[CD] é mediana, logo\overline{CG} = \dfrac{2}{3} \times 24 = 16 e\overline{DG} = 24-16 = 8 .- Perímetro
= 25+20+8 = 53 .
Repara em que
GeoGebra · Construir o baricentro e medir a razão
constrói e verificaConstrói o baricentro do triângulo
- Marca o ponto médio de dois lados com a ferramenta «Ponto Médio ou Centro».
- Une cada ponto médio ao vértice oposto, com a ferramenta «Segmento».
- Marca a interseção dos dois segmentos.
- Carrega em «Verificar a construção».
- Depois usa a ferramenta «Distância, Comprimento ou Perímetro» para medir os dois pedaços de uma mediana, e arrasta os vértices sem tirar os olhos dos dois números.
O que se quer que se veja é que os dois números mudam sempre juntos: um é sempre o dobro do outro, seja qual for o triângulo.
Python As seis áreas, conferidas
O programa calcula as áreas dos seis triângulos em que as medianas dividem o triângulo, e confirma que são todas iguais — e que cada uma vale um sexto do total.
A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 5)
def area(P, Q, R):
return abs((Q[0]-P[0])*(R[1]-P[1]) - (R[0]-P[0])*(Q[1]-P[1])) / 2
def medio(P, Q):
return ((P[0]+Q[0])/2, (P[1]+Q[1])/2)
G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
M1, M2, M3 = medio(B, C), medio(C, A), medio(A, B)
seis = [(A, M3, G), (M3, B, G), (B, M1, G),
(M1, C, G), (C, M2, G), (M2, A, G)]
total = area(A, B, C)
print("area total:", round(total, 6))
print("um sexto: ", round(total/6, 6))
for i, tri in enumerate(seis, 1):
print(" triangulo", i, ":", round(area(*tri), 6))
print("baricentro:", round(G[0], 4), round(G[1], 4))
dist = lambda P, Q: ((P[0]-Q[0])**2 + (P[1]-Q[1])**2)**0.5
print("AG / GM1 =", round(dist(A, G)/dist(G, M1), 6))
A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 5)
def area(P, Q, R):
# metade do modulo do produto externo dos dois lados
return abs((Q[0]-P[0])*(R[1]-P[1]) - (R[0]-P[0])*(Q[1]-P[1])) / 2
def medio(P, Q):
return ((P[0]+Q[0])/2, (P[1]+Q[1])/2)
# o baricentro e a media das coordenadas dos tres vertices —
# sai da razao 2:1, e e a ponte para a geometria analitica
G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
M1, M2, M3 = medio(B, C), medio(C, A), medio(A, B)
seis = [(A, M3, G), (M3, B, G), (B, M1, G),
(M1, C, G), (C, M2, G), (M2, A, G)]
# pela volta, a comecar em A
total = area(A, B, C)
print("area total:", round(total, 6))
print("um sexto: ", round(total/6, 6))
for i, tri in enumerate(seis, 1):
print(" triangulo", i, ":", round(area(*tri), 6))
# as seis tem de dar o mesmo
print("baricentro:", round(G[0], 4), round(G[1], 4))
dist = lambda P, Q: ((P[0]-Q[0])**2 + (P[1]-Q[1])**2)**0.5
print("AG / GM1 =", round(dist(A, G)/dist(G, M1), 6))
# tem de dar 2, para todo o triangulo
Troca os três vértices pelos que quiseres: as seis áreas continuam iguais e a razão continua a dar
Neste capítulo não há coordenadas — a geometria sintética passa sem elas. Mas quando elas chegarem, a razão
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre medianas e baricentro. Os primeiros treinam a razão
Num triângulo
Como se designa
- (A)Baricentro
- (B)Circuncentro
- (C)Incentro
- (D)Ortocentro
Num triângulo
a) Determina
Um triângulo tem
Determina a área de cada um dos seis triângulos assim formados.
Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
- (A)O baricentro pode ser exterior ao triângulo.
- (B)O baricentro é sempre interior ao triângulo.
- (C)O baricentro está sempre à mesma distância dos três vértices.
- (D)O baricentro é o ponto médio de uma das medianas.
Num triângulo
Determina
Num triângulo
Determina o perímetro do triângulo
Considera um triângulo equilátero de lado
a) Determina o valor exato do comprimento de uma mediana. b) Determina o valor exato da distância do baricentro a um vértice e a um lado.
Num triângulo
a) Determina a área do triângulo
Um artesão corta placas triangulares em madeira e quer pendurá-las por um fio, de modo a ficarem horizontais.
a) Explica em que ponto deve prender o fio.
b) Descreve um processo, com régua, para encontrar esse ponto sem fazer contas.
c) A placa tem a forma de um triângulo com
Num triângulo
Prova que o triângulo é isósceles.
Seja
Prova que a área de
Num triângulo
Prova que o triângulo
Cada um desses segmentos une um vértice ao ponto médio do lado oposto. Como se chama um segmento assim?
[CM] e[AN] são medianas: cada uma vai de um vértice ao ponto médio do lado oposto.- O ponto de interseção das medianas é o baricentro: opção (A).Confunde-se com o circuncentro por causa do «ponto médio»: a mediatriz também passa pelo ponto médio do lado, mas é perpendicular ao lado e não passa pelo vértice.
O baricentro está a dois terços da mediana, a contar do vértice. O que sobra é o outro terço.
- a)
\overline{AG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{AM} e\overline{GM} = \dfrac{1}{3}\,\overline{AM} , logo\overline{GM} = \dfrac{\overline{AG}}{2} = 4 . - b)
\overline{AM} = \overline{AG} + \overline{GM} = 8+4 = 12 .
É a propriedade demonstrada no texto da secção.
- As três medianas dividem o triângulo em seis triângulos equivalentes — todos com a mesma área.
- Logo cada um tem
\dfrac{54}{6} = 9 unidades de área.
Cada mediana é um segmento que está todo dentro do triângulo. E o baricentro está em cima delas.
- Cada mediana une um vértice a um ponto de um lado, logo está inteiramente dentro do triângulo.
- O baricentro pertence às três medianas, logo é interior: opção (B).A opção (C) descreve o circuncentro; a (D) seria a razão
1:1 , e a razão é2:1 . Dos quatro pontos notáveis, só o incentro e o baricentro é que nunca saem do triângulo.
Cada mediana é dividida na mesma razão, mas cada uma tem o seu comprimento. Faz uma de cada vez.
\overline{AG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{AD} = \dfrac{2}{3} \times 21 = 14 .\overline{GD} = 21 - 14 = 7 . (Confere:14 = 2 \times 7 ✓)- Na outra mediana,
\overline{CG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{CE} , logo\overline{CE} = \dfrac{3}{2} \times 10 = 15 .
Os três lados de
D é o ponto médio de[AB] , logo\overline{AD} = \dfrac{40}{2} = 20 .[AE] é mediana eG está a dois terços, logo\overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 24 = 16 .[CD] é mediana, logo\overline{CG} = \dfrac{2}{3} \times 18 = 12 e\overline{DG} = 18-12 = 6 .- Perímetro
= 20+16+6 = 42 .Também se podia obter\overline{DG} directamente: é um terço da mediana[CD] , e\dfrac{18}{3} = 6 .
Num triângulo equilátero, a mediana é também altura. E o baricentro coincide com os outros três pontos notáveis.
- a) Num triângulo equilátero a mediana coincide com a altura:
\sqrt{12^{2}-6^{2}} = \sqrt{108} = 6\sqrt{3} . - b) Ao vértice:
\dfrac{2}{3} \times 6\sqrt{3} = 4\sqrt{3} . - Ao lado:
\dfrac{1}{3} \times 6\sqrt{3} = 2\sqrt{3} . - Verificação:
4\sqrt{3} é o raio da circunferência circunscrita e2\sqrt{3} o da inscrita — o dobro, como na R2 com o lado6 . ✓
Uma mediana divide o triângulo em dois de igual área. E as três medianas dividem-no em seis iguais — conta quantos desses seis cabem em cada pedaço.
- a) A mediana
[AM] divide[ABC] em dois triângulos equivalentes, logoA_{[ABM]} = \dfrac{72}{2} = 36 . - b)
[BGM] é um dos seis triângulos em que as medianas dividem[ABC] , logo tem\dfrac{72}{6} = 12 . - c)
[ABG] é a união de dois desses seis — os que ficam do lado de[AB] — logo tem2 \times 12 = 24 . - Confere:
[ABM] é a união de[ABG] e de[BGM] :24+12 = 36 ✓
«Fica horizontal» quer dizer «está em equilíbrio»: o ponto tem de ser o centro de massa.
- a) No baricentro, que é o centro de massa de um triângulo — é aí que o peso se equilibra.
- b) Marcar o ponto médio de dois lados, unir cada um ao vértice oposto, e prender o fio onde os dois segmentos se cruzam.
- c) Do ponto médio do lado, o baricentro fica a um terço da mediana:
\dfrac{30}{3} = 10 cm.
Sendo
- Seja
M o ponto médio de[BC] . Por hipótese,[AM] é mediana e altura, logoAM \perp BC . - Nos triângulos
[ABM] e[ACM] :\overline{BM} = \overline{MC} , porM ser ponto médio; os ângulos de vérticeM são ambos retos, logo iguais;[AM] é lado comum. - Pelo critério LAL, os dois triângulos são geometricamente iguais.
- Logo
\overline{AB} = \overline{AC} : o triângulo é isósceles.A recíproca também vale, e demonstra-se do mesmo modo. Fica assim: num triângulo, a mediana relativa a um lado é altura se e só se os outros dois lados são iguais. É o que faz de um triângulo isósceles uma figura com eixo de simetria.
Cada lado do triângulo pequeno é uma reta média do grande: mede metade do lado a que é paralelo. O que é que isso diz da razão de semelhança?
- Cada lado de
[M_{1}M_{2}M_{3}] une os pontos médios de dois lados de[ABC] , logo é paralelo ao terceiro e mede metade dele. - Portanto os três lados do triângulo pequeno são metade dos três lados do grande: pelo critério LLL, os dois triângulos são semelhantes, de razão
\dfrac{1}{2} . - Em figuras semelhantes, a razão das áreas é o quadrado da razão de semelhança:
\dfrac{A_{[M_{1}M_{2}M_{3}]}}{A_{[ABC]}} = \left(\dfrac{1}{2}\right)^{2} = \dfrac{1}{4}. - Logo a área do triângulo dos pontos médios é um quarto da do triângulo inicial.O que sobra — os outros três quartos — são três triângulos, um em cada canto, todos com um quarto da área. É por isso que o triângulo dos pontos médios se chama triângulo medial, e é ele que vai reaparecer na R7: os seus vértices são três dos nove pontos.
Sendo
- Seja
G o baricentro. Então\overline{BG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{BM} e\overline{CG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{CN} . - Como
\overline{BM} = \overline{CN} , vem\overline{BG} = \overline{CG} . - Do mesmo modo,
\overline{GN} = \dfrac{1}{3}\,\overline{CN} = \dfrac{1}{3}\,\overline{BM} = \overline{GM} . - Nos triângulos
[BGN] e[CGM] :\overline{BG} = \overline{CG} ;\overline{GN} = \overline{GM} ; os ângulos de vérticeG são verticalmente opostos, logo iguais. - Pelo critério LAL, os dois triângulos são geometricamente iguais, logo
\overline{BN} = \overline{CM} . - Mas
\overline{BN} = \dfrac{\overline{AB}}{2} e\overline{CM} = \dfrac{\overline{AC}}{2} , porN eM serem pontos médios. - Portanto
\overline{AB} = \overline{AC} : o triângulo é isósceles.Este é um resultado que parece óbvio e não é: duas medianas iguais obrigam mesmo o triângulo a ser isósceles, e a demonstração só sai depois de se ter a razão2:1 . Sem ela, não há por onde pegar.
Onde vivem os quatro pontos
Os quatro pontos estão definidos. Falta a pergunta que o Exame faz mais vezes sobre eles: onde é que cada um cai? A resposta depende de duas classificações do triângulo que não se podem misturar — a dos lados diz se os pontos se juntam, a dos ângulos diz se eles saem.
- Localizar os pontos notáveis em triângulos equiláteros, isósceles e escalenos e em triângulos acutângulos, retângulos e obtusângulos.
- Permitir a exploração de situações extremas da localização dos pontos notáveis, usando geometria dinâmica.
1 · Quatro triângulos, quatro respostas
Antes de ler as regras, vale a pena ver os casos. Em cada figura estão os quatro pontos:
2 · O que a classificação pelos lados decide
Equilátero: os quatro pontos são o mesmo ponto. Isósceles (não equilátero): os quatro pontos são distintos mas colineares — estão todos sobre o eixo de simetria. Escaleno: os quatro pontos são distintos, e o incentro não está alinhado com os outros três. Os outros três estão — é a reta de Euler, que é a secção seguinte.
3 · O que a classificação pelos ângulos decide
Acutângulo: os quatro pontos são interiores. Retângulo: o ortocentro é o vértice do ângulo reto e o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa. Nenhum é exterior, mas nenhum dos dois é interior. Obtusângulo: o circuncentro e o ortocentro são exteriores. Em qualquer triângulo, o incentro e o baricentro são interiores.
O incentro está nas três bissetrizes internas, e cada uma delas está dentro do ângulo respetivo; o triângulo é a interseção dos três ângulos internos, logo o incentro está lá dentro. O baricentro está nas três medianas, e cada mediana é um segmento que une um vértice a um ponto de um lado — está toda dentro do triângulo. Os outros dois vivem em retas, e as retas prolongam-se para fora.
Laboratório · Os quatro pontos ao mesmo tempo
arrasta os vérticesUm triângulo tem lados de comprimento
- Cálculo auxiliar:
7^{2}+24^{2} = 49+576 = 625 e25^{2} = 625 . Pelo recíproco do Teorema de Pitágoras, o triângulo é retângulo, com hipotenusa25 . - Não é isósceles (os três lados são diferentes), logo é escaleno: os quatro pontos são distintos.
- O ortocentro é o vértice do ângulo reto — o vértice comum aos lados
7 e24 . - O circuncentro é o ponto médio da hipotenusa, e
R = \dfrac{25}{2} = 12{,}5 . - O incentro e o baricentro são interiores. Para o incentro sabe-se ainda o raio: a área é
\dfrac{7 \times 24}{2} = 84 , o perímetro é56 , logor = \dfrac{168}{56} = 3 .
Repara no que se fez primeiro: comparar
NumWorks Um sinal, e os quatro pontos ficam localizados
A conta com que o exemplo começou cabe numa linha só — e o que interessa nela não é o valor que sai: é o sinal.
Na aplicação Cálculo, chama
positivo — acutângulo: os quatro pontos estão dentro;
zero — retângulo:
No caso do zero falta ainda o raio, e é uma tecla: 25/2 dá
A armadilha. A máquina não sabe qual dos três lados é o maior — isso decides tu, e é aí que a conta se estraga. Com os mesmos
Não há unidade de ângulo a confirmar nesta, porque não se calcula ângulo nenhum — e é por isso que o teste é tão rápido. Em compensação, ele diz-te onde caem os quatro pontos e nunca porque é que eles existem: que as três alturas se encontrem todas no mesmo sítio foi o que a secção demonstrou, e nenhum número no ecrã substitui isso.
GeoGebra · Os quatro pontos ao mesmo tempo
constrói e verificaConstrói os quatro pontos notáveis no mesmo triângulo. Depois arrasta um vértice até dois deles saírem — e vê que os outros dois nunca saem.
- Constrói o incentro, com duas bissetrizes.
- Constrói o circuncentro, com duas mediatrizes.
- Constrói o ortocentro, com duas perpendiculares tiradas dos vértices.
- Constrói o baricentro, com duas medianas.
- Carrega em «Verificar a construção» e segue o que ela te pedir a seguir.
Vais ficar com muitas retas na figura. Usa a ferramenta «Exibir / Esconder Objeto» para deixar só os quatro pontos — e depois arrasta.
Python Classificar e localizar, de uma vez
O programa recebe os três vértices, classifica o triângulo pelos lados e pelos ângulos, e diz de cada um dos quatro pontos notáveis se está dentro, na fronteira ou fora.
from math import hypot, acos, degrees
A = (0, 0)
B = (7, 0)
C = (6, 2)
def dist(P, Q):
return hypot(Q[0]-P[0], Q[1]-P[1])
a, b, c = dist(B, C), dist(C, A), dist(A, B)
ang = lambda x, y, z: degrees(acos((y*y + z*z - x*x) / (2*y*z)))
angs = [ang(a, b, c), ang(b, c, a), ang(c, a, b)]
print("angulos:", [round(x, 2) for x in angs])
lados = sorted([round(a, 6), round(b, 6), round(c, 6)])
if lados[0] == lados[2]:
print("equilatero")
elif lados[0] == lados[1] or lados[1] == lados[2]:
print("isosceles")
else:
print("escaleno")
m = max(angs)
print("retangulo" if abs(m-90) < 1e-9 else
("obtusangulo" if m > 90 else "acutangulo"))
s = a + b + c
I = ((a*A[0]+b*B[0]+c*C[0])/s, (a*A[1]+b*B[1]+c*C[1])/s)
G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
(na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])
def lado(P, X, Y):
return (Y[0]-X[0])*(P[1]-X[1]) - (P[0]-X[0])*(Y[1]-X[1])
def onde(P):
v = [lado(P, A, B), lado(P, B, C), lado(P, C, A)]
if min(v) > 1e-9: return "dentro"
if max(v) < -1e-9: return "dentro"
if min(v) < -1e-9 and max(v) > 1e-9: return "fora"
return "na fronteira"
for nome, P in (("incentro", I), ("circuncentro", O),
("ortocentro", H), ("baricentro", G)):
print(" ", nome, (round(P[0], 3), round(P[1], 3)), onde(P))
from math import hypot, acos, degrees
A = (0, 0)
B = (7, 0)
C = (6, 2)
def dist(P, Q):
return hypot(Q[0]-P[0], Q[1]-P[1])
a, b, c = dist(B, C), dist(C, A), dist(A, B)
# cada lado oposto ao vertice do mesmo nome
ang = lambda x, y, z: degrees(acos((y*y + z*z - x*x) / (2*y*z)))
angs = [ang(a, b, c), ang(b, c, a), ang(c, a, b)]
print("angulos:", [round(x, 2) for x in angs])
lados = sorted([round(a, 6), round(b, 6), round(c, 6)])
# arredonda-se antes de comparar: dois
# lados «iguais» raramente o sao ao bit
if lados[0] == lados[2]:
print("equilatero")
elif lados[0] == lados[1] or lados[1] == lados[2]:
print("isosceles")
else:
print("escaleno")
m = max(angs)
print("retangulo" if abs(m-90) < 1e-9 else
("obtusangulo" if m > 90 else "acutangulo"))
s = a + b + c
I = ((a*A[0]+b*B[0]+c*C[0])/s, (a*A[1]+b*B[1]+c*C[1])/s)
G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
(na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])
# H = A+B+C-2O e a relacao de Euler,
# que a seccao seguinte demonstra
def lado(P, X, Y):
# sinal do produto externo: diz de que lado da reta XY esta P
return (Y[0]-X[0])*(P[1]-X[1]) - (P[0]-X[0])*(Y[1]-X[1])
def onde(P):
v = [lado(P, A, B), lado(P, B, C), lado(P, C, A)]
if min(v) > 1e-9: return "dentro"
if max(v) < -1e-9: return "dentro"
# os tres sinais iguais: esta dentro
if min(v) < -1e-9 and max(v) > 1e-9: return "fora"
return "na fronteira"
for nome, P in (("incentro", I), ("circuncentro", O),
("ortocentro", H), ("baricentro", G)):
print(" ", nome, (round(P[0], 3), round(P[1], 3)), onde(P))
Experimenta
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre a localização dos quatro pontos. A maior parte resolve-se com o teste de Pitágoras seguido de uma frase; os últimos três demonstram as recíprocas — quando dois pontos coincidem, o triângulo não tem escolha.
Num triângulo equilátero, quantos pontos distintos são o incentro, o circuncentro, o ortocentro e o baricentro?
- (A)Quatro
- (B)Três
- (C)Dois
- (D)Um
Um triângulo
a) Indica onde está o ortocentro. b) Indica onde está o circuncentro. c) Indica se o incentro e o baricentro são interiores ao triângulo.
Quais dos quatro pontos notáveis podem ser exteriores ao triângulo?
- (A)O incentro e o baricentro
- (B)O circuncentro e o ortocentro
- (C)Só o ortocentro
- (D)Os quatro
Num triângulo
Indica uma reta a que pertencem os quatro pontos notáveis do triângulo, e justifica.
Um triângulo tem lados de comprimento
a) Classifica-o quanto aos ângulos. b) Indica onde estão o ortocentro e o circuncentro. c) Determina a distância entre esses dois pontos.
Um triângulo equilátero tem
a) Determina o valor exato da distância do ponto notável comum a cada vértice. b) Determina o valor exato da área do círculo inscrito.
Seja
- (A)O incentro pertence à reta de simetria do triângulo.
- (B)O ortocentro pode ser exterior ao triângulo.
- (C)O circuncentro pode ser exterior ao triângulo.
- (D)Os quatro pontos notáveis são coincidentes.
Num triângulo
dois deles são exteriores ao triângulo;
um dos exteriores está sobre a reta que contém a altura tirada de
Classifica o triângulo quanto aos ângulos e indica quais dos quatro pontos são os exteriores.
Considera um triângulo
a) Mostra que o triângulo é acutângulo.
b) Determina a distância do baricentro ao vértice
Prova que, se o ortocentro e o baricentro de um triângulo forem o mesmo ponto, então o triângulo é equilátero.
Seja
Prova que os quatro pontos notáveis pertencem todos à reta
Seja
Prova que a distância entre o ortocentro e o circuncentro é
Num triângulo equilátero, a bissetriz de cada ângulo é também mediana, altura e mediatriz do lado oposto.
- Num triângulo equilátero, para cada vértice, a bissetriz, a mediana e a altura são a mesma reta — e essa reta é a mediatriz do lado oposto.
- Logo os quatro pontos notáveis são o mesmo ponto: a opção correta é a (D).A recíproca também é verdadeira: se dois dos quatro pontos coincidirem, o triângulo é equilátero. É o que os exercícios vermelhos desta secção demonstram.
As duas primeiras respostas são pontos com nome. A terceira vale para todo o triângulo.
- a) No vértice
C , o do ângulo reto: cada cateto é altura relativa ao outro. - b) No ponto médio da hipotenusa
[AB] : a hipotenusa é um diâmetro da circunferência circunscrita. - c) Sim. O incentro e o baricentro são interiores em qualquer triângulo.
Dois deles estão sempre sobre segmentos que vivem dentro do triângulo; os outros dois vivem sobre retas que se prolongam para fora.
- O incentro está nas três bissetrizes internas, que estão dentro do triângulo; o baricentro está nas três medianas, que também estão.
- O circuncentro está nas mediatrizes e o ortocentro nas retas suporte das alturas: essas são retas, e prolongam-se para fora.
- A opção correta é a (B).
Que reta é, ao mesmo tempo, mediana, mediatriz, altura e bissetriz?
- A reta
CM é a mediana relativa a[AB] , porM ser o ponto médio. - Como
\overline{CA} = \overline{CB} , essa mediana é também altura, e portanto a retaCM é a mediatriz de[AB] e a bissetriz do ângulo de vérticeC . - Logo os quatro pontos notáveis pertencem todos à reta
CM , que é o eixo de simetria do triângulo.
Compara
- a) Cálculo auxiliar:
5^{2}+12^{2} = 25+144 = 169 = 13^{2} . Pelo recíproco do Teorema de Pitágoras, o triângulo é retângulo. - b) O ortocentro é o vértice do ângulo reto; o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa, de comprimento
13 . - c) A distância entre eles é a mediana relativa à hipotenusa, que mede metade da hipotenusa:
\dfrac{13}{2} = 6{,}5 .
Começa pela altura. O ponto comum está a dois terços dela, a contar do vértice.
- O lado é
\dfrac{18}{3} = 6 , e a altura é\sqrt{6^{2}-3^{2}} = 3\sqrt{3} . - a) Como o baricentro está a
\dfrac{2}{3} da mediana e a mediana é a altura, a distância ao vértice é\dfrac{2}{3} \times 3\sqrt{3} = 2\sqrt{3} . - b) O raio do círculo inscrito é o terço restante:
r = \sqrt{3} . - A área é
\pi r^{2} = 3\pi .Um triângulo equilátero é o único ondeR = 2r . Em qualquer outro,R > 2r — é a desigualdade de Euler, que a R6 volta a encontrar.
Num triângulo isósceles não equilátero, os quatro pontos estão alinhados. Estarão no mesmo sítio?
- Num triângulo isósceles, os quatro pontos notáveis pertencem ao eixo de simetria: são colineares.
- Mas só coincidem se o triângulo for equilátero, o que aqui está excluído.
- As opções (B) e (C) são verdadeiras: um triângulo isósceles pode ser obtusângulo, e nesse caso
H eO saem. - A afirmação falsa é a (D).
Quais são os dois pontos que podem sair? E em que tipo de triângulo é que saem os dois ao mesmo tempo?
- Só o circuncentro e o ortocentro podem ser exteriores, e ambos o são exactamente quando o triângulo é obtusângulo.
- Num triângulo retângulo, o ortocentro está sobre um vértice e o circuncentro sobre um lado — nenhum é exterior.
- Logo o triângulo é obtusângulo, e os dois pontos exteriores são o circuncentro e o ortocentro.
- A segunda condição é redundante: o ortocentro está sempre sobre as três retas das alturas.Cuidado com condições que parecem informação e não são. Neste caso, a segunda serve só para confirmar que o ponto em questão é o ortocentro — a resposta já estava fechada com a primeira.
Começa pela altura
- Cálculo auxiliar:
\overline{AM} = \sqrt{10^{2}-6^{2}} = \sqrt{64} = 8 . - a) O maior lado é
[BC] , de comprimento12 , e12^{2} = 144 < 10^{2}+10^{2} = 200 . Logo o ângulo oposto ao maior lado é agudo, e os outros dois também: o triângulo é acutângulo. - b)
[AM] é mediana, e o baricentro está a\dfrac{2}{3} dela:\overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 8 = \dfrac{16}{3} . - c) A área é
\dfrac{12 \times 8}{2} = 48 e o perímetro é32 , logor = \dfrac{2 \times 48}{32} = 3 . - Confere:
3 < \dfrac{16}{3} \approx 5{,}33 < 8 — o incentro está entreM e o baricentro, e ambos estão sobre[AM] . ✓
Se
- Seja
P o ponto comum, eM_{1} ,M_{2} ,M_{3} os pontos médios de[BC] ,[CA] e[AB] . - Como
P é o baricentro, pertence à mediana[AM_{1}] ; como é também o ortocentro, pertence à reta suporte da altura tirada deA . - Duas retas distintas têm no máximo um ponto comum. A reta
AM_{1} e a reta da altura tirada deA têm dois pontos comuns —A eP — e portanto são a mesma reta. (Note-se queP \neq A , porque o baricentro é interior ao triângulo.) - Logo a mediana relativa a
[BC] é também altura. Pela propriedade demonstrada na R4, o triângulo é isósceles com\overline{AB} = \overline{AC} . - Repetindo o mesmo raciocínio a partir de
B : a mediana relativa a[CA] é também altura, logo\overline{BA} = \overline{BC} . - De
\overline{AB} = \overline{AC} e\overline{AB} = \overline{BC} vem\overline{AB} = \overline{BC} = \overline{CA} : o triângulo é equilátero.O mesmo argumento funciona com qualquer par dos quatro pontos. Se dois deles coincidem, o triângulo é equilátero — e então coincidem os quatro. É por isso que na reta de Euler, na secção seguinte, o triângulo equilátero é o único caso excluído: a reta deixa de existir.
Mostra que a reta
- É mediana: por definição,
[AM] uneA ao ponto médio de[BC] . Logo o baricentro pertence-lhe. - É altura: os triângulos
[ABM] e[ACM] têm os três lados iguais —\overline{AB} = \overline{AC} ,\overline{BM} = \overline{MC} e[AM] comum. Pelo critério LLL são iguais, logoA\hat{M}B = A\hat{M}C . Como são suplementares, cada um mede90^{\circ} :AM \perp BC . Logo o ortocentro pertence-lhe. - É mediatriz de
[BC] : é perpendicular a[BC] e passa no seu ponto médio. Logo o circuncentro pertence-lhe. - É bissetriz do ângulo de vértice
A : da igualdade dos triângulos[ABM] e[ACM] vem tambémB\hat{A}M = C\hat{A}M . Logo o incentro pertence-lhe. - Os quatro pontos estão na reta
AM : são colineares.A recíproca é verdadeira e é bonita: se os quatro pontos notáveis de um triângulo forem colineares, o triângulo é isósceles. Não é pedida, mas experimenta no laboratório — arrasta um vértice e vê a que sítios é que a reta de Euler se agarra.
Os dois pontos já têm um sítio identificado. Que segmento é que os une?
- Num triângulo retângulo em
C , o ortocentro é o vérticeC — porque[CA] e[CB] são perpendiculares entre si, logo são alturas. - O circuncentro é o ponto médio
M da hipotenusa[AB] . - Logo
\overline{OH} = \overline{MC} , que é a mediana relativa à hipotenusa. - Pela propriedade demonstrada na R2, essa mediana mede metade da hipotenusa:
\overline{MC} = \dfrac{a}{2} . - Portanto
\overline{OH} = \dfrac{a}{2} .Como o baricentro está a dois terços de[CM] a contar deC , tem-se ainda\overline{HG} = \dfrac{2}{3} \times \dfrac{a}{2} = \dfrac{a}{3} e\overline{GO} = \dfrac{a}{6} — e\overline{HG} = 2\,\overline{GO} . Acabaste de verificar a reta de Euler num caso particular, uma secção antes de a conhecer.
A reta de Euler
Três pontos definidos por processos que não têm nada que ver uns com os outros — mediatrizes, medianas, alturas — e que, em qualquer triângulo do mundo, ficam alinhados. É o primeiro resultado deste capítulo que ninguém esperaria, e por isso é o primeiro que vale mesmo a pena ir ver a mexer antes de o ler.
- Verificar a existência da reta de Euler.
- Exibir relações métricas entre os pontos notáveis, por exemplo: a distância do ortocentro ao baricentro é o dobro da distância do baricentro ao circuncentro.
- Propor a construção da reta de Euler usando geometria dinâmica, permitindo a exploração de situações extremas da localização dos pontos notáveis.
1 · Primeiro ver, depois acreditar
As Aprendizagens Essenciais dizem verificar a existência da reta de Euler — não demonstrar. É de propósito: este é um resultado que se descobre a arrastar vértices, e a ordem certa é ver primeiro e enunciar depois. Se ainda não fizeste a tarefa no GeoGebra desta secção, vale a pena fazê-la antes de continuar a ler.
Laboratório · A reta de Euler
arrasta os vértices2 · O que se vê, escrito
Num triângulo não equilátero, o circuncentro
Além disso,
O incentro não está lá. A reta de Euler tem três dos quatro pontos notáveis, não os quatro. O incentro só lhe pertence quando o triângulo é isósceles — e então porque está no eixo de simetria, que é a própria reta de Euler. Num triângulo equilátero ela não existe. Os três pontos passam a ser um só, e um ponto não define uma reta. É por isso que os enunciados dizem sempre «não equilátero».
3 · Porque é que isto acontece
As Aprendizagens Essenciais pedem só que se verifique. A demonstração fica aqui na mesma, porque é curta, é sintética — não usa coordenadas nem vetores, só semelhança de triângulos — e porque prova três coisas de uma vez: o alinhamento, a razão de
Esta demonstração não é pedida pelas Aprendizagens Essenciais, que pedem apenas «verificar a existência». Fica pela ideia — e porque é uma das poucas demonstrações do 10.º ano em que o objeto que se quer provar é construído antes de se saber o que ele é.
Seja
- Primeiro,
O \neq G . Se fosseO = G , esse ponto pertenceria à mediatriz de[BC] e à mediana[AM] ; as duas retas teriam dois pontos comuns — ele eM — logo seriam a mesma, e a mediana seria altura. Pela R4, o triângulo seria isósceles com\overline{AB} = \overline{AC} ; repetindo a partir deB , seria equilátero. Está excluído. - Constrói-se um ponto. Na semirreta de origem
G oposta à semirretaGO , marque-se o pontoH' tal que\overline{GH'} = 2\,\overline{GO} . - Dois triângulos semelhantes. Nos triângulos
[GOM] e[GH'A] :os ângulos de vértice
Pelo critério LAL, os dois triângulos são semelhantes, de razãoG são verticalmente opostos —H' está do lado oposto aO , eA do lado oposto aM , porqueG está entreA eM ;\dfrac{\overline{GH'}}{\overline{GO}} = 2 e\dfrac{\overline{GA}}{\overline{GM}} = 2 , esta última pela propriedade do baricentro.2 . - Duas retas paralelas. Da semelhança vem
G\hat{M}O = G\hat{A}H' . São ângulos alternos internos determinados pela transversalAM , logo as retasMO eAH' são paralelas. - Uma perpendicular. Mas
O pertence à mediatriz de[BC] , que passa emM e é perpendicular aBC . Logo a retaMO é perpendicular aBC — e portanto a retaAH' , que lhe é paralela, também é. - Conclusão parcial. A reta
AH' passa emA e é perpendicular aBC : é a reta suporte da altura tirada deA . LogoH' pertence a essa altura. - Repetindo. O mesmo argumento com o ponto médio de
[CA] mostra queH' pertence à altura tirada deB . ComoH' está em duas alturas, é o ortocentro:H' = H . - O caso
O = M . EntãoO está sobre[BC] , e portanto[BC] é um diâmetro da circunferência circunscrita: o triângulo é retângulo emA . Nesse casoH = A , eO ,G eH estão os três sobre a mediana[AM] , com\overline{HG} = \dfrac{2}{3}\overline{AM} e\overline{GO} = \dfrac{1}{3}\overline{AM} .
Repara na estratégia: em vez de partir do ortocentro e mostrar que ele está na reta, constrói-se um ponto na reta e mostra-se que ele é o ortocentro. É uma inversão que aparece muitas vezes em geometria, e que aqui dá de graça a concorrência das três alturas — pela terceira vez neste capítulo.
Leonhard Euler (1707–1783) publicou este resultado em 1765, num artigo com um título que hoje faz sorrir: Solução fácil de alguns problemas de geometria muito difíceis. É o mesmo Euler do número
Que um resultado tão simples sobre triângulos tenha esperado dois mil anos por Euclides, Arquimedes e todos os que vieram a seguir diz alguma coisa sobre a geometria do triângulo: parece esgotada, e não está. A secção seguinte mostra que ainda faltava mais.
Num triângulo não equilátero, a distância do ortocentro ao baricentro é
- De
\overline{HG} = 2\,\overline{GO} vem\overline{GO} = \dfrac{14}{2} = 7 . - Como
G está entreH eO , tem-se\overline{HO} = 14+7 = 21 . - O ponto médio de
[HO] está a\dfrac{21}{2} = 10{,}5 deH . - Verificação:
\overline{HO} = 3\,\overline{GO} = 21 ✓
Todas as contas desta secção passam por uma só relação:
GeoGebra · Construir a reta de Euler
constrói e verificaConstrói o circuncentro, o baricentro e o ortocentro do mesmo triângulo, e a reta que passa por dois deles. Depois arrasta um vértice e vê o terceiro nunca sair da reta.
- Constrói o circuncentro, com duas mediatrizes.
- Constrói o baricentro, com duas medianas.
- Constrói o ortocentro, com duas alturas.
- Traça a reta que passa por dois deles — e repara em que o terceiro já lá está.
- Carrega em «Verificar a construção», e depois arrasta um vértice até o triângulo ficar quase equilátero.
Esconde as retas auxiliares antes de arrastar («Exibir / Esconder Objeto»): com doze retas na figura não se vê o que interessa.
Python Mil triângulos à procura de uma exceção
O programa gera triângulos ao acaso, calcula
import random
from math import hypot
def notaveis(A, B, C):
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
(na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])
return O, G, H
random.seed(10)
pior_desvio = 0
pior_razao = 0
for _ in range(1000):
P = [(random.uniform(-9, 9), random.uniform(-9, 9)) for _ in range(3)]
A, B, C = P
area = abs((B[0]-A[0])*(C[1]-A[1]) - (C[0]-A[0])*(B[1]-A[1]))/2
if area < 1:
continue
O, G, H = notaveis(A, B, C)
if hypot(H[0]-O[0], H[1]-O[1]) < 1e-6:
continue
desvio = abs((G[0]-O[0])*(H[1]-O[1]) - (H[0]-O[0])*(G[1]-O[1])) \
/ hypot(H[0]-O[0], H[1]-O[1])
razao = hypot(H[0]-G[0], H[1]-G[1]) / hypot(G[0]-O[0], G[1]-O[1])
pior_desvio = max(pior_desvio, desvio)
pior_razao = max(pior_razao, abs(razao - 2))
print("maior distancia de G a reta OH:", pior_desvio)
print("maior desvio da razao HG/GO a 2:", pior_razao)
import random
from math import hypot
def notaveis(A, B, C):
# circuncentro pela formula fechada das duas mediatrizes
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
(na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])
# H = A+B+C-2O: e a propria relacao de
# Euler, escrita ao contrario. Aqui e
# usada como definicao — e o programa
# confirma que da mesmo o ortocentro
# ao verificar as duas medidas abaixo.
return O, G, H
random.seed(10)
pior_desvio = 0
pior_razao = 0
for _ in range(1000):
P = [(random.uniform(-9, 9), random.uniform(-9, 9)) for _ in range(3)]
A, B, C = P
area = abs((B[0]-A[0])*(C[1]-A[1]) - (C[0]-A[0])*(B[1]-A[1]))/2
if area < 1:
continue # triangulos quase degenerados: fora
O, G, H = notaveis(A, B, C)
if hypot(H[0]-O[0], H[1]-O[1]) < 1e-6:
continue # quase equilatero: a reta nao existe
# distancia de G a reta OH: area do paralelogramo a dividir pela base
desvio = abs((G[0]-O[0])*(H[1]-O[1]) - (H[0]-O[0])*(G[1]-O[1])) \
/ hypot(H[0]-O[0], H[1]-O[1])
razao = hypot(H[0]-G[0], H[1]-G[1]) / hypot(G[0]-O[0], G[1]-O[1])
pior_desvio = max(pior_desvio, desvio)
pior_razao = max(pior_razao, abs(razao - 2))
print("maior distancia de G a reta OH:", pior_desvio)
print("maior desvio da razao HG/GO a 2:", pior_razao)
# os dois numeros sao da ordem de 1e-14:
# e o erro do calculo, nao da geometria
Os dois números que saem são da ordem de
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre a reta de Euler. Quase todos se reduzem a
Quais dos quatro pontos notáveis estão sempre alinhados, num triângulo não equilátero?
- (A)O incentro, o circuncentro e o baricentro
- (B)O circuncentro, o baricentro e o ortocentro
- (C)O incentro, o baricentro e o ortocentro
- (D)Os quatro
Num triângulo, a distância do baricentro ao circuncentro é
a) Determina a distância do ortocentro ao baricentro. b) Determina a distância do ortocentro ao circuncentro.
Num triângulo, a distância do ortocentro ao circuncentro é
Determina
Em que tipo de triângulo é que a reta de Euler não fica definida?
- (A)No triângulo retângulo
- (B)No triângulo obtusângulo
- (C)No triângulo equilátero
- (D)No triângulo escaleno
Um triângulo é retângulo e a sua hipotenusa mede
Determina a distância do ortocentro ao baricentro.
Num triângulo isósceles não equilátero
a) Identifica a reta de Euler do triângulo. b) Indica, justificando, se o incentro lhe pertence.
Num triângulo isósceles
Determina
Numa construção feita em ambiente de geometria dinâmica, mediram-se as três distâncias:
Mostra que os três valores são compatíveis com a reta de Euler e explica o que se pode concluir sobre a posição relativa dos três pontos.
Num triângulo, a distância do ortocentro ao circuncentro é
Determina
Prova que, num triângulo não equilátero, o baricentro está sempre entre o ortocentro e o circuncentro.
Prova que, num triângulo retângulo não isósceles, a reta de Euler passa por um dos vértices e contém uma mediana.
Num triângulo
Prova que
A reta chama-se «de Euler». Que três pontos é que ela contém?
- A reta de Euler contém o circuncentro, o baricentro e o ortocentro: opção (B).
- O incentro em geral não lhe pertence — só quando o triângulo é isósceles, e aí está lá porque está no eixo de simetria.É este o ponto que se esquece: dos quatro pontos notáveis, o incentro é o que fica de fora. E não é um pormenor — é a razão por que a reta de Euler tem nome próprio e não é «a reta dos pontos notáveis».
A relação métrica da reta de Euler diz que uma das distâncias é o dobro da outra. Qual?
- a)
\overline{HG} = 2\,\overline{GO} = 2 \times 4 = 8 . - b) Como
G está entreH eO , tem-se\overline{HO} = \overline{HG}+\overline{GO} = 8+4 = 12 .
O segmento
\overline{HO} = \overline{HG}+\overline{GO} = 2\,\overline{GO}+\overline{GO} = 3\,\overline{GO} .- Logo
\overline{GO} = \dfrac{21}{3} = 7 e\overline{HG} = 14 .
Uma reta fica definida por dois pontos distintos. Em que triângulo é que os três pontos são o mesmo?
- Num triângulo equilátero, os quatro pontos notáveis coincidem:
O = G = H . - Um só ponto não define uma reta, logo a reta de Euler não existe: opção (C).
- Em qualquer outro triângulo os três pontos são distintos e a reta fica definida.Nos enunciados, isto aparece quase sempre como «considera um triângulo não equilátero». Não é uma precaução decorativa: sem ela, o enunciado fala de uma reta que pode não existir.
Localiza primeiro
- O ortocentro é o vértice do ângulo reto e o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa.
- Logo
[HO] é a mediana relativa à hipotenusa, e mede metade dela:\overline{HO} = 15 . - O baricentro está sobre essa mediana, a
\dfrac{2}{3} do vértice:\overline{HG} = \dfrac{2}{3} \times 15 = 10 . - Confere pela relação de Euler:
\overline{GO} = 5 e10 = 2 \times 5 ✓
Na R5 mostrou-se que os quatro pontos estão todos sobre uma mesma reta. Qual?
- a) A reta
AM é mediana, altura e mediatriz de[BC] , logo contém o baricentro, o ortocentro e o circuncentro. A reta de Euler é, portanto, a retaAM — o eixo de simetria do triângulo. - b) Sim. A reta
AM é também a bissetriz do ângulo de vérticeA , logo contém o incentro. - Num triângulo isósceles, os quatro pontos notáveis são colineares — e a reta que os contém é a reta de Euler.Este é o único caso em que o incentro está na reta de Euler (fora do equilátero, onde ela nem existe). A recíproca também vale, e é um bom exercício de exploração no GeoGebra.
Num triângulo isósceles,
- Como o triângulo é isósceles,
H eO pertencem ao eixo de simetria, que é perpendicular a[BC] no seu ponto médioM . - Logo as diagonais do quadrilátero
[BHCO] — que são[BC] e[HO] — são perpendiculares e cortam-se emM . - Num quadrilátero de diagonais perpendiculares, a área é metade do produto das diagonais:
24 = \dfrac{8 \times \overline{HO}}{2} = 4\,\overline{HO}, donde\overline{HO} = 6 . - Pela relação de Euler,
\overline{HO} = 3\,\overline{GO} , logo\overline{GO} = 2 .
Duas coisas a verificar: a razão entre as duas primeiras, e se a terceira é a soma ou a diferença.
\dfrac{6{,}84}{3{,}42} = 2 : a distância do ortocentro ao baricentro é o dobro da do baricentro ao circuncentro. ✓6{,}84 + 3{,}42 = 10{,}26 = \overline{HO} : a maior das três distâncias é a soma das outras duas.- Isso mostra que os três pontos são colineares e que
G está entreH eO .SeG não estivesse entre os outros dois, uma das outras somas é que teria de dar a maior distância. Verificar a soma é, portanto, verificar duas coisas ao mesmo tempo: o alinhamento e a ordem.
Marca
- De
\overline{HO} = 18 vem\overline{GO} = \dfrac{18}{3} = 6 e\overline{HG} = 12 . N é o ponto médio de[HO] , logo\overline{NO} = 9 .- Como
G eN estão ambos entreH eO , comG mais perto deO :\overline{GN} = \overline{NO}-\overline{GO} = 9-6 = 3.
Este ponto
Toma
- Sejam
M o ponto médio de[BC] eG o baricentro, que está sobre a mediana[AM] , entreA eM . - Na demonstração da reta de Euler mostrou-se que os triângulos
[GOM] e[GHA] são semelhantes, comO eM em lados correspondentes, eH eA também. - Nessa semelhança, os ângulos de vértice
G são verticalmente opostos. Isso quer dizer que as semirretasGO eGH são opostas:O eH estão de lados opostos deG . - Logo
G pertence ao segmento[HO] , isto é, está entreH eO . - Com
\overline{HG} = 2\,\overline{GO} , isso dá\overline{HO} = 3\,\overline{GO} — que é a relação usada em todos os exercícios de cálculo desta secção.Sem este passo, de\overline{HG} = 2\,\overline{GO} podia sair\overline{HO} = \overline{GO} , seG estivesse fora de[HO] . É por isso que os enunciados de exame pedem tantas vezes «a distância do ortocentro ao circuncentro»: é aí que se vê se a ordem dos pontos foi percebida.
Onde estão
- Seja
[ABC] retângulo emC , eM o ponto médio da hipotenusa[AB] . - O ortocentro é
C — os dois catetos são alturas, e cruzam-se emC . - O circuncentro é
M , o ponto médio da hipotenusa. - Como o triângulo não é isósceles,
C \neq M e a reta de Euler fica definida: é a retaCM . - Mas
[CM] une o vérticeC ao ponto médio do lado oposto: é a mediana relativa à hipotenusa. - Logo a reta de Euler passa pelo vértice
C e contém a mediana[CM] — e portanto contém também o baricentro, como tinha de ser.Vale a recíproca? Se a reta de Euler passar por um vértice, o triângulo é retângulo ou isósceles. Experimenta no laboratório: arrasta um vértice e vê quando é que a reta se agarra a um deles.
É uma consequência directa da semelhança usada na demonstração da reta de Euler. Identifica os lados correspondentes.
- Na demonstração da reta de Euler mostrou-se que os triângulos
[GOM] e[GHA] são semelhantes. - A razão de semelhança é
\dfrac{\overline{GA}}{\overline{GM}} = 2 , porque o baricentro divide a mediana[AM] nessa razão. - Em triângulos semelhantes, todos os lados estão na mesma razão. Os lados
[HA] e[OM] são correspondentes — opõem-se aos ângulos de vérticeG , que são iguais. - Logo
\overline{AH} = 2\,\overline{OM} .Esta igualdade é a peça que falta para a secção seguinte. Como[OM] é a distância do circuncentro ao lado[BC] , ela diz que a distância de um vértice ao ortocentro é o dobro da distância do circuncentro ao lado oposto — e é daqui que sai a circunferência dos nove pontos.
A circunferência dos nove pontos
Se três pontos alinhados já era surpreendente, nove pontos numa circunferência é outra ordem de grandeza. E os nove não são escolhidos a dedo: são três grupos de três, definidos por razões que nada têm a ver umas com as outras.
- Verificar a existência da circunferência dos nove pontos.
- Exibir relações métricas entre os pontos notáveis: o centro da circunferência de nove pontos é o ponto médio do segmento definido pelo circuncentro e pelo ortocentro; o raio da circunferência de nove pontos é metade do raio da circunferência circunscrita.
1 · Quais são os nove
Num triângulo
os três pés das alturas;
os três pontos médios dos lados;
os três pontos médios dos segmentos
Estes nove pontos pertencem todos a uma mesma circunferência, dita circunferência dos nove pontos.
o centro
Os nove pontos são nove descrições, e às vezes duas descrições dão o mesmo ponto. Num triângulo retângulo sobram cinco pontos distintos; num equilátero, seis. O nome fica na mesma — a circunferência é a mesma, e os nove pontos continuam lá, só que alguns em cima uns dos outros.
Laboratório · Os nove pontos, à distância certa
arrasta os vértices2 · De onde vem a circunferência
As Aprendizagens Essenciais pedem, outra vez, que se verifique. A demonstração fica atrás do botão, e tem uma coisa que vale a pena espreitar mesmo sem a ler toda: a circunferência não é encontrada — ela nasce de um retângulo.
Esta demonstração não é pedida pelas Aprendizagens Essenciais, que pedem apenas «verificar a existência». Está escrita para um triângulo acutângulo; nos outros casos os passos são os mesmos, mudando de que lado das retas é que cada ponto fica.
Seja
- Um retângulo.
[M_{3}M_{2}] é reta média de[ABC] , logo paralela a[BC] e de comprimento\dfrac{\overline{BC}}{2} .[E_{2}E_{3}] é reta média de[HBC] , logo também paralela a[BC] e do mesmo comprimento. Portanto[M_{3}M_{2}E_{3}E_{2}] é um paralelogramo. Além disso,[M_{3}E_{2}] é reta média de[ABH] , logo paralela a[AH] , que é perpendicular a[BC] : o paralelogramo tem um ângulo reto, e é um retângulo. - A circunferência. Todo o retângulo tem circunferência circunscrita, e as suas diagonais são diâmetros dela. Logo
M_{2} ,M_{3} ,E_{2} eE_{3} estão numa circunferência de que[M_{2}E_{2}] e[M_{3}E_{3}] são diâmetros. ChamemosN ao seu centro — o ponto médio comum às duas diagonais. - Os outros dois. Repetindo o passo 1 com o par
(M_{1}, E_{1}) em vez de(M_{2}, E_{2}) , obtém-se que[M_{1}M_{3}E_{1}E_{3}] também é um retângulo, de diagonais[M_{1}E_{1}] e[M_{3}E_{3}] . Ora[M_{3}E_{3}] já era diâmetro da primeira circunferência: as duas têm o mesmo centroN e o mesmo raio, logo são a mesma. Assim,M_{1} eE_{1} estão nela também. Ficam os seis primeiros pontos. - E os pés das alturas. Seja
P_{1} o pé da altura tirada deA . Os pontosA ,H ,E_{1} eP_{1} estão todos sobre essa altura, eP_{1} está sobreBC , onde também estáM_{1} . Como a altura é perpendicular a[BC] , o ânguloM_{1}\hat{P_{1}}E_{1} é reto. - Mas
[M_{1}E_{1}] é um diâmetro da circunferência. Pelo recíproco do Teorema de Tales, um ponto que vê um diâmetro sob um ângulo reto pertence à circunferência. LogoP_{1} pertence-lhe — e do mesmo modo os outros dois pés. - O raio. Pelo exercício vermelho desta secção,
\overline{M_{1}E_{1}} = R . Como[M_{1}E_{1}] é um diâmetro, o raio da circunferência dos nove pontos é\dfrac{R}{2} . - O centro.
E_{1} é o ponto médio de[AH] eN é o ponto médio de[M_{1}E_{1}] . SejaN' o ponto médio de[OH] : no triângulo[HAO] ,[E_{1}N'] é reta média, logo é paralela a[AO] e mede\dfrac{\overline{AO}}{2} = \dfrac{R}{2} . Mas[E_{1}M_{1}] é também paralelo a[AO] — é lado do paralelogramo[AE_{1}M_{1}O] — e o seu ponto médioN está a\dfrac{R}{2} deE_{1} , do mesmo lado. LogoN = N' .
A circunferência foi descrita em 1821 por Charles Brianchon e Jean-Victor Poncelet, que provaram que os seis primeiros pontos — pés e pontos médios — são concíclicos. No ano seguinte, Karl Wilhelm Feuerbach publicou o resultado outra vez, e acrescentou um teorema muito mais difícil: essa circunferência é tangente à circunferência inscrita e às três circunferências ex-inscritas.
Em alemão chama-se-lhe Feuerbachkreis; em francês, cercle d'Euler — embora Euler não tenha tido nada a ver com ela. Os nomes em matemática raramente são justos.
Num triângulo
- O ponto médio de
[OH] é o centroN da circunferência dos nove pontos. - O ponto médio de
[BC] é um dos nove pontos, logo pertence a essa circunferência. - A distância entre os dois é, portanto, o raio da circunferência dos nove pontos:
\dfrac{R}{2} = 6 . - Logo
R = 12 , e a área do círculo circunscrito é\pi \times 12^{2} = 144\pi .
O enunciado nunca escreve «circunferência dos nove pontos». Dá dois pontos médios e conta que se reconheça um deles como o centro e o outro como um ponto da circunferência. É este o reconhecimento que vale a pena treinar.
GeoGebra · Construir a circunferência dos nove pontos
constrói e verificaConstrói a circunferência dos nove pontos e depois marca, um a um, os nove pontos por cima dela.
- Marca os pontos médios dos três lados.
- Faz a circunferência que passa por esses três, com a ferramenta «Círculo definido por Três Pontos».
- Carrega em «Verificar a construção».
- Agora marca os três pés das alturas — traça as perpendiculares e marca as interseções — e vê onde é que eles caem.
- Constrói o ortocentro e os pontos médios dos segmentos que o unem aos três vértices. São os últimos três.
Depois de tudo construído, arrasta um vértice devagar. A circunferência muda de tamanho e de sítio, e os nove pontos passeiam por cima dela sem nunca a largar.
Python Os nove pontos, medidos
O programa calcula os nove pontos e mede a distância de cada um a
from math import hypot
A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 6)
def medio(P, Q):
return ((P[0]+Q[0])/2, (P[1]+Q[1])/2)
def pe(P, X, Y):
vx, vy = Y[0]-X[0], Y[1]-X[1]
k = ((P[0]-X[0])*vx + (P[1]-X[1])*vy) / (vx*vx + vy*vy)
return (X[0] + k*vx, X[1] + k*vy)
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
(na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])
N = medio(O, H)
R = hypot(A[0]-O[0], A[1]-O[1])
nove = [("pe de A", pe(A, B, C)), ("pe de B", pe(B, C, A)), ("pe de C", pe(C, A, B)),
("medio BC", medio(B, C)), ("medio CA", medio(C, A)), ("medio AB", medio(A, B)),
("Euler A", medio(H, A)), ("Euler B", medio(H, B)), ("Euler C", medio(H, C))]
print("R =", round(R, 6), " R/2 =", round(R/2, 6))
for nome, P in nove:
print(" %-10s %s" % (nome, round(hypot(P[0]-N[0], P[1]-N[1]), 9)))
from math import hypot
A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 6)
def medio(P, Q):
return ((P[0]+Q[0])/2, (P[1]+Q[1])/2)
def pe(P, X, Y):
# projecao ortogonal de P sobre a reta XY
vx, vy = Y[0]-X[0], Y[1]-X[1]
k = ((P[0]-X[0])*vx + (P[1]-X[1])*vy) / (vx*vx + vy*vy)
return (X[0] + k*vx, X[1] + k*vy)
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
(na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])
N = medio(O, H) # o centro: ponto medio de [OH]
R = hypot(A[0]-O[0], A[1]-O[1]) # o raio da circunscrita
nove = [("pe de A", pe(A, B, C)), ("pe de B", pe(B, C, A)), ("pe de C", pe(C, A, B)),
("medio BC", medio(B, C)), ("medio CA", medio(C, A)), ("medio AB", medio(A, B)),
("Euler A", medio(H, A)), ("Euler B", medio(H, B)), ("Euler C", medio(H, C))]
# tres grupos de tres, por esta ordem
print("R =", round(R, 6), " R/2 =", round(R/2, 6))
for nome, P in nove:
print(" %-10s %s" % (nome, round(hypot(P[0]-N[0], P[1]-N[1]), 9)))
# as nove distancias dao R/2, ate a
# nona casa decimal
Põe
Exercícios propostos
Doze exercícios sobre a circunferência dos nove pontos. Os de cálculo vivem todos das duas relações métricas; repara em que os enunciados de exame quase nunca dizem «nove pontos» — dão dois pontos médios e esperam que se reconheçam.
Quais dos conjuntos seguintes não faz parte dos nove pontos?
- (A)Os três pés das alturas
- (B)Os três pontos médios dos lados
- (C)Os três pontos médios dos segmentos que unem os vértices ao ortocentro
- (D)Os três pontos médios dos segmentos que unem os vértices ao baricentro
A circunferência circunscrita a um triângulo tem raio
Determina o raio da circunferência dos nove pontos.
Num triângulo, a distância do ortocentro ao circuncentro é
Determina a distância do centro da circunferência dos nove pontos ao circuncentro.
O centro da circunferência dos nove pontos de um triângulo não equilátero é:
- (A)o baricentro do triângulo
- (B)o ponto médio do segmento que une o circuncentro ao ortocentro
- (C)o ponto médio do segmento que une o incentro ao circuncentro
- (D)o incentro do triângulo
A circunferência dos nove pontos de um triângulo tem raio
a) Determina o raio da circunferência circunscrita. b) Determina o valor exato da área do círculo circunscrito.
Num triângulo
Determina o valor exato da área do círculo delimitado pela circunferência dos nove pontos.
Num triângulo
Determina o valor exato da área do círculo circunscrito ao triângulo.
Seja
a) Mostra que os pés de duas das alturas coincidem com o vértice
Num triângulo não equilátero, considera os quatro pontos
Determina
Seja
Prova que
Seja
Prova que
Considera um triângulo equilátero de lado
a) Mostra que os nove pontos se reduzem a três pontos distintos, e diz quais. b) Determina o valor exato do raio da circunferência dos nove pontos, e compara-o com o raio da circunferência inscrita.
São três grupos de três. Dois deles têm que ver com os lados e com as alturas; o terceiro tem que ver com um dos pontos notáveis — qual?
- Os nove pontos são: os três pés das alturas, os três pontos médios dos lados e os três pontos médios dos segmentos que unem cada vértice ao ortocentro.
- O baricentro não entra: a opção correta é a (D).Os três últimos chamam-se pontos de Euler. Repara em que a definição usa o ortocentro duas vezes — nos pés das alturas e nos pontos de Euler — e o circuncentro nenhuma. Ele aparece depois, no centro e no raio.
É uma das duas relações métricas da secção.
- O raio da circunferência dos nove pontos é metade do raio da circunferência circunscrita.
- Logo é
\dfrac{10}{2} = 5 .
Onde está o centro
N é o ponto médio de[OH] .- Logo
\overline{ON} = \dfrac{22}{2} = 11 .
O centro pertence à reta de Euler. Em que ponto dela?
- O centro da circunferência dos nove pontos é o ponto médio de
[OH] : opção (B). - Em particular, pertence à reta de Euler — que passa a ter quatro pontos com nome:
O ,N ,G eH .
A relação lê-se nos dois sentidos.
- a)
4 = \dfrac{R}{2} , logoR = 8 . - b)
\pi R^{2} = 64\pi .
Que ponto notável é
- Estar à mesma distância dos três vértices caracteriza o circuncentro, logo
D = O . \overline{AD} é o raio da circunferência circunscrita:R = 6 .- O raio da circunferência dos nove pontos é
\dfrac{6}{2} = 3 . - A área do círculo é
\pi \times 3^{2} = 9\pi .
Repara em que
M é o ponto médio de[OH] : é o centro da circunferência dos nove pontos.N é o ponto médio do segmento que une o vérticeP ao ortocentro: é um dos nove pontos — um ponto de Euler.- Logo
[MN] é um raio da circunferência dos nove pontos, e vale5 . - Como esse raio é metade do raio da circunscrita,
R = 10 . - A área do círculo circunscrito é
\pi \times 10^{2} = 100\pi .O enunciado nunca diz «circunferência dos nove pontos» — dá dois pontos médios e espera que se reconheçam. É assim que este tema aparece em exame.
Começa por localizar o ortocentro. Depois, escreve o que é cada um dos nove pontos.
- a) Como o triângulo é retângulo em
C , o cateto[CA] é a altura relativa a[CB] e o cateto[CB] é a altura relativa a[CA] . Os pés dessas duas alturas são, ambos, o vérticeC . - b) O ortocentro é
H = C . O ponto de Euler associado aA é o ponto médio de[HA] = [CA] , que é o ponto médio do lado[CA] ; do mesmo modo paraB . - O ponto de Euler associado a
C é o ponto médio de[HC] = [CC] , isto é, o próprioC . - c) Sobram, distintos: os três pontos médios dos lados, o vértice
C , e o pé da altura relativa à hipotenusa — cinco pontos. - A circunferência dos nove pontos é, neste caso, a circunferência circunscrita ao triângulo formado pelos três pontos médios.Os «nove pontos» são nove papéis, não nove pontos sempre distintos. Num triângulo retângulo três pares colapsam; num equilátero, ainda mais.
Mede tudo a partir de
\overline{ON} = \dfrac{12}{2} = 6 , porN ser o ponto médio de[OH] .\overline{OG} = \dfrac{12}{3} = 4 , pela relação de Euler\overline{OH} = 3\,\overline{OG} .\overline{NG} = 6-4 = 2 .\overline{GH} = 12-4 = 8 .- A ordem na reta é
O ,G ,N ,H — a distâncias0 ,4 ,6 e12 deO .Os quatro pontos dividem[OH] nas proporções1:2:3 . É a chamada reta de Euler com todos os seus habitantes — e ainda faltam outros, que não estão no programa.
Na R6 mostrou-se que
- Pelo último exercício da R6,
\overline{AH} = 2\,\overline{OM} . ComoE é o ponto médio de[AH] , vem\overline{AE} = \dfrac{\overline{AH}}{2} = \overline{OM} . - As retas
AH eOM são ambas perpendiculares aBC , logo são paralelas. - Portanto
[AE] e[OM] são dois segmentos paralelos e de igual comprimento: o quadrilátero[AEMO] é um paralelogramo. - Num paralelogramo, os lados opostos são iguais, logo
\overline{EM} = \overline{AO} . - Mas
\overline{AO} é o raio da circunferência circunscrita:\overline{ME} = R .Este segmento[ME] é um diâmetro da circunferência dos nove pontos — é o que a demonstração da secção mostra. Daqui sai imediatamente que o raio dessa circunferência é\dfrac{R}{2} .
Três retas médias: uma no triângulo
[M_{3}M_{2}] une os pontos médios de[AB] e de[CA] : é reta média do triângulo[ABC] , logo é paralela a[BC] e mede\dfrac{\overline{BC}}{2} .[E_{2}E_{3}] une os pontos médios de[HB] e de[HC] : é reta média do triângulo[HBC] , logo é também paralela a[BC] e mede\dfrac{\overline{BC}}{2} .- Dois lados opostos paralelos e de igual comprimento:
[M_{3}M_{2}E_{3}E_{2}] é um paralelogramo. [M_{3}E_{2}] une os pontos médios de[AB] e de[HB] : é reta média do triângulo[ABH] , logo é paralela a[AH] .- Mas
[AH] está na altura tirada deA , que é perpendicular a[BC] . Como[M_{3}M_{2}] é paralela a[BC] , conclui-se que[M_{3}E_{2}] \perp [M_{3}M_{2}] . - Um paralelogramo com um ângulo reto é um retângulo.Um retângulo tem sempre circunferência circunscrita, e as suas diagonais são diâmetros dela. É este passo que faz nascer a circunferência dos nove pontos — e é por isso que
[M_{2}E_{2}] e[M_{3}E_{3}] são diâmetros.
Num triângulo equilátero, o que é o pé de cada altura? E onde está o ortocentro?
- a) Num triângulo equilátero, cada altura é também mediana, logo o pé de cada altura é o ponto médio do lado oposto: os três primeiros pontos coincidem com os três segundos.
- O ortocentro coincide com o baricentro, que está a
\dfrac{2}{3} de cada mediana. O ponto de Euler associado aA é o ponto médio de[AH] , que está a\dfrac{1}{3} da mediana a contar deA — não é o ponto médio de nenhum lado. - Logo há seis pontos distintos: os três pontos médios dos lados (que são também os três pés) e os três pontos de Euler.
- b) Na R5 calculou-se, para o lado
6 ,R = 2\sqrt{3} . Para o lado12 , tudo duplica: a altura é6\sqrt{3} ,R = 4\sqrt{3} er = 2\sqrt{3} . - O raio da circunferência dos nove pontos é
\dfrac{R}{2} = 2\sqrt{3} . - É igual ao raio da circunferência inscrita — e, como os dois centros coincidem, as duas circunferências são a mesma.Não é coincidência. Há um teorema — o teorema de Feuerbach, de 1822 — que diz que a circunferência dos nove pontos é sempre tangente à circunferência inscrita. No triângulo equilátero a tangência degenera: as duas coincidem. A secção A1 volta a isto.
Mais pontos notáveis · aprofundamento
Esta secção não é avaliada no Exame. Está aqui porque as Aprendizagens Essenciais a sugerem — «estender o estudo a, pelo menos, outro ponto notável» — e porque tem o único ponto notável do capítulo que responde a uma pergunta prática: onde é que se põe uma coisa para ficar o mais perto possível de três sítios ao mesmo tempo.
- Estender o estudo a, pelo menos, outro ponto notável, envolvendo os alunos em atividades exploratórias com geometria dinâmica: ponto de Fermat (ou de Torricelli), ponto de Nagel, ponto de Miquel, ponto de Feuerbach, ponto de Gergonne — com referência à Enciclopédia de pontos notáveis de um triângulo.
- Resolver problemas das Olimpíadas de Matemática que envolvem pontos notáveis do triângulo.
- Elaborar composições matemáticas sobre a Geometria na «República» de Platão, a Geometria dos ORIGAMI e a Geometria dos templos japoneses.
1 · O ponto de Fermat, ou de Torricelli
Os quatro pontos das secções anteriores respondem a perguntas geométricas. Este responde a uma pergunta que se pode fazer a um engenheiro: dadas três povoações, onde é que se põe o entroncamento para que o total de estrada seja o menor possível?
O ponto de Fermat de um triângulo é o ponto
Quando os três ângulos do triângulo são menores que
Constrói-se sobre cada lado um triângulo equilátero, para fora, e une-se cada vértice novo ao vértice oposto do triângulo original. As três retas encontram-se no ponto de Fermat — e os três segmentos
Por volta de 1640, Pierre de Fermat propôs o problema a Evangelista Torricelli — o mesmo Torricelli do barómetro — que o resolveu. Daí os dois nomes.
O problema tem uma solução física que vale a pena imaginar: fazem-se três furos numa mesa, nos pontos
2 · Gergonne e Nagel: os pontos de tangência
Unindo cada vértice ao ponto em que a circunferência inscrita toca o lado oposto, as três retas encontram-se num ponto: o ponto de Gergonne.
Há mais circunferências tangentes aos três lados de um triângulo do que a inscrita. Cada uma das outras três toca um lado e os prolongamentos dos outros dois: chamam-se ex-inscritas, e o seu centro é a interseção de uma bissetriz interna com duas externas — as tais bissetrizes externas que apareceram no último exercício da R1.
Unindo cada vértice ao ponto em que a circunferência ex-inscrita oposta a esse vértice toca o lado oposto, as três retas encontram-se: é o ponto de Nagel.
3 · O teorema de Feuerbach
Em qualquer triângulo, a circunferência dos nove pontos é tangente à circunferência inscrita e às três circunferências ex-inscritas. O ponto de contacto com a inscrita chama-se ponto de Feuerbach.
A tangência com a inscrita é interior, e portanto a distância entre os dois centros é a diferença dos raios:
4 · Quantos pontos notáveis há?
Clark Kimberling mantém desde 1994 a Encyclopedia of Triangle Centers, um catálogo de pontos notáveis do triângulo. Cada um tem um número:
A lista vai em dezenas de milhares de entradas, e continua a crescer. Um triângulo — três pontos, três segmentos — e ainda não se acabou.
A Geometria na «República» de Platão. Porque é que estava escrito à porta da Academia «não entre quem não souber geometria», e o que é que Platão pensava que a geometria ensinava. A Geometria do ORIGAMI. Dobrar papel resolve construções que a régua e o compasso não resolvem — a trissecção do ângulo, por exemplo. Os axiomas de Huzita-Hatori dizem exactamente o que é possível dobrar. A Geometria dos templos japoneses. Os sangaku são tabuletas de madeira com problemas de geometria, penduradas em templos xintoístas entre os séculos XVII e XIX. Quase todos são sobre círculos tangentes — e quase todos se resolvem com o que está neste capítulo.
Num triângulo
- A soma dos ângulos internos é
180^{\circ} , logoB\hat{A}C = 180^{\circ}-24^{\circ}-31^{\circ} = 125^{\circ} . - Como
125^{\circ} > 120^{\circ} , não existe nenhum ponto interior de onde os três lados sejam vistos sob120^{\circ} : um ponto interior veria[BC] sob mais de125^{\circ} . - Nesse caso, o mínimo da soma das distâncias está no vértice do ângulo obtuso.
- Logo o ponto procurado é
A , e o valor mínimo é\overline{AB}+\overline{AC} .
A fronteira está exactamente nos
GeoGebra · Construir o ponto de Fermat
constrói e verificaConstrói o ponto de Fermat do triângulo
- Com a ferramenta «Polígono Regular», constrói um triângulo equilátero sobre um dos lados — clica nos dois extremos e escreve 3. Se ele nascer para dentro, apaga e clica nos extremos pela outra ordem.
- Faz o mesmo sobre outro lado.
- Une cada vértice novo ao vértice oposto do triângulo
[ABC] , com a ferramenta «Reta». - Marca a interseção das duas retas.
- Carrega em «Verificar a construção», e usa a ferramenta «Ângulo» para medir
A\hat{F}B .
Esta é a construção mais exigente do capítulo — e a única em que a ordem por que se clica nos pontos decide o resultado.
Python Procurar o mínimo à força bruta
O programa procura, sem saber nada de geometria, o ponto que minimiza a soma das distâncias aos três vértices — descendo por tentativa e erro. Depois compara com o ponto dado pela construção dos triângulos equiláteros.
from math import hypot, sqrt
A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 6)
def soma(P):
return (hypot(P[0]-A[0], P[1]-A[1]) + hypot(P[0]-B[0], P[1]-B[1])
+ hypot(P[0]-C[0], P[1]-C[1]))
P = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
passo = 1.0
while passo > 1e-10:
melhor = soma(P)
seguinte = P
for dx, dy in ((passo, 0), (-passo, 0), (0, passo), (0, -passo)):
Q = (P[0]+dx, P[1]+dy)
if soma(Q) < melhor:
melhor, seguinte = soma(Q), Q
if seguinte == P:
passo = passo / 2
else:
P = seguinte
print("minimo em:", round(P[0], 6), round(P[1], 6))
print("soma minima:", round(soma(P), 6))
def visto(V, X, Y):
ux, uy = X[0]-V[0], X[1]-V[1]
vx, vy = Y[0]-V[0], Y[1]-V[1]
from math import acos, degrees
c = (ux*vx + uy*vy) / (hypot(ux, uy)*hypot(vx, vy))
return degrees(acos(max(-1, min(1, c))))
print("angulos vistos de P:",
[round(visto(P, X, Y), 3) for X, Y in ((A, B), (B, C), (C, A))])
from math import hypot, sqrt
A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 6)
def soma(P):
# e esta a quantidade que se quer minimizar
return (hypot(P[0]-A[0], P[1]-A[1]) + hypot(P[0]-B[0], P[1]-B[1])
+ hypot(P[0]-C[0], P[1]-C[1]))
P = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
# comeca no baricentro, que ja e perto
passo = 1.0
while passo > 1e-10:
melhor = soma(P)
seguinte = P
for dx, dy in ((passo, 0), (-passo, 0), (0, passo), (0, -passo)):
Q = (P[0]+dx, P[1]+dy)
if soma(Q) < melhor:
melhor, seguinte = soma(Q), Q
if seguinte == P:
passo = passo / 2 # ja nao melhora: procura mais fino
else:
P = seguinte
print("minimo em:", round(P[0], 6), round(P[1], 6))
print("soma minima:", round(soma(P), 6))
def visto(V, X, Y):
# amplitude do angulo XVY, em graus
ux, uy = X[0]-V[0], X[1]-V[1]
vx, vy = Y[0]-V[0], Y[1]-V[1]
from math import acos, degrees
c = (ux*vx + uy*vy) / (hypot(ux, uy)*hypot(vx, vy))
return degrees(acos(max(-1, min(1, c))))
print("angulos vistos de P:",
[round(visto(P, X, Y), 3) for X, Y in ((A, B), (B, C), (C, A))])
# dao 120, 120 e 120 — o programa
# encontrou a propriedade sem a saber
Põe
Exercícios propostos
Doze exercícios de aprofundamento. Não saem em Exame — servem para ver que o triângulo, depois de quatro pontos notáveis, ainda tem dezenas de milhares por explorar.
Num triângulo cujos ângulos são todos menores que
- (A)o baricentro
- (B)o incentro
- (C)o ponto de Fermat
- (D)o circuncentro
Considera um triângulo equilátero.
Indica, justificando, onde está o seu ponto de Fermat.
De um ponto
Determina a amplitude do ângulo sob o qual se vê o lado
O ponto de Gergonne obtém-se unindo cada vértice:
- (A)ao ponto médio do lado oposto
- (B)ao pé da altura relativa ao lado oposto
- (C)ao ponto em que a circunferência inscrita toca o lado oposto
- (D)ao ponto em que a circunferência circunscrita corta o lado oposto
Num triângulo
Explica por que razão não existe nenhum ponto interior de onde os três lados sejam vistos sob
Três aldeias,
a) Explica que ponto notável dá a localização de
Num triângulo, a circunferência circunscrita tem raio
a) Determina o raio da circunferência dos nove pontos. b) Sabendo que a circunferência dos nove pontos é tangente interiormente à inscrita, determina a distância entre os seus centros.
Num triângulo
a) Justifica que
Na Encyclopedia of Triangle Centers, os pontos notáveis são numerados
Indica o número de cada um dos pontos seguintes: o ortocentro, o centro da circunferência dos nove pontos, e o ponto onde se encontram as mediatrizes.
Sobre os lados de um triângulo
Prova que
Num triângulo qualquer, sejam
Usando o teorema de Feuerbach — a circunferência dos nove pontos é tangente interiormente à circunferência inscrita — prova que
Seja
Prova que o ponto de Fermat, o ponto de Gergonne e o ponto de Nagel pertencem todos a
Não é nenhum dos quatro pontos das secções anteriores — é o ponto desta secção que responde a uma pergunta de minimização.
- O ponto que minimiza
\overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC} é o ponto de Fermat: opção (C).O baricentro minimiza outra coisa — a soma dos quadrados das distâncias aos vértices. São problemas parecidos e pontos diferentes.
Do ponto de Fermat, cada lado é visto sob
- Num triângulo equilátero, o ponto notável comum — incentro, circuncentro, ortocentro e baricentro — vê cada lado sob um ângulo de
\dfrac{360^{\circ}}{3} = 120^{\circ} , porque os três ângulos ao centro são iguais e somam360^{\circ} . - Logo o ponto de Fermat coincide com os outros quatro: é o centro do triângulo.É o único triângulo em que os cinco pontos coincidem — e, na Enciclopédia de Pontos Notáveis, é o único em que todos os milhares de pontos catalogados se reduzem a um só.
Os três ângulos com vértice em
- Os três ângulos
A\hat{F}B ,B\hat{F}C eC\hat{F}A somam360^{\circ} , porF ser interior. - Logo
C\hat{F}A = 360^{\circ}-120^{\circ}-120^{\circ} = 120^{\circ} . F é o ponto de Fermat do triângulo.
Gergonne tem que ver com a circunferência inscrita; Nagel, com as ex-inscritas.
- O ponto de Gergonne é a interseção das três retas que unem cada vértice ao ponto de tangência da circunferência inscrita no lado oposto: opção (C).
- A opção (A) daria o baricentro e a (B) o ortocentro; a (D) não define nada — a circunferência circunscrita passa pelos vértices e não corta os lados noutros pontos.
Se
- Se
P for interior ao triângulo, o ânguloB\hat{P}C é maior do queB\hat{A}C — um ponto interior vê o lado oposto sob um ângulo maior do que o vértice. - Como
B\hat{A}C = 140^{\circ} , viriaB\hat{P}C > 140^{\circ} > 120^{\circ} : nenhum ponto interior pode ver[BC] sob120^{\circ} . - Prova-se que, quando um dos ângulos é maior ou igual a
120^{\circ} , o mínimo da soma das distâncias está no próprio vértice desse ângulo. - Logo o ponto procurado é
A .Experimenta na tarefa do GeoGebra: arrasta um vértice até um dos ângulos passar dos120^{\circ} e vê o ponto construído «sair» — a construção dos triângulos equiláteros continua a dar um ponto, mas esse ponto deixa de ser o mínimo.
O comprimento total é
- a) O comprimento total de estrada é
\overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC} , e o ponto que o minimiza é o ponto de Fermat. - b) Constrói-se um triângulo equilátero sobre cada lado, para fora, e une-se cada vértice novo ao vértice oposto do triângulo. As três retas encontram-se no ponto de Fermat.
- c) No problema do depósito queria-se que as três distâncias fossem iguais — o que dá o circuncentro. Aqui quer-se que a soma seja mínima, que é outra pergunta e dá outro ponto.São três perguntas parecidas com três respostas diferentes: «à mesma distância dos lados» dá o incentro, «à mesma distância dos vértices» dá o circuncentro, «soma das distâncias aos vértices mínima» dá o ponto de Fermat. Ler o enunciado com cuidado é meia resolução.
Duas circunferências tangentes interiormente têm a distância entre os centros igual à diferença dos raios.
- a) O raio da circunferência dos nove pontos é
\dfrac{R}{2} = 6{,}5 . - b) Sendo
N eI os dois centros, a tangência interior dá\overline{NI} = \dfrac{R}{2} - r = 6{,}5-4 = 2{,}5. - Este é o teorema de Feuerbach na sua forma métrica.Como
\overline{NI} \geq 0 , sai daqui queR \geq 2r em qualquer triângulo — a desigualdade de Euler. O último exercício desta secção pede a dedução.
Na alínea a), compara os dois segmentos tangentes tirados de um mesmo ponto exterior. Na b), soma as três igualdades.
- a)
[AY] e[AZ] são segmentos de tangente tirados deA . Os triângulos[AIY] e[AIZ] são retângulos emY e emZ , têm a hipotenusa[AI] comum e catetos\overline{IY} = \overline{IZ} = r . Logo são iguais, e\overline{AY} = \overline{AZ} . O mesmo emB e emC . - b) Chamemos
x = \overline{AY} = \overline{AZ} ,y = \overline{BZ} = \overline{BX} ez = \overline{CX} = \overline{CY} . - Então
a = \overline{BC} = y+z ,b = \overline{CA} = z+x ec = \overline{AB} = x+y . - Somando:
a+b+c = 2(x+y+z) , logox+y+z = s . - Portanto
x = s - (y+z) = s-a , isto é,\overline{AY} = s-a .Esta é a conta que faz funcionar o ponto de Gergonne e o ponto de Nagel — e é também a que dár = \dfrac{b+c-a}{2} no triângulo retângulo, que se demonstrou na R1 por outro caminho.
Lê a ordem com atenção e associa cada nome ao ponto que ele descreve.
- O ortocentro é o quarto da lista:
X_{4} . - O centro da circunferência dos nove pontos é o quinto:
X_{5} . - «Onde se encontram as mediatrizes» é o circuncentro, que é o terceiro:
X_{3} .
Compara os triângulos
- Como
[ABC'] é equilátero,\overline{BC'} = \overline{BA} . Como[BCA'] é equilátero,\overline{BA'} = \overline{BC} . - O ângulo
A\hat{B}A' é a soma deA\hat{B}C comC\hat{B}A' = 60^{\circ} , porque[BCA'] está construído para fora:A\hat{B}A' = A\hat{B}C + 60^{\circ}. - Do mesmo modo,
C'\hat{B}C = C'\hat{B}A + A\hat{B}C = 60^{\circ} + A\hat{B}C . - Logo
A\hat{B}A' = C'\hat{B}C . - Nos triângulos
[ABA'] e[C'BC] tem-se\overline{BA} = \overline{BC'} ,\overline{BA'} = \overline{BC} e os ângulos por eles formados são iguais. Pelo critério LAL, os dois triângulos são geometricamente iguais. - Portanto
\overline{AA'} = \overline{C'C} .O mesmo argumento a partir do vérticeA dá\overline{AA'} = \overline{BB'} : os três segmentos têm o mesmo comprimento. Esse comprimento comum tem nome — é a constante de Fermat do triângulo, e é exactamente a soma mínima\overline{FA}+\overline{FB}+\overline{FC} .
Escreve a condição de tangência interior em função da distância entre os dois centros, e repara em que uma distância nunca é negativa.
- A circunferência dos nove pontos tem centro
N e raio\dfrac{R}{2} ; a inscrita tem centroI e raior . - Duas circunferências tangentes interiormente têm a distância entre os centros igual à diferença dos raios:
\overline{NI} = \dfrac{R}{2} - r. - Uma distância é sempre maior ou igual a zero, logo
\dfrac{R}{2} - r \geq 0 , isto é,R \geq 2r . - A igualdade dá-se se e só se
\overline{NI} = 0 , ou seja, seN = I . - Ora
N está sobre a reta de Euler eI só lhe pertence quando o triângulo é isósceles; e num isósceles não equiláteroN eI são pontos diferentes. Logo a igualdade vale exactamente no triângulo equilátero.Confere com a R5: num equilátero de lado6 obteve-seR = 2\sqrt{3} er = \sqrt{3} , e de factoR = 2r . Em qualquer outro triângulo a circunferência circunscrita é mais do que o dobro da inscrita.
Não é preciso conhecer as construções em detalhe. Basta um argumento: a reflexão de eixo
- Seja
\sigma a reflexão de eixoe . Como o triângulo é isósceles com\overline{AB} = \overline{AC} , tem-se\sigma(A) = A ,\sigma(B) = C e\sigma(C) = B : a reflexão transforma o triângulo nele próprio. - Cada um destes pontos é definido por uma construção que só depende do triângulo, e que não distingue
B deC — as três circunferências equiláteras, as três tangências, as três ex-inscritas são as mesmas antes e depois da reflexão. - Logo a reflexão transforma cada um desses pontos nele próprio:
\sigma(P) = P . - Mas os únicos pontos fixos de uma reflexão são os do seu eixo.
- Portanto o ponto de Fermat, o de Gergonne e o de Nagel pertencem todos a
e .O argumento é o mesmo para qualquer ponto notável — todos os milhares da Enciclopédia. É por isso que num triângulo isósceles «toda a gente» está no eixo: é uma consequência da simetria, não uma coincidência de cada construção.
Teste rápido
Doze questões de resposta imediata, com correção e explicação, sobre as oito secções. Metade delas é a mesma pergunta com outra roupa: de que três retas vem este ponto? — que é onde este tema se ganha ou se perde.
Formulário essencial e referências
Tudo o que este capítulo usa, numa página. Repara em quão pouco há para decorar: quatro definições, duas razões e duas relações métricas. O resto sai delas.
Os quatro pontos notáveis
Incentro
As duas razões que é preciso saber
A primeira é a do baricentro sobre a mediana, com
Circunferência inscrita e circunscrita
A circunferência dos nove pontos
Os nove: três pés das alturas, três pontos médios dos lados, três pontos médios de
Onde cai cada ponto
Sempre interiores: incentro e baricentro.
Acutângulo: os quatro interiores.
Retângulo:
Ângulos que aparecem muitas vezes
A primeira mostra que
O que é preciso do 3.º ciclo
Bissetriz — conjunto dos pontos do ângulo equidistantes dos lados.
Mediatriz — conjunto dos pontos equidistantes dos extremos do segmento; perpendicular a ele no ponto médio.
Reta média — o segmento que une os pontos médios de dois lados é paralelo ao terceiro e mede metade dele.
Critérios de igualdade e de semelhança — LLL, LAL, ALA e AA.
Teorema de Pitágoras e o seu recíproco.
Razão de áreas — em figuras semelhantes de razão
Aprofundamento · não sai em Exame
Ponto de Fermat — minimiza
Este capítulo tem um tutorial da calculadora, e os outros nove têm-nos aos pares. Não é descuido. A geometria sintética não tem funções para representar nem equações para resolver: a ferramenta que as Aprendizagens Essenciais recomendam para este tema é a geometria dinâmica, e é isso que as oito tarefas do GeoGebra fazem. Sobra uma conta em que a calculadora ganha mesmo à folha de papel — o sinal de
Todos os capítulos do Astrolábio funcionam sem rede: o texto, as figuras, os laboratórios e o compilador de Python vão dentro do ficheiro. As tarefas do GeoGebra são a única exceção — carregam a aplicação de geogebra.org quando chegas ao pé delas. Sem ligação, o resto do capítulo continua a funcionar e cada tarefa mostra um aviso no lugar da aplicação. (Os tipos de letra também vêm da rede, mas esses têm alternativa: sem ligação o livro lê-se na mesma, noutra letra.)
Referências
Aprendizagens Essenciais de Matemática A, 10.º ano (DGE, janeiro de 2023), tema Geometria, tópico «Geometria sintética no plano», pp. 33–35. Encyclopedia of Triangle Centers, de Clark Kimberling — o catálogo dos pontos notáveis do triângulo. Atractor · Triângulos belos — explorações interativas sobre geometria do triângulo. Eduardo Veloso, Geometria — Temas atuais (Instituto de Inovação Educacional, 1998). Bento de Jesus Caraça, Conceitos Fundamentais da Matemática (Gradiva).
Onde isto continua
No 10.º ano, a seguir a este tema, vem a Geometria Analítica: os mesmos objetos com coordenadas. A mediatriz passa a ter equação, e o baricentro passa a ser a média das coordenadas dos vértices. No 12.º ano, a mediatriz e a circunferência voltam a aparecer no plano de Argand, nos Números Complexos, como conjuntos de pontos definidos por condições.
Exercícios de Exame e globais
Vinte itens no formato do Exame Nacional, misturando as oito secções. Ao contrário dos exercícios propostos, aqui o enunciado não diz de que secção vem — e descobrir isso é metade do trabalho.
Exercícios de Exame · Geometria Sintética
Vinte itens no formato do Exame Nacional. O primeiro é o único item de Prova Nacional que existe sobre este tema: a geometria sintética entrou nas Aprendizagens Essenciais em janeiro de 2023, e o primeiro Exame a avaliá-la foi o de 2026, 2.ª fase. Os outros dezanove foram escritos para este livro, no mesmo formato — e é por isso que só o primeiro conta para o número de itens de exame da capa. À medida que forem saindo novas provas, os itens verdadeiros entram e os nossos vão saindo.
Na figura estão representados o triângulo
Sabe-se que:
os pontos
Determine
Na figura estão representados o triângulo
Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
- (A)
D está à mesma distância dos três vértices do triângulo. - (B)
D está à mesma distância dos três lados do triângulo. - (C)
D é o ponto médio de um dos lados do triângulo. - (D)
D pertence à mediatriz de[AB] .
Na figura está representado um triângulo obtusângulo
Sabe-se que
Quais podem ser
- (A)O incentro e o baricentro
- (B)O incentro e o ortocentro
- (C)O circuncentro e o ortocentro
- (D)O baricentro e o circuncentro
Considere um triângulo
Sabe-se que:
a) Determine o raio da circunferência inscrita no triângulo. b) Determine o raio da circunferência circunscrita ao triângulo. c) Determine a distância entre o ortocentro e o circuncentro do triângulo.
Num triângulo
Sabe-se que
Qual é o valor de
- (A)
6 - (B)
9 - (C)
12 - (D)
\dfrac{18}{5}
Considere um triângulo
Sabe-se que:
a) Determine o perímetro do triângulo
Considere um triângulo
Qual é a amplitude do ângulo
- (A)
47^{\circ} - (B)
86^{\circ} - (C)
94^{\circ} - (D)
133^{\circ}
Considere um triângulo
Sabe-se que a distância de
a) Determine
Num triângulo não equilátero, sejam
Sabe-se que
Qual é o valor de
- (A)
9 - (B)
13{,}5 - (C)
18 - (D)
54
Considere um triângulo isósceles
Sabe-se que:
a) Justifique que as diagonais do quadrilátero
Na figura está representado um triângulo
Sabe-se que
Qual é o raio da circunferência circunscrita ao triângulo
- (A)
2 - (B)
4 - (C)
8 - (D)
16
Considere um triângulo
Sabe-se que
a) Determine
Considere um triângulo cujos lados medem
Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
- (A)O ortocentro é interior ao triângulo.
- (B)O circuncentro é exterior ao triângulo.
- (C)O ortocentro coincide com um dos vértices do triângulo.
- (D)O incentro coincide com o baricentro.
Um terreno tem a forma de um triângulo e é delimitado por três muros retos.
Sabe-se que:
o terreno tem
Pretende-se instalar um aspersor de rega que fique à mesma distância dos três muros e que regue um círculo tangente aos três.
a) Identifique o ponto notável do triângulo onde deve ser instalado o aspersor, justificando. b) Determine o alcance mínimo que o aspersor deve ter para regar até aos muros. c) Determine a área da zona do terreno que fica por regar, apresentando o resultado arredondado às unidades.
Um triângulo está inscrito numa circunferência de raio
Qual das afirmações seguintes é necessariamente verdadeira?
- (A)O maior lado do triângulo mede
18 . - (B)O centro da circunferência é o circuncentro do triângulo.
- (C)O triângulo é retângulo.
- (D)O centro da circunferência é interior ao triângulo.
Considere um triângulo
a) Indique, justificando, quantas das três alturas têm o pé no prolongamento do lado correspondente. b) Prove que, se o ortocentro de um triângulo coincidir com um dos seus vértices, o triângulo é retângulo nesse vértice.
Num triângulo
Qual é a área do triângulo
- (A)
8 - (B)
16 - (C)
24 - (D)
32
Considere um triângulo
a) Determine a área do triângulo.
b) Determine o raio da circunferência inscrita.
c) Determine a distância do baricentro ao vértice
Qual das afirmações seguintes é falsa?
- (A)Em qualquer triângulo, o incentro pertence à reta de Euler.
- (B)Em qualquer triângulo isósceles não equilátero, os quatro pontos notáveis são colineares.
- (C)Num triângulo equilátero, a reta de Euler não fica definida.
- (D)Em qualquer triângulo, o baricentro está entre o ortocentro e o circuncentro.
Considere um triângulo
Sabe-se que:
o raio da circunferência circunscrita é
a) Determine o raio da circunferência dos nove pontos.
b) Sabendo que a circunferência dos nove pontos é tangente interiormente à circunferência inscrita, determine a distância entre os seus centros.
c) Prove que, em qualquer triângulo,
Começa por
[PS] é a mediana relativa a[QR] , eB é o baricentro. Logo\overline{BS} = \dfrac{\overline{PB}}{2} = 3 , e\overline{PS} = \overline{PB}+\overline{BS} = 6+3 = 9. - Como
C é o circuncentro, é equidistante dos vértices:\overline{PC} = \overline{RC} . - De
\overline{PC} = \overline{PS}-\overline{CS} vem\overline{PC} = 9-\overline{CS} , e portanto também\overline{RC} = 9-\overline{CS} . S é o ponto médio de[QR] , logo\overline{SR} = \dfrac{6\sqrt{6}}{2} = 3\sqrt{6} .- Como
\overline{PR} = \overline{PQ} , o triângulo[PQR] é isósceles e[PS] é também altura: o triângulo[CSR] é retângulo emS . - Pelo Teorema de Pitágoras:
\overline{RC}^{2} = \overline{CS}^{2}+\overline{SR}^{2} \;\Leftrightarrow\; \left(9-\overline{CS}\right)^{2} = \overline{CS}^{2}+\left(3\sqrt{6}\right)^{2}. - Cálculo auxiliar:
81-18\,\overline{CS}+\overline{CS}^{2} = \overline{CS}^{2}+54 , donde81-54 = 18\,\overline{CS} . 18\,\overline{CS} = 27 , logo\overline{CS} = \dfrac{27}{18} = \dfrac{3}{2} .
D é o ponto de interseção de duas bissetrizes internas, logo é o incentro.- O incentro é o ponto equidistante das retas suporte dos lados: opção (B).
- A opção (A) descreve o circuncentro; a (D) só seria verdadeira se o triângulo fosse isósceles com
\overline{CA} = \overline{CB} , o que a figura não garante.
Dois dos quatro pontos notáveis nunca saem do triângulo. Quais?
- O incentro está nas três bissetrizes internas e o baricentro nas três medianas: ambos são sempre interiores.
- Logo dois pontos exteriores só podem ser o circuncentro e o ortocentro: opção (C).
Começa pela hipotenusa. Para a alínea a), une o incentro aos três vértices e soma as áreas.
- Cálculo auxiliar:
\overline{BC} = \sqrt{9^{2}+12^{2}} = \sqrt{225} = 15 . - a) A área é
\dfrac{9 \times 12}{2} = 54 e o perímetro é9+12+15 = 36 . - Unindo o incentro aos vértices, o triângulo parte-se em três com a mesma altura
r , logoS = \dfrac{rP}{2} er = \dfrac{2 \times 54}{36} = 3. - b) Num triângulo retângulo o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa, logo
R = \dfrac{15}{2} = 7{,}5 . - c) O ortocentro é o vértice
A e o circuncentro é o ponto médio de[BC] . O segmento que os une é a mediana relativa à hipotenusa, que mede metade dela:7{,}5 . - Verificação da desigualdade de Euler:
R = 7{,}5 \geq 2r = 6 ✓
O baricentro divide a mediana em duas partes: uma é o dobro da outra. Qual delas é a que toca o ponto médio?
- O baricentro está a
\dfrac{2}{3} da mediana, a contar do vértice:\overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 18 = 12 . - Logo
\overline{GM} = 18-12 = 6 : opção (A).A opção (C) é o erro de contar o terço a partir do lado errado.
Na alínea a), os lados
- a)
\overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 36 = 24 e\overline{BG} = \dfrac{2}{3} \times 27 = 18 . - Perímetro de
[ABG] :20+24+18 = 62 . - b) As três medianas dividem o triângulo em seis triângulos equivalentes, e
[BGD] é um deles. - Logo a sua área é
\dfrac{144}{6} = 24 .
Há uma relação simples entre
- Sejam
P eQ os pés das alturas tiradas deB e deC . No quadrilátero[AQHP] há dois ângulos retos. - Logo
Q\hat{H}P = 360^{\circ}-90^{\circ}-90^{\circ}-47^{\circ} = 133^{\circ} . B\hat{H}C é verticalmente oposto, logo mede também133^{\circ} : opção (D).- Confere:
133^{\circ} = 180^{\circ}-47^{\circ} .As opções (B) e (C) vêm de confundir esta relação com a do incentro,B\hat{I}C = 90^{\circ}+\frac{\alpha}{2} , que aqui daria113{,}5^{\circ} .
A perpendicular tirada do centro para uma corda encontra-a no ponto médio. Fica um triângulo retângulo com hipotenusa igual ao raio.
- b)
O é o circuncentro, logo\overline{OB} = \overline{OC} : está à mesma distância dos extremos de[BC] , o que é a definição de pertencer à mediatriz. - a) Sendo
M o pé da perpendicular tirada deO paraBC , a alínea anterior garante queM é o ponto médio de[BC] . - O triângulo
[OMB] é retângulo emM , com\overline{OB} = 17 e\overline{OM} = 8 . - Cálculo auxiliar:
\overline{MB} = \sqrt{17^{2}-8^{2}} = \sqrt{289-64} = \sqrt{225} = 15 . - Logo
\overline{BC} = 2 \times 15 = 30 .
O segmento
- Pela relação de Euler,
\overline{GH} = 2\,\overline{OG} , eG está entreO eH . - Logo
\overline{OH} = 3\,\overline{OG} , donde\overline{OG} = 9 e\overline{GH} = 18 : opção (C).A opção (B) confunde o baricentro com o centro da circunferência dos nove pontos, que esse é o ponto médio de[OH] .
Num triângulo isósceles,
- a) Como
\overline{AB} = \overline{AC} , a mediana relativa a[BC] é também altura e mediatriz. Logo o ortocentro e o circuncentro pertencem a essa reta, que é perpendicular a[BC] . - As diagonais de
[BHCO] são[BC] e[HO] , e acabámos de ver que são perpendiculares. - b) Num quadrilátero de diagonais perpendiculares, a área é metade do produto das diagonais:
35 = \dfrac{10 \times \overline{HO}}{2} = 5\,\overline{HO}, donde\overline{HO} = 7 . - Pela relação de Euler,
\overline{HO} = 3\,\overline{GO} , logo\overline{GO} = \dfrac{7}{3} .
M é o centro da circunferência dos nove pontos eE pertence-lhe, logo\overline{ME} é o raio dessa circunferência.- Esse raio é metade do raio da circunferência circunscrita:
4 = \dfrac{R}{2} , dondeR = 8 : opção (C).
Mede tudo a partir de
- a) Pela relação de Euler,
\overline{OH} = 3\,\overline{OG} , logo\overline{OG} = 10 . N é o ponto médio de[OH] , logo\overline{ON} = 15 .\overline{GN} = 15-10 = 5 .- b) A distâncias
0 ,10 ,15 e30 deO , a ordem éO ,G ,N ,H . - c) O raio da circunferência dos nove pontos é metade do da circunscrita, logo
R = 26 .
Compara
- Cálculo auxiliar:
8^{2}+15^{2} = 64+225 = 289 = 17^{2} . - Pelo recíproco do Teorema de Pitágoras, o triângulo é retângulo.
- Num triângulo retângulo o ortocentro é o vértice do ângulo reto: opção (C).
- A (A) é falsa — o ortocentro está sobre a fronteira, não no interior; a (B) também, porque o circuncentro está sobre a hipotenusa; a (D) exigiria um triângulo equilátero.
Na alínea b), o alcance é o raio da circunferência inscrita, e sai da área e do perímetro. Na c), subtrai a área do círculo à área do terreno.
- a) «À mesma distância dos três muros» é «à mesma distância das três retas dos lados»: é o incentro, ponto de interseção das bissetrizes dos ângulos internos.
- b) Unindo o incentro aos três vértices, o triângulo parte-se em três com a mesma altura
r , logoS = \dfrac{rP}{2} :r = \dfrac{2 \times 420}{105} = 8. O alcance mínimo é8 metros. - c) A área do círculo regado é
\pi \times 8^{2} = 64\pi \approx 201{,}06\ \text{m}^{2} . - Fica por regar
420-64\pi \approx 218{,}94 , ou seja, cerca de219\ \text{m}^{2} .
Estar inscrito quer dizer que os três vértices estão sobre a circunferência. O que é que isso obriga o centro a ser?
- Se os três vértices pertencem à circunferência, o centro está à mesma distância dos três: é, por definição, o circuncentro. Opção (B).
- A (A) só valeria se um dos lados fosse um diâmetro; a (C) é a mesma coisa, dita de outra maneira; a (D) é falsa quando o triângulo é obtusângulo.
Na alínea b), se
- a) A altura tirada de
C encontra[AB] dentro do lado, porque os ângulos emA e emB são agudos. - As alturas tiradas de
A e deB encontram os prolongamentos de[BC] e de[AC] , para lá deC . São, portanto, duas. - b) Suponhamos que o ortocentro é o vértice
A . EntãoA pertence à reta suporte da altura tirada deB . - Essa reta passa em
B e emA , logo é a retaAB . - Mas essa altura é perpendicular a
AC , por definição. LogoAB \perp AC . - O ângulo de vértice
A é reto: o triângulo é retângulo emA .
Quantos dos seis triângulos equivalentes é que
- As três medianas dividem o triângulo em seis triângulos com a mesma área, cada um com
\dfrac{96}{6} = 16 . [AGM] é um deles — tem por lados metade de[AB] , um pedaço de mediana e outro. Logo a sua área é16 : opção (B).A opção (D) seria a área de[ABG] , que é a união de dois dos seis.
Começa pela altura relativa a
- Seja
M o ponto médio de[BC] . Cálculo auxiliar:\overline{AM} = \sqrt{13^{2}-12^{2}} = \sqrt{25} = 5 . - a) A área é
\dfrac{24 \times 5}{2} = 60 . - b) O perímetro é
13+13+24 = 50 , logor = \dfrac{2 \times 60}{50} = 2{,}4 . - c)
[AM] é mediana, e o baricentro está a\dfrac{2}{3} dela:\overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 5 = \dfrac{10}{3} . - d) Como
\overline{AB} = \overline{AC} , a retaAM é ao mesmo tempo mediana, altura, mediatriz de[BC] e bissetriz do ângulo de vérticeA . Cada uma destas quatro condições põe nela um dos quatro pontos notáveis, que ficam portanto colineares.
Três das afirmações são resultados do capítulo. A quarta é a armadilha clássica: quantos dos quatro pontos é que a reta de Euler contém?
- A reta de Euler contém três dos quatro pontos notáveis: o circuncentro, o baricentro e o ortocentro. O incentro em geral não lhe pertence.
- Logo a afirmação falsa é a (A).
- As outras três são verdadeiras: num isósceles os quatro pontos estão no eixo de simetria; num equilátero os três pontos coincidem e a reta não fica definida; e
G está sempre entreH eO .
Na alínea c), usa a relação da alínea b) e o facto de uma distância nunca ser negativa.
- a) O raio da circunferência dos nove pontos é
\dfrac{R}{2} = 5 . - b) Em duas circunferências tangentes interiormente, a distância entre os centros é a diferença dos raios:
\overline{NI} = \dfrac{R}{2}-r = 5-4 = 1. - c) Pela alínea anterior, em qualquer triângulo
\overline{NI} = \dfrac{R}{2}-r . - Uma distância é sempre maior ou igual a zero, logo
\dfrac{R}{2}-r \geq 0 , isto é,R \geq 2r . - A igualdade só se dá quando
N = I , o que acontece exactamente no triângulo equilátero.Este resultado chama-se desigualdade de Euler. Confere com o triângulo do enunciado:10 \geq 8 ✓