Astrolábio · Geometria Sintética · revisão do 10.º ano
Matemática A · revisão do 10.º ano

Geometria Sintética

Geometria sem referencial: um triângulo, três retas de cada vez, e o espanto de elas se encontrarem sempre no mesmo ponto. Este capítulo é revisão do 10.º ano — os quatro pontos notáveis do triângulo com as suas demonstrações, onde cada um deles vive conforme o triângulo, a reta de Euler e a circunferência dos nove pontos. As Aprendizagens Essenciais pedem que se faça com geometria dinâmica: por isso o capítulo traz oito construções para fazer no GeoGebra, que se corrigem sozinhas e dizem onde é que o raciocínio se torceu.

\overline{AG} = 2\,\overline{GM} \qquad \overline{OG} = \tfrac{1}{2}\,\overline{GH} Dois terços de uma mediana, e o dobro de um segmento: as duas razões que fazem andar este capítulo inteiro.
0exercícios
6laboratórios interativos
8tarefas no GeoGebra
11secções
0%concluído
R1

Bissetrizes, incentro e circunferência inscrita

Três retas escolhidas uma a uma, sem combinação nenhuma entre elas, e mesmo assim passam todas pelo mesmo ponto. É a primeira das quatro vezes que isto acontece neste capítulo — e, das quatro, é aquela cuja demonstração cabe em três linhas.

Aprendizagens Essenciais · 10.º ano
  • Definir e caracterizar incentro e circunferência inscrita (com demonstração).
  • Promover explorações e construções envolvendo pontos notáveis do triângulo, usando geometria dinâmica, para resolver problemas, perceber os conceitos, formular conjeturas, visualizar e testar propriedades.

1 · A bissetriz, e a segunda maneira de a dizer

Do 9.º ano vem a definição: a bissetriz de um ângulo convexo é a semirreta com origem no vértice que o divide em dois ângulos iguais. Mas há uma segunda caracterização, equivalente, que é a que faz trabalho neste capítulo.

P M N V bissetriz
A bissetriz divide o ângulo em dois ângulos iguais — e, ao mesmo tempo, é o conjunto dos pontos do ângulo que estão à mesma distância dos dois lados. É a segunda leitura que faz a demonstração do incentro caber em três linhas.
Recordar · a bissetriz como lugar geométrico

A bissetriz de um ângulo convexo é o conjunto dos pontos do ângulo que estão à mesma distância das retas suporte dos seus lados. Um ponto está na bissetriz se e só se as duas perpendiculares que dele se tiram para os lados têm o mesmo comprimento.

Distância a uma reta

Quando se diz «a distância de P à reta r», entende-se sempre a menor de todas — e essa é a que se mede na perpendicular. É por isso que nas figuras deste capítulo há tantos quadradinhos de ângulo reto: cada um deles está a dizer «isto aqui é uma distância a uma reta».

2 · As três bissetrizes encontram-se

I A B C
As três bissetrizes internas passam todas por I. Não é acaso nem sorte do desenho: arrasta os vértices no GeoGebra e o encontro mantém-se — e a demonstração diz porquê.
Definição · incentro

O incentro de um triângulo é o ponto de interseção das bissetrizes dos seus três ângulos internos. Costuma designar-se por I.

A definição só faz sentido depois de se saber que as três bissetrizes se encontram mesmo num ponto só — duas retas não paralelas cruzam-se sempre, mas que a terceira passe exatamente pelo mesmo sítio é que é preciso provar.

Seja [ABC] um triângulo. As bissetrizes dos ângulos de vértice A e B não são paralelas, logo cruzam-se; seja I esse ponto.

  1. Como I pertence à bissetriz do ângulo A, está à mesma distância das retas AB e AC: d(I, AB) = d(I, AC).
  2. Como I pertence à bissetriz do ângulo B, está à mesma distância das retas AB e BC: d(I, AB) = d(I, BC).
  3. Das duas igualdades vem d(I, AC) = d(I, BC): o ponto I está à mesma distância das retas CA e CB.
  4. Mas o conjunto dos pontos do ângulo de vértice C equidistantes dos seus lados é a bissetriz desse ângulo. Logo I pertence-lhe também.
ConclusãoAs três bissetrizes internas passam todas por I. \blacksquare

A demonstração é curta porque parte da caracterização certa. Partindo de «divide o ângulo em dois iguais», seria preciso comparar triângulos e o caminho ficava três vezes mais longo. Escolher a caracterização é metade da demonstração.

3 · A circunferência inscrita

A demonstração deu mais do que a concorrência: deu que as três distâncias de I aos lados são iguais. Chamemos-lhe r.

X Y Z I r A B C
Do incentro, os três lados estão à mesma distância r. A circunferência de centro I e raio r toca os três lados sem os atravessar: é a circunferência inscrita.
Definição · circunferência inscrita

A circunferência de centro I e raio r = d(I, AB) = d(I, BC) = d(I, CA) diz-se inscrita no triângulo: toca os três lados e não os atravessa.

Ela é tangente a cada lado porque o raio até ao ponto de contacto é perpendicular ao lado — e uma reta perpendicular a um raio no seu extremo é tangente à circunferência. O incentro é, portanto, o centro da circunferência inscrita; é daí que lhe vem o nome.

Uma consequência que sai da figura, e não se decora

Unindo I aos três vértices, o triângulo fica partido em três triângulos. Todos têm um lado por base e o mesmo r por altura, porque r é a distância de I a cada lado. Somando as áreas:

S = \frac{r\,\overline{AB}}{2} + \frac{r\,\overline{BC}}{2} + \frac{r\,\overline{CA}}{2} = \frac{r \times P}{2},

com P o perímetro. Daqui sai r = \dfrac{2S}{P}, que resolve metade dos exercícios desta secção — e que se volta a deduzir em duas linhas sempre que faça falta.

I A B C
Unindo I aos três vértices, o triângulo fica partido em três — e todos eles têm a mesma altura, r. Somar as três áreas dá \overline{AB}+\overline{BC}+\overline{CA} vezes r a dividir por dois.

Laboratório · O incentro e as três distâncias aos lados

arrasta os vértices
Exemplo 1 Do enunciado ao raio, sem desenhar

Um triângulo tem lados de comprimento 13, 14 e 15. Determina o raio da circunferência inscrita.

  1. O perímetro é 13+14+15 = 42.
  2. Cálculo auxiliar: para a área, toma-se 14 por base. Sendo x a distância do pé da altura ao vértice do lado 13, tem-se 13^{2}-x^{2} = 15^{2}-(14-x)^{2}, ou seja 169-x^{2} = 225-196+28x-x^{2}, donde 28x = 140 e x = 5.
  3. A altura é \sqrt{13^{2}-5^{2}} = \sqrt{144} = 12, e a área é \dfrac{14 \times 12}{2} = 84.
  4. Logo r = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{168}{42} = 4.
Respostar = 4

Este triângulo — o 13-14-15 — tem lados inteiros, área inteira, altura inteira e raio inteiro. Aparece muito em exercícios por isso mesmo, e vale a pena reconhecê-lo.

GeoGebra · Construir o incentro e a circunferência inscrita

constrói e verifica
A carregar o GeoGebra…É a única parte do livro que não funciona sem ligação à Internet.

Constrói o incentro do triângulo [ABC] e a circunferência inscrita. As ferramentas estão todas na barra — e há lá mais do que as que precisas.

  1. Traça a bissetriz de dois dos ângulos internos. A ferramenta «Bissetriz» pede três pontos, pela ordem lado · vértice · lado.
  2. Marca a interseção das duas bissetrizes com a ferramenta «Interseção de Dois Objetos».
  3. Do incentro, tira uma perpendicular a um dos lados e marca o pé dessa perpendicular.
  4. Faz a circunferência de centro no incentro que passa por esse pé.
  5. Carrega em «Verificar a construção».

A correção não se contenta com o ponto estar no sítio: mexe nos vértices por trás e vê se ele acompanha. Um ponto colocado a olho não passa.

Python O incentro a partir dos três lados

Este capítulo não usa coordenadas — mas um programa precisa delas para desenhar. O programa calcula o incentro como média dos vértices pesada pelos lados opostos, e confirma que fica à mesma distância dos três lados.

from math import hypot

A = (0, 0)
B = (6, 0)
C = (1, 4)

lado_a = hypot(C[0]-B[0], C[1]-B[1])
lado_b = hypot(A[0]-C[0], A[1]-C[1])
lado_c = hypot(B[0]-A[0], B[1]-A[1])
p = lado_a + lado_b + lado_c

ix = (lado_a*A[0] + lado_b*B[0] + lado_c*C[0]) / p
iy = (lado_a*A[1] + lado_b*B[1] + lado_c*C[1]) / p
print("incentro:", round(ix, 4), round(iy, 4))

def dist_reta(P, X, Y):
    num = abs((Y[0]-X[0])*(X[1]-P[1]) - (X[0]-P[0])*(Y[1]-X[1]))
    return num / hypot(Y[0]-X[0], Y[1]-X[1])

I = (ix, iy)
print("distancias aos lados:")
for X, Y in ((A, B), (B, C), (C, A)):
    print("  ", round(dist_reta(I, X, Y), 6))

area = abs((B[0]-A[0])*(C[1]-A[1]) - (C[0]-A[0])*(B[1]-A[1])) / 2
print("raio pela area:", round(2*area/p, 6))

Muda C para (3, 0{,}05): o triângulo fica quase achatado, a área quase zero e o raio quase zero — mas as três distâncias continuam iguais entre si. A propriedade não depende da forma do triângulo.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre a bissetriz, o incentro e a circunferência inscrita. Os primeiros fixam a diferença entre «à mesma distância dos lados» e «à mesma distância dos vértices», que é onde este tema mais se engana; os últimos pedem demonstração, ao nível do Exame.

A cor do título dá o grau de dificuldade: verde, aplicação direta · amarelo, exige uma ideia intermédia · vermelho, justificação ou generalização, ao nível do Exame.

Exercício 1§R1 · reconhecer o ponto

Num triângulo [ABC] traçaram-se as bissetrizes dos ângulos internos de vértices A e B. Elas cruzam-se num ponto D.

Como se designa D relativamente ao triângulo [ABC]?

  • (A)Baricentro
  • (B)Circuncentro
  • (C)Incentro
  • (D)Ortocentro
Exercício 2§R1 · a bissetriz e as distâncias

O ponto P pertence à bissetriz do ângulo convexo V, e dista 3{,}5 de um dos lados do ângulo.

A que distância está do outro lado? Justifica.

Exercício 3§R1 · num triângulo equilátero

Considera um triângulo equilátero de lado 6.

Determina o valor exato do raio da circunferência inscrita.

Exercício 4§R1 · onde é que ele pode estar

Qual das afirmações seguintes é verdadeira?

  • (A)O incentro de um triângulo pode ser exterior ao triângulo.
  • (B)O incentro de um triângulo é sempre interior ao triângulo.
  • (C)O incentro de um triângulo pertence sempre a um dos lados.
  • (D)O incentro de um triângulo coincide sempre com um dos vértices.
Exercício 5§R1 · da área para o raio

Um triângulo tem 15 unidades de área e 20 unidades de perímetro.

Determina o raio da circunferência inscrita.

Exercício 6§R1 · o triângulo retângulo 3-4-5

Considera um triângulo retângulo de catetos 3 e 4.

a) Determina o raio da circunferência inscrita. b) Determina o perímetro dessa circunferência.

Exercício 7§R1 · a fonte no jardim

Um jardim tem a forma de um triângulo, delimitado por três muros. Quer instalar-se uma fonte à mesma distância dos três muros.

a) Explica que ponto notável do triângulo dá a localização da fonte. b) Sabendo que o jardim tem 240\ \text{m}^2 de área e 80 metros de perímetro, determina a que distância de cada muro fica a fonte.

Exercício 8§R1 · ângulos com a bissetriz

Num triângulo [ABC], sabe-se que:

B\hat{A}C = 74^{\circ}; A\hat{B}C = 56^{\circ}; I é o incentro do triângulo.

Determina I\hat{B}C e B\hat{C}I.

Exercício 9§R1 · do raio para a área

Num triângulo [ABC], a circunferência inscrita tem raio 4 e o triângulo tem 84 unidades de área.

Determina o perímetro do triângulo.

Exercício 10§R1 · o ângulo BIC

Seja I o incentro de um triângulo [ABC].

Prova que B\hat{I}C = 90^{\circ} + \dfrac{B\hat{A}C}{2}.

Exercício 11§R1 · o raio no triângulo retângulo

Um triângulo é retângulo, tem catetos de comprimento b e c e hipotenusa de comprimento a.

Prova que o raio da circunferência inscrita é r = \dfrac{b+c-a}{2}.

Exercício 12§R1 · as duas bissetrizes de um vértice

Num triângulo [ABC], considera a bissetriz do ângulo interno de vértice A e a bissetriz de um dos ângulos externos desse mesmo vértice.

Prova que as duas são perpendiculares.

Duas bissetrizes bastam: a terceira passa no mesmo ponto. E o ponto onde as bissetrizes se encontram tem um nome próprio.

  1. O ponto de interseção das bissetrizes dos ângulos internos é o incentro.
  2. A opção correta é a (C).As outras três são os outros pontos notáveis: o baricentro vem das medianas, o circuncentro das mediatrizes, o ortocentro das alturas. Confundi-los é o erro mais comum deste tema — e a maneira de não os confundir é lembrar de que três retas vem cada um.
RespostaOpção (C)

Não é preciso calcular nada: é a caracterização da bissetriz como lugar geométrico.

  1. A bissetriz de um ângulo convexo é o conjunto dos pontos do ângulo equidistantes das retas suporte dos lados.
  2. Como P lhe pertence, a distância ao outro lado é também 3{,}5.A distância de um ponto a uma reta mede-se sempre na perpendicular. É esse segmento que aqui vale 3{,}5 dos dois lados.
Resposta3{,}5

Num triângulo equilátero a bissetriz de cada ângulo é também altura. Começa por calcular a altura, e depois pensa em que fração dela está o incentro — ou usa a área e o perímetro.

  1. Cálculo auxiliar: a altura de um triângulo equilátero de lado 6 é \sqrt{6^{2}-3^{2}} = \sqrt{27} = 3\sqrt{3}.
  2. A área é \dfrac{6 \times 3\sqrt{3}}{2} = 9\sqrt{3}, e o perímetro é 18.
  3. De S = \dfrac{r \times P}{2} vem r = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{18\sqrt{3}}{18} = \sqrt{3}.Repara em que \sqrt{3} é um terço da altura 3\sqrt{3}. Num triângulo equilátero os quatro pontos notáveis coincidem, e o baricentro está a um terço da altura a contar da base — voltaremos a isto na R5.
Respostar = \sqrt{3}

O incentro é o centro de uma circunferência que toca os três lados por dentro. Uma circunferência dessas cabe fora do triângulo?

  1. A bissetriz interna de um ângulo está toda dentro do ângulo, e o triângulo é a interseção dos três ângulos internos.
  2. Logo o incentro, que está nas três bissetrizes, está dentro dos três ângulos — isto é, dentro do triângulo.
  3. A opção correta é a (B).Este é um dos dois pontos notáveis que nunca saem: o outro é o baricentro. O circuncentro e o ortocentro saem, e é o que a R5 vai arrumar.
RespostaOpção (B)

Une o incentro aos três vértices. Ficas com três triângulos, todos com a mesma altura.

  1. Unindo I aos vértices, o triângulo parte-se em três, cada um com um lado por base e r por altura.
  2. Somando as três áreas: S = \dfrac{r \times P}{2}, com P o perímetro.
  3. 15 = \dfrac{20r}{2} = 10r, logo r = 1{,}5.Não é uma fórmula a decorar: sai da figura em duas linhas, e é essa dedução que o Exame pode pedir.
Respostar = 1{,}5

A hipotenusa sai de Pitágoras. Depois é a área e o perímetro, como no exercício anterior.

  1. a) Cálculo auxiliar: a hipotenusa é \sqrt{3^{2}+4^{2}} = 5.
  2. A área é \dfrac{3 \times 4}{2} = 6 e o perímetro é 3+4+5 = 12.
  3. r = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{12}{12} = 1.
  4. b) O perímetro da circunferência é 2\pi r = 2\pi.Repara em que r = \dfrac{3+4-5}{2} = 1. Não é coincidência — o último exercício desta secção pede a demonstração.
Respostaa) r = 1 · b) 2\pi

Distância a um muro é distância a uma reta. Que lugar geométrico está à mesma distância de dois lados de um ângulo?

  1. a) Estar à mesma distância de dois muros é estar na bissetriz do ângulo que eles formam. Estar à mesma distância dos três é estar nas três bissetrizes: é o incentro.
  2. b) Essa distância comum é o raio da circunferência inscrita: r = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{480}{80} = 6.
  3. A fonte fica a 6 metros de cada muro.É a mesma pergunta do carregueiro à mesma distância de três portos, ou do chafariz no parque infantil: quando o enunciado diz «à mesma distância dos três lados», é o incentro; quando diz «dos três vértices», é o circuncentro, que é a R2.
Respostaa) o incentro · b) 6 metros

O incentro está nas bissetrizes: cada uma parte o seu ângulo ao meio. Falta descobrir o terceiro ângulo do triângulo.

  1. A soma dos ângulos internos é 180^{\circ}, logo A\hat{C}B = 180^{\circ}-74^{\circ}-56^{\circ} = 50^{\circ}.
  2. [BI] está na bissetriz de A\hat{B}C, logo I\hat{B}C = \dfrac{56^{\circ}}{2} = 28^{\circ}.
  3. [CI] está na bissetriz de A\hat{C}B, logo B\hat{C}I = \dfrac{50^{\circ}}{2} = 25^{\circ}.
RespostaI\hat{B}C = 28^{\circ} e B\hat{C}I = 25^{\circ}

É a mesma relação de antes, resolvida em ordem a outra letra.

  1. De S = \dfrac{rP}{2} vem P = \dfrac{2S}{r}.
  2. P = \dfrac{2 \times 84}{4} = 42.
  3. O perímetro é 42.Verificação de bom senso: com r=4, o triângulo tem de ser bastante maior do que a circunferência inscrita, cujo perímetro é 8\pi \approx 25. Sai 42, que é maior. ✓
Resposta42

Escreve os ângulos do triângulo [BIC] em função dos ângulos do triângulo [ABC]. Depois usa a soma dos ângulos internos duas vezes.

  1. Sejam \alpha, \beta e \gamma as amplitudes dos ângulos internos de vértices A, B e C.
  2. I está na bissetriz do ângulo B, logo I\hat{B}C = \dfrac{\beta}{2}; está na bissetriz do ângulo C, logo B\hat{C}I = \dfrac{\gamma}{2}.
  3. No triângulo [BIC]: B\hat{I}C = 180^{\circ} - \dfrac{\beta}{2} - \dfrac{\gamma}{2} = 180^{\circ} - \dfrac{\beta+\gamma}{2}.
  4. No triângulo [ABC]: \beta + \gamma = 180^{\circ} - \alpha.
  5. Substituindo: B\hat{I}C = 180^{\circ} - \dfrac{180^{\circ}-\alpha}{2} = 180^{\circ} - 90^{\circ} + \dfrac{\alpha}{2} = 90^{\circ} + \dfrac{\alpha}{2}.
  6. Como se queria. Uma consequência que vale a pena guardar: B\hat{I}C é sempre obtuso, porque é 90^{\circ} mais alguma coisa. Confere na tarefa do GeoGebra desta secção — arrasta os vértices e vê o ângulo em I nunca descer dos 90^{\circ}.
RespostaB\hat{I}C = 90^{\circ} + \dfrac{\alpha}{2}, com \alpha = B\hat{A}C

A área e o perímetro dão logo r. Depois é preciso reconhecer que b^{2}+c^{2} = a^{2} permite simplificar a fração.

  1. A área é S = \dfrac{bc}{2} e o perímetro é P = a+b+c, logo r = \dfrac{2S}{P} = \dfrac{bc}{a+b+c}.
  2. Multiplica-se numerador e denominador por b+c-a: r = \dfrac{bc\,(b+c-a)}{(a+b+c)(b+c-a)}.
  3. Cálculo auxiliar: o denominador é (b+c)^{2}-a^{2} = b^{2}+2bc+c^{2}-a^{2}.
  4. Pelo Teorema de Pitágoras, b^{2}+c^{2} = a^{2}, logo o denominador é 2bc.
  5. Portanto r = \dfrac{bc\,(b+c-a)}{2bc} = \dfrac{b+c-a}{2}.Confirmação com o triângulo 3-4-5: \dfrac{3+4-5}{2} = 1, que é o que se obteve pelo caminho da área. ✓
Respostar = \dfrac{b+c-a}{2}

O ângulo interno e o ângulo externo adjacente somam 180^{\circ}. Que amplitude tem, então, o ângulo formado pelas duas bissetrizes?

  1. Seja \alpha a amplitude do ângulo interno de vértice A. O ângulo externo adjacente tem amplitude 180^{\circ}-\alpha, por serem suplementares.
  2. A bissetriz interna faz com o lado [AB] um ângulo de \dfrac{\alpha}{2}.
  3. A bissetriz externa faz com o prolongamento de [AB] um ângulo de \dfrac{180^{\circ}-\alpha}{2} = 90^{\circ}-\dfrac{\alpha}{2}, portanto faz com [AB], do mesmo lado, um ângulo de 180^{\circ}-\left(90^{\circ}-\dfrac{\alpha}{2}\right) = 90^{\circ}+\dfrac{\alpha}{2}.
  4. O ângulo entre as duas bissetrizes é a diferença: \left(90^{\circ}+\dfrac{\alpha}{2}\right) - \dfrac{\alpha}{2} = 90^{\circ}.
  5. São perpendiculares, seja qual for o triângulo.É esta perpendicularidade que faz existirem as circunferências ex-inscritas — as três que tocam um lado e os prolongamentos dos outros dois. Elas voltam na secção A1, a propósito do ponto de Nagel.
RespostaO ângulo entre as duas bissetrizes é 90^{\circ}
R2

Mediatrizes, circuncentro e circunferência circunscrita

A mesma história outra vez, com uma palavra trocada: onde na secção anterior se dizia «à mesma distância dos lados», passa a dizer-se «à mesma distância dos vértices». O ponto que sai é outro, e a demonstração é a mesma linha por linha — o que é a melhor maneira de perceber que a demonstração não era sobre bissetrizes: era sobre lugares geométricos.

Aprendizagens Essenciais · 10.º ano
  • Definir e caracterizar circuncentro e circunferência circunscrita (com demonstração).
  • Desenvolver o gosto pela argumentação em geral e pela demonstração como elemento central da matemática, por exemplo a propósito da circunferência inscrita e da circunferência circunscrita.

1 · A mediatriz, recordada

A B M P mediatriz
A mediatriz de [AB] é o conjunto dos pontos equidistantes de A e de B — e é também a perpendicular a [AB] no seu ponto médio. É a primeira leitura que vai fazer o trabalho aqui.
Recordar · mediatriz de [AB]

A mediatriz de [AB] é o conjunto dos pontos do plano equidistantes de A e de B. É também a reta perpendicular a [AB] que passa no seu ponto médio. As duas descrições definem o mesmo conjunto.

2 · As três mediatrizes encontram-se

O A B C
As três mediatrizes dos lados passam todas por O. A demonstração é a mesma do incentro, com «equidistante dos extremos» no lugar de «equidistante dos lados».
Definição · circuncentro

O circuncentro de um triângulo é o ponto de interseção das mediatrizes dos seus três lados. Costuma designar-se por O.

Seja [ABC] um triângulo. As mediatrizes de [AB] e de [BC] não são paralelas — se fossem, AB e BC seriam paralelas, e os três vértices estariam alinhados. Cruzam-se, portanto, num ponto; seja O esse ponto.

  1. Como O pertence à mediatriz de [AB], está à mesma distância dos seus extremos: \overline{OA} = \overline{OB}.
  2. Como O pertence à mediatriz de [BC]: \overline{OB} = \overline{OC}.
  3. Das duas igualdades vem \overline{OA} = \overline{OC}: o ponto O está à mesma distância de A e de C.
  4. Mas o conjunto dos pontos equidistantes de A e de C é a mediatriz de [AC]. Logo O pertence-lhe também.
ConclusãoAs três mediatrizes passam todas por O, e \overline{OA} = \overline{OB} = \overline{OC}. \blacksquare

Compara com a demonstração do incentro, na R1: são a mesma, palavra por palavra, com «equidistante dos lados» trocado por «equidistante dos extremos». Uma demonstração que se pode repetir noutro contexto é uma demonstração que se percebeu.

3 · A circunferência circunscrita

O A B C
Do circuncentro, os três vértices estão à mesma distância R. A circunferência de centro O e raio R passa pelos três: é a circunferência circunscrita.
Definição · circunferência circunscrita

A circunferência de centro O e raio R = \overline{OA} = \overline{OB} = \overline{OC} passa pelos três vértices e diz-se circunscrita ao triângulo. O circuncentro é o seu centro — e daí o nome.

Todo o triângulo tem uma, e só uma

A demonstração dá as duas coisas de uma vez. Que existe uma circunferência pelos três vértices: é a de centro O. E que não há outra: o centro de qualquer circunferência que passe por A, B e C está à mesma distância dos três, logo está nas três mediatrizes, logo é O. Por três pontos não alinhados passa exactamente uma circunferência.

4 · O caso que sai mais vezes: o triângulo retângulo

O A B C
Num triângulo retângulo, o circuncentro cai em cima do ponto médio da hipotenusa — e a hipotenusa passa a ser um diâmetro. Daqui sai que a mediana relativa à hipotenusa mede metade dela.
Propriedade

Num triângulo retângulo, o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa. Em consequência:

a hipotenusa é um diâmetro da circunferência circunscrita, e portanto R = \dfrac{\text{hipotenusa}}{2}; a mediana relativa à hipotenusa mede metade da hipotenusa.

A demonstração está no último grupo de exercícios desta secção, e usa apenas a reta média do triângulo.

Laboratório · O circuncentro a sair do triângulo

arrasta os vértices
Exemplo 2 Do raio da circunscrita a um lado

Um triângulo [ABC] está inscrito numa circunferência de centro O e raio 25. Sabe-se que a distância de O à reta BC é 7. Determina \overline{BC}.

  1. A perpendicular tirada de O para BC encontra-a no ponto médio M: O está na mediatriz de [BC], e a mediatriz corta o lado no ponto médio.
  2. O triângulo [OMB] é retângulo em M, com \overline{OB} = 25 e \overline{OM} = 7.
  3. Cálculo auxiliar: \overline{MB} = \sqrt{25^{2}-7^{2}} = \sqrt{625-49} = \sqrt{576} = 24.
  4. Como M é o ponto médio, \overline{BC} = 2 \times 24 = 48.
Resposta\overline{BC} = 48

Repara na peça que fez o trabalho: «a mediatriz corta o lado no ponto médio». É a segunda caracterização da mediatriz — a que não se usou na demonstração — e é quase sempre esta que resolve os exercícios de cálculo.

GeoGebra · Construir o circuncentro e a circunferência circunscrita

constrói e verifica
A carregar o GeoGebra…É a única parte do livro que não funciona sem ligação à Internet.

Constrói o circuncentro do triângulo [ABC] e a circunferência circunscrita. Depois arrasta um vértice até o centro sair do triângulo.

  1. Traça a mediatriz de dois dos lados. A ferramenta «Mediatriz» pede os dois extremos do lado.
  2. Marca a interseção das duas mediatrizes.
  3. Faz a circunferência de centro nesse ponto que passa por A. Confirma que passa também por B e por C.
  4. Carrega em «Verificar a construção».
  5. Depois arrasta um vértice até o triângulo ficar obtusângulo, e vê o centro sair — sem a circunferência deixar de passar pelos três vértices.

Se construíres o incentro por engano, a correção diz-to pelo nome: é o erro mais frequente deste tema, e distingue-se por uma palavra.

Python O circuncentro e o tipo de triângulo

O programa calcula o circuncentro, confirma que fica à mesma distância dos três vértices, e diz se cai dentro, sobre um lado, ou fora do triângulo.

from math import hypot, acos, degrees

A = (0, 0)
B = (6, 0)
C = (5, 4)

d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na = A[0]**2 + A[1]**2
nb = B[0]**2 + B[1]**2
nc = C[0]**2 + C[1]**2
ox = (na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1])) / d
oy = (na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0])) / d
print("circuncentro:", round(ox, 4), round(oy, 4))

for nome, P in (("A", A), ("B", B), ("C", C)):
    print("  dist a", nome, "=", round(hypot(P[0]-ox, P[1]-oy), 6))

def angulo(x, y, z):
    return degrees(acos((y*y + z*z - x*x) / (2*y*z)))

a = hypot(C[0]-B[0], C[1]-B[1])
b = hypot(A[0]-C[0], A[1]-C[1])
c = hypot(B[0]-A[0], B[1]-A[1])
maior = max(angulo(a, b, c), angulo(b, c, a), angulo(c, a, b))
print("maior angulo:", round(maior, 2))
if maior > 90.001:
    print("obtusangulo -> o circuncentro esta fora")
elif maior > 89.999:
    print("retangulo -> esta no ponto medio da hipotenusa")
else:
    print("acutangulo -> esta dentro")

Põe C = (0, 4): o triângulo fica retângulo em A e o circuncentro sai (3, 2) — que é o ponto médio de [BC], como tinha de ser.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre a mediatriz, o circuncentro e a circunferência circunscrita. Repara em quantos se resolvem só com «O está à mesma distância dos três vértices», sem escrever equação nenhuma.

Exercício 13§R2 · reconhecer o ponto

Num triângulo [ABC] traçaram-se as mediatrizes dos lados [AB] e [BC], que se cruzam num ponto D.

Como se designa D relativamente ao triângulo [ABC]?

  • (A)Baricentro
  • (B)Circuncentro
  • (C)Incentro
  • (D)Ortocentro
Exercício 14§R2 · três distâncias iguais

O é o circuncentro de um triângulo [ABC] e sabe-se que \overline{OA} = 7.

a) Indica \overline{OB} e \overline{OC}, justificando. b) Indica o raio da circunferência circunscrita.

Exercício 15§R2 · a hipotenusa é o diâmetro

Um triângulo é retângulo e a sua hipotenusa mede 26.

Determina o raio da circunferência circunscrita.

Exercício 16§R2 · onde é que ele pode estar

Qual das afirmações seguintes é falsa?

  • (A)O circuncentro pode ser exterior ao triângulo.
  • (B)O circuncentro pode pertencer a um dos lados do triângulo.
  • (C)O circuncentro é sempre interior ao triângulo.
  • (D)O circuncentro está à mesma distância dos três vértices.
Exercício 17§R2 · no triângulo equilátero

Considera um triângulo equilátero de lado 6.

Determina o valor exato do raio da circunferência circunscrita.

Exercício 18§R2 · catetos 6 e 8

Um triângulo [ABC] é retângulo em A, com \overline{AB} = 6 e \overline{AC} = 8.

a) Determina o raio da circunferência circunscrita. b) Determina a distância do circuncentro ao vértice A.

Exercício 19§R2 · o depósito de água

Três aldeias — A, B e C — não estão alinhadas. Quer instalar-se um depósito de água à mesma distância das três, e ligá-lo a cada uma por uma conduta reta.

a) Explica que ponto notável do triângulo [ABC] dá a localização do depósito. b) Explica por que razão as três condutas têm o mesmo comprimento, e diz o que esse comprimento representa. c) Numa das configurações possíveis, o depósito fica fora do triângulo das três aldeias. Diz em que caso é que isso acontece.

Exercício 20§R2 · num triângulo isósceles

Num triângulo [ABC] tem-se \overline{AB} = \overline{AC}.

Mostra que o circuncentro pertence à mediatriz de [BC], e explica por que razão o vértice A também lhe pertence.

Exercício 21§R2 · reconhecer um triângulo retângulo

Um triângulo está inscrito numa circunferência de raio 10, e um dos seus lados mede 20.

Mostra que o triângulo é retângulo.

Exercício 22§R2 · a mediana da hipotenusa

Seja [ABC] um triângulo retângulo em A, e M o ponto médio da hipotenusa [BC].

Prova que \overline{AM} = \dfrac{\overline{BC}}{2}.

Exercício 23§R2 · porque é que elas se cruzam

Na demonstração da existência do circuncentro começa-se por dizer que as mediatrizes de dois lados se cruzam.

Explica por que razão as mediatrizes de dois lados de um triângulo nunca são paralelas.

Exercício 24§R2 · a corda e a distância ao centro

Um triângulo [ABC] está inscrito numa circunferência de centro O e raio 13, e \overline{BC} = 24.

Determina a distância de O à reta BC, e diz de que lado de BC fica o vértice A quando o triângulo é obtusângulo em A.

Mediatrizes de lados, não bissetrizes de ângulos. E lembra que a mediatriz é o lugar dos pontos equidistantes dos extremos.

  1. O ponto de interseção das mediatrizes dos lados é o circuncentro.
  2. A opção correta é a (B).A palavra que separa este ponto do incentro é uma só: «vértices» contra «lados». D está à mesma distância dos três vértices.
RespostaOpção (B)

Está tudo na definição do ponto — não há nada a calcular.

  1. a) O circuncentro está nas três mediatrizes, logo está à mesma distância dos três vértices: \overline{OB} = \overline{OC} = 7.
  2. b) A circunferência circunscrita é a de centro O que passa pelos vértices, logo o raio é 7.
Respostaa) 7 e 7 · b) R = 7

Num triângulo retângulo, o circuncentro tem um sítio fixo. Onde?

  1. Num triângulo retângulo, o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa.
  2. Logo a hipotenusa é um diâmetro da circunferência circunscrita, e R = \dfrac{26}{2} = 13.
RespostaR = 13

Desenha um triângulo muito «achatado», com um ângulo bem obtuso, e vê para onde vai o centro da circunferência que passa pelos três vértices.

  1. Num triângulo obtusângulo o circuncentro fica fora; num retângulo fica sobre a hipotenusa; só num acutângulo é que fica dentro.
  2. Logo a afirmação falsa é a (C).É esta a diferença mais útil entre o circuncentro e o incentro: o incentro nunca sai, o circuncentro sai. A R5 arruma os quatro casos de uma vez.
RespostaOpção (C)

A altura já foi calculada na secção anterior. Num triângulo equilátero, a que fração da altura está o centro, a contar do vértice?

  1. A altura é 3\sqrt{3}, e num triângulo equilátero as mediatrizes coincidem com as alturas.
  2. Sendo M o ponto médio de um lado, o triângulo [OMB] é retângulo em M, com \overline{MB} = 3 e \overline{OM} = r = \sqrt{3} — o raio da inscrita, calculado na R1.
  3. Logo R = \overline{OB} = \sqrt{3^{2}+\left(\sqrt{3}\right)^{2}} = \sqrt{12} = 2\sqrt{3}.
  4. Verificação: R = 2\sqrt{3} e r = \sqrt{3}, logo R = 2r — e R + r = 3\sqrt{3}, que é a altura. ✓Num triângulo equilátero o incentro e o circuncentro são o mesmo ponto, e ele divide a altura em \frac{2}{3} e \frac{1}{3}. É a razão do baricentro, que a R4 vai demonstrar.
RespostaR = 2\sqrt{3}

Depois da hipotenusa, a alínea b) não precisa de contas nenhumas: A também é um vértice.

  1. a) Cálculo auxiliar: \overline{BC} = \sqrt{6^{2}+8^{2}} = 10.
  2. O circuncentro é o ponto médio de [BC], logo R = 5.
  3. b) O circuncentro está à mesma distância dos três vértices, logo dista 5 de A.Dito de outra maneira: a mediana relativa à hipotenusa mede metade da hipotenusa. É a propriedade que o último exercício desta secção demonstra.
Respostaa) R = 5 · b) 5

«À mesma distância das três aldeias» é «à mesma distância dos três vértices». Que retas dão isso?

  1. a) Estar à mesma distância de duas aldeias é estar na mediatriz do segmento que as une. Estar à mesma distância das três é estar nas três mediatrizes: é o circuncentro.
  2. b) Por definição de circuncentro, \overline{OA} = \overline{OB} = \overline{OC}. Esse comprimento é o raio da circunferência circunscrita ao triângulo [ABC].
  3. c) Quando o triângulo é obtusângulo. Se for retângulo, o depósito fica em cima do ponto médio do maior lado.Compara com o problema da fonte, na R1: ali era «à mesma distância dos três muros» — lados — e dava o incentro. Uma palavra muda o ponto.
Respostaa) o circuncentro · b) são todas iguais ao raio da circunferência circunscrita · c) quando o triângulo é obtusângulo

A primeira parte é imediata pela definição. A segunda é a caracterização da mediatriz como lugar geométrico, aplicada a A.

  1. O circuncentro está nas três mediatrizes, logo em particular na de [BC].
  2. Como \overline{AB} = \overline{AC}, o ponto A está à mesma distância de B e de C, e portanto também pertence à mediatriz de [BC].
  3. Logo a reta AO é a mediatriz de [BC]: num triângulo isósceles, o circuncentro está sobre o eixo de simetria.O mesmo argumento serve para o incentro, para o ortocentro e para o baricentro: todos eles estão nessa reta. É por isso que num triângulo isósceles os quatro pontos notáveis são colineares — voltaremos a isto na R5 e na R6.
RespostaAmbos pertencem à mediatriz de [BC], que é o eixo de simetria do triângulo

Um lado que mede 20 numa circunferência de raio 10 é o maior segmento que lá cabe. O que é que isso obriga?

  1. A maior corda de uma circunferência de raio 10 é o diâmetro, que mede 20. Logo esse lado é um diâmetro.
  2. O centro da circunferência circunscrita é, portanto, o ponto médio desse lado.
  3. Sendo [BC] esse lado, O o seu ponto médio e A o terceiro vértice, tem-se \overline{OA} = \overline{OB} = \overline{OC} = 10.
  4. Os triângulos [OAB] e [OAC] são isósceles, logo O\hat{A}B = O\hat{B}A e O\hat{A}C = O\hat{C}A. Somando os ângulos internos de [ABC]: 2\,O\hat{A}B + 2\,O\hat{A}C = 180^{\circ} \;\Leftrightarrow\; O\hat{A}B + O\hat{A}C = 90^{\circ}.
  5. Mas B\hat{A}C = O\hat{A}B + O\hat{A}C = 90^{\circ}: o triângulo é retângulo em A.Acabaste de demonstrar o Teorema de Tales na sua forma clássica — todo o ângulo inscrito numa semicircunferência é reto.
RespostaO lado de 20 é um diâmetro, e o ângulo oposto é reto

Mostra que M é o circuncentro. Para isso, repara em que a mediatriz de [AB] é perpendicular a AB — e que AC também é.

  1. A mediatriz de [AB] é perpendicular a AB. Como o ângulo em A é reto, a reta AC também é perpendicular a AB. Logo a mediatriz de [AB] é paralela a AC.
  2. Essa mediatriz passa no ponto médio de [AB]. Uma reta que passa no ponto médio de um lado de um triângulo e é paralela a outro lado passa no ponto médio do terceiro — é a reta média. Logo passa em M.
  3. Como M pertence à mediatriz de [AB], tem-se \overline{MA} = \overline{MB}.
  4. E \overline{MB} = \overline{MC} = \dfrac{\overline{BC}}{2}, por M ser o ponto médio de [BC].
  5. Portanto \overline{AM} = \dfrac{\overline{BC}}{2}.De passagem, provou-se mais: M está à mesma distância dos três vértices, logo é o circuncentro. É a demonstração da propriedade que se enunciou no texto da secção.
Resposta\overline{AM} = \dfrac{\overline{BC}}{2}, porque M é o circuncentro do triângulo

Argumenta por absurdo: supõe que eram paralelas e vê o que isso obrigaria os dois lados a ser.

  1. Suponhamos, por absurdo, que as mediatrizes de [AB] e de [BC] eram paralelas.
  2. A mediatriz de [AB] é perpendicular a AB e a de [BC] é perpendicular a BC.
  3. Duas retas paralelas têm a mesma direção; e duas retas perpendiculares a retas com a mesma direção são também paralelas entre si. Logo AB e BC seriam paralelas.
  4. Mas AB e BC têm o ponto B em comum: se fossem paralelas, seriam a mesma reta, e A, B e C estariam alinhados.
  5. Isso contraria a hipótese de [ABC] ser um triângulo. Logo as duas mediatrizes não são paralelas e cruzam-se num ponto.Este passo tem de estar na demonstração. Sem ele, ela prova apenas que se as duas se cruzarem, a terceira passa lá — e não que existe circuncentro.
RespostaSe fossem paralelas, os três vértices estariam alinhados e não haveria triângulo

A distância do centro a uma corda mede-se na perpendicular, e essa perpendicular é a mediatriz da corda. Fica um triângulo retângulo com hipotenusa 13.

  1. A perpendicular tirada de O para BC encontra-a no ponto médio M — porque O está na mediatriz de [BC].
  2. Logo \overline{MB} = 12, e o triângulo [OMB] é retângulo em M com hipotenusa \overline{OB} = 13.
  3. Cálculo auxiliar: \overline{OM} = \sqrt{13^{2}-12^{2}} = \sqrt{25} = 5.
  4. Quando o ângulo em A é obtuso, o vértice A fica no arco menor definido por B e C — isto é, do lado da reta BC oposto ao centro O.
  5. É por isso que nesse caso o circuncentro fica fora do triângulo.Confirma no laboratório: arrasta A ao longo da circunferência e vê o momento em que O atravessa o lado [BC]. É exactamente quando A passa pelo ponto em que o ângulo é reto.
Resposta\overline{OM} = 5; com o ângulo em A obtuso, A fica do lado de BC oposto a O
R3

Alturas e ortocentro

O terceiro dos quatro pontos, e o primeiro que não é definido por distâncias: as alturas não são o lugar geométrico de nada. Em compensação, é o que mais se mexe — sai do triângulo, entra, e às vezes vai aterrar exactamente em cima de um vértice.

Aprendizagens Essenciais · 10.º ano
  • Definir e caracterizar ortocentro.
  • Promover explorações e construções envolvendo pontos notáveis do triângulo, usando geometria dinâmica, para visualizar e testar propriedades.

1 · A altura, e a palavra que ela obriga a usar

P A B C altura
A altura relativa a [BC] é o segmento que une A ao pé da perpendicular tirada de A para a reta BC. Cada triângulo tem três — uma por lado.
Definição · altura de um triângulo

A altura de um triângulo relativa a um lado, tomado por base, é o segmento de reta que une o vértice oposto ao pé da perpendicular tirada desse vértice para a reta que contém a base.

Cada triângulo tem três alturas, uma por lado.

Porquê «a reta que contém a base» e não «a base»

Porque o pé nem sempre cai no lado. Quando o triângulo tem um ângulo obtuso, duas das três alturas encontram o prolongamento do lado oposto. Se a definição dissesse «para o lado», essas duas alturas não existiriam — e o triângulo obtusângulo ficaria com uma altura só.

P A B C
Quando o triângulo é obtusângulo, o pé da altura cai fora do lado — no prolongamento. É por isso que a definição fala da reta que contém o lado, e não do lado.

2 · As três alturas encontram-se

H A B C
Num triângulo acutângulo, as três alturas encontram-se dentro. O ponto chama-se H, de Höhe — altura, em alemão.
Definição · ortocentro

O ortocentro de um triângulo é o ponto de interseção das retas suporte das suas três alturas. Costuma designar-se por H.

As Aprendizagens Essenciais pedem que se defina e caracterize o ortocentro, mas não pedem a demonstração da concorrência — ao contrário do que fazem para o incentro e para o circuncentro. Fica aqui na mesma, porque tem uma ideia que vale a pena ver: em vez de se demonstrar de novo, reduz-se ao que já está feito.

Esta demonstração não é pedida pelas Aprendizagens Essenciais — as AE pedem-na para o incentro e para o circuncentro, e para o ortocentro pedem só a definição. Fica pela ideia: transformar um problema novo num problema já resolvido.

Seja [ABC] um triângulo. Tracemos por cada vértice a paralela ao lado oposto. As três retas formam um triângulo [A'B'C'], com A' oposto a A, e assim por diante.

  1. AB' é paralela a BC e CB' é paralela a AB, logo [ABCB'] é um paralelogramo e \overline{AB'} = \overline{BC}.
  2. Do mesmo modo, [AC'BC] é um paralelogramo e \overline{AC'} = \overline{BC}.
  3. Como B' e C' estão ambos na paralela a BC tirada por A, e de lados opostos de A, conclui-se que A é o ponto médio de [B'C']. O mesmo argumento dá B ponto médio de [C'A'] e C ponto médio de [A'B'].
  4. A reta suporte da altura de [ABC] tirada de A é perpendicular a BC. Como B'C' é paralela a BC, essa reta é também perpendicular a B'C' — e passa em A, que é o ponto médio de [B'C'].
  5. Ou seja: é a mediatriz de [B'C']. Do mesmo modo, as outras duas alturas de [ABC] são as mediatrizes de [C'A'] e de [A'B'].
  6. Pela R2, as três mediatrizes de [A'B'C'] passam pelo mesmo ponto.
ConclusãoAs três alturas de [ABC] passam todas pelo mesmo ponto — e esse ponto é o circuncentro de [A'B'C']. \blacksquare
H A B C A' B' C'
Puxando por cada vértice a paralela ao lado oposto, nasce um triângulo maior de que A, B e C são os pontos médios dos lados. As alturas de [ABC] passam a ser as mediatrizes de [A'B'C'] — e essas já sabemos que se encontram.

3 · Onde é que o ortocentro cai

Dos quatro pontos notáveis, este é o que mais viaja. Vale a pena guardar os três casos.

A = H B C
Num triângulo retângulo, dois dos lados são alturas — cada cateto é perpendicular ao outro. As três alturas encontram-se, portanto, no vértice do ângulo reto.
Os três casos

Triângulo acutângulo: H é interior. Triângulo retângulo: H é o vértice do ângulo reto — porque cada cateto é perpendicular ao outro, e portanto é ele próprio uma altura. Triângulo obtusângulo: H é exterior, do lado do vértice obtuso.

H A B C
Num triângulo obtusângulo, as retas suporte das alturas encontram-se fora. As alturas continuam a ser três, e continuam a passar todas pelo mesmo ponto — só que esse ponto não está dentro do desenho do triângulo.
Exemplo 3 Um ângulo que se lê sem calcular nada

Num triângulo acutângulo [ABC], o ângulo de vértice A mede 63^{\circ} e H é o ortocentro. Determina B\hat{H}C.

  1. Sejam P e Q os pés das alturas tiradas de B e de C, respetivamente.
  2. No quadrilátero [AQHP] há dois ângulos retos, em P e em Q.
  3. Logo Q\hat{H}P = 360^{\circ}-90^{\circ}-90^{\circ}-63^{\circ} = 117^{\circ}.
  4. B\hat{H}C é verticalmente oposto a Q\hat{H}P, logo mede também 117^{\circ}.
RespostaB\hat{H}C = 117^{\circ}

A conta que se fez foi 180^{\circ}-63^{\circ}. Vale sempre, e é o exercício de nível vermelho desta secção que o demonstra: B\hat{H}C = 180^{\circ}-B\hat{A}C.

GeoGebra · Construir o ortocentro e vê-lo sair

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Constrói o ortocentro do triângulo [ABC]. Depois arrasta um vértice e segue-o: ele sai do triângulo, volta, e passa exactamente por cima de um vértice.

  1. Traça a reta perpendicular a [BC] que passa em A. A ferramenta «Reta Perpendicular» pede o ponto e depois a reta ou o segmento.
  2. Faz o mesmo a partir de B, perpendicular a [AC].
  3. Marca a interseção das duas.
  4. Confirma que a terceira altura passa pelo mesmo ponto — traça-a também.
  5. Carrega em «Verificar a construção», e depois arrasta C até o ângulo em A passar dos 90^{\circ}.

Repara no que acontece exactamente quando o ângulo é reto: as três alturas passam a encontrar-se em cima do vértice.

Python As três alturas, e onde é que os pés caem

O programa calcula os pés das três alturas e diz, para cada um, se caiu dentro do lado ou no prolongamento. Serve para ver, sem desenhar, o que acontece quando o triângulo é obtusângulo.

from math import hypot

A = (0, 0)
B = (7, 0)
C = (6, 2)

def pe(P, X, Y):
    vx, vy = Y[0]-X[0], Y[1]-X[1]
    k = ((P[0]-X[0])*vx + (P[1]-X[1])*vy) / (vx*vx + vy*vy)
    return (X[0] + k*vx, X[1] + k*vy), k

for nome, V, X, Y in (("A", A, B, C), ("B", B, C, A), ("C", C, A, B)):
    P, k = pe(V, X, Y)
    dentro = "dentro do lado" if 0 <= k <= 1 else "no prolongamento"
    print("altura de", nome, "-> pe em",
          (round(P[0], 3), round(P[1], 3)),
          "  comprimento", round(hypot(P[0]-V[0], P[1]-V[1]), 4),
          " ", dentro)

Troca C por (3, 4): o triângulo fica acutângulo e os três pés passam a cair dentro dos lados. É a fronteira entre as duas figuras desta secção.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre alturas e ortocentro. Metade deles vive da relação b \times h = 2S; a outra metade, de saber onde é que o ponto cai — que é a pergunta que o Exame faz mais vezes sobre este tema.

Exercício 25§R3 · reconhecer o ponto

Num triângulo [ABC], a reta r passa em A e é perpendicular a BC; a reta s passa em B e é perpendicular a AC. As duas cruzam-se em D.

Como se designa D relativamente ao triângulo [ABC]?

  • (A)Baricentro
  • (B)Circuncentro
  • (C)Incentro
  • (D)Ortocentro
Exercício 26§R3 · no triângulo retângulo

Um triângulo [ABC] é retângulo em B.

Indica, justificando, qual é o ortocentro do triângulo.

Exercício 27§R3 · a altura pela área

Um triângulo tem 36 unidades de área e um lado de comprimento 9.

Determina o comprimento da altura relativa a esse lado.

Exercício 28§R3 · onde é que ele pode estar

Qual das afirmações seguintes é verdadeira?

  • (A)O ortocentro é sempre interior ao triângulo.
  • (B)O ortocentro pode ser interior, exterior ou coincidir com um vértice.
  • (C)O ortocentro coincide sempre com um dos vértices.
  • (D)O ortocentro está sempre à mesma distância dos três lados.
Exercício 29§R3 · as três alturas de um só triângulo

Um triângulo tem lados de comprimento 13, 14 e 15, e área 84.

Determina as três alturas.

Exercício 30§R3 · no triângulo equilátero

Considera um triângulo equilátero de lado 6.

Determina o valor exato da distância do ortocentro a qualquer um dos vértices.

Exercício 31§R3 · o ângulo em H

Num triângulo acutângulo [ABC], com B\hat{A}C = 52^{\circ}, seja H o ortocentro.

Determina B\hat{H}C.

Exercício 32§R3 · qual é o pé que sai

Num triângulo [ABC], o ângulo de vértice C é obtuso.

Indica, justificando, quais das três alturas têm o pé fora do lado correspondente.

Exercício 33§R3 · da altura para o lado

Num triângulo, a altura relativa a um lado de comprimento 10 mede 7{,}2.

Determina o comprimento da altura relativa a um lado de comprimento 12 do mesmo triângulo.

Exercício 34§R3 · o ângulo em H, em geral

Seja [ABC] um triângulo acutângulo e H o seu ortocentro.

Prova que B\hat{H}C = 180^{\circ} - B\hat{A}C.

Exercício 35§R3 · quando H é um vértice

Prova que, se o ortocentro de um triângulo coincidir com um dos seus vértices, então o triângulo é retângulo nesse vértice.

Exercício 36§R3 · o triângulo e as suas alturas

Num triângulo de lados a, b e c, sejam h_a, h_b e h_c as alturas relativas a cada um deles.

a) Mostra que a\,h_a = b\,h_b = c\,h_c. b) Um triângulo tem alturas de comprimento 12, 15 e 20. Mostra que os seus lados são proporcionais a 5, 4 e 3, e conclui que o triângulo é retângulo.

Uma reta que passa num vértice e é perpendicular ao lado oposto tem um nome. Qual?

  1. Cada uma dessas retas é a reta suporte de uma altura do triângulo.
  2. O ponto de interseção das alturas é o ortocentro: opção (D).Atenção à diferença com a mediatriz: a mediatriz de [BC] também é perpendicular a BC, mas passa no ponto médio de [BC], não no vértice A. Perpendicular ao lado há duas; o que as separa é por onde passam.
RespostaOpção (D)

Repara nos dois catetos: cada um é perpendicular ao outro. Isso faz deles alturas?

  1. [AB] é perpendicular a [BC], logo [AB] é a altura relativa ao lado [BC].
  2. Do mesmo modo, [BC] é a altura relativa a [AB].
  3. As duas cruzam-se em B, logo o ortocentro é B — o vértice do ângulo reto.
RespostaO ortocentro é o vértice B

A fórmula da área de um triângulo é base vezes altura a dividir por dois.

  1. De S = \dfrac{b \times h}{2} vem h = \dfrac{2S}{b}.
  2. h = \dfrac{72}{9} = 8.
Respostah = 8

Pensa em três triângulos: um acutângulo, um retângulo e um obtusângulo.

  1. Acutângulo: H fica dentro. Retângulo: H é o vértice do ângulo reto. Obtusângulo: H fica fora.
  2. Logo a opção correta é a (B).A opção (D) descreve o incentro. O ortocentro não tem nenhuma propriedade de equidistância — é o único dos quatro pontos notáveis que não é definido por distâncias.
RespostaOpção (B)

Cada altura vai com o seu lado, e as três dão a mesma área. Escreve h = \dfrac{2S}{b} três vezes.

  1. Para o lado 13: h = \dfrac{168}{13} \approx 12{,}92.
  2. Para o lado 14: h = \dfrac{168}{14} = 12.
  3. Para o lado 15: h = \dfrac{168}{15} = 11{,}2.
  4. Repara na ordem: ao maior lado corresponde a menor altura.O produto b \times h é o mesmo nas três — vale sempre 2S. É a relação que resolve quase todos os exercícios com alturas.
Resposta\dfrac{168}{13}, 12 e 11{,}2

Num triângulo equilátero, os quatro pontos notáveis são o mesmo ponto. Já calculaste a distância desse ponto aos vértices na R2.

  1. Num triângulo equilátero a altura tirada de cada vértice é também mediatriz do lado oposto, logo o ortocentro coincide com o circuncentro.
  2. Na R2 calculou-se R = 2\sqrt{3} para o mesmo triângulo.
  3. Logo a distância do ortocentro a cada vértice é 2\sqrt{3}.Este é o único caso em que os quatro pontos notáveis coincidem — e a R5 vai mostrar que a recíproca também vale: se dois deles coincidirem, o triângulo é equilátero.
Resposta2\sqrt{3}

Considera o quadrilátero formado por A, pelos pés de duas alturas e por H. Dois dos seus ângulos são retos, e a soma dos ângulos internos de um quadrilátero é 360^{\circ}.

  1. Sejam P o pé da altura tirada de B e Q o pé da altura tirada de C.
  2. No quadrilátero [AQHP], os ângulos em P e em Q são retos, e o ângulo em A mede 52^{\circ}.
  3. A soma dos ângulos internos de um quadrilátero é 360^{\circ}, logo Q\hat{H}P = 360^{\circ}-90^{\circ}-90^{\circ}-52^{\circ} = 128^{\circ}.
  4. B\hat{H}C é o ângulo verticalmente oposto a Q\hat{H}P, logo também mede 128^{\circ}.
  5. Confere: 128^{\circ} = 180^{\circ}-52^{\circ}.
RespostaB\hat{H}C = 128^{\circ}

Desenha. O pé da altura tirada de um vértice cai dentro do lado oposto quando os dois ângulos adjacentes a esse lado são agudos.

  1. A altura tirada de C encontra [AB]: os ângulos em A e em B são agudos (só pode haver um ângulo obtuso), logo o pé cai dentro de [AB].
  2. A altura tirada de A encontra a reta BC: como o ângulo em C é obtuso, o pé cai no prolongamento de [BC], para lá de C.
  3. Do mesmo modo, o pé da altura tirada de B cai no prolongamento de [AC], para lá de C.
  4. Portanto, duas das três: as tiradas dos dois vértices agudos.É por isso que o ortocentro sai do triângulo: as duas alturas só se cruzam depois de prolongadas, e cruzam-se do lado de lá de C.
RespostaAs alturas tiradas de A e de B — as que partem dos vértices agudos

O produto de um lado pela altura correspondente é sempre o mesmo. Porquê?

  1. A área calcula-se por qualquer par lado-altura, logo 10 \times 7{,}2 = 12 \times h.
  2. 72 = 12h, donde h = 6.
  3. Verificação: a área é \dfrac{72}{2} = 36 pelos dois caminhos. ✓Ao maior lado corresponde sempre a menor altura: o produto tem de se manter, portanto quando um cresce o outro encolhe na mesma proporção.
Respostah = 6

Toma os pés das alturas tiradas de B e de C e olha para o quadrilátero que eles formam com A e com H.

  1. Sejam \alpha = B\hat{A}C, P o pé da altura tirada de B (sobre [AC]) e Q o pé da altura tirada de C (sobre [AB]).
  2. Como o triângulo é acutângulo, P e Q estão sobre os lados, e H está no interior. O quadrilátero [AQHP] é convexo.
  3. Os ângulos de vértices P e Q são retos, por definição de altura.
  4. A soma dos ângulos internos de um quadrilátero é 360^{\circ}, logo Q\hat{H}P = 360^{\circ} - 90^{\circ} - 90^{\circ} - \alpha = 180^{\circ} - \alpha.
  5. B\hat{H}C e Q\hat{H}P são ângulos verticalmente opostos — as semirretas HB e HQ são opostas, e o mesmo para HC e HP. Logo têm a mesma amplitude.
  6. Portanto B\hat{H}C = 180^{\circ} - \alpha.Confere com a R1: lá era B\hat{I}C = 90^{\circ}+\frac{\alpha}{2}, sempre obtuso. Aqui, B\hat{H}C é obtuso quando \alpha é agudo — e é a mesma coisa a dizer que H «vê» o lado [BC] sob o suplementar do ângulo de A.
RespostaB\hat{H}C = 180^{\circ} - B\hat{A}C

Se H = A, então A pertence à reta suporte da altura tirada de B. O que é que isso obriga essa reta a ser?

  1. Suponhamos que o ortocentro é o vértice A.
  2. Então A pertence à reta suporte da altura tirada de B. Essa reta passa em B e em A, logo é a reta AB.
  3. Mas a altura tirada de B é perpendicular a AC. Logo AB \perp AC.
  4. O ângulo de vértice A é reto: o triângulo é retângulo em A.Com a propriedade demonstrada no texto — num triângulo retângulo o ortocentro é o vértice do ângulo reto — fica a equivalência: o ortocentro é um vértice se e só se o triângulo é retângulo nesse vértice.
RespostaSe H = A, então AB \perp AC e o triângulo é retângulo em A

Na alínea b), de a h_a = b h_b = c h_c vem que os lados são inversamente proporcionais às alturas.

  1. a) A área do triângulo é S = \dfrac{a h_a}{2} = \dfrac{b h_b}{2} = \dfrac{c h_c}{2}, por se poder tomar qualquer lado como base.
  2. Multiplicando por 2: a h_a = b h_b = c h_c = 2S.
  3. b) Dessa igualdade, a = \dfrac{2S}{h_a}: os lados são inversamente proporcionais às alturas.
  4. Logo os lados são proporcionais a \dfrac{1}{12}, \dfrac{1}{15} e \dfrac{1}{20}.
  5. Cálculo auxiliar: multiplicando os três por 60, obtém-se 5, 4 e 3.
  6. Como 3^{2}+4^{2} = 5^{2}, o recíproco do Teorema de Pitágoras garante que o triângulo é retângulo.Repara em que a resposta não depende da escala: qualquer triângulo com estas três alturas é semelhante a um 3-4-5. As alturas determinam a forma, mas não o tamanho? Determinam os dois — a h_a = 2S fixa também a área.
Respostaa) as três dão 2S · b) lados proporcionais a 5, 4 e 3, logo retângulo
R4

Medianas e baricentro

O quarto ponto, e o único que se pode encontrar com um lápis e um bocado de cartão: é onde o triângulo fica em equilíbrio. É também a secção com mais demonstrações pedidas pelas Aprendizagens Essenciais — duas — e as duas dependem de uma coisa só, a reta média do triângulo.

Aprendizagens Essenciais · 10.º ano
  • Definir e caracterizar baricentro.
  • Conhecer propriedades das medianas e do baricentro: as três medianas dividem o triângulo em seis triângulos equivalentes (com demonstração).
  • Conhecer propriedades das medianas e do baricentro: a distância do baricentro a qualquer dos vértices é \frac{2}{3} da mediana respetiva (com demonstração).
  • Conhecer propriedades das medianas e do baricentro: o baricentro é o centro de massa (gravidade, geométrico) de um triângulo.

1 · A mediana

M A B C mediana
A mediana relativa a um lado é o segmento que une o vértice oposto ao ponto médio desse lado. Não confundir com a mediatriz: a mediana passa pelo vértice e é um segmento; a mediatriz é perpendicular ao lado e é uma reta.
Definição · mediana

Uma mediana de um triângulo é o segmento de reta que une um vértice ao ponto médio do lado oposto. Cada triângulo tem três.

Mediana, mediatriz, altura — as três não são a mesma coisa

Todas têm que ver com um lado, e é fácil trocá-las. A mediana passa pelo vértice e pelo ponto médio; a mediatriz passa pelo ponto médio e é perpendicular ao lado, mas não passa pelo vértice; a altura passa pelo vértice e é perpendicular ao lado, mas não passa pelo ponto médio. Num triângulo isósceles as três coincidem — para um lado só, o lado desigual — e é essa coincidência que confunde toda a gente.

2 · A razão de dois para um

G M1 M2 M3 A B C
As três medianas encontram-se em G, e cada uma fica dividida na razão 2 para 1: de A a G vai o dobro do que vai de G a M_{1}.
Definição · baricentro

O baricentro de um triângulo é o ponto de interseção das suas três medianas. Costuma designar-se por G.

G M1 M2 A B C
O segmento [M_{1}M_{2}] une os pontos médios de dois lados: é paralelo a [AB] e mede metade. É daqui que sai a razão de 2 para 1 — os triângulos [GAB] e [GM_{1}M_{2}] são semelhantes.
Propriedade · a distância aos vértices

A distância do baricentro a qualquer dos vértices é \dfrac{2}{3} da mediana respetiva:

\overline{AG} = \frac{2}{3}\,\overline{AM_{1}}, \qquad \overline{GM_{1}} = \frac{1}{3}\,\overline{AM_{1}}, \qquad \overline{AG} = 2\,\overline{GM_{1}}.

Sejam M_{1} e M_{2} os pontos médios de [BC] e de [CA], e G o ponto onde as medianas [AM_{1}] e [BM_{2}] se cruzam.

  1. Nos triângulos [CM_{1}M_{2}] e [CBA]: o ângulo de vértice C é comum, e os lados que dele partem são proporcionais, de razão 2 — porque \overline{CB} = 2\,\overline{CM_{1}} e \overline{CA} = 2\,\overline{CM_{2}}. Pelo critério LAL, os dois triângulos são semelhantes.
  2. Da semelhança vem \overline{AB} = 2\,\overline{M_{1}M_{2}} e, por os ângulos correspondentes serem iguais, [M_{1}M_{2}] é paralelo a [AB].
  3. Como M_{1}M_{2} e AB são paralelas, as retas AM_{1} e BM_{2} cortam-nas formando ângulos alternos internos iguais: G\hat{A}B = G\hat{M_{1}}M_{2} \qquad\text{e}\qquad G\hat{B}A = G\hat{M_{2}}M_{1}.
  4. Pelo critério AA, os triângulos [GAB] e [GM_{1}M_{2}] são semelhantes.
  5. A razão de semelhança é a dos lados correspondentes [AB] e [M_{1}M_{2}], que é 2. Logo \overline{AG} = 2\,\overline{GM_{1}} \qquad\text{e}\qquad \overline{BG} = 2\,\overline{GM_{2}}.
  6. De \overline{AG} = 2\,\overline{GM_{1}} e \overline{AM_{1}} = \overline{AG}+\overline{GM_{1}} sai \overline{AG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{AM_{1}}.
  7. E a terceira mediana? Repetindo o argumento com as medianas [AM_{1}] e [CM_{3}], o ponto onde elas se cruzam está também a \dfrac{2}{3} de [AM_{1}], a contar de A. Mas em [AM_{1}] há um só ponto nessas condições. Logo é o mesmo G.
ConclusãoAs três medianas passam por G, e cada uma fica dividida na razão 2:1. \blacksquare

O último passo é o que dá a concorrência das três medianas — de graça, sem uma demonstração à parte. É o mesmo truque que se usou na R1 e na R2: encontrar duas, e mostrar que a terceira não tem outro sítio para onde ir.

3 · Seis triângulos com a mesma área

G A B C
As três medianas partem o triângulo em seis triângulos com a mesma área — cada um com um sexto do total. É a primeira das duas propriedades que as Aprendizagens Essenciais mandam demonstrar.
Propriedade · as seis áreas

As três medianas dividem o triângulo em seis triângulos equivalentes — isto é, com a mesma área, cada um igual a \dfrac{1}{6} da área total. (Equivalentes, não iguais: têm a mesma área, mas em geral não a mesma forma.)

Sejam M_{1}, M_{2} e M_{3} os pontos médios de [BC], [CA] e [AB], e G o baricentro. As três medianas partem o triângulo em seis: [AM_{3}G], [M_{3}BG], [BM_{1}G], [M_{1}CG], [CM_{2}G] e [M_{2}AG].

  1. Aos pares, são iguais em área. Os triângulos [AM_{3}G] e [M_{3}BG] têm bases [AM_{3}] e [M_{3}B] com o mesmo comprimento, e a mesma altura — a distância de G à reta AB. Logo têm a mesma área; chamemos-lhe x.
  2. Pelo mesmo argumento, [BM_{1}G] e [M_{1}CG] têm área y, e [CM_{2}G] e [M_{2}AG] têm área z.
  3. Agora os pares entre si. A mediana [AM_{1}] divide [ABC] em dois triângulos de igual área — [ABM_{1}] e [AM_{1}C] — porque têm bases iguais e a mesma altura, a distância de A à reta BC.
  4. Mas [ABM_{1}] é a união de [AM_{3}G], [M_{3}BG] e [BM_{1}G], e [AM_{1}C] é a união de [M_{1}CG], [CM_{2}G] e [M_{2}AG]. Portanto 2x + y = y + 2z \;\Leftrightarrow\; x = z.
  5. Repetindo com a mediana [BM_{2}]: 2x + z = 2y + z \;\Leftrightarrow\; x = y.
  6. Logo x = y = z: os seis triângulos são equivalentes, e cada um tem \dfrac{1}{6} da área de [ABC].
ConclusãoAs três medianas dividem o triângulo em seis triângulos com a mesma área. \blacksquare

Tudo o que a demonstração usa é uma frase: dois triângulos com bases iguais e a mesma altura têm a mesma área. Ela aparece quatro vezes, e não é preciso mais nada.

4 · O baricentro é o centro de massa

G A B C
Recorta um triângulo em cartão e procura o ponto onde ele fica em equilíbrio na ponta de um lápis. Esse ponto é o baricentro — é por isso que também se lhe chama centro de massa.
A propriedade que se pode verificar com as mãos

O baricentro é o centro de massa — também dito centro de gravidade, ou centro geométrico — de uma placa triangular homogénea. Recorta um triângulo em cartão e equilibra-o na ponta de um lápis: o único ponto onde ele fica horizontal é o baricentro.

Há uma maneira de o ver sem Física. Corta o triângulo em tiras finas paralelas a um lado: cada tira equilibra-se no seu ponto médio, e os pontos médios de todas essas tiras estão sobre a mediana relativa a esse lado. Logo a placa inteira equilibra-se sobre essa mediana — e sobre as outras duas, pela mesma razão. O ponto comum às três é o baricentro.

Laboratório · As seis áreas e a razão 2:1

arrasta os vértices
Exemplo 4 Um perímetro que se monta aos pedaços

Num triângulo [ABC], D, E e F são os pontos médios de [AB], [BC] e [AC], e G é o baricentro. Sabe-se que \overline{AB} = 50, \overline{AE} = 30 e \overline{CD} = 24. Determina o perímetro do triângulo [ADG].

  1. Os lados de [ADG] são [AD], [AG] e [DG].
  2. D é o ponto médio de [AB], logo \overline{AD} = \dfrac{50}{2} = 25.
  3. [AE] é mediana, logo \overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 30 = 20.
  4. [CD] é mediana, logo \overline{CG} = \dfrac{2}{3} \times 24 = 16 e \overline{DG} = 24-16 = 8.
  5. Perímetro = 25+20+8 = 53.
Resposta53 unidades de comprimento

Repara em que \overline{DG} se podia obter directamente: é um terço da mediana [CD], e \dfrac{24}{3} = 8. Os dois caminhos dão o mesmo, e o segundo é meia linha.

GeoGebra · Construir o baricentro e medir a razão

constrói e verifica
A carregar o GeoGebra…É a única parte do livro que não funciona sem ligação à Internet.

Constrói o baricentro do triângulo [ABC] e confirma, com a ferramenta de medida, que ele divide cada mediana na razão 2:1.

  1. Marca o ponto médio de dois lados com a ferramenta «Ponto Médio ou Centro».
  2. Une cada ponto médio ao vértice oposto, com a ferramenta «Segmento».
  3. Marca a interseção dos dois segmentos.
  4. Carrega em «Verificar a construção».
  5. Depois usa a ferramenta «Distância, Comprimento ou Perímetro» para medir os dois pedaços de uma mediana, e arrasta os vértices sem tirar os olhos dos dois números.

O que se quer que se veja é que os dois números mudam sempre juntos: um é sempre o dobro do outro, seja qual for o triângulo.

Python As seis áreas, conferidas

O programa calcula as áreas dos seis triângulos em que as medianas dividem o triângulo, e confirma que são todas iguais — e que cada uma vale um sexto do total.

A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 5)

def area(P, Q, R):
    return abs((Q[0]-P[0])*(R[1]-P[1]) - (R[0]-P[0])*(Q[1]-P[1])) / 2

def medio(P, Q):
    return ((P[0]+Q[0])/2, (P[1]+Q[1])/2)

G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
M1, M2, M3 = medio(B, C), medio(C, A), medio(A, B)

seis = [(A, M3, G), (M3, B, G), (B, M1, G),
        (M1, C, G), (C, M2, G), (M2, A, G)]

total = area(A, B, C)
print("area total:", round(total, 6))
print("um sexto:  ", round(total/6, 6))
for i, tri in enumerate(seis, 1):
    print("  triangulo", i, ":", round(area(*tri), 6))

print("baricentro:", round(G[0], 4), round(G[1], 4))
dist = lambda P, Q: ((P[0]-Q[0])**2 + (P[1]-Q[1])**2)**0.5
print("AG / GM1 =", round(dist(A, G)/dist(G, M1), 6))

Troca os três vértices pelos que quiseres: as seis áreas continuam iguais e a razão continua a dar 2. Um programa não demonstra nada — mas mil exemplos sem uma exceção são um bom motivo para procurar a demonstração.

Uma ponte para a Geometria Analítica

Neste capítulo não há coordenadas — a geometria sintética passa sem elas. Mas quando elas chegarem, a razão 2:1 traduz-se numa fórmula que vale a pena reconhecer: se M_{1} é o ponto médio de [BC], o baricentro está a dois terços de A para M_{1}, e daí sai que as coordenadas de G são a média das coordenadas dos três vértices. Fica dito aqui e usa-se lá, no capítulo de Geometria Analítica.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre medianas e baricentro. Os primeiros treinam a razão 2:1 nos dois sentidos; os últimos são demonstrações em que a razão é a ferramenta, e não o objetivo.

Exercício 37§R4 · reconhecer o ponto

Num triângulo [ABC], M é o ponto médio de [AB] e N é o ponto médio de [BC]. Os segmentos [CM] e [AN] cruzam-se em D.

Como se designa D relativamente ao triângulo [ABC]?

  • (A)Baricentro
  • (B)Circuncentro
  • (C)Incentro
  • (D)Ortocentro
Exercício 38§R4 · a razão de dois para um

Num triângulo [ABC], G é o baricentro e M é o ponto médio de [BC]. Sabe-se que \overline{AG} = 8.

a) Determina \overline{GM}. b) Determina o comprimento da mediana [AM].

Exercício 39§R4 · um dos seis

Um triângulo tem 54 unidades de área, e traçaram-se as suas três medianas.

Determina a área de cada um dos seis triângulos assim formados.

Exercício 40§R4 · onde é que ele pode estar

Qual das afirmações seguintes é verdadeira?

  • (A)O baricentro pode ser exterior ao triângulo.
  • (B)O baricentro é sempre interior ao triângulo.
  • (C)O baricentro está sempre à mesma distância dos três vértices.
  • (D)O baricentro é o ponto médio de uma das medianas.
Exercício 41§R4 · três medidas de uma vez

Num triângulo [ABC], [AD] é uma mediana e G é o baricentro. Sabe-se que \overline{AD} = 21 e que [CE] é outra mediana, com \overline{CG} = 10.

Determina \overline{AG}, \overline{GD} e \overline{CE}.

Exercício 42§R4 · o perímetro de um pedaço

Num triângulo [ABC], D é o ponto médio de [AB], [AE] e [CD] são medianas e G é o baricentro. Sabe-se que \overline{AB} = 40, \overline{AE} = 24 e \overline{CD} = 18.

Determina o perímetro do triângulo [ADG].

Exercício 43§R4 · no triângulo equilátero

Considera um triângulo equilátero de lado 12.

a) Determina o valor exato do comprimento de uma mediana. b) Determina o valor exato da distância do baricentro a um vértice e a um lado.

Exercício 44§R4 · áreas por dentro

Num triângulo [ABC] de área 72, M é o ponto médio de [BC] e G é o baricentro.

a) Determina a área do triângulo [ABM]. b) Determina a área do triângulo [BGM]. c) Determina a área do triângulo [ABG].

Exercício 45§R4 · a placa de cartão

Um artesão corta placas triangulares em madeira e quer pendurá-las por um fio, de modo a ficarem horizontais.

a) Explica em que ponto deve prender o fio. b) Descreve um processo, com régua, para encontrar esse ponto sem fazer contas. c) A placa tem a forma de um triângulo com 30 cm de mediana relativa a um dos lados. A que distância do ponto médio desse lado fica o ponto de suspensão?

Exercício 46§R4 · mediana e altura ao mesmo tempo

Num triângulo [ABC], a mediana relativa a [BC] é também altura.

Prova que o triângulo é isósceles.

Exercício 47§R4 · o triângulo dos pontos médios

Seja [ABC] um triângulo e [M_{1}M_{2}M_{3}] o triângulo cujos vértices são os pontos médios dos seus lados.

Prova que a área de [M_{1}M_{2}M_{3}] é um quarto da área de [ABC].

Exercício 48§R4 · duas medianas iguais

Num triângulo [ABC], sejam M o ponto médio de [AC] e N o ponto médio de [AB]. Sabe-se que \overline{BM} = \overline{CN}.

Prova que o triângulo [ABC] é isósceles.

Cada um desses segmentos une um vértice ao ponto médio do lado oposto. Como se chama um segmento assim?

  1. [CM] e [AN] são medianas: cada uma vai de um vértice ao ponto médio do lado oposto.
  2. O ponto de interseção das medianas é o baricentro: opção (A).Confunde-se com o circuncentro por causa do «ponto médio»: a mediatriz também passa pelo ponto médio do lado, mas é perpendicular ao lado e não passa pelo vértice.
RespostaOpção (A)

O baricentro está a dois terços da mediana, a contar do vértice. O que sobra é o outro terço.

  1. a) \overline{AG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{AM} e \overline{GM} = \dfrac{1}{3}\,\overline{AM}, logo \overline{GM} = \dfrac{\overline{AG}}{2} = 4.
  2. b) \overline{AM} = \overline{AG} + \overline{GM} = 8+4 = 12.
Respostaa) 4 · b) 12

É a propriedade demonstrada no texto da secção.

  1. As três medianas dividem o triângulo em seis triângulos equivalentes — todos com a mesma área.
  2. Logo cada um tem \dfrac{54}{6} = 9 unidades de área.
Resposta9 unidades de área

Cada mediana é um segmento que está todo dentro do triângulo. E o baricentro está em cima delas.

  1. Cada mediana une um vértice a um ponto de um lado, logo está inteiramente dentro do triângulo.
  2. O baricentro pertence às três medianas, logo é interior: opção (B).A opção (C) descreve o circuncentro; a (D) seria a razão 1:1, e a razão é 2:1. Dos quatro pontos notáveis, só o incentro e o baricentro é que nunca saem do triângulo.
RespostaOpção (B)

Cada mediana é dividida na mesma razão, mas cada uma tem o seu comprimento. Faz uma de cada vez.

  1. \overline{AG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{AD} = \dfrac{2}{3} \times 21 = 14.
  2. \overline{GD} = 21 - 14 = 7. (Confere: 14 = 2 \times 7 ✓)
  3. Na outra mediana, \overline{CG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{CE}, logo \overline{CE} = \dfrac{3}{2} \times 10 = 15.
Resposta\overline{AG} = 14, \overline{GD} = 7, \overline{CE} = 15

Os três lados de [ADG] são [AD], [AG] e [DG]. O primeiro é metade de um lado; os outros dois são pedaços de medianas.

  1. D é o ponto médio de [AB], logo \overline{AD} = \dfrac{40}{2} = 20.
  2. [AE] é mediana e G está a dois terços, logo \overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 24 = 16.
  3. [CD] é mediana, logo \overline{CG} = \dfrac{2}{3} \times 18 = 12 e \overline{DG} = 18-12 = 6.
  4. Perímetro = 20+16+6 = 42.Também se podia obter \overline{DG} directamente: é um terço da mediana [CD], e \dfrac{18}{3} = 6.
Resposta42

Num triângulo equilátero, a mediana é também altura. E o baricentro coincide com os outros três pontos notáveis.

  1. a) Num triângulo equilátero a mediana coincide com a altura: \sqrt{12^{2}-6^{2}} = \sqrt{108} = 6\sqrt{3}.
  2. b) Ao vértice: \dfrac{2}{3} \times 6\sqrt{3} = 4\sqrt{3}.
  3. Ao lado: \dfrac{1}{3} \times 6\sqrt{3} = 2\sqrt{3}.
  4. Verificação: 4\sqrt{3} é o raio da circunferência circunscrita e 2\sqrt{3} o da inscrita — o dobro, como na R2 com o lado 6. ✓
Respostaa) 6\sqrt{3} · b) 4\sqrt{3} ao vértice e 2\sqrt{3} ao lado

Uma mediana divide o triângulo em dois de igual área. E as três medianas dividem-no em seis iguais — conta quantos desses seis cabem em cada pedaço.

  1. a) A mediana [AM] divide [ABC] em dois triângulos equivalentes, logo A_{[ABM]} = \dfrac{72}{2} = 36.
  2. b) [BGM] é um dos seis triângulos em que as medianas dividem [ABC], logo tem \dfrac{72}{6} = 12.
  3. c) [ABG] é a união de dois desses seis — os que ficam do lado de [AB] — logo tem 2 \times 12 = 24.
  4. Confere: [ABM] é a união de [ABG] e de [BGM]: 24+12 = 36
Respostaa) 36 · b) 12 · c) 24

«Fica horizontal» quer dizer «está em equilíbrio»: o ponto tem de ser o centro de massa.

  1. a) No baricentro, que é o centro de massa de um triângulo — é aí que o peso se equilibra.
  2. b) Marcar o ponto médio de dois lados, unir cada um ao vértice oposto, e prender o fio onde os dois segmentos se cruzam.
  3. c) Do ponto médio do lado, o baricentro fica a um terço da mediana: \dfrac{30}{3} = 10 cm.
Respostaa) no baricentro · b) traçar duas medianas e cruzá-las · c) 10 cm

Sendo M o ponto médio de [BC], compara os triângulos [ABM] e [ACM].

  1. Seja M o ponto médio de [BC]. Por hipótese, [AM] é mediana e altura, logo AM \perp BC.
  2. Nos triângulos [ABM] e [ACM]:

    \overline{BM} = \overline{MC}, por M ser ponto médio; os ângulos de vértice M são ambos retos, logo iguais; [AM] é lado comum.

  3. Pelo critério LAL, os dois triângulos são geometricamente iguais.
  4. Logo \overline{AB} = \overline{AC}: o triângulo é isósceles.A recíproca também vale, e demonstra-se do mesmo modo. Fica assim: num triângulo, a mediana relativa a um lado é altura se e só se os outros dois lados são iguais. É o que faz de um triângulo isósceles uma figura com eixo de simetria.
Resposta[ABM] e [ACM] são iguais pelo critério LAL, logo \overline{AB} = \overline{AC}

Cada lado do triângulo pequeno é uma reta média do grande: mede metade do lado a que é paralelo. O que é que isso diz da razão de semelhança?

  1. Cada lado de [M_{1}M_{2}M_{3}] une os pontos médios de dois lados de [ABC], logo é paralelo ao terceiro e mede metade dele.
  2. Portanto os três lados do triângulo pequeno são metade dos três lados do grande: pelo critério LLL, os dois triângulos são semelhantes, de razão \dfrac{1}{2}.
  3. Em figuras semelhantes, a razão das áreas é o quadrado da razão de semelhança: \dfrac{A_{[M_{1}M_{2}M_{3}]}}{A_{[ABC]}} = \left(\dfrac{1}{2}\right)^{2} = \dfrac{1}{4}.
  4. Logo a área do triângulo dos pontos médios é um quarto da do triângulo inicial.O que sobra — os outros três quartos — são três triângulos, um em cada canto, todos com um quarto da área. É por isso que o triângulo dos pontos médios se chama triângulo medial, e é ele que vai reaparecer na R7: os seus vértices são três dos nove pontos.
RespostaSão semelhantes de razão \frac{1}{2}, logo a razão das áreas é \frac{1}{4}

Sendo G o baricentro, escreve \overline{BG}, \overline{GM}, \overline{CG} e \overline{GN} em função das duas medianas. Depois compara os triângulos [BGN] e [CGM].

  1. Seja G o baricentro. Então \overline{BG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{BM} e \overline{CG} = \dfrac{2}{3}\,\overline{CN}.
  2. Como \overline{BM} = \overline{CN}, vem \overline{BG} = \overline{CG}.
  3. Do mesmo modo, \overline{GN} = \dfrac{1}{3}\,\overline{CN} = \dfrac{1}{3}\,\overline{BM} = \overline{GM}.
  4. Nos triângulos [BGN] e [CGM]:

    \overline{BG} = \overline{CG}; \overline{GN} = \overline{GM}; os ângulos de vértice G são verticalmente opostos, logo iguais.

  5. Pelo critério LAL, os dois triângulos são geometricamente iguais, logo \overline{BN} = \overline{CM}.
  6. Mas \overline{BN} = \dfrac{\overline{AB}}{2} e \overline{CM} = \dfrac{\overline{AC}}{2}, por N e M serem pontos médios.
  7. Portanto \overline{AB} = \overline{AC}: o triângulo é isósceles.Este é um resultado que parece óbvio e não é: duas medianas iguais obrigam mesmo o triângulo a ser isósceles, e a demonstração só sai depois de se ter a razão 2:1. Sem ela, não há por onde pegar.
RespostaDe \overline{BM} = \overline{CN} vem [BGN] = [CGM] por LAL, logo \overline{AB} = \overline{AC}
R5

Onde vivem os quatro pontos

Os quatro pontos estão definidos. Falta a pergunta que o Exame faz mais vezes sobre eles: onde é que cada um cai? A resposta depende de duas classificações do triângulo que não se podem misturar — a dos lados diz se os pontos se juntam, a dos ângulos diz se eles saem.

Aprendizagens Essenciais · 10.º ano
  • Localizar os pontos notáveis em triângulos equiláteros, isósceles e escalenos e em triângulos acutângulos, retângulos e obtusângulos.
  • Permitir a exploração de situações extremas da localização dos pontos notáveis, usando geometria dinâmica.

1 · Quatro triângulos, quatro respostas

Antes de ler as regras, vale a pena ver os casos. Em cada figura estão os quatro pontos: I o incentro, O o circuncentro, H o ortocentro e G o baricentro.

I = O = H = G
equilátero — os quatro coincidem
I O H G
isósceles — os quatro alinhados
I O H G
retângulo — H no vértice, O na hipotenusa
I O H G
obtusângulo — O e H saem

2 · O que a classificação pelos lados decide

Pelos lados

Equilátero: os quatro pontos são o mesmo ponto. Isósceles (não equilátero): os quatro pontos são distintos mas colineares — estão todos sobre o eixo de simetria. Escaleno: os quatro pontos são distintos, e o incentro não está alinhado com os outros três. Os outros três estão — é a reta de Euler, que é a secção seguinte.

H O G I A B C M
Num triângulo isósceles, a mediana, a mediatriz, a altura e a bissetriz relativas ao lado desigual são a mesma reta — o eixo de simetria. Os quatro pontos notáveis estão todos nela, e por isso são colineares.

3 · O que a classificação pelos ângulos decide

Pelos ângulos

Acutângulo: os quatro pontos são interiores. Retângulo: o ortocentro é o vértice do ângulo reto e o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa. Nenhum é exterior, mas nenhum dos dois é interior. Obtusângulo: o circuncentro e o ortocentro são exteriores. Em qualquer triângulo, o incentro e o baricentro são interiores.

Porque é que dois nunca saem

O incentro está nas três bissetrizes internas, e cada uma delas está dentro do ângulo respetivo; o triângulo é a interseção dos três ângulos internos, logo o incentro está lá dentro. O baricentro está nas três medianas, e cada mediana é um segmento que une um vértice a um ponto de um lado — está toda dentro do triângulo. Os outros dois vivem em retas, e as retas prolongam-se para fora.

Laboratório · Os quatro pontos ao mesmo tempo

arrasta os vértices
Exemplo 5 Onde estão os quatro, sem desenhar

Um triângulo tem lados de comprimento 7, 24 e 25. Diz onde estão os seus quatro pontos notáveis, e determina o raio da circunferência circunscrita.

  1. Cálculo auxiliar: 7^{2}+24^{2} = 49+576 = 625 e 25^{2} = 625. Pelo recíproco do Teorema de Pitágoras, o triângulo é retângulo, com hipotenusa 25.
  2. Não é isósceles (os três lados são diferentes), logo é escaleno: os quatro pontos são distintos.
  3. O ortocentro é o vértice do ângulo reto — o vértice comum aos lados 7 e 24.
  4. O circuncentro é o ponto médio da hipotenusa, e R = \dfrac{25}{2} = 12{,}5.
  5. O incentro e o baricentro são interiores. Para o incentro sabe-se ainda o raio: a área é \dfrac{7 \times 24}{2} = 84, o perímetro é 56, logo r = \dfrac{168}{56} = 3.
RespostaTriângulo retângulo escaleno: H no vértice do ângulo reto, O no ponto médio da hipotenusa com R = 12{,}5, I e G interiores

Repara no que se fez primeiro: comparar c^{2} com a^{2}+b^{2}. É o teste que decide toda a localização, e leva dez segundos.

NumWorks Um sinal, e os quatro pontos ficam localizados

A conta com que o exemplo começou cabe numa linha só — e o que interessa nela não é o valor que sai: é o sinal.

Na aplicação Cálculo, chama c ao maior dos três lados e escreve 7^2+24^2-25^2. A máquina devolve 0. Uma só expressão, e três respostas possíveis:

positivo — acutângulo: os quatro pontos estão dentro; zero — retângulo: H cai no vértice do ângulo reto e O no ponto médio da hipotenusa; negativo — obtusângulo: O e H saem, e só I e G ficam dentro.

No caso do zero falta ainda o raio, e é uma tecla: 25/212{,}5. A máquina mostra o valor exato e a dízima lado a lado, e aqui coincidem — numa hipotenusa como 6\sqrt{6} já não coincidem, e é o exato que se escreve na resposta.

A armadilha. A máquina não sabe qual dos três lados é o maior — isso decides tu, e é aí que a conta se estraga. Com os mesmos 7, 24 e 25, quem subtrair o lado errado escreve 25^2+7^2-24^2, lê 98, vê um número positivo e conclui acutângulo. A conta está certa e a resposta está errada. Ordena os lados antes de escrever seja o que for.

Não há unidade de ângulo a confirmar nesta, porque não se calcula ângulo nenhum — e é por isso que o teste é tão rápido. Em compensação, ele diz-te onde caem os quatro pontos e nunca porque é que eles existem: que as três alturas se encontrem todas no mesmo sítio foi o que a secção demonstrou, e nenhum número no ecrã substitui isso.

GeoGebra · Os quatro pontos ao mesmo tempo

constrói e verifica
A carregar o GeoGebra…É a única parte do livro que não funciona sem ligação à Internet.

Constrói os quatro pontos notáveis no mesmo triângulo. Depois arrasta um vértice até dois deles saírem — e vê que os outros dois nunca saem.

  1. Constrói o incentro, com duas bissetrizes.
  2. Constrói o circuncentro, com duas mediatrizes.
  3. Constrói o ortocentro, com duas perpendiculares tiradas dos vértices.
  4. Constrói o baricentro, com duas medianas.
  5. Carrega em «Verificar a construção» e segue o que ela te pedir a seguir.

Vais ficar com muitas retas na figura. Usa a ferramenta «Exibir / Esconder Objeto» para deixar só os quatro pontos — e depois arrasta.

Python Classificar e localizar, de uma vez

O programa recebe os três vértices, classifica o triângulo pelos lados e pelos ângulos, e diz de cada um dos quatro pontos notáveis se está dentro, na fronteira ou fora.

from math import hypot, acos, degrees

A = (0, 0)
B = (7, 0)
C = (6, 2)

def dist(P, Q):
    return hypot(Q[0]-P[0], Q[1]-P[1])

a, b, c = dist(B, C), dist(C, A), dist(A, B)
ang = lambda x, y, z: degrees(acos((y*y + z*z - x*x) / (2*y*z)))
angs = [ang(a, b, c), ang(b, c, a), ang(c, a, b)]
print("angulos:", [round(x, 2) for x in angs])

lados = sorted([round(a, 6), round(b, 6), round(c, 6)])
if lados[0] == lados[2]:
    print("equilatero")
elif lados[0] == lados[1] or lados[1] == lados[2]:
    print("isosceles")
else:
    print("escaleno")

m = max(angs)
print("retangulo" if abs(m-90) < 1e-9 else
      ("obtusangulo" if m > 90 else "acutangulo"))

s = a + b + c
I = ((a*A[0]+b*B[0]+c*C[0])/s, (a*A[1]+b*B[1]+c*C[1])/s)
G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
     (na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])

def lado(P, X, Y):
    return (Y[0]-X[0])*(P[1]-X[1]) - (P[0]-X[0])*(Y[1]-X[1])

def onde(P):
    v = [lado(P, A, B), lado(P, B, C), lado(P, C, A)]
    if min(v) > 1e-9: return "dentro"
    if max(v) < -1e-9: return "dentro"
    if min(v) < -1e-9 and max(v) > 1e-9: return "fora"
    return "na fronteira"

for nome, P in (("incentro", I), ("circuncentro", O),
                ("ortocentro", H), ("baricentro", G)):
    print(" ", nome, (round(P[0], 3), round(P[1], 3)), onde(P))

Experimenta C = (0, 5) — retângulo — e C = (3{,}5, 6) — isósceles acutângulo. Com C = (3{,}5;\ 6{,}06) o triângulo fica quase equilátero e os quatro pontos quase no mesmo sítio: repara em como as coordenadas se aproximam umas das outras.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre a localização dos quatro pontos. A maior parte resolve-se com o teste de Pitágoras seguido de uma frase; os últimos três demonstram as recíprocas — quando dois pontos coincidem, o triângulo não tem escolha.

Exercício 49§R5 · o triângulo equilátero

Num triângulo equilátero, quantos pontos distintos são o incentro, o circuncentro, o ortocentro e o baricentro?

  • (A)Quatro
  • (B)Três
  • (C)Dois
  • (D)Um
Exercício 50§R5 · no triângulo retângulo

Um triângulo [ABC] é retângulo em C.

a) Indica onde está o ortocentro. b) Indica onde está o circuncentro. c) Indica se o incentro e o baricentro são interiores ao triângulo.

Exercício 51§R5 · quem sai e quem não sai

Quais dos quatro pontos notáveis podem ser exteriores ao triângulo?

  • (A)O incentro e o baricentro
  • (B)O circuncentro e o ortocentro
  • (C)Só o ortocentro
  • (D)Os quatro
Exercício 52§R5 · no triângulo isósceles

Num triângulo [ABC] tem-se \overline{CA} = \overline{CB}, e M é o ponto médio de [AB].

Indica uma reta a que pertencem os quatro pontos notáveis do triângulo, e justifica.

Exercício 53§R5 · classificar e localizar

Um triângulo tem lados de comprimento 5, 12 e 13.

a) Classifica-o quanto aos ângulos. b) Indica onde estão o ortocentro e o circuncentro. c) Determina a distância entre esses dois pontos.

Exercício 54§R5 · o triângulo equilátero, medido

Um triângulo equilátero tem 18 unidades de perímetro.

a) Determina o valor exato da distância do ponto notável comum a cada vértice. b) Determina o valor exato da área do círculo inscrito.

Exercício 55§R5 · uma afirmação falsa

Seja [ABC] um triângulo isósceles não equilátero. Qual das afirmações seguintes é falsa?

  • (A)O incentro pertence à reta de simetria do triângulo.
  • (B)O ortocentro pode ser exterior ao triângulo.
  • (C)O circuncentro pode ser exterior ao triângulo.
  • (D)Os quatro pontos notáveis são coincidentes.
Exercício 56§R5 · ler a figura ao contrário

Num triângulo [PQR], os pontos I, C, O e G são, por alguma ordem, o incentro, o circuncentro, o ortocentro e o baricentro. Sabe-se que:

dois deles são exteriores ao triângulo; um dos exteriores está sobre a reta que contém a altura tirada de P.

Classifica o triângulo quanto aos ângulos e indica quais dos quatro pontos são os exteriores.

Exercício 57§R5 · quatro pontos, quatro afirmações

Considera um triângulo [ABC] isósceles, com \overline{AB} = \overline{AC} = 10 e \overline{BC} = 12, e seja M o ponto médio de [BC].

a) Mostra que o triângulo é acutângulo. b) Determina a distância do baricentro ao vértice A. c) Determina a distância do incentro à reta BC.

Exercício 58§R5 · quando H e G coincidem

Prova que, se o ortocentro e o baricentro de um triângulo forem o mesmo ponto, então o triângulo é equilátero.

Exercício 59§R5 · os quatro alinhados

Seja [ABC] um triângulo isósceles com \overline{AB} = \overline{AC}, e M o ponto médio de [BC].

Prova que os quatro pontos notáveis pertencem todos à reta AM.

Exercício 60§R5 · a distância entre O e H no triângulo retângulo

Seja [ABC] um triângulo retângulo em C, com hipotenusa de comprimento a.

Prova que a distância entre o ortocentro e o circuncentro é \dfrac{a}{2}.

Num triângulo equilátero, a bissetriz de cada ângulo é também mediana, altura e mediatriz do lado oposto.

  1. Num triângulo equilátero, para cada vértice, a bissetriz, a mediana e a altura são a mesma reta — e essa reta é a mediatriz do lado oposto.
  2. Logo os quatro pontos notáveis são o mesmo ponto: a opção correta é a (D).A recíproca também é verdadeira: se dois dos quatro pontos coincidirem, o triângulo é equilátero. É o que os exercícios vermelhos desta secção demonstram.
RespostaOpção (D)

As duas primeiras respostas são pontos com nome. A terceira vale para todo o triângulo.

  1. a) No vértice C, o do ângulo reto: cada cateto é altura relativa ao outro.
  2. b) No ponto médio da hipotenusa [AB]: a hipotenusa é um diâmetro da circunferência circunscrita.
  3. c) Sim. O incentro e o baricentro são interiores em qualquer triângulo.
Respostaa) em C · b) no ponto médio de [AB] · c) sim, os dois

Dois deles estão sempre sobre segmentos que vivem dentro do triângulo; os outros dois vivem sobre retas que se prolongam para fora.

  1. O incentro está nas três bissetrizes internas, que estão dentro do triângulo; o baricentro está nas três medianas, que também estão.
  2. O circuncentro está nas mediatrizes e o ortocentro nas retas suporte das alturas: essas são retas, e prolongam-se para fora.
  3. A opção correta é a (B).
RespostaOpção (B)

Que reta é, ao mesmo tempo, mediana, mediatriz, altura e bissetriz?

  1. A reta CM é a mediana relativa a [AB], por M ser o ponto médio.
  2. Como \overline{CA} = \overline{CB}, essa mediana é também altura, e portanto a reta CM é a mediatriz de [AB] e a bissetriz do ângulo de vértice C.
  3. Logo os quatro pontos notáveis pertencem todos à reta CM, que é o eixo de simetria do triângulo.
RespostaA reta CM — o eixo de simetria do triângulo

Compara 13^{2} com 5^{2}+12^{2}.

  1. a) Cálculo auxiliar: 5^{2}+12^{2} = 25+144 = 169 = 13^{2}. Pelo recíproco do Teorema de Pitágoras, o triângulo é retângulo.
  2. b) O ortocentro é o vértice do ângulo reto; o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa, de comprimento 13.
  3. c) A distância entre eles é a mediana relativa à hipotenusa, que mede metade da hipotenusa: \dfrac{13}{2} = 6{,}5.
Respostaa) retângulo · b) no vértice do ângulo reto e no ponto médio da hipotenusa · c) 6{,}5

Começa pela altura. O ponto comum está a dois terços dela, a contar do vértice.

  1. O lado é \dfrac{18}{3} = 6, e a altura é \sqrt{6^{2}-3^{2}} = 3\sqrt{3}.
  2. a) Como o baricentro está a \dfrac{2}{3} da mediana e a mediana é a altura, a distância ao vértice é \dfrac{2}{3} \times 3\sqrt{3} = 2\sqrt{3}.
  3. b) O raio do círculo inscrito é o terço restante: r = \sqrt{3}.
  4. A área é \pi r^{2} = 3\pi.Um triângulo equilátero é o único onde R = 2r. Em qualquer outro, R > 2r — é a desigualdade de Euler, que a R6 volta a encontrar.
Respostaa) 2\sqrt{3} · b) 3\pi

Num triângulo isósceles não equilátero, os quatro pontos estão alinhados. Estarão no mesmo sítio?

  1. Num triângulo isósceles, os quatro pontos notáveis pertencem ao eixo de simetria: são colineares.
  2. Mas só coincidem se o triângulo for equilátero, o que aqui está excluído.
  3. As opções (B) e (C) são verdadeiras: um triângulo isósceles pode ser obtusângulo, e nesse caso H e O saem.
  4. A afirmação falsa é a (D).
RespostaOpção (D)

Quais são os dois pontos que podem sair? E em que tipo de triângulo é que saem os dois ao mesmo tempo?

  1. Só o circuncentro e o ortocentro podem ser exteriores, e ambos o são exactamente quando o triângulo é obtusângulo.
  2. Num triângulo retângulo, o ortocentro está sobre um vértice e o circuncentro sobre um lado — nenhum é exterior.
  3. Logo o triângulo é obtusângulo, e os dois pontos exteriores são o circuncentro e o ortocentro.
  4. A segunda condição é redundante: o ortocentro está sempre sobre as três retas das alturas.Cuidado com condições que parecem informação e não são. Neste caso, a segunda serve só para confirmar que o ponto em questão é o ortocentro — a resposta já estava fechada com a primeira.
RespostaObtusângulo; os exteriores são o circuncentro e o ortocentro

Começa pela altura \overline{AM}. Para a alínea c), usa r = \dfrac{2S}{P}.

  1. Cálculo auxiliar: \overline{AM} = \sqrt{10^{2}-6^{2}} = \sqrt{64} = 8.
  2. a) O maior lado é [BC], de comprimento 12, e 12^{2} = 144 < 10^{2}+10^{2} = 200. Logo o ângulo oposto ao maior lado é agudo, e os outros dois também: o triângulo é acutângulo.
  3. b) [AM] é mediana, e o baricentro está a \dfrac{2}{3} dela: \overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 8 = \dfrac{16}{3}.
  4. c) A área é \dfrac{12 \times 8}{2} = 48 e o perímetro é 32, logo r = \dfrac{2 \times 48}{32} = 3.
  5. Confere: 3 < \dfrac{16}{3} \approx 5{,}33 < 8 — o incentro está entre M e o baricentro, e ambos estão sobre [AM]. ✓
Respostaa) 144 < 200 · b) \dfrac{16}{3} · c) 3

Se H = G, então a reta que une A a esse ponto é ao mesmo tempo mediana e altura. Já sabes o que isso obriga o triângulo a ser — está demonstrado na R4.

  1. Seja P o ponto comum, e M_{1}, M_{2}, M_{3} os pontos médios de [BC], [CA] e [AB].
  2. Como P é o baricentro, pertence à mediana [AM_{1}]; como é também o ortocentro, pertence à reta suporte da altura tirada de A.
  3. Duas retas distintas têm no máximo um ponto comum. A reta AM_{1} e a reta da altura tirada de A têm dois pontos comuns — A e P — e portanto são a mesma reta. (Note-se que P \neq A, porque o baricentro é interior ao triângulo.)
  4. Logo a mediana relativa a [BC] é também altura. Pela propriedade demonstrada na R4, o triângulo é isósceles com \overline{AB} = \overline{AC}.
  5. Repetindo o mesmo raciocínio a partir de B: a mediana relativa a [CA] é também altura, logo \overline{BA} = \overline{BC}.
  6. De \overline{AB} = \overline{AC} e \overline{AB} = \overline{BC} vem \overline{AB} = \overline{BC} = \overline{CA}: o triângulo é equilátero.O mesmo argumento funciona com qualquer par dos quatro pontos. Se dois deles coincidem, o triângulo é equilátero — e então coincidem os quatro. É por isso que na reta de Euler, na secção seguinte, o triângulo equilátero é o único caso excluído: a reta deixa de existir.
RespostaCada mediana passa a ser altura, logo o triângulo é isósceles de duas maneiras — e portanto equilátero

Mostra que a reta AM é, ao mesmo tempo, mediana, altura, mediatriz e bissetriz. Cada uma dessas quatro coisas põe lá um dos pontos.

  1. É mediana: por definição, [AM] une A ao ponto médio de [BC]. Logo o baricentro pertence-lhe.
  2. É altura: os triângulos [ABM] e [ACM] têm os três lados iguais — \overline{AB} = \overline{AC}, \overline{BM} = \overline{MC} e [AM] comum. Pelo critério LLL são iguais, logo A\hat{M}B = A\hat{M}C. Como são suplementares, cada um mede 90^{\circ}: AM \perp BC. Logo o ortocentro pertence-lhe.
  3. É mediatriz de [BC]: é perpendicular a [BC] e passa no seu ponto médio. Logo o circuncentro pertence-lhe.
  4. É bissetriz do ângulo de vértice A: da igualdade dos triângulos [ABM] e [ACM] vem também B\hat{A}M = C\hat{A}M. Logo o incentro pertence-lhe.
  5. Os quatro pontos estão na reta AM: são colineares.A recíproca é verdadeira e é bonita: se os quatro pontos notáveis de um triângulo forem colineares, o triângulo é isósceles. Não é pedida, mas experimenta no laboratório — arrasta um vértice e vê a que sítios é que a reta de Euler se agarra.
RespostaAM é mediana, altura, mediatriz de [BC] e bissetriz de A — e cada uma dessas condições põe lá um dos quatro pontos

Os dois pontos já têm um sítio identificado. Que segmento é que os une?

  1. Num triângulo retângulo em C, o ortocentro é o vértice C — porque [CA] e [CB] são perpendiculares entre si, logo são alturas.
  2. O circuncentro é o ponto médio M da hipotenusa [AB].
  3. Logo \overline{OH} = \overline{MC}, que é a mediana relativa à hipotenusa.
  4. Pela propriedade demonstrada na R2, essa mediana mede metade da hipotenusa: \overline{MC} = \dfrac{a}{2}.
  5. Portanto \overline{OH} = \dfrac{a}{2}.Como o baricentro está a dois terços de [CM] a contar de C, tem-se ainda \overline{HG} = \dfrac{2}{3} \times \dfrac{a}{2} = \dfrac{a}{3} e \overline{GO} = \dfrac{a}{6} — e \overline{HG} = 2\,\overline{GO}. Acabaste de verificar a reta de Euler num caso particular, uma secção antes de a conhecer.
Resposta\overline{OH} é a mediana relativa à hipotenusa, que mede \dfrac{a}{2}
R6

A reta de Euler

Três pontos definidos por processos que não têm nada que ver uns com os outros — mediatrizes, medianas, alturas — e que, em qualquer triângulo do mundo, ficam alinhados. É o primeiro resultado deste capítulo que ninguém esperaria, e por isso é o primeiro que vale mesmo a pena ir ver a mexer antes de o ler.

Aprendizagens Essenciais · 10.º ano
  • Verificar a existência da reta de Euler.
  • Exibir relações métricas entre os pontos notáveis, por exemplo: a distância do ortocentro ao baricentro é o dobro da distância do baricentro ao circuncentro.
  • Propor a construção da reta de Euler usando geometria dinâmica, permitindo a exploração de situações extremas da localização dos pontos notáveis.

1 · Primeiro ver, depois acreditar

As Aprendizagens Essenciais dizem verificar a existência da reta de Euler — não demonstrar. É de propósito: este é um resultado que se descobre a arrastar vértices, e a ordem certa é ver primeiro e enunciar depois. Se ainda não fizeste a tarefa no GeoGebra desta secção, vale a pena fazê-la antes de continuar a ler.

Laboratório · A reta de Euler

arrasta os vértices

2 · O que se vê, escrito

O G H A B C reta de Euler
O circuncentro, o baricentro e o ortocentro estão sempre alinhados, e a distância de H a G é o dobro da de G a O. O incentro não está nesta reta — a não ser que o triângulo seja isósceles.
A reta de Euler

Num triângulo não equilátero, o circuncentro O, o baricentro G e o ortocentro H são colineares. A reta que os contém chama-se reta de Euler do triângulo.

Além disso, G está entre H e O, e

\overline{HG} = 2\,\overline{GO}, \qquad \text{donde} \qquad \overline{HO} = 3\,\overline{GO}.
Duas coisas que convém não confundir

O incentro não está lá. A reta de Euler tem três dos quatro pontos notáveis, não os quatro. O incentro só lhe pertence quando o triângulo é isósceles — e então porque está no eixo de simetria, que é a própria reta de Euler. Num triângulo equilátero ela não existe. Os três pontos passam a ser um só, e um ponto não define uma reta. É por isso que os enunciados dizem sempre «não equilátero».

O G H
isósceles — a reta de Euler é o eixo de simetria
O G H
retângulo — a reta de Euler contém a mediana da hipotenusa

3 · Porque é que isto acontece

As Aprendizagens Essenciais pedem só que se verifique. A demonstração fica aqui na mesma, porque é curta, é sintética — não usa coordenadas nem vetores, só semelhança de triângulos — e porque prova três coisas de uma vez: o alinhamento, a razão de 2 para 1, e (mais uma vez) a concorrência das alturas.

O G H M A B C
Os dois triângulos pintados são semelhantes, de razão 2: os ângulos em G são verticalmente opostos, e os lados que deles partem estão na razão \overline{GA} : \overline{GM} = 2. Daí sai que [AH] é paralelo a [OM] — e [OM] é perpendicular a [BC].

Esta demonstração não é pedida pelas Aprendizagens Essenciais, que pedem apenas «verificar a existência». Fica pela ideia — e porque é uma das poucas demonstrações do 10.º ano em que o objeto que se quer provar é construído antes de se saber o que ele é.

Seja [ABC] um triângulo não equilátero, O o seu circuncentro, G o baricentro e M o ponto médio de [BC]. Suponhamos primeiro que O \neq M.

  1. Primeiro, O \neq G. Se fosse O = G, esse ponto pertenceria à mediatriz de [BC] e à mediana [AM]; as duas retas teriam dois pontos comuns — ele e M — logo seriam a mesma, e a mediana seria altura. Pela R4, o triângulo seria isósceles com \overline{AB} = \overline{AC}; repetindo a partir de B, seria equilátero. Está excluído.
  2. Constrói-se um ponto. Na semirreta de origem G oposta à semirreta GO, marque-se o ponto H' tal que \overline{GH'} = 2\,\overline{GO}.
  3. Dois triângulos semelhantes. Nos triângulos [GOM] e [GH'A]:

    os ângulos de vértice G são verticalmente opostos — H' está do lado oposto a O, e A do lado oposto a M, porque G está entre A e M; \dfrac{\overline{GH'}}{\overline{GO}} = 2 e \dfrac{\overline{GA}}{\overline{GM}} = 2, esta última pela propriedade do baricentro.

    Pelo critério LAL, os dois triângulos são semelhantes, de razão 2.
  4. Duas retas paralelas. Da semelhança vem G\hat{M}O = G\hat{A}H'. São ângulos alternos internos determinados pela transversal AM, logo as retas MO e AH' são paralelas.
  5. Uma perpendicular. Mas O pertence à mediatriz de [BC], que passa em M e é perpendicular a BC. Logo a reta MO é perpendicular a BC — e portanto a reta AH', que lhe é paralela, também é.
  6. Conclusão parcial. A reta AH' passa em A e é perpendicular a BC: é a reta suporte da altura tirada de A. Logo H' pertence a essa altura.
  7. Repetindo. O mesmo argumento com o ponto médio de [CA] mostra que H' pertence à altura tirada de B. Como H' está em duas alturas, é o ortocentro: H' = H.
  8. O caso O = M. Então O está sobre [BC], e portanto [BC] é um diâmetro da circunferência circunscrita: o triângulo é retângulo em A. Nesse caso H = A, e O, G e H estão os três sobre a mediana [AM], com \overline{HG} = \dfrac{2}{3}\overline{AM} e \overline{GO} = \dfrac{1}{3}\overline{AM}.
ConclusãoO, G e H são colineares, G está entre os outros dois, e \overline{HG} = 2\,\overline{GO}. \blacksquare

Repara na estratégia: em vez de partir do ortocentro e mostrar que ele está na reta, constrói-se um ponto na reta e mostra-se que ele é o ortocentro. É uma inversão que aparece muitas vezes em geometria, e que aqui dá de graça a concorrência das três alturas — pela terceira vez neste capítulo.

De onde vem o nome

Leonhard Euler (1707–1783) publicou este resultado em 1765, num artigo com um título que hoje faz sorrir: Solução fácil de alguns problemas de geometria muito difíceis. É o mesmo Euler do número e, da constante \gamma, da fórmula V - A + F = 2 para os poliedros e da relação e^{i\pi}+1=0 — e a lista continua por muito tempo.

Que um resultado tão simples sobre triângulos tenha esperado dois mil anos por Euclides, Arquimedes e todos os que vieram a seguir diz alguma coisa sobre a geometria do triângulo: parece esgotada, e não está. A secção seguinte mostra que ainda faltava mais.

Exemplo 6 Quatro distâncias a partir de uma só

Num triângulo não equilátero, a distância do ortocentro ao baricentro é 14. Determina \overline{GO}, \overline{HO} e a distância do ortocentro ao ponto médio de [HO].

  1. De \overline{HG} = 2\,\overline{GO} vem \overline{GO} = \dfrac{14}{2} = 7.
  2. Como G está entre H e O, tem-se \overline{HO} = 14+7 = 21.
  3. O ponto médio de [HO] está a \dfrac{21}{2} = 10{,}5 de H.
  4. Verificação: \overline{HO} = 3\,\overline{GO} = 21
Resposta\overline{GO} = 7, \overline{HO} = 21, e 10{,}5 ao ponto médio

Todas as contas desta secção passam por uma só relação: \overline{HO} = 3\,\overline{GO}. Vale a pena desenhar a reta com os pontos por ordem antes de escrever qualquer coisa — O, G, H — e marcar as distâncias como 1 e 2.

GeoGebra · Construir a reta de Euler

constrói e verifica
A carregar o GeoGebra…É a única parte do livro que não funciona sem ligação à Internet.

Constrói o circuncentro, o baricentro e o ortocentro do mesmo triângulo, e a reta que passa por dois deles. Depois arrasta um vértice e vê o terceiro nunca sair da reta.

  1. Constrói o circuncentro, com duas mediatrizes.
  2. Constrói o baricentro, com duas medianas.
  3. Constrói o ortocentro, com duas alturas.
  4. Traça a reta que passa por dois deles — e repara em que o terceiro já lá está.
  5. Carrega em «Verificar a construção», e depois arrasta um vértice até o triângulo ficar quase equilátero.

Esconde as retas auxiliares antes de arrastar («Exibir / Esconder Objeto»): com doze retas na figura não se vê o que interessa.

Python Mil triângulos à procura de uma exceção

O programa gera triângulos ao acaso, calcula O, G e H, e mede duas coisas: o quanto os três pontos se afastam de estar alinhados, e a razão \overline{HG}/\overline{GO}. Não demonstra nada — mas se houvesse uma exceção, aparecia aqui.

import random
from math import hypot

def notaveis(A, B, C):
    d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
    na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
    O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
         (na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
    G = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
    H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])
    return O, G, H

random.seed(10)
pior_desvio = 0
pior_razao = 0
for _ in range(1000):
    P = [(random.uniform(-9, 9), random.uniform(-9, 9)) for _ in range(3)]
    A, B, C = P
    area = abs((B[0]-A[0])*(C[1]-A[1]) - (C[0]-A[0])*(B[1]-A[1]))/2
    if area < 1:
        continue
    O, G, H = notaveis(A, B, C)
    if hypot(H[0]-O[0], H[1]-O[1]) < 1e-6:
        continue
    desvio = abs((G[0]-O[0])*(H[1]-O[1]) - (H[0]-O[0])*(G[1]-O[1])) \
             / hypot(H[0]-O[0], H[1]-O[1])
    razao = hypot(H[0]-G[0], H[1]-G[1]) / hypot(G[0]-O[0], G[1]-O[1])
    pior_desvio = max(pior_desvio, desvio)
    pior_razao = max(pior_razao, abs(razao - 2))

print("maior distancia de G a reta OH:", pior_desvio)
print("maior desvio da razao HG/GO a 2:", pior_razao)

Os dois números que saem são da ordem de 10^{-14} — o erro de arredondamento do computador, não uma exceção. Mil casos não são uma demonstração; mas se um deles falhasse, a demonstração estava errada.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre a reta de Euler. Quase todos se reduzem a \overline{HO} = 3\,\overline{GO} e a saber onde está cada ponto no triângulo em causa; os três últimos são demonstrações que usam a semelhança da própria demonstração da secção.

Exercício 61§R6 · quem está na reta

Quais dos quatro pontos notáveis estão sempre alinhados, num triângulo não equilátero?

  • (A)O incentro, o circuncentro e o baricentro
  • (B)O circuncentro, o baricentro e o ortocentro
  • (C)O incentro, o baricentro e o ortocentro
  • (D)Os quatro
Exercício 62§R6 · a razão, num sentido

Num triângulo, a distância do baricentro ao circuncentro é 4.

a) Determina a distância do ortocentro ao baricentro. b) Determina a distância do ortocentro ao circuncentro.

Exercício 63§R6 · a razão, no outro sentido

Num triângulo, a distância do ortocentro ao circuncentro é 21.

Determina \overline{HG} e \overline{GO}.

Exercício 64§R6 · quando é que ela não existe

Em que tipo de triângulo é que a reta de Euler não fica definida?

  • (A)No triângulo retângulo
  • (B)No triângulo obtusângulo
  • (C)No triângulo equilátero
  • (D)No triângulo escaleno
Exercício 65§R6 · num triângulo retângulo

Um triângulo é retângulo e a sua hipotenusa mede 30.

Determina a distância do ortocentro ao baricentro.

Exercício 66§R6 · num triângulo isósceles

Num triângulo isósceles não equilátero [ABC], com \overline{AB} = \overline{AC}, seja M o ponto médio de [BC].

a) Identifica a reta de Euler do triângulo. b) Indica, justificando, se o incentro lhe pertence.

Exercício 67§R6 · a área de um pedaço

Num triângulo isósceles [ABC], com \overline{AB} = \overline{AC}, sejam H o ortocentro, O o circuncentro e G o baricentro. Sabe-se que:

\overline{BC} = 8; a área do quadrilátero [BHCO] é 24.

Determina \overline{GO}.

Exercício 68§R6 · verificar com medidas

Numa construção feita em ambiente de geometria dinâmica, mediram-se as três distâncias:

\overline{HG} = 6{,}84; \overline{GO} = 3{,}42; \overline{HO} = 10{,}26.

Mostra que os três valores são compatíveis com a reta de Euler e explica o que se pode concluir sobre a posição relativa dos três pontos.

Exercício 69§R6 · o ponto médio de [HO]

Num triângulo, a distância do ortocentro ao circuncentro é 18. Seja N o ponto médio de [HO].

Determina \overline{GN}.

Exercício 70§R6 · o baricentro está entre os outros dois

Prova que, num triângulo não equilátero, o baricentro está sempre entre o ortocentro e o circuncentro.

Exercício 71§R6 · a reta de Euler passa num vértice

Prova que, num triângulo retângulo não isósceles, a reta de Euler passa por um dos vértices e contém uma mediana.

Exercício 72§R6 · da reta de Euler para os lados

Num triângulo [ABC], sejam O o circuncentro, H o ortocentro e M o ponto médio de [BC].

Prova que \overline{AH} = 2\,\overline{OM}.

A reta chama-se «de Euler». Que três pontos é que ela contém?

  1. A reta de Euler contém o circuncentro, o baricentro e o ortocentro: opção (B).
  2. O incentro em geral não lhe pertence — só quando o triângulo é isósceles, e aí está lá porque está no eixo de simetria.É este o ponto que se esquece: dos quatro pontos notáveis, o incentro é o que fica de fora. E não é um pormenor — é a razão por que a reta de Euler tem nome próprio e não é «a reta dos pontos notáveis».
RespostaOpção (B)

A relação métrica da reta de Euler diz que uma das distâncias é o dobro da outra. Qual?

  1. a) \overline{HG} = 2\,\overline{GO} = 2 \times 4 = 8.
  2. b) Como G está entre H e O, tem-se \overline{HO} = \overline{HG}+\overline{GO} = 8+4 = 12.
Respostaa) 8 · b) 12

O segmento [HO] fica dividido em três partes iguais? Não — fica dividido em duas partes, uma delas o dobro da outra. Quantas partes iguais são ao todo?

  1. \overline{HO} = \overline{HG}+\overline{GO} = 2\,\overline{GO}+\overline{GO} = 3\,\overline{GO}.
  2. Logo \overline{GO} = \dfrac{21}{3} = 7 e \overline{HG} = 14.
Resposta\overline{HG} = 14 e \overline{GO} = 7

Uma reta fica definida por dois pontos distintos. Em que triângulo é que os três pontos são o mesmo?

  1. Num triângulo equilátero, os quatro pontos notáveis coincidem: O = G = H.
  2. Um só ponto não define uma reta, logo a reta de Euler não existe: opção (C).
  3. Em qualquer outro triângulo os três pontos são distintos e a reta fica definida.Nos enunciados, isto aparece quase sempre como «considera um triângulo não equilátero». Não é uma precaução decorativa: sem ela, o enunciado fala de uma reta que pode não existir.
RespostaOpção (C)

Localiza primeiro H e O. O segmento que os une é uma mediana.

  1. O ortocentro é o vértice do ângulo reto e o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa.
  2. Logo [HO] é a mediana relativa à hipotenusa, e mede metade dela: \overline{HO} = 15.
  3. O baricentro está sobre essa mediana, a \dfrac{2}{3} do vértice: \overline{HG} = \dfrac{2}{3} \times 15 = 10.
  4. Confere pela relação de Euler: \overline{GO} = 5 e 10 = 2 \times 5
Resposta\overline{HG} = 10

Na R5 mostrou-se que os quatro pontos estão todos sobre uma mesma reta. Qual?

  1. a) A reta AM é mediana, altura e mediatriz de [BC], logo contém o baricentro, o ortocentro e o circuncentro. A reta de Euler é, portanto, a reta AM — o eixo de simetria do triângulo.
  2. b) Sim. A reta AM é também a bissetriz do ângulo de vértice A, logo contém o incentro.
  3. Num triângulo isósceles, os quatro pontos notáveis são colineares — e a reta que os contém é a reta de Euler.Este é o único caso em que o incentro está na reta de Euler (fora do equilátero, onde ela nem existe). A recíproca também vale, e é um bom exercício de exploração no GeoGebra.
Respostaa) a reta AM, eixo de simetria · b) sim, porque AM é também bissetriz do ângulo A

Num triângulo isósceles, H e O estão sobre o eixo de simetria, que é perpendicular a [BC]. O quadrilátero tem, portanto, as diagonais perpendiculares.

  1. Como o triângulo é isósceles, H e O pertencem ao eixo de simetria, que é perpendicular a [BC] no seu ponto médio M.
  2. Logo as diagonais do quadrilátero [BHCO] — que são [BC] e [HO] — são perpendiculares e cortam-se em M.
  3. Num quadrilátero de diagonais perpendiculares, a área é metade do produto das diagonais: 24 = \dfrac{8 \times \overline{HO}}{2} = 4\,\overline{HO}, donde \overline{HO} = 6.
  4. Pela relação de Euler, \overline{HO} = 3\,\overline{GO}, logo \overline{GO} = 2.
Resposta\overline{GO} = 2

Duas coisas a verificar: a razão entre as duas primeiras, e se a terceira é a soma ou a diferença.

  1. \dfrac{6{,}84}{3{,}42} = 2: a distância do ortocentro ao baricentro é o dobro da do baricentro ao circuncentro. ✓
  2. 6{,}84 + 3{,}42 = 10{,}26 = \overline{HO}: a maior das três distâncias é a soma das outras duas.
  3. Isso mostra que os três pontos são colineares e que G está entre H e O.Se G não estivesse entre os outros dois, uma das outras somas é que teria de dar a maior distância. Verificar a soma é, portanto, verificar duas coisas ao mesmo tempo: o alinhamento e a ordem.
RespostaA razão é 2 e \overline{HG}+\overline{GO} = \overline{HO}, logo os três são colineares com G entre H e O

Marca H, G, N e O sobre uma reta, pela ordem certa, e escreve as três distâncias a partir de \overline{HO} = 18.

  1. De \overline{HO} = 18 vem \overline{GO} = \dfrac{18}{3} = 6 e \overline{HG} = 12.
  2. N é o ponto médio de [HO], logo \overline{NO} = 9.
  3. Como G e N estão ambos entre H e O, com G mais perto de O: \overline{GN} = \overline{NO}-\overline{GO} = 9-6 = 3.
Resposta\overline{GN} = 3

Este ponto N tem nome, e é o assunto da secção seguinte: é o centro da circunferência dos nove pontos.

Toma M o ponto médio de [BC]. Repara em que O está do mesmo lado de G que M, e H do mesmo lado que A.

  1. Sejam M o ponto médio de [BC] e G o baricentro, que está sobre a mediana [AM], entre A e M.
  2. Na demonstração da reta de Euler mostrou-se que os triângulos [GOM] e [GHA] são semelhantes, com O e M em lados correspondentes, e H e A também.
  3. Nessa semelhança, os ângulos de vértice G são verticalmente opostos. Isso quer dizer que as semirretas GO e GH são opostas: O e H estão de lados opostos de G.
  4. Logo G pertence ao segmento [HO], isto é, está entre H e O.
  5. Com \overline{HG} = 2\,\overline{GO}, isso dá \overline{HO} = 3\,\overline{GO} — que é a relação usada em todos os exercícios de cálculo desta secção.Sem este passo, de \overline{HG} = 2\,\overline{GO} podia sair \overline{HO} = \overline{GO}, se G estivesse fora de [HO]. É por isso que os enunciados de exame pedem tantas vezes «a distância do ortocentro ao circuncentro»: é aí que se vê se a ordem dos pontos foi percebida.
RespostaOs ângulos verticalmente opostos em G obrigam O e H a ficar de lados opostos, logo G \in [HO]

Onde estão H e O num triângulo retângulo? A reta que os une é qual?

  1. Seja [ABC] retângulo em C, e M o ponto médio da hipotenusa [AB].
  2. O ortocentro é C — os dois catetos são alturas, e cruzam-se em C.
  3. O circuncentro é M, o ponto médio da hipotenusa.
  4. Como o triângulo não é isósceles, C \neq M e a reta de Euler fica definida: é a reta CM.
  5. Mas [CM] une o vértice C ao ponto médio do lado oposto: é a mediana relativa à hipotenusa.
  6. Logo a reta de Euler passa pelo vértice C e contém a mediana [CM] — e portanto contém também o baricentro, como tinha de ser.Vale a recíproca? Se a reta de Euler passar por um vértice, o triângulo é retângulo ou isósceles. Experimenta no laboratório: arrasta um vértice e vê quando é que a reta se agarra a um deles.
RespostaÉ a reta CM, que contém a mediana relativa à hipotenusa

É uma consequência directa da semelhança usada na demonstração da reta de Euler. Identifica os lados correspondentes.

  1. Na demonstração da reta de Euler mostrou-se que os triângulos [GOM] e [GHA] são semelhantes.
  2. A razão de semelhança é \dfrac{\overline{GA}}{\overline{GM}} = 2, porque o baricentro divide a mediana [AM] nessa razão.
  3. Em triângulos semelhantes, todos os lados estão na mesma razão. Os lados [HA] e [OM] são correspondentes — opõem-se aos ângulos de vértice G, que são iguais.
  4. Logo \overline{AH} = 2\,\overline{OM}.Esta igualdade é a peça que falta para a secção seguinte. Como [OM] é a distância do circuncentro ao lado [BC], ela diz que a distância de um vértice ao ortocentro é o dobro da distância do circuncentro ao lado oposto — e é daqui que sai a circunferência dos nove pontos.
Resposta\overline{AH} = 2\,\overline{OM}, por serem lados correspondentes de dois triângulos semelhantes de razão 2
R7

A circunferência dos nove pontos

Se três pontos alinhados já era surpreendente, nove pontos numa circunferência é outra ordem de grandeza. E os nove não são escolhidos a dedo: são três grupos de três, definidos por razões que nada têm a ver umas com as outras.

Aprendizagens Essenciais · 10.º ano
  • Verificar a existência da circunferência dos nove pontos.
  • Exibir relações métricas entre os pontos notáveis: o centro da circunferência de nove pontos é o ponto médio do segmento definido pelo circuncentro e pelo ortocentro; o raio da circunferência de nove pontos é metade do raio da circunferência circunscrita.

1 · Quais são os nove

Os nove pontos

Num triângulo [ABC] de ortocentro H, consideram-se:

os três pés das alturas; os três pontos médios dos lados; os três pontos médios dos segmentos [AH], [BH] e [CH] — chamados pontos de Euler.

Estes nove pontos pertencem todos a uma mesma circunferência, dita circunferência dos nove pontos.

N O H A B C
Nove pontos escolhidos por três razões diferentes, e todos numa mesma circunferência. O centro N está sobre a reta de Euler, no ponto médio de [OH], e o raio é metade do raio da circunferência circunscrita.
As duas relações métricas

o centro N é o ponto médio de [OH] — e está, portanto, sobre a reta de Euler; o raio é \dfrac{R}{2}, metade do raio da circunferência circunscrita.

Nove papéis, nem sempre nove pontos

Os nove pontos são nove descrições, e às vezes duas descrições dão o mesmo ponto. Num triângulo retângulo sobram cinco pontos distintos; num equilátero, seis. O nome fica na mesma — a circunferência é a mesma, e os nove pontos continuam lá, só que alguns em cima uns dos outros.

Laboratório · Os nove pontos, à distância certa

arrasta os vértices

2 · De onde vem a circunferência

As Aprendizagens Essenciais pedem, outra vez, que se verifique. A demonstração fica atrás do botão, e tem uma coisa que vale a pena espreitar mesmo sem a ler toda: a circunferência não é encontrada — ela nasce de um retângulo.

M2 M3 E2 E3 N H A B C
Dois pontos médios de lados e dois pontos de Euler formam um retângulo. Um retângulo tem sempre uma circunferência circunscrita, e as suas diagonais são diâmetros dela — é daqui que a circunferência dos nove pontos nasce.

Esta demonstração não é pedida pelas Aprendizagens Essenciais, que pedem apenas «verificar a existência». Está escrita para um triângulo acutângulo; nos outros casos os passos são os mesmos, mudando de que lado das retas é que cada ponto fica.

Seja [ABC] um triângulo acutângulo, H o ortocentro, M_{1}, M_{2}, M_{3} os pontos médios de [BC], [CA], [AB], e E_{1}, E_{2}, E_{3} os pontos médios de [AH], [BH], [CH].

  1. Um retângulo. [M_{3}M_{2}] é reta média de [ABC], logo paralela a [BC] e de comprimento \dfrac{\overline{BC}}{2}. [E_{2}E_{3}] é reta média de [HBC], logo também paralela a [BC] e do mesmo comprimento. Portanto [M_{3}M_{2}E_{3}E_{2}] é um paralelogramo. Além disso, [M_{3}E_{2}] é reta média de [ABH], logo paralela a [AH], que é perpendicular a [BC]: o paralelogramo tem um ângulo reto, e é um retângulo.
  2. A circunferência. Todo o retângulo tem circunferência circunscrita, e as suas diagonais são diâmetros dela. Logo M_{2}, M_{3}, E_{2} e E_{3} estão numa circunferência de que [M_{2}E_{2}] e [M_{3}E_{3}] são diâmetros. Chamemos N ao seu centro — o ponto médio comum às duas diagonais.
  3. Os outros dois. Repetindo o passo 1 com o par (M_{1}, E_{1}) em vez de (M_{2}, E_{2}), obtém-se que [M_{1}M_{3}E_{1}E_{3}] também é um retângulo, de diagonais [M_{1}E_{1}] e [M_{3}E_{3}]. Ora [M_{3}E_{3}] já era diâmetro da primeira circunferência: as duas têm o mesmo centro N e o mesmo raio, logo são a mesma. Assim, M_{1} e E_{1} estão nela também. Ficam os seis primeiros pontos.
  4. E os pés das alturas. Seja P_{1} o pé da altura tirada de A. Os pontos A, H, E_{1} e P_{1} estão todos sobre essa altura, e P_{1} está sobre BC, onde também está M_{1}. Como a altura é perpendicular a [BC], o ângulo M_{1}\hat{P_{1}}E_{1} é reto.
  5. Mas [M_{1}E_{1}] é um diâmetro da circunferência. Pelo recíproco do Teorema de Tales, um ponto que vê um diâmetro sob um ângulo reto pertence à circunferência. Logo P_{1} pertence-lhe — e do mesmo modo os outros dois pés.
  6. O raio. Pelo exercício vermelho desta secção, \overline{M_{1}E_{1}} = R. Como [M_{1}E_{1}] é um diâmetro, o raio da circunferência dos nove pontos é \dfrac{R}{2}.
  7. O centro. E_{1} é o ponto médio de [AH] e N é o ponto médio de [M_{1}E_{1}]. Seja N' o ponto médio de [OH]: no triângulo [HAO], [E_{1}N'] é reta média, logo é paralela a [AO] e mede \dfrac{\overline{AO}}{2} = \dfrac{R}{2}. Mas [E_{1}M_{1}] é também paralelo a [AO] — é lado do paralelogramo [AE_{1}M_{1}O] — e o seu ponto médio N está a \dfrac{R}{2} de E_{1}, do mesmo lado. Logo N = N'.
ConclusãoOs nove pontos estão numa circunferência de centro no ponto médio de [OH] e raio \dfrac{R}{2}. \blacksquare
Um nome que não é o do descobridor

A circunferência foi descrita em 1821 por Charles Brianchon e Jean-Victor Poncelet, que provaram que os seis primeiros pontos — pés e pontos médios — são concíclicos. No ano seguinte, Karl Wilhelm Feuerbach publicou o resultado outra vez, e acrescentou um teorema muito mais difícil: essa circunferência é tangente à circunferência inscrita e às três circunferências ex-inscritas.

Em alemão chama-se-lhe Feuerbachkreis; em francês, cercle d'Euler — embora Euler não tenha tido nada a ver com ela. Os nomes em matemática raramente são justos.

Exemplo 7 Um enunciado que não diz «nove pontos»

Num triângulo [ABC], sejam O o circuncentro e H o ortocentro. Sabe-se que o ponto médio de [OH] dista 6 do ponto médio de [BC]. Determina o raio da circunferência circunscrita e a área do círculo circunscrito.

  1. O ponto médio de [OH] é o centro N da circunferência dos nove pontos.
  2. O ponto médio de [BC] é um dos nove pontos, logo pertence a essa circunferência.
  3. A distância entre os dois é, portanto, o raio da circunferência dos nove pontos: \dfrac{R}{2} = 6.
  4. Logo R = 12, e a área do círculo circunscrito é \pi \times 12^{2} = 144\pi.
RespostaR = 12 e área 144\pi

O enunciado nunca escreve «circunferência dos nove pontos». Dá dois pontos médios e conta que se reconheça um deles como o centro e o outro como um ponto da circunferência. É este o reconhecimento que vale a pena treinar.

GeoGebra · Construir a circunferência dos nove pontos

constrói e verifica
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Constrói a circunferência dos nove pontos e depois marca, um a um, os nove pontos por cima dela.

  1. Marca os pontos médios dos três lados.
  2. Faz a circunferência que passa por esses três, com a ferramenta «Círculo definido por Três Pontos».
  3. Carrega em «Verificar a construção».
  4. Agora marca os três pés das alturas — traça as perpendiculares e marca as interseções — e vê onde é que eles caem.
  5. Constrói o ortocentro e os pontos médios dos segmentos que o unem aos três vértices. São os últimos três.

Depois de tudo construído, arrasta um vértice devagar. A circunferência muda de tamanho e de sítio, e os nove pontos passeiam por cima dela sem nunca a largar.

Python Os nove pontos, medidos

O programa calcula os nove pontos e mede a distância de cada um a N. As nove distâncias têm de dar o mesmo — e esse valor tem de ser metade do raio da circunferência circunscrita.

from math import hypot

A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 6)

def medio(P, Q):
    return ((P[0]+Q[0])/2, (P[1]+Q[1])/2)

def pe(P, X, Y):
    vx, vy = Y[0]-X[0], Y[1]-X[1]
    k = ((P[0]-X[0])*vx + (P[1]-X[1])*vy) / (vx*vx + vy*vy)
    return (X[0] + k*vx, X[1] + k*vy)

d = 2*(A[0]*(B[1]-C[1]) + B[0]*(C[1]-A[1]) + C[0]*(A[1]-B[1]))
na, nb, nc = A[0]**2+A[1]**2, B[0]**2+B[1]**2, C[0]**2+C[1]**2
O = ((na*(B[1]-C[1]) + nb*(C[1]-A[1]) + nc*(A[1]-B[1]))/d,
     (na*(C[0]-B[0]) + nb*(A[0]-C[0]) + nc*(B[0]-A[0]))/d)
H = (A[0]+B[0]+C[0]-2*O[0], A[1]+B[1]+C[1]-2*O[1])
N = medio(O, H)
R = hypot(A[0]-O[0], A[1]-O[1])

nove = [("pe de A", pe(A, B, C)), ("pe de B", pe(B, C, A)), ("pe de C", pe(C, A, B)),
        ("medio BC", medio(B, C)), ("medio CA", medio(C, A)), ("medio AB", medio(A, B)),
        ("Euler A", medio(H, A)), ("Euler B", medio(H, B)), ("Euler C", medio(H, C))]

print("R  =", round(R, 6), "   R/2 =", round(R/2, 6))
for nome, P in nove:
    print("  %-10s %s" % (nome, round(hypot(P[0]-N[0], P[1]-N[1]), 9)))

Põe C = (0, 6): o triângulo fica retângulo em A e algumas das nove linhas passam a repetir-se. Continua a haver nove linhas — mas só cinco pontos diferentes.

Exercícios propostos

Doze exercícios sobre a circunferência dos nove pontos. Os de cálculo vivem todos das duas relações métricas; repara em que os enunciados de exame quase nunca dizem «nove pontos» — dão dois pontos médios e esperam que se reconheçam.

Exercício 73§R7 · quem são os nove

Quais dos conjuntos seguintes não faz parte dos nove pontos?

  • (A)Os três pés das alturas
  • (B)Os três pontos médios dos lados
  • (C)Os três pontos médios dos segmentos que unem os vértices ao ortocentro
  • (D)Os três pontos médios dos segmentos que unem os vértices ao baricentro
Exercício 74§R7 · o raio

A circunferência circunscrita a um triângulo tem raio 10.

Determina o raio da circunferência dos nove pontos.

Exercício 75§R7 · o centro

Num triângulo, a distância do ortocentro ao circuncentro é 22.

Determina a distância do centro da circunferência dos nove pontos ao circuncentro.

Exercício 76§R7 · onde está o centro

O centro da circunferência dos nove pontos de um triângulo não equilátero é:

  • (A)o baricentro do triângulo
  • (B)o ponto médio do segmento que une o circuncentro ao ortocentro
  • (C)o ponto médio do segmento que une o incentro ao circuncentro
  • (D)o incentro do triângulo
Exercício 77§R7 · das nove para a circunscrita

A circunferência dos nove pontos de um triângulo tem raio 4.

a) Determina o raio da circunferência circunscrita. b) Determina o valor exato da área do círculo circunscrito.

Exercício 78§R7 · o ponto equidistante dos vértices

Num triângulo [ABC], o ponto D é equidistante dos três vértices e \overline{AD} = 6.

Determina o valor exato da área do círculo delimitado pela circunferência dos nove pontos.

Exercício 79§R7 · um raio disfarçado

Num triângulo [PQR], sejam O o circuncentro e H o ortocentro. Sabe-se que:

M é o ponto médio de [OH]; N é o ponto médio de [PH]; \overline{MN} = 5.

Determina o valor exato da área do círculo circunscrito ao triângulo.

Exercício 80§R7 · num triângulo retângulo

Seja [ABC] um triângulo retângulo em C.

a) Mostra que os pés de duas das alturas coincidem com o vértice C. b) Mostra que dois dos pontos de Euler coincidem com pontos médios de lados. c) Conclui quantos pontos distintos são, neste caso, os «nove pontos».

Exercício 81§R7 · quatro pontos numa reta

Num triângulo não equilátero, considera os quatro pontos O (circuncentro), N (centro da circunferência dos nove pontos), G (baricentro) e H (ortocentro). Sabe-se que \overline{OH} = 12.

Determina \overline{ON}, \overline{OG}, \overline{NG} e \overline{GH}, e indica a ordem por que os quatro pontos aparecem na reta de Euler.

Exercício 82§R7 · um diâmetro

Seja [ABC] um triângulo acutângulo, H o seu ortocentro, M o ponto médio de [BC] e E o ponto médio de [AH].

Prova que \overline{ME} é igual ao raio da circunferência circunscrita.

Exercício 83§R7 · o retângulo

Seja [ABC] um triângulo acutângulo com ortocentro H. Sejam M_{2} e M_{3} os pontos médios de [CA] e de [AB], e E_{2} e E_{3} os pontos médios de [HB] e de [HC].

Prova que [M_{3}M_{2}E_{3}E_{2}] é um retângulo.

Exercício 84§R7 · no triângulo equilátero

Considera um triângulo equilátero de lado 12.

a) Mostra que os nove pontos se reduzem a três pontos distintos, e diz quais. b) Determina o valor exato do raio da circunferência dos nove pontos, e compara-o com o raio da circunferência inscrita.

São três grupos de três. Dois deles têm que ver com os lados e com as alturas; o terceiro tem que ver com um dos pontos notáveis — qual?

  1. Os nove pontos são: os três pés das alturas, os três pontos médios dos lados e os três pontos médios dos segmentos que unem cada vértice ao ortocentro.
  2. O baricentro não entra: a opção correta é a (D).Os três últimos chamam-se pontos de Euler. Repara em que a definição usa o ortocentro duas vezes — nos pés das alturas e nos pontos de Euler — e o circuncentro nenhuma. Ele aparece depois, no centro e no raio.
RespostaOpção (D)

É uma das duas relações métricas da secção.

  1. O raio da circunferência dos nove pontos é metade do raio da circunferência circunscrita.
  2. Logo é \dfrac{10}{2} = 5.
Resposta5

Onde está o centro N em relação a O e a H?

  1. N é o ponto médio de [OH].
  2. Logo \overline{ON} = \dfrac{22}{2} = 11.
Resposta11

O centro pertence à reta de Euler. Em que ponto dela?

  1. O centro da circunferência dos nove pontos é o ponto médio de [OH]: opção (B).
  2. Em particular, pertence à reta de Euler — que passa a ter quatro pontos com nome: O, N, G e H.
RespostaOpção (B)

A relação lê-se nos dois sentidos.

  1. a) 4 = \dfrac{R}{2}, logo R = 8.
  2. b) \pi R^{2} = 64\pi.
Respostaa) R = 8 · b) 64\pi

Que ponto notável é D? E o que é \overline{AD}?

  1. Estar à mesma distância dos três vértices caracteriza o circuncentro, logo D = O.
  2. \overline{AD} é o raio da circunferência circunscrita: R = 6.
  3. O raio da circunferência dos nove pontos é \dfrac{6}{2} = 3.
  4. A área do círculo é \pi \times 3^{2} = 9\pi.
Resposta9\pi

Repara em que M e N são dois pontos com nome nesta secção. Que segmento é [MN]?

  1. M é o ponto médio de [OH]: é o centro da circunferência dos nove pontos.
  2. N é o ponto médio do segmento que une o vértice P ao ortocentro: é um dos nove pontos — um ponto de Euler.
  3. Logo [MN] é um raio da circunferência dos nove pontos, e vale 5.
  4. Como esse raio é metade do raio da circunscrita, R = 10.
  5. A área do círculo circunscrito é \pi \times 10^{2} = 100\pi.O enunciado nunca diz «circunferência dos nove pontos» — dá dois pontos médios e espera que se reconheçam. É assim que este tema aparece em exame.
Resposta100\pi

Começa por localizar o ortocentro. Depois, escreve o que é cada um dos nove pontos.

  1. a) Como o triângulo é retângulo em C, o cateto [CA] é a altura relativa a [CB] e o cateto [CB] é a altura relativa a [CA]. Os pés dessas duas alturas são, ambos, o vértice C.
  2. b) O ortocentro é H = C. O ponto de Euler associado a A é o ponto médio de [HA] = [CA], que é o ponto médio do lado [CA]; do mesmo modo para B.
  3. O ponto de Euler associado a C é o ponto médio de [HC] = [CC], isto é, o próprio C.
  4. c) Sobram, distintos: os três pontos médios dos lados, o vértice C, e o pé da altura relativa à hipotenusa — cinco pontos.
  5. A circunferência dos nove pontos é, neste caso, a circunferência circunscrita ao triângulo formado pelos três pontos médios.Os «nove pontos» são nove papéis, não nove pontos sempre distintos. Num triângulo retângulo três pares colapsam; num equilátero, ainda mais.
Respostaa) os catetos são alturas · b) porque H = C · c) cinco pontos distintos

Mede tudo a partir de O: N está a meio, G a um terço, H no fim.

  1. \overline{ON} = \dfrac{12}{2} = 6, por N ser o ponto médio de [OH].
  2. \overline{OG} = \dfrac{12}{3} = 4, pela relação de Euler \overline{OH} = 3\,\overline{OG}.
  3. \overline{NG} = 6-4 = 2.
  4. \overline{GH} = 12-4 = 8.
  5. A ordem na reta é O, G, N, H — a distâncias 0, 4, 6 e 12 de O.Os quatro pontos dividem [OH] nas proporções 1:2:3. É a chamada reta de Euler com todos os seus habitantes — e ainda faltam outros, que não estão no programa.
Resposta6, 4, 2 e 8; a ordem é O, G, N, H

Na R6 mostrou-se que \overline{AH} = 2\,\overline{OM}, e que AH e OM são paralelas. O que é que isso faz do quadrilátero [AEMO]?

  1. Pelo último exercício da R6, \overline{AH} = 2\,\overline{OM}. Como E é o ponto médio de [AH], vem \overline{AE} = \dfrac{\overline{AH}}{2} = \overline{OM}.
  2. As retas AH e OM são ambas perpendiculares a BC, logo são paralelas.
  3. Portanto [AE] e [OM] são dois segmentos paralelos e de igual comprimento: o quadrilátero [AEMO] é um paralelogramo.
  4. Num paralelogramo, os lados opostos são iguais, logo \overline{EM} = \overline{AO}.
  5. Mas \overline{AO} é o raio da circunferência circunscrita: \overline{ME} = R.Este segmento [ME] é um diâmetro da circunferência dos nove pontos — é o que a demonstração da secção mostra. Daqui sai imediatamente que o raio dessa circunferência é \dfrac{R}{2}.
Resposta[AEMO] é um paralelogramo, logo \overline{ME} = \overline{AO} = R

Três retas médias: uma no triângulo [ABC], uma no triângulo [HBC] e uma no triângulo [ABH].

  1. [M_{3}M_{2}] une os pontos médios de [AB] e de [CA]: é reta média do triângulo [ABC], logo é paralela a [BC] e mede \dfrac{\overline{BC}}{2}.
  2. [E_{2}E_{3}] une os pontos médios de [HB] e de [HC]: é reta média do triângulo [HBC], logo é também paralela a [BC] e mede \dfrac{\overline{BC}}{2}.
  3. Dois lados opostos paralelos e de igual comprimento: [M_{3}M_{2}E_{3}E_{2}] é um paralelogramo.
  4. [M_{3}E_{2}] une os pontos médios de [AB] e de [HB]: é reta média do triângulo [ABH], logo é paralela a [AH].
  5. Mas [AH] está na altura tirada de A, que é perpendicular a [BC]. Como [M_{3}M_{2}] é paralela a [BC], conclui-se que [M_{3}E_{2}] \perp [M_{3}M_{2}].
  6. Um paralelogramo com um ângulo reto é um retângulo.Um retângulo tem sempre circunferência circunscrita, e as suas diagonais são diâmetros dela. É este passo que faz nascer a circunferência dos nove pontos — e é por isso que [M_{2}E_{2}] e [M_{3}E_{3}] são diâmetros.
RespostaÉ paralelogramo por duas retas médias paralelas a [BC], e tem um ângulo reto porque [M_{3}E_{2}] é paralela à altura

Num triângulo equilátero, o que é o pé de cada altura? E onde está o ortocentro?

  1. a) Num triângulo equilátero, cada altura é também mediana, logo o pé de cada altura é o ponto médio do lado oposto: os três primeiros pontos coincidem com os três segundos.
  2. O ortocentro coincide com o baricentro, que está a \dfrac{2}{3} de cada mediana. O ponto de Euler associado a A é o ponto médio de [AH], que está a \dfrac{1}{3} da mediana a contar de A — não é o ponto médio de nenhum lado.
  3. Logo há seis pontos distintos: os três pontos médios dos lados (que são também os três pés) e os três pontos de Euler.
  4. b) Na R5 calculou-se, para o lado 6, R = 2\sqrt{3}. Para o lado 12, tudo duplica: a altura é 6\sqrt{3}, R = 4\sqrt{3} e r = 2\sqrt{3}.
  5. O raio da circunferência dos nove pontos é \dfrac{R}{2} = 2\sqrt{3}.
  6. É igual ao raio da circunferência inscrita — e, como os dois centros coincidem, as duas circunferências são a mesma.Não é coincidência. Há um teorema — o teorema de Feuerbach, de 1822 — que diz que a circunferência dos nove pontos é sempre tangente à circunferência inscrita. No triângulo equilátero a tangência degenera: as duas coincidem. A secção A1 volta a isto.
Respostaa) seis pontos distintos — os três pontos médios/pés e os três pontos de Euler · b) 2\sqrt{3}, igual ao raio da inscrita
A1

Mais pontos notáveis · aprofundamento

Esta secção não é avaliada no Exame. Está aqui porque as Aprendizagens Essenciais a sugerem — «estender o estudo a, pelo menos, outro ponto notável» — e porque tem o único ponto notável do capítulo que responde a uma pergunta prática: onde é que se põe uma coisa para ficar o mais perto possível de três sítios ao mesmo tempo.

Possíveis aprofundamentos (AE) · 10.º ano
  • Estender o estudo a, pelo menos, outro ponto notável, envolvendo os alunos em atividades exploratórias com geometria dinâmica: ponto de Fermat (ou de Torricelli), ponto de Nagel, ponto de Miquel, ponto de Feuerbach, ponto de Gergonne — com referência à Enciclopédia de pontos notáveis de um triângulo.
  • Resolver problemas das Olimpíadas de Matemática que envolvem pontos notáveis do triângulo.
  • Elaborar composições matemáticas sobre a Geometria na «República» de Platão, a Geometria dos ORIGAMI e a Geometria dos templos japoneses.

1 · O ponto de Fermat, ou de Torricelli

Os quatro pontos das secções anteriores respondem a perguntas geométricas. Este responde a uma pergunta que se pode fazer a um engenheiro: dadas três povoações, onde é que se põe o entroncamento para que o total de estrada seja o menor possível?

Definição · ponto de Fermat

O ponto de Fermat de um triângulo é o ponto P que torna mínima a soma \overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC}.

Quando os três ângulos do triângulo são menores que 120^{\circ}, esse ponto é interior e vê cada um dos três lados sob um ângulo de 120^{\circ}. Quando um dos ângulos é maior ou igual a 120^{\circ}, o mínimo está nesse vértice.

F A B C A' B' C'
Sobre cada lado constrói-se um triângulo equilátero, para fora, e une-se o vértice novo ao vértice oposto. As três retas encontram-se no ponto de Fermat — e de lá cada lado é visto sob 120^{\circ}.
A construção

Constrói-se sobre cada lado um triângulo equilátero, para fora, e une-se cada vértice novo ao vértice oposto do triângulo original. As três retas encontram-se no ponto de Fermat — e os três segmentos [AA'], [BB'] e [CC'] têm todos o mesmo comprimento, que é precisamente o valor da soma mínima.

Uma carta, um problema e dois nomes

Por volta de 1640, Pierre de Fermat propôs o problema a Evangelista Torricelli — o mesmo Torricelli do barómetro — que o resolveu. Daí os dois nomes.

O problema tem uma solução física que vale a pena imaginar: fazem-se três furos numa mesa, nos pontos A, B e C, passam-se três fios atados uns aos outros e penduram-se três pesos iguais. O nó vai parar ao ponto de Fermat — porque é a posição de energia potencial mínima, que é a mesma coisa que a soma dos comprimentos ser mínima.

2 · Gergonne e Nagel: os pontos de tangência

Ge I A B C
Unindo cada vértice ao ponto de tangência da circunferência inscrita no lado oposto, as três retas encontram-se: é o ponto de Gergonne.
Definição · ponto de Gergonne

Unindo cada vértice ao ponto em que a circunferência inscrita toca o lado oposto, as três retas encontram-se num ponto: o ponto de Gergonne.

Há mais circunferências tangentes aos três lados de um triângulo do que a inscrita. Cada uma das outras três toca um lado e os prolongamentos dos outros dois: chamam-se ex-inscritas, e o seu centro é a interseção de uma bissetriz interna com duas externas — as tais bissetrizes externas que apareceram no último exercício da R1.

Na IA T A B C
A circunferência ex-inscrita oposta a A toca o lado [BC] e os prolongamentos dos outros dois. Unindo A a esse ponto de tangência, e fazendo o mesmo nos outros dois vértices, as três retas encontram-se no ponto de Nagel.
Definição · ponto de Nagel

Unindo cada vértice ao ponto em que a circunferência ex-inscrita oposta a esse vértice toca o lado oposto, as três retas encontram-se: é o ponto de Nagel.

3 · O teorema de Feuerbach

F N I A B C
A circunferência dos nove pontos e a circunferência inscrita tocam-se — sempre, em qualquer triângulo. O ponto de contacto chama-se ponto de Feuerbach, e o teorema é de 1822.
Teorema de Feuerbach (1822)

Em qualquer triângulo, a circunferência dos nove pontos é tangente à circunferência inscrita e às três circunferências ex-inscritas. O ponto de contacto com a inscrita chama-se ponto de Feuerbach.

Uma desigualdade que sai daqui

A tangência com a inscrita é interior, e portanto a distância entre os dois centros é a diferença dos raios: \overline{NI} = \dfrac{R}{2}-r. Como uma distância nunca é negativa, sai R \geq 2r — a desigualdade de Euler, com igualdade só no triângulo equilátero. É o último exercício desta secção.

4 · Quantos pontos notáveis há?

A Enciclopédia

Clark Kimberling mantém desde 1994 a Encyclopedia of Triangle Centers, um catálogo de pontos notáveis do triângulo. Cada um tem um número: X_{1} é o incentro, X_{2} o baricentro, X_{3} o circuncentro, X_{4} o ortocentro, X_{5} o centro da circunferência dos nove pontos. O ponto de Gergonne é X_{7}, o de Nagel é X_{8}, o de Feuerbach é X_{11} e o de Fermat é X_{13}.

A lista vai em dezenas de milhares de entradas, e continua a crescer. Um triângulo — três pontos, três segmentos — e ainda não se acabou.

Três temas de composição matemática, sugeridos pelas AE

A Geometria na «República» de Platão. Porque é que estava escrito à porta da Academia «não entre quem não souber geometria», e o que é que Platão pensava que a geometria ensinava. A Geometria do ORIGAMI. Dobrar papel resolve construções que a régua e o compasso não resolvem — a trissecção do ângulo, por exemplo. Os axiomas de Huzita-Hatori dizem exactamente o que é possível dobrar. A Geometria dos templos japoneses. Os sangaku são tabuletas de madeira com problemas de geometria, penduradas em templos xintoístas entre os séculos XVII e XIX. Quase todos são sobre círculos tangentes — e quase todos se resolvem com o que está neste capítulo.

Exemplo 8 Onde é que o mínimo deixa de ser interior

Num triângulo [ABC], os ângulos de vértices B e C medem 24^{\circ} e 31^{\circ}. Determina o ponto que minimiza \overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC}.

  1. A soma dos ângulos internos é 180^{\circ}, logo B\hat{A}C = 180^{\circ}-24^{\circ}-31^{\circ} = 125^{\circ}.
  2. Como 125^{\circ} > 120^{\circ}, não existe nenhum ponto interior de onde os três lados sejam vistos sob 120^{\circ}: um ponto interior veria [BC] sob mais de 125^{\circ}.
  3. Nesse caso, o mínimo da soma das distâncias está no vértice do ângulo obtuso.
  4. Logo o ponto procurado é A, e o valor mínimo é \overline{AB}+\overline{AC}.
RespostaO ponto é o vértice A

A fronteira está exactamente nos 120^{\circ}. Com 119^{\circ} o mínimo é interior; com 121^{\circ} está no vértice. Vale a pena ver a passagem na tarefa do GeoGebra, a arrastar devagar.

GeoGebra · Construir o ponto de Fermat

constrói e verifica
A carregar o GeoGebra…É a única parte do livro que não funciona sem ligação à Internet.

Constrói o ponto de Fermat do triângulo [ABC]. Depois arrasta um vértice até um dos ângulos passar dos 120^{\circ} e vê o que acontece.

  1. Com a ferramenta «Polígono Regular», constrói um triângulo equilátero sobre um dos lados — clica nos dois extremos e escreve 3. Se ele nascer para dentro, apaga e clica nos extremos pela outra ordem.
  2. Faz o mesmo sobre outro lado.
  3. Une cada vértice novo ao vértice oposto do triângulo [ABC], com a ferramenta «Reta».
  4. Marca a interseção das duas retas.
  5. Carrega em «Verificar a construção», e usa a ferramenta «Ângulo» para medir A\hat{F}B.

Esta é a construção mais exigente do capítulo — e a única em que a ordem por que se clica nos pontos decide o resultado.

Python Procurar o mínimo à força bruta

O programa procura, sem saber nada de geometria, o ponto que minimiza a soma das distâncias aos três vértices — descendo por tentativa e erro. Depois compara com o ponto dado pela construção dos triângulos equiláteros.

from math import hypot, sqrt

A = (0, 0)
B = (7, 1)
C = (2, 6)

def soma(P):
    return (hypot(P[0]-A[0], P[1]-A[1]) + hypot(P[0]-B[0], P[1]-B[1])
            + hypot(P[0]-C[0], P[1]-C[1]))

P = ((A[0]+B[0]+C[0])/3, (A[1]+B[1]+C[1])/3)
passo = 1.0
while passo > 1e-10:
    melhor = soma(P)
    seguinte = P
    for dx, dy in ((passo, 0), (-passo, 0), (0, passo), (0, -passo)):
        Q = (P[0]+dx, P[1]+dy)
        if soma(Q) < melhor:
            melhor, seguinte = soma(Q), Q
    if seguinte == P:
        passo = passo / 2
    else:
        P = seguinte

print("minimo em:", round(P[0], 6), round(P[1], 6))
print("soma minima:", round(soma(P), 6))

def visto(V, X, Y):
    ux, uy = X[0]-V[0], X[1]-V[1]
    vx, vy = Y[0]-V[0], Y[1]-V[1]
    from math import acos, degrees
    c = (ux*vx + uy*vy) / (hypot(ux, uy)*hypot(vx, vy))
    return degrees(acos(max(-1, min(1, c))))

print("angulos vistos de P:",
      [round(visto(P, X, Y), 3) for X, Y in ((A, B), (B, C), (C, A))])

Põe C = (1{,}2;\ 0{,}4), para o ângulo em A passar dos 120^{\circ}: o mínimo vai parar em cima de A, e os três ângulos deixam de dar 120^{\circ}. Foi o programa a descobrir sozinho a condição que a definição impõe.

Exercícios propostos

Doze exercícios de aprofundamento. Não saem em Exame — servem para ver que o triângulo, depois de quatro pontos notáveis, ainda tem dezenas de milhares por explorar.

Exercício 85§A1 · o ponto de Fermat

Num triângulo cujos ângulos são todos menores que 120^{\circ}, o ponto que torna mínima a soma das distâncias aos três vértices é:

  • (A)o baricentro
  • (B)o incentro
  • (C)o ponto de Fermat
  • (D)o circuncentro
Exercício 86§A1 · no triângulo equilátero

Considera um triângulo equilátero.

Indica, justificando, onde está o seu ponto de Fermat.

Exercício 87§A1 · os três ângulos

De um ponto F interior a um triângulo [ABC] vê-se o lado [AB] sob um ângulo de 120^{\circ} e o lado [BC] sob um ângulo de 120^{\circ}.

Determina a amplitude do ângulo sob o qual se vê o lado [CA], e diz que ponto notável é F.

Exercício 88§A1 · de onde vem cada ponto

O ponto de Gergonne obtém-se unindo cada vértice:

  • (A)ao ponto médio do lado oposto
  • (B)ao pé da altura relativa ao lado oposto
  • (C)ao ponto em que a circunferência inscrita toca o lado oposto
  • (D)ao ponto em que a circunferência circunscrita corta o lado oposto
Exercício 89§A1 · quando o ângulo é grande de mais

Num triângulo [ABC], o ângulo de vértice A mede 140^{\circ}.

Explica por que razão não existe nenhum ponto interior de onde os três lados sejam vistos sob 120^{\circ}, e indica onde está o ponto que minimiza \overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC}.

Exercício 90§A1 · as três povoações

Três aldeias, A, B e C, vão ser ligadas por estradas que se encontram todas num mesmo ponto P. Quer minimizar-se o comprimento total de estrada.

a) Explica que ponto notável dá a localização de P, supondo que os três ângulos do triângulo [ABC] são menores que 120^{\circ}. b) Descreve a construção geométrica que o determina. c) Compara com o problema do depósito de água da R2: porque é que a resposta é outra?

Exercício 91§A1 · a distância entre os dois centros

Num triângulo, a circunferência circunscrita tem raio R = 13 e a inscrita tem raio r = 4.

a) Determina o raio da circunferência dos nove pontos. b) Sabendo que a circunferência dos nove pontos é tangente interiormente à inscrita, determina a distância entre os seus centros.

Exercício 92§A1 · os pontos de tangência

Num triângulo [ABC], a circunferência inscrita toca [BC] em X, [CA] em Y e [AB] em Z.

a) Justifica que \overline{AY} = \overline{AZ}, \overline{BZ} = \overline{BX} e \overline{CX} = \overline{CY}. b) Sendo a, b e c os comprimentos dos lados e s o semiperímetro, mostra que \overline{AY} = s - a.

Exercício 93§A1 · a enciclopédia

Na Encyclopedia of Triangle Centers, os pontos notáveis são numerados X_{1}, X_{2}, X_{3}, … Os cinco primeiros são: incentro, baricentro, circuncentro, ortocentro e centro da circunferência dos nove pontos, por esta ordem.

Indica o número de cada um dos pontos seguintes: o ortocentro, o centro da circunferência dos nove pontos, e o ponto onde se encontram as mediatrizes.

Exercício 94§A1 · os três segmentos são iguais

Sobre os lados de um triângulo [ABC] constroem-se, para fora, os triângulos equiláteros [BCA'], [CAB'] e [ABC'].

Prova que \overline{AA'} = \overline{CC'}.

Exercício 95§A1 · a desigualdade de Euler

Num triângulo qualquer, sejam R o raio da circunferência circunscrita e r o da inscrita.

Usando o teorema de Feuerbach — a circunferência dos nove pontos é tangente interiormente à circunferência inscrita — prova que R \geq 2r, e diz quando é que vale a igualdade.

Exercício 96§A1 · todos no eixo

Seja [ABC] um triângulo isósceles com \overline{AB} = \overline{AC}, e e o seu eixo de simetria.

Prova que o ponto de Fermat, o ponto de Gergonne e o ponto de Nagel pertencem todos a e.

Não é nenhum dos quatro pontos das secções anteriores — é o ponto desta secção que responde a uma pergunta de minimização.

  1. O ponto que minimiza \overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC} é o ponto de Fermat: opção (C).O baricentro minimiza outra coisa — a soma dos quadrados das distâncias aos vértices. São problemas parecidos e pontos diferentes.
RespostaOpção (C)

Do ponto de Fermat, cada lado é visto sob 120^{\circ}. Que ponto de um triângulo equilátero tem essa propriedade?

  1. Num triângulo equilátero, o ponto notável comum — incentro, circuncentro, ortocentro e baricentro — vê cada lado sob um ângulo de \dfrac{360^{\circ}}{3} = 120^{\circ}, porque os três ângulos ao centro são iguais e somam 360^{\circ}.
  2. Logo o ponto de Fermat coincide com os outros quatro: é o centro do triângulo.É o único triângulo em que os cinco pontos coincidem — e, na Enciclopédia de Pontos Notáveis, é o único em que todos os milhares de pontos catalogados se reduzem a um só.
RespostaCoincide com os outros quatro pontos notáveis, no centro do triângulo

Os três ângulos com vértice em F preenchem uma volta completa.

  1. Os três ângulos A\hat{F}B, B\hat{F}C e C\hat{F}A somam 360^{\circ}, por F ser interior.
  2. Logo C\hat{F}A = 360^{\circ}-120^{\circ}-120^{\circ} = 120^{\circ}.
  3. F é o ponto de Fermat do triângulo.
Resposta120^{\circ}; F é o ponto de Fermat

Gergonne tem que ver com a circunferência inscrita; Nagel, com as ex-inscritas.

  1. O ponto de Gergonne é a interseção das três retas que unem cada vértice ao ponto de tangência da circunferência inscrita no lado oposto: opção (C).
  2. A opção (A) daria o baricentro e a (B) o ortocentro; a (D) não define nada — a circunferência circunscrita passa pelos vértices e não corta os lados noutros pontos.
RespostaOpção (C)

Se P fosse interior e visse [BC] sob 120^{\circ}, o que se poderia dizer do ângulo em A?

  1. Se P for interior ao triângulo, o ângulo B\hat{P}C é maior do que B\hat{A}C — um ponto interior vê o lado oposto sob um ângulo maior do que o vértice.
  2. Como B\hat{A}C = 140^{\circ}, viria B\hat{P}C > 140^{\circ} > 120^{\circ}: nenhum ponto interior pode ver [BC] sob 120^{\circ}.
  3. Prova-se que, quando um dos ângulos é maior ou igual a 120^{\circ}, o mínimo da soma das distâncias está no próprio vértice desse ângulo.
  4. Logo o ponto procurado é A.Experimenta na tarefa do GeoGebra: arrasta um vértice até um dos ângulos passar dos 120^{\circ} e vê o ponto construído «sair» — a construção dos triângulos equiláteros continua a dar um ponto, mas esse ponto deixa de ser o mínimo.
RespostaUm ponto interior veria [BC] sob mais de 140^{\circ}; o mínimo está no vértice A

O comprimento total é \overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC}. Que ponto minimiza essa soma?

  1. a) O comprimento total de estrada é \overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC}, e o ponto que o minimiza é o ponto de Fermat.
  2. b) Constrói-se um triângulo equilátero sobre cada lado, para fora, e une-se cada vértice novo ao vértice oposto do triângulo. As três retas encontram-se no ponto de Fermat.
  3. c) No problema do depósito queria-se que as três distâncias fossem iguais — o que dá o circuncentro. Aqui quer-se que a soma seja mínima, que é outra pergunta e dá outro ponto.São três perguntas parecidas com três respostas diferentes: «à mesma distância dos lados» dá o incentro, «à mesma distância dos vértices» dá o circuncentro, «soma das distâncias aos vértices mínima» dá o ponto de Fermat. Ler o enunciado com cuidado é meia resolução.
Respostaa) o ponto de Fermat · b) triângulos equiláteros sobre os lados e as três retas · c) porque «igual» e «soma mínima» são condições diferentes

Duas circunferências tangentes interiormente têm a distância entre os centros igual à diferença dos raios.

  1. a) O raio da circunferência dos nove pontos é \dfrac{R}{2} = 6{,}5.
  2. b) Sendo N e I os dois centros, a tangência interior dá \overline{NI} = \dfrac{R}{2} - r = 6{,}5-4 = 2{,}5.
  3. Este é o teorema de Feuerbach na sua forma métrica.Como \overline{NI} \geq 0, sai daqui que R \geq 2r em qualquer triângulo — a desigualdade de Euler. O último exercício desta secção pede a dedução.
Respostaa) 6{,}5 · b) 2{,}5

Na alínea a), compara os dois segmentos tangentes tirados de um mesmo ponto exterior. Na b), soma as três igualdades.

  1. a) [AY] e [AZ] são segmentos de tangente tirados de A. Os triângulos [AIY] e [AIZ] são retângulos em Y e em Z, têm a hipotenusa [AI] comum e catetos \overline{IY} = \overline{IZ} = r. Logo são iguais, e \overline{AY} = \overline{AZ}. O mesmo em B e em C.
  2. b) Chamemos x = \overline{AY} = \overline{AZ}, y = \overline{BZ} = \overline{BX} e z = \overline{CX} = \overline{CY}.
  3. Então a = \overline{BC} = y+z, b = \overline{CA} = z+x e c = \overline{AB} = x+y.
  4. Somando: a+b+c = 2(x+y+z), logo x+y+z = s.
  5. Portanto x = s - (y+z) = s-a, isto é, \overline{AY} = s-a.Esta é a conta que faz funcionar o ponto de Gergonne e o ponto de Nagel — e é também a que dá r = \dfrac{b+c-a}{2} no triângulo retângulo, que se demonstrou na R1 por outro caminho.
Respostaa) por igualdade de triângulos retângulos com hipotenusa comum · b) \overline{AY} = s-a

Lê a ordem com atenção e associa cada nome ao ponto que ele descreve.

  1. O ortocentro é o quarto da lista: X_{4}.
  2. O centro da circunferência dos nove pontos é o quinto: X_{5}.
  3. «Onde se encontram as mediatrizes» é o circuncentro, que é o terceiro: X_{3}.
RespostaX_{4}, X_{5} e X_{3}

Compara os triângulos [ABA'] e [C'BC]. Repara em que \overline{BA} = \overline{BC'} e \overline{BA'} = \overline{BC}, e olha para os ângulos de vértice B.

  1. Como [ABC'] é equilátero, \overline{BC'} = \overline{BA}. Como [BCA'] é equilátero, \overline{BA'} = \overline{BC}.
  2. O ângulo A\hat{B}A' é a soma de A\hat{B}C com C\hat{B}A' = 60^{\circ}, porque [BCA'] está construído para fora: A\hat{B}A' = A\hat{B}C + 60^{\circ}.
  3. Do mesmo modo, C'\hat{B}C = C'\hat{B}A + A\hat{B}C = 60^{\circ} + A\hat{B}C.
  4. Logo A\hat{B}A' = C'\hat{B}C.
  5. Nos triângulos [ABA'] e [C'BC] tem-se \overline{BA} = \overline{BC'}, \overline{BA'} = \overline{BC} e os ângulos por eles formados são iguais. Pelo critério LAL, os dois triângulos são geometricamente iguais.
  6. Portanto \overline{AA'} = \overline{C'C}.O mesmo argumento a partir do vértice A\overline{AA'} = \overline{BB'}: os três segmentos têm o mesmo comprimento. Esse comprimento comum tem nome — é a constante de Fermat do triângulo, e é exactamente a soma mínima \overline{FA}+\overline{FB}+\overline{FC}.
RespostaOs triângulos [ABA'] e [C'BC] são iguais pelo critério LAL

Escreve a condição de tangência interior em função da distância entre os dois centros, e repara em que uma distância nunca é negativa.

  1. A circunferência dos nove pontos tem centro N e raio \dfrac{R}{2}; a inscrita tem centro I e raio r.
  2. Duas circunferências tangentes interiormente têm a distância entre os centros igual à diferença dos raios: \overline{NI} = \dfrac{R}{2} - r.
  3. Uma distância é sempre maior ou igual a zero, logo \dfrac{R}{2} - r \geq 0, isto é, R \geq 2r.
  4. A igualdade dá-se se e só se \overline{NI} = 0, ou seja, se N = I.
  5. Ora N está sobre a reta de Euler e I só lhe pertence quando o triângulo é isósceles; e num isósceles não equilátero N e I são pontos diferentes. Logo a igualdade vale exactamente no triângulo equilátero.Confere com a R5: num equilátero de lado 6 obteve-se R = 2\sqrt{3} e r = \sqrt{3}, e de facto R = 2r. Em qualquer outro triângulo a circunferência circunscrita é mais do que o dobro da inscrita.
Resposta\overline{NI} = \frac{R}{2}-r \geq 0, logo R \geq 2r, com igualdade só no triângulo equilátero

Não é preciso conhecer as construções em detalhe. Basta um argumento: a reflexão de eixo e transforma o triângulo nele próprio — e portanto transforma cada ponto notável… em quê?

  1. Seja \sigma a reflexão de eixo e. Como o triângulo é isósceles com \overline{AB} = \overline{AC}, tem-se \sigma(A) = A, \sigma(B) = C e \sigma(C) = B: a reflexão transforma o triângulo nele próprio.
  2. Cada um destes pontos é definido por uma construção que só depende do triângulo, e que não distingue B de C — as três circunferências equiláteras, as três tangências, as três ex-inscritas são as mesmas antes e depois da reflexão.
  3. Logo a reflexão transforma cada um desses pontos nele próprio: \sigma(P) = P.
  4. Mas os únicos pontos fixos de uma reflexão são os do seu eixo.
  5. Portanto o ponto de Fermat, o de Gergonne e o de Nagel pertencem todos a e.O argumento é o mesmo para qualquer ponto notável — todos os milhares da Enciclopédia. É por isso que num triângulo isósceles «toda a gente» está no eixo: é uma consequência da simetria, não uma coincidência de cada construção.
RespostaA reflexão de eixo e deixa o triângulo invariante, logo fixa cada ponto notável — e os pontos fixos de uma reflexão são os do eixo
01

Teste rápido

Doze questões de resposta imediata, com correção e explicação, sobre as oito secções. Metade delas é a mesma pergunta com outra roupa: de que três retas vem este ponto? — que é onde este tema se ganha ou se perde.

Pergunta 1 de 12
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02

Formulário essencial e referências

Tudo o que este capítulo usa, numa página. Repara em quão pouco há para decorar: quatro definições, duas razões e duas relações métricas. O resto sai delas.

Os quatro pontos notáveis

Incentro I — interseção das bissetrizes dos ângulos internos. Está à mesma distância dos três lados. Centro da circunferência inscrita. Circuncentro O — interseção das mediatrizes dos lados. Está à mesma distância dos três vértices. Centro da circunferência circunscrita. Ortocentro H — interseção das retas suporte das alturas. Baricentro G — interseção das medianas. É o centro de massa.

As duas razões que é preciso saber

\overline{AG} = \frac{2}{3}\,\overline{AM} \qquad \overline{AG} = 2\,\overline{GM} \overline{HG} = 2\,\overline{GO} \qquad \overline{HO} = 3\,\overline{GO}

A primeira é a do baricentro sobre a mediana, com M o ponto médio do lado oposto a A. A segunda é a da reta de Euler, e G está sempre entre H e O.

Circunferência inscrita e circunscrita

S = \frac{r \times P}{2} \qquad\Longleftrightarrow\qquad r = \frac{2S}{P}

S é a área, P o perímetro e r o raio da circunferência inscrita. Não é uma fórmula a decorar: sai de unir o incentro aos três vértices e somar as três áreas. Num triângulo retângulo: R = \dfrac{\text{hipotenusa}}{2}, e r = \dfrac{b+c-a}{2} com a a hipotenusa.

A circunferência dos nove pontos

Os nove: três pés das alturas, três pontos médios dos lados, três pontos médios de [AH], [BH] e [CH]. Centro N: ponto médio de [OH]. Raio: \dfrac{R}{2}. Na reta de Euler, a ordem a partir de O é O, G, N, H, a distâncias proporcionais a 0, 2, 3 e 6.

Onde cai cada ponto

Sempre interiores: incentro e baricentro. Acutângulo: os quatro interiores. Retângulo: H no vértice do ângulo reto; O no ponto médio da hipotenusa. Obtusângulo: O e H exteriores. Isósceles: os quatro sobre o eixo de simetria — colineares. Equilátero: os quatro coincidem, e a reta de Euler não fica definida.

Ângulos que aparecem muitas vezes

B\hat{I}C = 90^{\circ} + \frac{B\hat{A}C}{2} B\hat{H}C = 180^{\circ} - B\hat{A}C

A primeira mostra que B\hat{I}C é sempre obtuso. A segunda vale nos triângulos acutângulos, e sai do quadrilátero formado por A, dois pés de alturas e H.

O que é preciso do 3.º ciclo

Bissetriz — conjunto dos pontos do ângulo equidistantes dos lados. Mediatriz — conjunto dos pontos equidistantes dos extremos do segmento; perpendicular a ele no ponto médio. Reta média — o segmento que une os pontos médios de dois lados é paralelo ao terceiro e mede metade dele. Critérios de igualdade e de semelhança — LLL, LAL, ALA e AA. Teorema de Pitágoras e o seu recíproco. Razão de áreas — em figuras semelhantes de razão k, as áreas estão na razão k^{2}.

Aprofundamento · não sai em Exame

Ponto de Fermat — minimiza \overline{PA}+\overline{PB}+\overline{PC}; vê cada lado sob 120^{\circ}. Ponto de Gergonne — vértices aos pontos de tangência da inscrita. Ponto de Nagel — vértices aos pontos de tangência das ex-inscritas. Teorema de Feuerbach — a circunferência dos nove pontos é tangente à inscrita, e \overline{NI} = \dfrac{R}{2}-r. Desigualdade de EulerR \geq 2r, com igualdade só no equilátero.

Sobre a calculadora

Este capítulo tem um tutorial da calculadora, e os outros nove têm-nos aos pares. Não é descuido. A geometria sintética não tem funções para representar nem equações para resolver: a ferramenta que as Aprendizagens Essenciais recomendam para este tema é a geometria dinâmica, e é isso que as oito tarefas do GeoGebra fazem. Sobra uma conta em que a calculadora ganha mesmo à folha de papel — o sinal de a^{2}+b^{2}-c^{2}, que decide a espécie do triângulo e com ela a localização dos quatro pontos —, e é o tutorial da secção R5. Mais do que isso seria inventar contas para dar que fazer à máquina.

O GeoGebra e a ligação à Internet

Todos os capítulos do Astrolábio funcionam sem rede: o texto, as figuras, os laboratórios e o compilador de Python vão dentro do ficheiro. As tarefas do GeoGebra são a única exceção — carregam a aplicação de geogebra.org quando chegas ao pé delas. Sem ligação, o resto do capítulo continua a funcionar e cada tarefa mostra um aviso no lugar da aplicação. (Os tipos de letra também vêm da rede, mas esses têm alternativa: sem ligação o livro lê-se na mesma, noutra letra.)

Referências

Aprendizagens Essenciais de Matemática A, 10.º ano (DGE, janeiro de 2023), tema Geometria, tópico «Geometria sintética no plano», pp. 33–35. Encyclopedia of Triangle Centers, de Clark Kimberling — o catálogo dos pontos notáveis do triângulo. Atractor · Triângulos belos — explorações interativas sobre geometria do triângulo. Eduardo Veloso, Geometria — Temas atuais (Instituto de Inovação Educacional, 1998). Bento de Jesus Caraça, Conceitos Fundamentais da Matemática (Gradiva).

Onde isto continua

No 10.º ano, a seguir a este tema, vem a Geometria Analítica: os mesmos objetos com coordenadas. A mediatriz passa a ter equação, e o baricentro passa a ser a média das coordenadas dos vértices. No 12.º ano, a mediatriz e a circunferência voltam a aparecer no plano de Argand, nos Números Complexos, como conjuntos de pontos definidos por condições.

03

Exercícios de Exame e globais

Vinte itens no formato do Exame Nacional, misturando as oito secções. Ao contrário dos exercícios propostos, aqui o enunciado não diz de que secção vem — e descobrir isso é metade do trabalho.

Exercícios de Exame · Geometria Sintética

Vinte itens no formato do Exame Nacional. O primeiro é o único item de Prova Nacional que existe sobre este tema: a geometria sintética entrou nas Aprendizagens Essenciais em janeiro de 2023, e o primeiro Exame a avaliá-la foi o de 2026, 2.ª fase. Os outros dezanove foram escritos para este livro, no mesmo formato — e é por isso que só o primeiro conta para o número de itens de exame da capa. À medida que forem saindo novas provas, os itens verdadeiros entram e os nossos vão saindo.

Item 1 construçãoExame 2026 · 2.ª Fase

Na figura estão representados o triângulo [PQR] e os pontos B, C e S.

Sabe-se que:

os pontos B e C são, respetivamente, o baricentro e o circuncentro do triângulo [PQR]; o ponto S é o ponto médio do segmento de reta [RQ]; o ponto C pertence ao segmento de reta [PS]; \overline{PR} = \overline{PQ}, \overline{PB} = 6 e \overline{QR} = 6\sqrt{6}.

Determine \overline{CS}.

Um triângulo PQR com o ponto S, médio de RQ, e os pontos B e C sobre o segmento PS
Item 2 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Na figura estão representados o triângulo [ABC] e as bissetrizes dos ângulos internos de vértices A e B, que se intersetam no ponto D.

Qual das afirmações seguintes é verdadeira?

D A B C
As bissetrizes dos ângulos de vértices A e B encontram-se em D.
  • (A)D está à mesma distância dos três vértices do triângulo.
  • (B)D está à mesma distância dos três lados do triângulo.
  • (C)D é o ponto médio de um dos lados do triângulo.
  • (D)D pertence à mediatriz de [AB].
Item 3 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Na figura está representado um triângulo obtusângulo [ABC] e dois pontos, X e Y, exteriores ao triângulo.

Sabe-se que X e Y são, por alguma ordem, dois dos quatro pontos notáveis do triângulo.

Quais podem ser X e Y?

X Y A B C
Um triângulo obtusângulo e dois pontos, X e Y, exteriores.
  • (A)O incentro e o baricentro
  • (B)O incentro e o ortocentro
  • (C)O circuncentro e o ortocentro
  • (D)O baricentro e o circuncentro
Item 4 construçãoItem original · formato de Exame

Considere um triângulo [ABC] retângulo em A.

Sabe-se que:

\overline{AB} = 9; \overline{AC} = 12.

a) Determine o raio da circunferência inscrita no triângulo. b) Determine o raio da circunferência circunscrita ao triângulo. c) Determine a distância entre o ortocentro e o circuncentro do triângulo.

Item 5 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Num triângulo [ABC], G é o baricentro e M é o ponto médio de [BC].

Sabe-se que \overline{AM} = 18.

Qual é o valor de \overline{GM}?

  • (A)6
  • (B)9
  • (C)12
  • (D)\dfrac{18}{5}
Item 6 construçãoItem original · formato de Exame

Considere um triângulo [ABC] e seja G o seu baricentro.

Sabe-se que:

D é o ponto médio de [BC]; E é o ponto médio de [AC]; \overline{AD} = 36 e \overline{BE} = 27; a área do triângulo [ABC] é 144.

a) Determine o perímetro do triângulo [ABG], sabendo que \overline{AB} = 20. b) Determine a área do triângulo [BGD].

Item 7 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Considere um triângulo [ABC] acutângulo, com B\hat{A}C = 47^{\circ}, e seja H o seu ortocentro.

Qual é a amplitude do ângulo B\hat{H}C?

  • (A)47^{\circ}
  • (B)86^{\circ}
  • (C)94^{\circ}
  • (D)133^{\circ}
Item 8 construçãoItem original · formato de Exame

Considere um triângulo [ABC] inscrito numa circunferência de centro O e raio 17.

Sabe-se que a distância de O à reta BC é 8.

a) Determine \overline{BC}. b) Justifique que o ponto O pertence à mediatriz de [BC].

Item 9 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Num triângulo não equilátero, sejam O o circuncentro, G o baricentro e H o ortocentro.

Sabe-se que \overline{OH} = 27.

Qual é o valor de \overline{GH}?

  • (A)9
  • (B)13{,}5
  • (C)18
  • (D)54
Item 10 construçãoItem original · formato de Exame

Considere um triângulo isósceles [ABC], com \overline{AB} = \overline{AC}.

Sabe-se que:

H e O são, respetivamente, o ortocentro e o circuncentro do triângulo; \overline{BC} = 10; a área do quadrilátero [BHCO] é 35.

a) Justifique que as diagonais do quadrilátero [BHCO] são perpendiculares. b) Determine a distância do baricentro do triângulo ao circuncentro.

Item 11 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Na figura está representado um triângulo [ABC], a circunferência dos nove pontos, o seu centro M e um dos nove pontos, E.

Sabe-se que \overline{ME} = 4.

Qual é o raio da circunferência circunscrita ao triângulo [ABC]?

M E A B C
A circunferência dos nove pontos, o seu centro M e um dos nove pontos, E.
  • (A)2
  • (B)4
  • (C)8
  • (D)16
Item 12 construçãoItem original · formato de Exame

Considere um triângulo [ABC] não equilátero, e sejam O, G, H e N, respetivamente, o circuncentro, o baricentro, o ortocentro e o centro da circunferência dos nove pontos.

Sabe-se que \overline{OH} = 30.

a) Determine \overline{OG}, \overline{ON} e \overline{GN}. b) Indique a ordem por que os quatro pontos aparecem na reta de Euler, a começar em O. c) Sabendo ainda que o raio da circunferência dos nove pontos é 13, determine o raio da circunferência circunscrita.

Item 13 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Considere um triângulo cujos lados medem 8, 15 e 17.

Qual das afirmações seguintes é verdadeira?

  • (A)O ortocentro é interior ao triângulo.
  • (B)O circuncentro é exterior ao triângulo.
  • (C)O ortocentro coincide com um dos vértices do triângulo.
  • (D)O incentro coincide com o baricentro.
Item 14 construçãoItem original · formato de Exame

Um terreno tem a forma de um triângulo e é delimitado por três muros retos.

Sabe-se que:

o terreno tem 420\ \text{m}^{2} de área; o perímetro do terreno é 105 metros.

Pretende-se instalar um aspersor de rega que fique à mesma distância dos três muros e que regue um círculo tangente aos três.

a) Identifique o ponto notável do triângulo onde deve ser instalado o aspersor, justificando. b) Determine o alcance mínimo que o aspersor deve ter para regar até aos muros. c) Determine a área da zona do terreno que fica por regar, apresentando o resultado arredondado às unidades.

Item 15 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Um triângulo está inscrito numa circunferência de raio 9.

Qual das afirmações seguintes é necessariamente verdadeira?

  • (A)O maior lado do triângulo mede 18.
  • (B)O centro da circunferência é o circuncentro do triângulo.
  • (C)O triângulo é retângulo.
  • (D)O centro da circunferência é interior ao triângulo.
Item 16 construçãoItem original · formato de Exame

Considere um triângulo [ABC] em que o ângulo de vértice C é obtuso.

a) Indique, justificando, quantas das três alturas têm o pé no prolongamento do lado correspondente. b) Prove que, se o ortocentro de um triângulo coincidir com um dos seus vértices, o triângulo é retângulo nesse vértice.

Item 17 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Num triângulo [ABC] de área 96, traçaram-se as três medianas. Seja G o baricentro e M o ponto médio de [AB].

Qual é a área do triângulo [AGM]?

  • (A)8
  • (B)16
  • (C)24
  • (D)32
Item 18 construçãoItem original · formato de Exame

Considere um triângulo [ABC] isósceles, com \overline{AB} = \overline{AC} = 13 e \overline{BC} = 24.

a) Determine a área do triângulo. b) Determine o raio da circunferência inscrita. c) Determine a distância do baricentro ao vértice A. d) Justifique que os quatro pontos notáveis do triângulo são colineares.

Item 19 escolha múltiplaItem original · formato de Exame

Qual das afirmações seguintes é falsa?

  • (A)Em qualquer triângulo, o incentro pertence à reta de Euler.
  • (B)Em qualquer triângulo isósceles não equilátero, os quatro pontos notáveis são colineares.
  • (C)Num triângulo equilátero, a reta de Euler não fica definida.
  • (D)Em qualquer triângulo, o baricentro está entre o ortocentro e o circuncentro.
Item 20 construçãoItem original · formato de Exame

Considere um triângulo [ABC] e seja O o seu circuncentro.

Sabe-se que:

o raio da circunferência circunscrita é 10; o raio da circunferência inscrita é 4.

a) Determine o raio da circunferência dos nove pontos. b) Sabendo que a circunferência dos nove pontos é tangente interiormente à circunferência inscrita, determine a distância entre os seus centros. c) Prove que, em qualquer triângulo, R \geq 2r.

Começa por \overline{PS}: o baricentro está a dois terços da mediana. Depois usa o facto de o circuncentro ser equidistante dos vértices — e repara em que o triângulo [CSR] é retângulo em S.

  1. [PS] é a mediana relativa a [QR], e B é o baricentro. Logo \overline{BS} = \dfrac{\overline{PB}}{2} = 3, e \overline{PS} = \overline{PB}+\overline{BS} = 6+3 = 9.
  2. Como C é o circuncentro, é equidistante dos vértices: \overline{PC} = \overline{RC}.
  3. De \overline{PC} = \overline{PS}-\overline{CS} vem \overline{PC} = 9-\overline{CS}, e portanto também \overline{RC} = 9-\overline{CS}.
  4. S é o ponto médio de [QR], logo \overline{SR} = \dfrac{6\sqrt{6}}{2} = 3\sqrt{6}.
  5. Como \overline{PR} = \overline{PQ}, o triângulo [PQR] é isósceles e [PS] é também altura: o triângulo [CSR] é retângulo em S.
  6. Pelo Teorema de Pitágoras: \overline{RC}^{2} = \overline{CS}^{2}+\overline{SR}^{2} \;\Leftrightarrow\; \left(9-\overline{CS}\right)^{2} = \overline{CS}^{2}+\left(3\sqrt{6}\right)^{2}.
  7. Cálculo auxiliar: 81-18\,\overline{CS}+\overline{CS}^{2} = \overline{CS}^{2}+54, donde 81-54 = 18\,\overline{CS}.
  8. 18\,\overline{CS} = 27, logo \overline{CS} = \dfrac{27}{18} = \dfrac{3}{2}.
Resposta\overline{CS} = \dfrac{3}{2} = 1{,}5

D é o incentro. O que caracteriza o incentro: distâncias aos lados ou aos vértices?

  1. D é o ponto de interseção de duas bissetrizes internas, logo é o incentro.
  2. O incentro é o ponto equidistante das retas suporte dos lados: opção (B).
  3. A opção (A) descreve o circuncentro; a (D) só seria verdadeira se o triângulo fosse isósceles com \overline{CA} = \overline{CB}, o que a figura não garante.
RespostaOpção (B)

Dois dos quatro pontos notáveis nunca saem do triângulo. Quais?

  1. O incentro está nas três bissetrizes internas e o baricentro nas três medianas: ambos são sempre interiores.
  2. Logo dois pontos exteriores só podem ser o circuncentro e o ortocentro: opção (C).
RespostaOpção (C)

Começa pela hipotenusa. Para a alínea a), une o incentro aos três vértices e soma as áreas.

  1. Cálculo auxiliar: \overline{BC} = \sqrt{9^{2}+12^{2}} = \sqrt{225} = 15.
  2. a) A área é \dfrac{9 \times 12}{2} = 54 e o perímetro é 9+12+15 = 36.
  3. Unindo o incentro aos vértices, o triângulo parte-se em três com a mesma altura r, logo S = \dfrac{rP}{2} e r = \dfrac{2 \times 54}{36} = 3.
  4. b) Num triângulo retângulo o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa, logo R = \dfrac{15}{2} = 7{,}5.
  5. c) O ortocentro é o vértice A e o circuncentro é o ponto médio de [BC]. O segmento que os une é a mediana relativa à hipotenusa, que mede metade dela: 7{,}5.
  6. Verificação da desigualdade de Euler: R = 7{,}5 \geq 2r = 6
Respostaa) 3 · b) 7{,}5 · c) 7{,}5

O baricentro divide a mediana em duas partes: uma é o dobro da outra. Qual delas é a que toca o ponto médio?

  1. O baricentro está a \dfrac{2}{3} da mediana, a contar do vértice: \overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 18 = 12.
  2. Logo \overline{GM} = 18-12 = 6: opção (A).A opção (C) é o erro de contar o terço a partir do lado errado.
RespostaOpção (A)

Na alínea a), os lados [AG] e [BG] são pedaços de medianas. Na b), lembra-te dos seis triângulos equivalentes.

  1. a) \overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 36 = 24 e \overline{BG} = \dfrac{2}{3} \times 27 = 18.
  2. Perímetro de [ABG]: 20+24+18 = 62.
  3. b) As três medianas dividem o triângulo em seis triângulos equivalentes, e [BGD] é um deles.
  4. Logo a sua área é \dfrac{144}{6} = 24.
Respostaa) 62 · b) 24

Há uma relação simples entre B\hat{H}C e o ângulo do vértice A. Encontra-a com o quadrilátero formado por A, por dois pés de alturas e por H.

  1. Sejam P e Q os pés das alturas tiradas de B e de C. No quadrilátero [AQHP] há dois ângulos retos.
  2. Logo Q\hat{H}P = 360^{\circ}-90^{\circ}-90^{\circ}-47^{\circ} = 133^{\circ}.
  3. B\hat{H}C é verticalmente oposto, logo mede também 133^{\circ}: opção (D).
  4. Confere: 133^{\circ} = 180^{\circ}-47^{\circ}.As opções (B) e (C) vêm de confundir esta relação com a do incentro, B\hat{I}C = 90^{\circ}+\frac{\alpha}{2}, que aqui daria 113{,}5^{\circ}.
RespostaOpção (D)

A perpendicular tirada do centro para uma corda encontra-a no ponto médio. Fica um triângulo retângulo com hipotenusa igual ao raio.

  1. b) O é o circuncentro, logo \overline{OB} = \overline{OC}: está à mesma distância dos extremos de [BC], o que é a definição de pertencer à mediatriz.
  2. a) Sendo M o pé da perpendicular tirada de O para BC, a alínea anterior garante que M é o ponto médio de [BC].
  3. O triângulo [OMB] é retângulo em M, com \overline{OB} = 17 e \overline{OM} = 8.
  4. Cálculo auxiliar: \overline{MB} = \sqrt{17^{2}-8^{2}} = \sqrt{289-64} = \sqrt{225} = 15.
  5. Logo \overline{BC} = 2 \times 15 = 30.
Respostaa) 30 · b) porque \overline{OB} = \overline{OC}

O segmento [OH] divide-se em três partes iguais, e G está numa das marcas. Em qual?

  1. Pela relação de Euler, \overline{GH} = 2\,\overline{OG}, e G está entre O e H.
  2. Logo \overline{OH} = 3\,\overline{OG}, donde \overline{OG} = 9 e \overline{GH} = 18: opção (C).A opção (B) confunde o baricentro com o centro da circunferência dos nove pontos, que esse é o ponto médio de [OH].
RespostaOpção (C)

Num triângulo isósceles, H e O estão sobre o eixo de simetria. Que relação tem esse eixo com [BC]?

  1. a) Como \overline{AB} = \overline{AC}, a mediana relativa a [BC] é também altura e mediatriz. Logo o ortocentro e o circuncentro pertencem a essa reta, que é perpendicular a [BC].
  2. As diagonais de [BHCO] são [BC] e [HO], e acabámos de ver que são perpendiculares.
  3. b) Num quadrilátero de diagonais perpendiculares, a área é metade do produto das diagonais: 35 = \dfrac{10 \times \overline{HO}}{2} = 5\,\overline{HO}, donde \overline{HO} = 7.
  4. Pela relação de Euler, \overline{HO} = 3\,\overline{GO}, logo \overline{GO} = \dfrac{7}{3}.
Respostaa) porque ambos os pontos estão no eixo de simetria, perpendicular a [BC] · b) \dfrac{7}{3}

[ME] é um raio de qual circunferência? E que relação há entre os dois raios?

  1. M é o centro da circunferência dos nove pontos e E pertence-lhe, logo \overline{ME} é o raio dessa circunferência.
  2. Esse raio é metade do raio da circunferência circunscrita: 4 = \dfrac{R}{2}, donde R = 8: opção (C).
RespostaOpção (C)

Mede tudo a partir de O: um dos pontos está a um terço do caminho e o outro a meio.

  1. a) Pela relação de Euler, \overline{OH} = 3\,\overline{OG}, logo \overline{OG} = 10.
  2. N é o ponto médio de [OH], logo \overline{ON} = 15.
  3. \overline{GN} = 15-10 = 5.
  4. b) A distâncias 0, 10, 15 e 30 de O, a ordem é O, G, N, H.
  5. c) O raio da circunferência dos nove pontos é metade do da circunscrita, logo R = 26.
Respostaa) 10, 15 e 5 · b) O, G, N, H · c) 26

Compara 17^{2} com 8^{2}+15^{2}.

  1. Cálculo auxiliar: 8^{2}+15^{2} = 64+225 = 289 = 17^{2}.
  2. Pelo recíproco do Teorema de Pitágoras, o triângulo é retângulo.
  3. Num triângulo retângulo o ortocentro é o vértice do ângulo reto: opção (C).
  4. A (A) é falsa — o ortocentro está sobre a fronteira, não no interior; a (B) também, porque o circuncentro está sobre a hipotenusa; a (D) exigiria um triângulo equilátero.
RespostaOpção (C)

Na alínea b), o alcance é o raio da circunferência inscrita, e sai da área e do perímetro. Na c), subtrai a área do círculo à área do terreno.

  1. a) «À mesma distância dos três muros» é «à mesma distância das três retas dos lados»: é o incentro, ponto de interseção das bissetrizes dos ângulos internos.
  2. b) Unindo o incentro aos três vértices, o triângulo parte-se em três com a mesma altura r, logo S = \dfrac{rP}{2}: r = \dfrac{2 \times 420}{105} = 8. O alcance mínimo é 8 metros.
  3. c) A área do círculo regado é \pi \times 8^{2} = 64\pi \approx 201{,}06\ \text{m}^{2}.
  4. Fica por regar 420-64\pi \approx 218{,}94, ou seja, cerca de 219\ \text{m}^{2}.
Respostaa) o incentro · b) 8 metros · c) cerca de 219\ \text{m}^{2}

Estar inscrito quer dizer que os três vértices estão sobre a circunferência. O que é que isso obriga o centro a ser?

  1. Se os três vértices pertencem à circunferência, o centro está à mesma distância dos três: é, por definição, o circuncentro. Opção (B).
  2. A (A) só valeria se um dos lados fosse um diâmetro; a (C) é a mesma coisa, dita de outra maneira; a (D) é falsa quando o triângulo é obtusângulo.
RespostaOpção (B)

Na alínea b), se H = A, a reta suporte da altura tirada de B passa em B e em A. Que reta é essa?

  1. a) A altura tirada de C encontra [AB] dentro do lado, porque os ângulos em A e em B são agudos.
  2. As alturas tiradas de A e de B encontram os prolongamentos de [BC] e de [AC], para lá de C. São, portanto, duas.
  3. b) Suponhamos que o ortocentro é o vértice A. Então A pertence à reta suporte da altura tirada de B.
  4. Essa reta passa em B e em A, logo é a reta AB.
  5. Mas essa altura é perpendicular a AC, por definição. Logo AB \perp AC.
  6. O ângulo de vértice A é reto: o triângulo é retângulo em A.
Respostaa) duas — as tiradas dos vértices agudos · b) AB é a altura tirada de B, logo AB \perp AC

Quantos dos seis triângulos equivalentes é que [AGM] é?

  1. As três medianas dividem o triângulo em seis triângulos com a mesma área, cada um com \dfrac{96}{6} = 16.
  2. [AGM] é um deles — tem por lados metade de [AB], um pedaço de mediana e outro. Logo a sua área é 16: opção (B).A opção (D) seria a área de [ABG], que é a união de dois dos seis.
RespostaOpção (B)

Começa pela altura relativa a [BC]. As alíneas b) e c) saem dela; a d) é uma consequência da simetria.

  1. Seja M o ponto médio de [BC]. Cálculo auxiliar: \overline{AM} = \sqrt{13^{2}-12^{2}} = \sqrt{25} = 5.
  2. a) A área é \dfrac{24 \times 5}{2} = 60.
  3. b) O perímetro é 13+13+24 = 50, logo r = \dfrac{2 \times 60}{50} = 2{,}4.
  4. c) [AM] é mediana, e o baricentro está a \dfrac{2}{3} dela: \overline{AG} = \dfrac{2}{3} \times 5 = \dfrac{10}{3}.
  5. d) Como \overline{AB} = \overline{AC}, a reta AM é ao mesmo tempo mediana, altura, mediatriz de [BC] e bissetriz do ângulo de vértice A. Cada uma destas quatro condições põe nela um dos quatro pontos notáveis, que ficam portanto colineares.
Respostaa) 60 · b) 2{,}4 · c) \dfrac{10}{3} · d) todos pertencem à reta AM

Três das afirmações são resultados do capítulo. A quarta é a armadilha clássica: quantos dos quatro pontos é que a reta de Euler contém?

  1. A reta de Euler contém três dos quatro pontos notáveis: o circuncentro, o baricentro e o ortocentro. O incentro em geral não lhe pertence.
  2. Logo a afirmação falsa é a (A).
  3. As outras três são verdadeiras: num isósceles os quatro pontos estão no eixo de simetria; num equilátero os três pontos coincidem e a reta não fica definida; e G está sempre entre H e O.
RespostaOpção (A)

Na alínea c), usa a relação da alínea b) e o facto de uma distância nunca ser negativa.

  1. a) O raio da circunferência dos nove pontos é \dfrac{R}{2} = 5.
  2. b) Em duas circunferências tangentes interiormente, a distância entre os centros é a diferença dos raios: \overline{NI} = \dfrac{R}{2}-r = 5-4 = 1.
  3. c) Pela alínea anterior, em qualquer triângulo \overline{NI} = \dfrac{R}{2}-r.
  4. Uma distância é sempre maior ou igual a zero, logo \dfrac{R}{2}-r \geq 0, isto é, R \geq 2r.
  5. A igualdade só se dá quando N = I, o que acontece exactamente no triângulo equilátero.Este resultado chama-se desigualdade de Euler. Confere com o triângulo do enunciado: 10 \geq 8
Respostaa) 5 · b) 1 · c) de \overline{NI} = \frac{R}{2}-r \geq 0

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